27/03/2026

Conselhos aos Jovens sobre a Vida Casta

Prólogo

 

Prezado colega, recebi vossa indagação sobre o que é necessário para viver uma vida casta, e decidi lhe responder já que você sendo jovem conheceu a fé a pouco tempo; e o faço também como sendo jovem, pois também sou jovem; e respondo-lhe, tecendo alguns conselhos aos jovens sobre como viver a vida casta de acordo com a reta razão e de acordo com a Sagrada Escritura; pois, é parte do que concerne a fé verdadeira a compreensão sobre como se deve viver.

E espero que estas ponderações lhe encontrem bem, a fim de que consiga entender que a ordenação divina para a vida cristã é a castidade, lembrando do dito de Santo Agostinho no livro X das “Confissões”: “Tu nos ordena à continência” (cap. XXIX), isto é, Deus nos ordena a castidade; pois, a incontinência, a falta de castidade, destrói a inteligência (cf. Os 4.11); etc.

De fato, para todos os fiéis, especialmente para os jovens, a castidade é de uma imensa utilidade; pois, a unidade da fé só é preservada através da vida casta dos fiéis; e a juventude só é plenamente vivida e usufruída em toda sua beleza e força através da vida casta. Ser casto: isto significa ser jovem.

Eis, portanto, alguns conselhos aos jovens sobre como viver em castidade:

 

§ 1

 

Crie o hábito de ler a Sagrada Escritura todos os dias (cf. Sl 119.97); separe um momento do dia, seja de manhã ou de noite, ou o horário que puder, e todos os dias leia a Escritura neste momento com disciplina inquebrantável (cf. Dt 17.19). A leitura e a meditação da Sagrada Escritura mostrar-lhe-á o caminho para os pastos do Bom Pastor (cf. Jo 5.39; Sl 23.1-6).

 

§ 2

 

Crie o hábito de orar todos os dias (cf. 1Ts 5.17); separe um momento do dia, se possível em conjunto com o da leitura da Sagrada Escritura, seja de manhã ou de noite, ou o horário que puder, e todos os dias pratique a oração (cf. Ef 3.14); pode ser a oração do rosário inteiro, ou o terço, ou a oração do coração; e acople a isso orações outras, tanto de devocionários quanto orações espontâneas diante de Deus (cf. Fp 4.6-7), e sempre com sinceridade (cf. Sl 51.17). A oração constante e contemplativa lhe conduzirá para o conhecimento de Deus e o conhecimento de si mesmo.

 

§ 3

 

Conheça a si mesmo; quem conhece a si mesmo evita muitos erros e desvios; o conheci de si, alcançado a medida do conhecimento de Deus, sempre lhe será um útil aliado na senda da castidade. Um princípio da sabedoria espiritual é conhecer a si mesmo, para alcançar a sinceridade sobre si diante de si e diante de Deus.

 

 

§ 4

 

Não tenha receios quanto a se expor totalmente diante de Deus; seja totalmente sincero consigo e diante de Deus; exponha a Deus todos os buracos de sua alma; conte a Deus tudo o que sente, e deixe Ele te curar com Seu Espírito a medida de sua sinceridade e de vossa busca pela santidade.

 

§ 5

 

Obedeça aos mandamentos divinos; a obediência aos mandamentos é a fonte da firmeza para a vida casta; quem obedece a Deus é fortalecido para a vida na fé; na verdade, quem obedece aos mandamentos divinos demonstra que verdadeiramente ama a Deus (cf. Jo 14.14). E o amor a Deus é o que lhe conduzirá cada vez mais à perfeição necessária da vida casta; lembre-se que este caminho deve ser palmilhado de acordo com a medida da estatura de Cristo (cf. Ef 4.13). Ame a Deus para ser casto e seja casto para demonstrar o vosso amor a Deus.

 

§ 6

 

Tenha disciplina nas coisas cotidianas; saiba ponderar sobre o vosso estado de vida, e procure exercê-lo da melhor maneira possível: seja no trabalho manual, seja no estudo, etc.; e em vosso estado de vida, procure concatenar a disciplina necessária para a excelência no que realiza, e o descanso necessário para a vossa saúde física e mental.

 

§ 7

 

Busque para si momentos de lazer; todavia, se acautele dos divertimentos, pois os divertimentos conduzem à perdição. No lazer, pratique algum esporte ou hobby; e evite sempre o que é pecaminoso ou o que conduz ao pecado.

 

§ 8

 

Se possível, participe ativamente nas atividades eclesiais; vá a liturgia, preferencialmente em liturgias onde não se tem abuso litúrgico; não vá em liturgias bagunçadas ou onde há loucura espiritual na liturgia; participar na liturgia lhe será sempre muito útil em tudo que diz respeito as coisas da fé.

 

§ 9

 

Busque ler e estudar; se não tiver formação intelectual adequada, inicie a leitura e o estudo da literatura de vossa língua pátria (no caso, a língua portuguesa e a literatura brasileira); a formação literária é um eficaz meio para a formação da personalidade, e o meio mais eficaz para evitar ser açambarcado pelo emburrecimento programado.

 

§ 10

 

Estude sobre a vida dos santos; tanto dos santos doutores, quanto daqueles que são chamados “santos do cotidiano”; a inspiração da vida dos santos sempre é um grande fanal para a compreensão sobre a vida casta.

 

§ 11

 

Sempre tenha cautela e não se ajunte com aqueles que escarnecem da castidade; pois, os que escarnecem da castidade estão dominados pelo demônio da luxúria. E jamais despreze o que ouvir a respeito da castidade, seja proveniente donde for (cf. 1Ts 5.21). E saiba de uma coisa: o demônio da luxúria sempre atua através do escárnio para instituir alguma forma de desprezo contra a castidade ou para enfraquecer a força de vontade daqueles que buscam viver em castidade. O escárnio é uma raposinha que corrói a vinha da castidade.

 

§ 12

 

Tenha muita vigilância com os melindres da luxúria; pois, o demônio da luxuria atua de todos os modos para gerar rejeição e/ou despeito contra a disciplina da castidade. As tentações da luxúria sempre se manifestam com tentativas de amenizar ou atenuar as consequências espirituais da incontinência. Vigie com estes melindres, pois é através deles que muitas das vezes os jovens cristãos decaem da vida casta.

 

§ 13

 

E, por fim, sempre tenha diante de si a meditação sobre a morte; pensar sobre a própria morte ajuda a entender os caminhos nos quais se tem vivido. Lembre-se que um dia vais morrer (cf. Gn 3.19b); e lembre-se que um dia haverá de prestar contas diante de Deus por tudo o que fez por meio do corpo (cf. Ec 12.14; 2Co 5.10). Se viveres em castidade e santidade irás para o céu (cf. Jo 14.1-3; Hb 12.14); mas, se viveres em incontinência, prostituição e te esqueceres de Deus irás para o inferno (cf. Sl 9.17; 1Co 6.10; Ap 21.8).

 

Epílogo

 

Assim, tendo tecido estes conselhos, espero que lhes sirvam bem; pois, seguindo este caminho, saberá o que concerne a vida casta e como deve proceder ao iniciar nesta senda árdua; certamente, a castidade poderá parecer difícil num primeiro momento, e até penosa em outros; mas se seguir com firmeza e perseverança neste caminho, que é o caminho santo da vida cristã (cf. 1Ts 4.3-5), certamente alcançará graça e misericórdia (cf. Sl 84.11), tanto para viver dignamente diante de Deus (cf. Fp 1.27), quanto para honrá-Lo com boas obras (cf. Mt 5.16; Ef 2.10). Se fores fiel a estes conselhos, compreenderás ainda muitos outros que estão inseridos e não foram mencionados, e assim poderá alcançar a sabedoria necessária à vida casta. Que Deus o conduza e lhe fortaleça no caminho da castidade. A Ele glória eternamente. Amém. 


23/03/2026

A Sublimidade de Cristo: Resposta ao Satãnyahu

1. A dignidade de um indivíduo é aferida a partir do que este indivíduo fala de Cristo; e isto é uma regra válida tanto para cristãos quanto para não-cristãos; na verdade, psicologicamente se pode afirmar de maneira cabal que quando alguém fala de Cristo este alguém desvela o próprio estado de sua alma; quanto mais ilogicidade uma pessoa promove mais imbecilidades profere sobre Cristo; e quanto mais abominações alguém pratica mais ódio este alguém manifesta contra Cristo.

2. Na verdade, diante de infâmias ditas contra Cristo, se volve a memória a imorredoura sentença de Albert Schweitzer: “não há tarefa histórica que revele o verdadeiro interior de um homem como a de escrever uma Vida de Jesus[1]; ou dito em outros termos, não há divã que revela o verdadeiro interior de um homem do que o que este homem profere sobre Cristo; um antigo provérbio árabe dizia que se mede a dignidade de um homem pela qualidade de seus inimigos; e neste mesmo sentido, se mede a excelência de alguém pelo que é dito a seu respeito: não só por homens ilustres e honrados, mas também pelos tolos e imbecis; pois, o elogio de homens ilustres mostra a grandeza de alguém, mas também as tolices e imbecilidades ditas pelos idiotas também mostram a sublimidade de alguém.

3. Em relação a Cristo se dão ambas as coisas: tanto o elogio de pessoas ilustres, quanto a imbecilidade dos retardados; os homens ilustres honram-No e glorificam-No; mas os imbecis e tolos tentam desonrá-lo, ao passo que ao fazê-lo cometendo tantas aberrações, ilogicidades e imbecilidades demonstram a sublimidade do que criticam, pois ninguém inventa mentiras e tolices contra alguém que não tem excelência; as maiores e a mais abruptas mentiras, tolices e imbecilidades são ditas contra os maiores homens e os homens mais excelentes; e não há ninguém tão maldito e ridicularizado pelos imbecis e pelos tolos quanto Cristo; portanto, isso por si já demonstra a suma-excelência de Cristo.

E mesmo diante de tolices, imbecilidades e vilezas, a excelência de Cristo continua a brilhar fulgurantemente; com efeito, tolices, vilezas, infâmias e imbecilidades não ofuscam a glória de Cristo; em contrapartida, tolices, vilezas, infâmias e imbecilidades proferidas contra Cristo demonstram a nefanda indignidade de quem as profere. Como o próprio Dr. Schweitzer dissera, os homens criam um Jesus de acordo com seu próprio caráter; quanto mais pérfido e abjeto for o caráter de alguém, mais tolices e vilezas proferirá sobre Cristo.

4. E diante das vilezas ditas contra Cristo pelo atual primeiro-ministro de Israel, o sr. Satãnyhu, se faz necessário uma resposta a este vil baalita; ora, este vil baalita disse o seguinte: “a história prova que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se você for forte o suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente, o mal superará o bem”; esta sentença do sr. Satãnyahu, demonstra uma série de imbecilidades, o qual se utiliza dos seguintes argumentos: (i) o argumento da história; (ii) o argumento da força; (iii) o argumento moral. Na sentença do Satãnyahu se tem, consciente ou não, estes três argumentos, os quais são todos utilizados de forma falaciosa e sofística; na verdade, a sentença do Satãnyahu sobre Cristo é um amontoado de imbecilidades, falácias e vilezas.

5. Ora, diante desta afirmação infame do Satãnyahu, se faz necessário confutá-la. Em primeiro lugar, se confuta o argumento da história; pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan”; ora, para se evocar o argumento da história há de se ter provas e evidências históricas; e não há nenhuma prova histórica de que alguém tenha vantagem sobre Cristo; na verdade, o argumento da história prova a veracidade e a sublimidade de Cristo; para a falácia do Satãhyanu Gengis Khan tem vantagem sobre Cristo; no entanto, em toda a história precedente ninguém fala sobre Gengis Khan e o que Gengis Khan construiu acabou.

Portanto, pelo argumento da história, sem nem mencionar Cristo, se sabe que Gengis Khan conquanto tenha sido uma figura histórica na época em que viveu, nada na história precedente o menciona e nem a história subsequente continua suas conquistas, pois o Império Mongol acabou. Todavia, ao se falar de Cristo, toda a história que o precede o menciona, e o que Cristo construiu continua incólume com o passar dos séculos e há de continuar até o fim dos tempos.

6. Assim, pelo argumento da história, em confutação a sentença vil do Satãnyahu, se prova a excelência de Cristo e se demonstra a infinita vantagem que Cristo tem sobre Gengis Khan ou sobre qualquer outro líder histórico ou religioso; ora, pelo argumento da história se prova de dois modos que Cristo é mais excelente: primeiro, pelas profecias bíblicas; segundo, pelos ditos dos povos antigos.

Ora, em relação centenas de profecias bíblicas, se menciona as seguintes:

(i) Cristo é Filho de Deus (cf. Sl 2.7).

(ii) Cristo será ressuscitado do túmulo (cf. Sl 16.10).

(iii) Deus desamparará Cristo em sua agonia (cf. Sl 22.1).

(iv) Cristo sofrerá zombaria e ridicularização (cf. Sl 22.7-8).

(v) Cristo será odiado (cf. Sl 35.19).

(vi) Cristo será traído por um amigo íntimo (cf. Sl 41.9).

(vii) Cristo receberá vinagre e fel (cf. Sl 69.21).

(viii) Cristo nascerá de uma virgem (cf. Is 7.14).

(ix) Cristo será chamado de Emanuel (cf. Is 9.6).

(x) Cristo sofrerá de maneira abrupta e cruel (cf. Is 53.1-12).

(xi) Cristo nascerá em Belém da Judeia (cf. Mq 5.2).

E todas estas profecias foram cumpridas a risca, nos mínimos detalhes. Nenhum outro nome de importância na história mundial, seja religioso ou não, teve profecias sobre sua vinda; somente Cristo teve sua vinda profetizada desde o início do mundo.

7. E, em relação aos ditos dos povos antigos, se evoca os seguintes:

(i) Tácito dissera para os romanos que do Oriente, da Judeia, viria o Mestre e o Senhor do Mundo.

(ii) Nos “Anais do Império Celestial”, se diz que apareceu uma luz no palácio imperial; o imperador chinês, dado o resplendor desta luz, tratou de interrogar os sábios; e estes, por sua vez, trouxeram-lhe livros para lhe mostrar que este prodígio e sinal significava o aparecimento (nascimento) de um grande Santo no Ocidente.

(iii) Ésquilo, em “Prometeu”, dissera que Deus surgiria entre os homens para aceitar sobre si a maldição pelos pecados dos homens.

(iv) Platão, em “A República”, dissera que quando surgisse no mundo um homem justo, moralmente perfeito, os homens o açoitariam, o torturariam e o crucificariam.

(v) Vírgilio, nas “Bucólicas”, descreve uma mulher casta que tendo tido um filho se alegra, pois este filho poria fim a férrea gente (ou em termos teológicos, que salvaria seu povo de seus pecados [cf. Mt 1.21]).

Entre tantos outros relatos; de fato, todas as expectativas dos povos antigos, dos pagãos, também se cumpriram em Cristo. Isso se prova pelo fato de que os reis magos, representantes da expectativa dos povos pagãos, vieram para adorar a Cristo ao saberem que este havia nascido (cf. Mt 2.1-12); etc.

8. Em segundo lugar, se confuta o argumento da força; pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se você for forte o suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente”; o argumento do Satãnyahu envolve-se da dialética da força; e este argumento tanto permeia a esfera público-estatal quanto a esfera individual; ora, em sentido público-estatal, como afirmara Joseph Ratzinger, “o que deve prevalecer não é o direito do mais forte e sim a força do direito[2]; portanto, na esfera pública-estatal o argumento da força é anti-jurídico e é parte de um belicismo perigoso e assaz prejudicial; etc. E, quanto a esfera individual, é mais do que clarividente de que quem precisa comprovar algo pela força física ou bélica não tem caráter e nem tem dignidade; a força de alguém está na mansidão com que vive, pois a herança da terra é dos mansos e não dos belicosos/truculentos (cf. Sl 37.11).

9. Além do que, o argumento da força, utilizado falaciosamente pelo Satãnyahu, demonstra uma total petição de princípio: pois, a suficiência de algo não se mostra pelo poder ou pela impiedade, mas pela virtude; impetuosidade e poderio são apenas dois nomes para designar um sucesso mundano que é talhado sob os altares da desonra; a respeito disso, Nietzsche houvera alertado: “É à glória que aspiras? / Nessa caso consideres esta lição: / Renuncia a tempo e espontaneamente / À honra![3]; de fato, quem quer honra mundana, isto é, poder e força neste mundo, necessariamente tem de renunciar a honra.

Ora, a “força suficiente, etc.” que o Satãnyahu propaga não é outra coisa senão a desonra que alguém se submete para alcançar sucesso e fama neste mundo; aliás, o texto sagrado também fala contra os judeus quando estes a fim de obterem riquezas e domínio praticam canibalismo e outras abominações (cf. Ez 33.25-26); etc. Assim, pois, se confuta o argumento da força utilizado pelo Satãnyahu, para demonstrar a defasada, inútil e vil visão de mundo que permeia os sionistas; além do que, se os sionistas utilizam-se de maneira neurótica do argumento da força, não podem reclamar se esta força também for utilizada contra os próprios sionistas. Pois, como diz o Senhor Jesus: “porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão” (Mt 26.52).

10. Em terceiro lugar, se confuta o argumento moral; pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se você for forte o suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente, o mal superará o bem”; o argumento moral do Satãnyahu demonstra a toda indignidade moral do próprio Satãnyahu; a utilização do argumento moral para embasar vilezas e abominações é a confissão velada de quem comete tais abominações; mas, como este argumento fora utilizado de maneira sofística, convém confutá-lo.

Com efeito, em toda a história mundial se constata um fato indubitável, a saber, o mal nunca triunfa sobre o bem; ainda que o mal possa se avolumar e em alguns momentos pareça vencer, no final o bem sempre triunfa sobre o mal; pois, falta ao mal um fundamento metafísico; o mal é ausência de bem; o mal só vence de maneira temporária e parcial enquanto há ausência de bem; mas, diante de uma só mínima fagulha de bem, o mal começa a ser dissolvido.

Assim, o argumento moral utilizado pelo Satãnyahu por si se demonstra uma falácia; pois, a moral se dá em ordem ao bem e não em ordem ao mal; logo, o argumento moral só é utilizado corretamente em função do bem, ou para refutar o mal; quem se utiliza do argumento moral para desqualificar o bem e enaltecer o mal em si mesmo já comete sofisma no próprio argumento, ou seja, quem assim o faz demonstra ilogicidade e retardo mental.

11. Assim, se tem a confutação da sentença iniqua do Satãnyahu; no entanto, a guisa de peroração, convém mencionar no que consiste a sublimidade de Cristo; e para isso, se evoca as sentenças inspiradas da epístola aos Hebreus, para demonstrar, a partir dos tipos judaicos, que Cristo é superior a toda a lei mosaica e suas cerimônias; pois, a epístola aos Hebreus, segundo Sto. Tomás de Aquino, versa sobre a excelência de Cristo[4]; portanto, ao se mencionar topicamente a excelência de Cristo de acordo com a epístola aos Hebreus, se propugna o dito do salmista que demonstra cabalmente isso: “Entre os deuses não há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas” (Sl 86.8); etc.

12. Ora, deste modo, se evoca os seguintes argumentos sobre a excelência de Cristo a partir da epístola aos Hebreus:

(i) Jesus Cristo é mais excelente do que os anjos (cf. Hb 1.4-2.18).

(ii) Jesus Cristo é mais excelente do que Moisés (cf. Hb 3.1-4.13).

(iii) Jesus Cristo é mais excelente do que os antigos sumo-sacerdotes (Hb 4.14-6.20).

(iv) Jesus Cristo é mais excelente do que Melquisedeque (cf. Hb 7.1-22).

(v) Jesus Cristo é mais excelente como sumo-sacerdote (cf. Hb 7.23-28).

(vi) Jesus Cristo instituiu um pacto melhor e mais excelente do que o pacto da antiga aliança (cf. Hb 8.1-13; 2Co 3.1-18).

(vii) Jesus Cristo é mais excelente como mediador (cf. Hb 9.1-28).

(viii) Jesus Cristo é mais excelente em seu sacrifício vicário (cf. Hb 10.1-18).

(ix) Jesus Cristo é mais excelente porque seu sangue é mais precioso do que o sangue de Abel, pois é um sangue eterno (cf. Hb 12.24, 13.20).

(x) Jesus Cristo é mais excelente porque é imutável (cf. Hb 13.8).

Em suma, estas são algumas considerações feitas sobre a excelência de Cristo a partir da epístola aos Hebreus, que versa sobre a suma-excelência de Cristo em relação aos símbolos e figuras do judaísmo. A excelência de Cristo é comprovada diante da sombra dos bens futuros que a lei mosaica transmitia (cf. Hb 10.1ss); além do que, o próprio rei Davi afirmara sobre Cristo: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1); etc.

13. Com isso, conclui-se aqui esta breve resposta à infamante e falaciosa sentença do Satãnyahu; de fato, a excelência de Cristo se mostra rebrilhando mesmo diante dos tolos e imbecis que tendo chegado a altas posições neste mundo desferem contra Cristo os lixos que possuem no coração; a excelência de Cristo ecoa em todo o cosmos, e as blasfêmias proferidas contra Cristo não mudam este fato inexpugnável; de fato, as blasfêmias dos iníquos não tem poder de mudar a verdade.

Portanto, bendito seja o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, “Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai”, o qual por Deus Pai fora feito para os fiéis: sabedoria, justiça, santificação e redenção (cf. 1Co 1.30); a Cristo glória eternamente, o qual vive e reina em comunhão eterna com o Pai e com o Espírito Santo. Amém. 



[1] Albert Schweitzer, A Busca do Jesus Histórico [3ª ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2009], cap. I, pág. 14.

[2] In: Jürgen Habermas e Joseph Ratzinger, Dialética da Secularização: Sobre Razão e Religião [Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2007], pág. 65.

[3] Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência [São Paulo: Martin Claret, 2012], pról., § 43, pág. 29.

[4] cf. Santo Tomás de Aquino, Super Epistolam B. Pauli ad Hebraeos Lectura, proem. 


Conselhos aos Jovens sobre a Vida Casta

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