05/06/2026

Antônio Nobre

(I) Ó vós, egrégio poeta,

da solidão o exegeta,

homem de fado pesado,

e de vida no enfado.

(II) Das moiras o dizer,

fora mais do que um parecer,

disseram tal qual profecia

como sua vida seria.

(III) Tu encarnaste a tristeza de Portugal,

e isto não nos é nenhum mal,

pois ensinara que a ternura

exala após a amargura.

(IV) O Só tu cantaste,

a ti mesmo te mostraste,

tua vida narraste

e a todos te confessaste.

(V) Ó Nobre, vossa virtude,

ensinara a solicitude:

tu tornaste a tristeza

em excelsa beleza.


02/06/2026

Ambição

(I) Ó ambição, mãe das injustiças,

fonte das invejas e das covardias;

filha da inexorável fortuna,

que aos virtuosos importuna.

(II) Pela ambição se vendem,

e a si mesmos mentem,

a fim de obterem sucessos,

lhes transformando em espectros.

(III) Mas da ambição o preço,

tem a desonra por adereço,

e isto não lhes deixa surpresos,

pois na vileza os mantêm presos.

(IV) A vós vil ambição,

cantam os homens canção,

e se deleitam com a perdição

destruindo o próprio coração.

(V) Ó ambição terrível,

de chama inextinguível,

por vós os maus são exaltados

e os bons são humilhados.


Antônio Nobre

(I) Ó vós, egrégio poeta, da solidão o exegeta, homem de fado pesado, e de vida no enfado. (II) Das moiras o dizer, fora mais do q...