02/07/2026

Húbris: Canto Folclórico

Heleno, pai dos helenos,

teve uma filha mui fermosa;

a qual comparada com as ninfas teve menos

preparo e mais amor; e sua filha

se apaixonou pelo filho da estrela d’alva.

De conjugação deste amor surgiu

a aurora helênica, glória maior

da filosofia, iniciando pela mitologia menor.

Alcíone e Ceix viveram um enlace de amor,

até que pela soberba foram atingidos pela sacrílega dor.

A glória da helenicidade se tornara em elementos infamantes,

pois a soberba se tornara algum comum entre os amantes.

 

De Ceix o orgulho e a soberba,

fora expressão da húbris, que exacerba

a condição moral de Ceix antes deste juízo,

já que a vaidade dissera: neste eu me enraízo!

Oh, Ceix, descendente do Auro Helênico,

te tornastes na zombaria do aduz cênico.

A vossa soberba, inexorável e bronzina,

lhe trouxera da vida a corrente esterlina,

e prendeste-te em vossa loucura,

a qual não possui cura.

Incauta e fera soberba humana,

sois dos males a mais ufana.

 

Da soberba a consequência

é algo que transcende a ciência;

o juízo dos deuses foi tão pesado

que se tornou um imenso fado,

cantado pelas ninfas e pelas moiras

em versificação assaz rudes e grosseiras;

o juízo foi húbrico e cabal

dado o vosso inominável mal;

e no Olimpo não teve chicana:

fostes amaldiçoado em Sula bassana.

A maldição de Ceix o tornara em animal alciônico,

pois sua vida se transformara em vício mofético.

 

E, de Alcíone a obstinação e a soberba,

fora expressão de vossa vida acerba,

demonstrando que o juízo foi verdadeiro,

pois a culpa da obstinação tem o mal como coerdeiro.

Oh, Alcíone, descendente da alva estrela,

fostes acometida peo irônico juízo que atrela

imoralidade, aqueronticidade, desonestidade,

inimigos jurados da verdade,

que tornaram-na numa infernosa

mulher, ó desdita infame e dolorosa.

A mulher alciônica se torna numa zombeteira

porque é culpada de ser feiticeira.

 

Da obstinação a consequência

é algo que transcende a sapiência;

o juízo pesado de Zeus

assombrou até Asmodeus;

um juízo maldito e amaldiçoador,

que até nas moiras ao dizer-lhe causou dor.

O juízo foi húbrico, certeiro e sem-igual,

transformando-a num terrível animal,

o que fez Zeus proclamar uma eterna maldição

como consequência a quem pratica a sacrilegação;

e Alcíone no juízo em corda bamba

se tornou em forma de Ariramba.

 

Este é o mistério do juízo em húbris,

mui pior do que os praguejos de Anúbis.

A soberba é um mal tão terrível

que torna o humano ao demônio em nível.

A soberba é mãe dos sacrilégios,

os quais fazem da obstinação o princípio de seus subterfúgios.

A mulher em ave se tornar,

e ainda sobre todos os bens praguejar,

é apenas uma cabal demonstração

que os deuses em juízo contra os sacrílegos sempre têm razão;

e que esta espantosa transformação

seja aos soberbos uma eterna lição.

 

A filosofia da húbris é sabedoria

olímpica para ensinar que a mitologia

surge de fatos reais, necessários à vida,

a fim de transmitirem o saber

para que os seres humanos evitem o que causa a comoção

do Aqueronte; e isto é um bom e necessário querer

a fim de evitar a destruição que flui da perdição,

que corrompe o coração e destrói a criação.

Em húbrico se torna quem pratica o mal,

ou quem vivencia-o pela desobediência, tal como a mulher de sal.

Nabucodonosor se tornou em lobisomem

porque quis ser mais do que homem.

 

Ó folclore bendito e abençoador,

da verdade um ensinador;

Schelling compreendera teus fundamentos,

e sobre a mitologia deu ensinamentos,

explicando e filosofando, pois a mitologização

é uma forma apurada de natural revelação.

O folclore e sua ciência, a mitologia,

são da sabedoria uma especiaria

em função da verdade, para qual os mitos

se tornam em úteis e preciosos ditos.

Eia, pois, a glória do folclore:

ensinar como a vida corre, concorre e decorre.

 

E escrevo a todos este canto,

e que ressoe sem espanto:

o estudo da sabedoria inicia-se pela mitologia,

para depois ser elevado na filosofia;

pois, a literatura é o intermeio da sabedoria

a fim de no saber conduzir o que tem valor à preceptoria.


Fim de “Húbris: Canto Folclórico”.

Laudate Deo!


01/07/2026

A cruz sagrada seja a minha luz

Eis algumas declarações a partir da conhecida sentença oracional de São Bento, “a cruz sagrada seja a minha luz”:


A cruz sagrada seja a minha luz,

pois a Cristo sempre me conduz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

a qual o Amor de Deus traduz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

pois Seu amor sempre me concede vida a flux.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

oração que sobre o Demônio reluz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

que neutraliza o mal que seduz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

a qual para a santidade aduz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

a qual para a retidão me induz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

a qual nos homens mudança produz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

que na experiência com Deus introduz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

a qual a santidade de Deus reproduz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

a qual o poder do pecado nos fiéis reduz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

a fonte pela qual minha inteligência eduz.

 

A cruz sagrada seja a minha luz,

a qual sobre o meu coração esparge sobreluz.


Húbris: Canto Folclórico

Heleno, pai dos helenos, teve uma filha mui fermosa; a qual comparada com as ninfas teve menos preparo e mais amor; e sua filha se a...