08/02/2026

Sobre a Reconstrução da Fenomenologia

I

 

A fenomenologia desenvolvida por Husserl é um dos pontos altos do pensamento ocidental; principalmente, porque na filosofia moderna não surgiu quase nada de bom – a fenomenologia é uma das poucas exceções; não para menos, diante do deserto da inteligência que assola os homens modernos, a fenomenologia é como um oásis; por isso, a reflexão sobre a fenomenologia se sobreleva ao horizonte de consciência dos homens modernos de tal modo que se torna quase que um método inalcançável – e por esta razão, muitos tendem a desprezar a fenomenologia tanto quanto desprezam o método escolástico.

Mas, que é a fenomenologia? Duas respostas são evocadas: (1) Olavo de Carvalho diz que “a fenomenologia é uma auto-reflexão e um autoconhecimento. É o autoconhecimento da consciência, enquanto capacidade cognitiva[1]; e, (2) segundo Husserl, “a fenomenologia é a doutrina universal das essências, em que se integra a ciência da essência do conhecimento[2].

Ora, estas duas definições dão um norte básico do que é a fenomenologia; em sentido definitório, a fenomenologia é a “doutrina universal das essências”, isto é, a doutrina que busca compreender as essências ou núcleo de sentido de cada ente; e em sentido demonstrativo, a fenomenologia é a auto-reflexão que conduz ao autoconhecimento, a fim de que a consciência se torne consciente das operações cognitivas. Portanto, a fenomenologia busca compreender a essência das coisas, para que a consciência se torne autoconsciência de si, a fim de conduzir o intelecto ao saber real.

Deste modo, a fenomenologia tanto diz respeito a atitude fundamental do indivíduo que busca conhecer, quanto do conhecimento de fato adquirido; a fenomenologia não só mostra a atitude do conhecimento, mas também a atitude do sujeito cognoscitivo; com efeito, a fenomenologia não só é um método escolar, mas também um método conscientivo.

 

II

 

A breve descrição da fenomenologia nestes termos tem por propósito evocar uma tarefa a respeito da reconstrução da fenomenologia; mas por que? A fenomenologia foi em parte esterilizada por seu próprio cultor; por esta razão se faz necessário laborar para reconstruir a fenomenologia.

E por que a fenomenologia foi esterilizada? Esta é uma indagação dificílima de se responder; pois, a atitude final de Husserl em relação a fenomenologia não foi um erro de desatenção ou paralogismo; Husserl esterilizou a fenomenologia de modo consciente; e não é fácil se entender a real razão; parece que seja por ter visto Heidegger acoplar o saber fenomenológico ao nacional-socialismo; como se sabe, isto trouxe uma grande tristeza e desgosto para Husserl, ao ver seu mais genial aluno usar a filosofia fenomenológica para embasar o nazismo.

Certamente, foi por esta razão que Husserl esterilizou a fenomenologia e “desmontou” a mesma; mas, a esterilizou não de maneira cabal, apenas para por fim a infâmia de utilizar sua descoberta e sua filosofia para propósitos nefastos; e o modo como Husserl esterilizou a fenomenologia não foi a destruição do próprio filosofar fenomenológico, mas sim o impedimento de se utilizar a fenomenologia com propósitos ideológicos.

E parece que ao fazer isso, Husserl, de maneira velada, deixou aberto o caminho para a reconstrução da fenomenologia em outra época; disto tenho plena certeza; pois, Husserl não esterilizaria de modo cabal a fenomenologia, mas o fizera de modo parcial para tirar de seus discípulos enviesados pelo nacional-socialismo o ímpeto fenomenológico; o mestre morreu antes do nazismo cometer suas maiores atrocidades, mas não se foi deste mundo sem impugnar a utilização de sua filosofia por homens descarados.

Portanto, creio ser uma das mais importantes tarefas da filosofia hodierna se aperceber disso e novamente retomar o ímpeto da fenomenologia husserliana; os alunos de Husserl e os continuadores da fenomenologia não se aperceberam disso; houveram filósofos notáveis que utilizaram-se do método fenomenológico, e escreveram obras imortais; mas, o núcleo central do desenvolvimento fenomenológico continua com a impugnação de Husserl – certamente, esperando para ser reavaliado e abalizado de modo correto.

Com isso, se põe como tarefa a iniciativa de reconstruir a fenomenologia, de retomá-la ao se dissolver a impugnação de Husserl; todavia, mantendo esta impugnação diante do descaro daqueles que querem utilizar a filosofia e/ou a ciência para propósitos ideológicos; na verdade, chega-se a conclusão de que a reconstrução da fenomenologia é uma das maiores necessidades da filosofia contemporânea. É uma hercúlea iniciativa, mas que tem de ser levada adiante o mais rápido possível.

 

III

 

E o caminho desta hercúlea iniciativa para reconstruir a fenomenologia é disposto em três partes; considerei por bem seguir este caminho tendo em vista a proposição de Heidegger sobre os problemas fundamentais da fenomenologia em três partes[3]; analisei esta proposição de Heidegger, que estruturalmente tem grande utilidade, a abalizei e reelaborei o que considerei adequado, sem os desvios da filosofia heideggeriana, para fazer uma análise reconstrutória da fenomenologia.

Com isso, estas três partes são assim sumariadas:

Ø   Parte I: A elucubração sobre o Ser. Ora, nesta parte são elucubrados os pressupostos e os aspectos fundamentais da elucubração do Ser; pois, a elucubração sobre o Ser é o núcleo da fenomenologia; a volta às coisas só é possível com o entendimento sobre o Ser; portanto, o lema fenomenológico é a volta para se elucubrar sobre o Ser tal como o mesmo está disposto na realidade, seja nas coisas seja nos entes – principalmente nos entes.

Ø   Parte II: O Ser em geral. Ora, nesta parte são elucubrados os aspectos concernentes ao próprio Ser: seus modos, emanações, distinções e propriedades; pois, o Ser está manifesto em cada núcleo de sentido da ordem da realidade; desvelar este sentido e aclará-lo constitui-se tarefa da filosofia - e da ciência; pois, o Ser em geral diz respeito a todas as manifestações do Ser, seja em si mesmo e por si mesmo, isto é, substancialmente, seja através de coisas e/ou entes, isto é, acidentalmente.

Ø   Parte III: A ideia de fenomenologia. Ora, após se por adequadamente a questão sobre o Ser, tanto no sentido do método filosófico quanto no sentido propriamente dito ontológico, se prossegue para compreender no que consiste a ideia de fenomenologia; pois, a fenomenologia está intimamente ligada a compreensão sobre o Ser; pois, do Ser emana o núcleo de sentido dos entes, os quais, ao serem existentes também se tornam um “ser”. Logo, a ideia de fenomenologia tem em si mesma um núcleo ontológico; e por ter um núcleo ontológico, tem uma estrutura lógica; por isso, a fenomenologia inicia sob um fundamento lógico e desenvolve-se sob um fundamento ontológico.

Deste modo, nestas três partes se tem o que considerei necessário adequar para designar e/ou evocar a fim de pressupor e levar adiante a reconstrução da fenomenologia; pois, embora a fenomenologia tenha se auto-esterilizado, como fora dito no início, e tenha sido deformada por vários filósofos, a necessidade de reconstruí-la está em vista de dissolver esta esterilização, bem como em livrá-la das aporias que se assomaram nesta notável escola filosófica. Este caminho proposto tem este objetivo.

 

IV

 

Ora, em relação a primeira parte – a elucubração sobre o Ser – se a subdivide em quatro seções, as quais são:

a) O Ser. [o que é o Ser? / o conhecimento do Ser / os graus de emanação do Ser / a participação / os tipos de ser]

b) A essência e a existência. [o que é essência? / os tipos de essência / o que é existência? / os modos da existência / a relação entre essência e existência / o ente, a essência e a existência]

c) A natureza e a consciência. [o que é natureza? / as esferas da natureza / os tipos de natureza / o que é consciência? / a natureza da consciência / as operações da consciência / apêndice: a filosofia da revelação]

d) A apreensão lógica. [o que é lógica? / as operações do intelecto / o que é apreensão lógica? / a lógica pura / o ato judicante]

E, nestas quatro seções, se tem o que concerne a ponderação sobre o Ser do ponto de vista puramente filosófico, pelo lume da luz interior; pois, o Ser não está velado; na verdade, o Ser está totalmente desvelado em tudo aquilo que participa do ato de ser; portanto, a existência dos entes demonstra suas essências, de modo que seja pela natureza seja pela consciência se tem a abstração do saber que está dado na realidade; e este saber abstraído é confirmado pela apreensão lógica. Assim, a elucubração sobre o Ser não somente versa sobre um tópico ontológico, mas engendra lógica e epistemologia em conjunto dialógico.

 

V

 

Ora, em relação a segunda parte – o Ser em geral – se a subdivide em cinco seções, as quais são:

a) A diferença entre Ser e ente. [as distinções entre ser e ente / a natureza do Ser / a natureza do ente / a diferença entre coisas e entes / o primado ontológico do indivíduo]

b) A articulação fundamental do Ser: essência e existência. [a dialógica entre essência e existência / o Ser nas essências / a ordem da realidade e a existência dos entes/ a essência do Ser / a existência do Ser]

c) Os modos de Ser. [as emanações do Ser / o Ser em si / O Ser nos entes e a partir dos entes / os tipos de modos de ser / a dialógica do ato de ser]

d) A unidade e a multiplicidade do Ser. [a unidade do Ser / a multiplicidade do Ser / a dialógica da unidade / a dialógica da multiplicidade / o um e o múltiplo]

e) A verdade do Ser. [a verdade e o Ser / as múltiplas manifestações da verdade / o Ser e a sinfonia da verdade / as verdades do Ser / as verdades sobre o Ser / o ato de ser e a verdade]

E, nestas cinco seções, se tem o que concerne a elucubração sobre o Ser em geral; nisto, propriamente, se evoca muitos princípios ontológicos, pois o ser se articula fundamentalmente entre essência e existência, tanto a partir dos modos de ser, quanto nas esferas de verdade das emanações do Ser; pois, a elucubração sobre o Ser em geral é o que se chama propriamente de ontologia; e a ontologia não é um saber vago ou dogmático, antes a ontologia é um saber real; o Ser é possível de ser conhecido de fato; e isto não apenas é um dado sobre a realidade, pois o Ser é o ponto arquimédico da própria realidade – a quem Heráclito sabiamente e acertadamente chamara de λόγος.

 

VI

 

Ora, em relação a terceira parte – a ideia de fenomenologia – se a subdivide em cinco seções, as quais são:

a) A ontologia. [o que é ontologia? / as divisões da ontologia / a ordem ontológica da realidade / a estrutura fenomênica do ôntico / a dialética da ontologia / ontologia e numerologia pitagórica]

b) O conhecimento. [o que é conhecimento? / o saber / gnosiologia e ontologia / a gnosiologia real / o coração como núcleo ontológico / o inteligível / o intelecto / o conhecimento e a perfeição da alma]

c) O método fenomenológico. [o que é o método fenomenológico? / os estágios do método fenomenológico / a realidade e os fenômenos / a aplicação do método fenomenológico / a filosofia fenomenológica]

d) O conceito de filosofia. [que é filosofia? / as divisões da filosofia / a história da filosofia / o filosofar / o filósofo / a sabedoria / a sabedoria e a fenomenologia]

e) A tarefa da filosofia. [a elucubração sobre a realidade / o lume da luz interior / o conhecimento dos entes / o conhecimento do Ser / os transcendentais / os princípios / a ordem dos princípios / as disciplinas filosóficas / as ciências]

E, nestas cinco seções, se tem o que concerne a ideia de fenomenologia; e aqui se tem o ponto de partida da pesquisa fenomenológica que é orientada sob uma sólida ontologia real, que fora abalizada, definida e demonstrada nas duas partes anteriores, com seus elementos amalgamados; na verdade, a análise fenomenológica concatena as três partes constituintes da filosofia, mais a parte prática ou filosofia moral (ética); portanto, a análise fenomenológica inicia na coesão lógica, perfaz a análise de toda a extensão da compreensão sobre o ente móvel, se sublima na análise do Ser e da ordem da realidade, e desemboca na reflexão sobre vida ordenada ou virtuosa.

Ora, tendo delineado estas três partes, conclui-se a apresentação de como se procederá no caminho em via da reconstrução da fenomenologia.

 

***

 

Epílogo. E, tendo descrito no que consistirá esta invectiva da reconstrução da fenomenologia, para levar adiante estas questões evocadas serão refletidos sobre estes tópicos em vários escritos: artigos, opúsculos, lições e tratados; não vou de antemão descrever em específico todos estes escritos, mas quando surgir algum escrito que estiver ordenado a esta invectiva estará mencionado ou no início (proêmio ou prólogo) ou no final (epílogo), que é parte da invectiva da reconstrução da fenomenologia; posteriormente, só ordená-los de acordo com o assunto e a tríplice estrutura que é evocada neste escrito; se conseguir concluir tudo que pretendo escrever neste sentido – oxalá que Deus assim me permita levar a cabo mais este projeto! -, depois escreverei um escrito a parte para delinear a ordem em que estes escritos sobre a fenomenologia devem ser dispostos. E termina aqui este opúsculo informativo a respeito da reconstrução da fenomenologia. Laudate Deo



[1] Olavo de Carvalho, Inteligência e Verdade: Ensaios de filosofia [1ª ed. Campinas, SP: Vide Editorial, 2021], pág. 112. 

[2] Edmund Husserl, A Ideia da Fenomenologia [Lisboa: Edições 70, 2018], pág. 22. 

[3] cf. Martin Heidegger, Os Problemas Fundamentais da Fenomenologia [Petrópolis, RJ: Vozes, 2012], § 6, pág. 40-41. 


02/02/2026

Equívocos

Prólogo.

 

A prudência necessária para o saudável desenvolvimento intelectual se manifesta, as mais das vezes, no exame rigoroso das próprias ideias e dos próprios escritos; a humildade inerente a quem alcançou maturidade intelectual no saber é manifesta na censura e/ou recensão dos próprios erros, seja porque foram confutados por outros, seja porque foram percebidos por si próprio. Pois, somente os imprudentes e insolentes é que se esquivam da repreensão de si mesmos por algum erro; ora, feliz é aquele que condena a si mesmo naquilo que reprova ou no que está errado.

Tendo, pois, isto em mente, ao defrontar-me com minhas próprias ideias para ver se havia necessidade de alguma revisão mais aprofundada em meus escritos, ao analisá-los de maneira geral, percebi alguns equívocos; deste modo, resolvi, de boa vontade, fornecer uma explicação mais detalhada sobre no que consiste estes equívocos e quais são as reprimendas, recensões e/ou rejeições que faço sobre os mesmos.

Evidentemente, não me refiro a todos os meus escritos anteriores, pois a maior parte dos primeiros escritos não contém equívocos ou erros teológicos, principalmente os sermões e as exposições bíblicas. No entanto, alguns de meus primeiros escritos, tais como artigos, análises, e preleções mais gerais, saíram com alguns equívocos: seja porque foram mal reportados, seja porque foram corrompidos ao editá-los com aplicativos tecnológicos, seja por qualquer outro motivo.

 

Capítulo I: Acerca de lições e exposições.

 

A primeira menção que gostaria de fazer é sobre as lições e exposições, ou qualquer das preleções “avulsas”; proferi muitas lições, e fiz várias exposições e preleções “avulsas”; as lições, muitas das quais, infelizmente foram perdidas, eram explicação de tópicos filosóficos ou teológicos a respeito de vários assuntos; as preleções “avulsas” não foram muitas, algumas foram preservadas na íntegra, outras foram perdidas, e outras sobreviveram apenas como reportações fragmentárias e/ou parciais; no entanto, as exposições bíblicas foram preservadas na íntegra.

Ora, quanto as lições, quem as ouviu ou as que restaram, talvez podem causar algum estranhamento pela simplicidade, mas dado os ouvintes e as necessidades de cada lição, não possuem equívocos neste sentido; quanto as exposições “avulsas”, algumas são de muita importância porque testemunham de meu desenvolvimento intelectual, mas como a maior parte se perdeu, restam apenas os fragmentos parciais das mesmas.

Ademais, quanto as exposições bíblicas, nestas se tem o que de melhor produzi no sentido puramente teológico, porque foram exposições bíblicas feitas ao modo de síntese escolástica, o que tanto facilita para os ouvintes atentos e desejosos de aprender da Sagrada Escritura, quanto demonstram a profunda capacidade intelectual e conhecimento teológico aos proferi-las deste modo.

Assim sendo, quanto as lições e as exposições, tenha-se isso em mente, porque não possuem equívocos, a não ser pelos “acidentes intelectuais” mencionados.

 

Capítulo II: Anotações sobre o Conceito de Graça Comum.

 

Outro escrito que considero por bem informar alguns equívocos é “Anotações sobre o Conceito de Graça Comum” (de agosto de 2021), que foram lições, conversas e notas sobre o conceito de graça comum; ora, apesar de nesta época já ter me afastado do protestantismo, e graças a Deus já estar livre da heresia protestante, considerei por bem abalizar este assunto através de um autor protestante que fora quem escrevera de forma mais aprofundada sobre este tópico.

Todavia, nas três lições proferidas, nas conversas e nas anotações feitas, pareceu que havia uma sujeição a doutrina protestante e que havia ainda participação na doutrina protestante, como alguns me indagaram e reclamaram; este escrito que foi feito para justamente evocar algumas perspectivas sobre o conceito de graça comum, que apesar de ter sido formulado mais propriamente por um autor protestante, é um conceito que remonta aos Padres da Igreja.

No entanto, que os equívocos gerados por isto sejam entendidos corretamente, porque não falei como protestante, mas simplesmente analisei a obra de um protestante, que foi o único que escreveu diretamente sobre o assunto, a fim de extrair os ensinamentos adequados sem os erros da doutrina protestante; mas, no que pareceu o contrário, que se me escuse de erro, pois não foi esta a intenção, como está claro no próprio escrito.

 

Capítulo III: Investigações sobre a Cosmovisão Cristã.

 

Outra menção que gostaria de fazer, e a mais importante, é sobre o escrito “Investigações sobre a Cosmovisão Cristã” (de setembro de 2021); ora, este obra fora o primeiro grande tratado que escrevi; inicialmente planejei esta obra para comportar sete volumes; e o primeiro volume foi publicado; todavia, saiu com um problema terrível: a edição fora corrompida; ao utilizar um aplicativo tecnológico para facilitar e apressar a edição, o aplicativo corrompeu o texto o desfigurando e fazendo outra junção em muitos aspectos que escrevi, formando quase que um novo livro; e se não fosse por um dileto leitor que me indagou sobre alguns erros, nem sequer teria me apercebido destes problemas.

Por esta razão, retirei este livro de publicação, e vou arrumá-lo até estar corretamente editado e formatado sem erros para a publicação; como foi algo que me deu muita dor de cabeça, não posso ao certo prometer quando será novamente publicado; mas, será publicado em um único tomo não mais com sete volumes, mas com sete livros, melhor dispostos e melhor sintetizados; por isso, afirmo que não desisti da análise da cosmovisão cristã do ponto de vista filosófico.

Portanto, aqueles que leram este primeiro volume defrontaram-se com erros de edição, e de formatação e um embaralhamento do conteúdo em muitas partes; num geral o conteúdo deste primeiro volume (que será o livro I na nova edição) não tem modificações, apenas a correção dos erros de edição e deste embaralhamento que formou quase que um novo conteúdo; os que leram e entenderam minhas pressuposições evocadas, afirmo que estas pressuposições continuam as mesmas, apenas são melhor dispostas e melhor sintetizadas na nova edição que será publicada daqui mais a alguns anos.

Quanto a este escrito a evocação de “equívocos” se dá por este aspecto ora mencionado.

 

Capítulo IV: Ensaios sobre Problemas Intelectuais da Teologia Moderna.

 

Outra menção de suma importância que gostaria de fazer é sobre meus escritos sobre a teologia moderna, publicados entre dezembro de 2023 e julho de 2024; estes escritos, na verdade ensaios, foram apresentados neste período, mas em sua grande maioria são provenientes de anotações a partir de leituras feitas entre 2015 e 2020; apenas não consegui publicar tais escritos antes.

Pois, vendo a confusão inerente a estes tópicos, resolvi publicar estes ensaios, os quais versam sobre problemas intelectuais da teologia moderna. Poderia ter escrito vários outros ensaios; mas decidi não tocar mais neste assunto e abandonar esta invectiva, já que a heresia protestante é insolúvel,

Ora, embora estes ensaios tenham sido publicados sob o signo protestante, não os fiz propriamente dito como um protestante[1], mas como alguém que ao ter lido e analisado os principais tópicos da teologia moderna, defrontou-se com problemas e aporias intelectuais, e decidiu escrever sobre os mesmos; neste sentido é que estes escritos sobre a teologia moderna devem ser analisados.

Além do que, apesar de não ser mais protestante, e de ter analisado tópicos concernentes a teologia protestante, posso afirmar que estes ensaios são muito melhores do que grande parte do que foi escrito pelos próprios protestantes sobre a teologia moderna.

Por isso, mantenho tais escritos em minha obra, apenas mencionando alguns equívocos gerados pelos mesmos ou que estão nos mesmos por algum motivo (seja por desatenção, seja por erro de digitação ou edição, etc.).

Ora, estes ensaios são os seguintes:

1. “O que é Teologia Evangélica?” (de dezembro 2023); um ensaio escrito para explicar no que consiste o signo de “teologia evangélica” que se tornou comum desde o final do séc. XIX; embora não se refira propriamente a chamada “igreja” evangélica, este ensaio busca explicar este signo que se tornou um ponto de inflexão da pesquisa acadêmica da teologia no séc. XX; além disso, é um ensaio que busca explicar as bases teoréticas nas quais a cristandade latino-americana está edificada, algo que é pouco elucubrado e deixado de lado pelas confissões cristãs mais antigas dado estas bases serem provenientes da heresia protestante.

2. “Teologia da Cultura - Considerações Introdutórias” (de dezembro de 2023); um ensaio escrito para apresentar os pressupostos fundamentais de uma teologia da cultura no sentido intelectual e acadêmico, valendo-me para isso de seus principais artífices na teologia acadêmica moderna.

3. “Schleiermacher e o Estudo Teológico” (de dezembro de 2023); um ensaio escrito para explicar a perspectiva de Schleiermacher sobre o estudo teológico, que é a perspectiva que abaliza o curriculum teológico na modernidade em todas as confissões cristãs. Neste sentido é que este ensaio deve ser entendido.

4. “Axiomas para a Interpretação de Schleiermacher” (de fevereiro de 2024); um ensaio escrito para explicar os principais aspectos que devem ser levados em conta para a interpretação de Schleiermacher; pois, ao ler e estudar a obra de Schleiermacher e ao consultar seus mais conhecidos interpretes, vi uma maledicência e uma inveja tão grande que destorceram e vituperaram um pensador de alto coturno sendo injustos com sua obra. Este ensaio foi escrito justamente para explicar e aplainar o que é necessário para ser justo com a interpretação da obra de Schleiermacher.

5. “Karl Barth (1886-1968) – O Homem e Sua Obra” (de fevereiro 2024); um ensaio escrito para apresentar, a guisa de introdução geral, a vida, a obra e o pensamento de Karl Barth.

6. “Sobre a Teologia de Schleiermacher” (de março de 2024); um ensaio escrito para explicar a parte acadêmica da teologia de Schleiermacher, que é algo que influi na pesquisa acadêmica da teologia desde o séc. XIX.

7. “O Discipulado de Bonhoeffer” (de maio de 2024); um ensaio que procura explicar as causas e as consequências da invectiva de Bonhoeffer a respeito do discipulado e quais seus efeitos para a cristandade como um todo.

8. “Köhlbrugge e a Oração” (de julho de 2024); um ensaio para explicar a pressuposição de um dos artífices do fundamentalismo protestante a respeito da oração; Köhlbrugge em tempos atuais é completamente desconhecido, mas boa parte das pressuposições do protestantismo fundamentalista, isto é, o chamado protestantismo anti-liberal, tem suas raízes no que este velho calvinista holandês desenvolvera no séc. XIX.

 

Capítulo V: Zwinglio para Hoje.

 

E, por fim, outro escrito que gostaria de mencionar é o ensaio “Zwinglio para Hoje” (de julho de 2024); ora, este ensaio sobre Zwinglio foi escrito para talhar a necessidade intelectual de se retomar Zwinglio, não pela qualidade ou não de sua teologia, mas para aclarar sua importância histórica; apesar de ser cultor de uma das linhas da heresia protestante, alguns tópicos da teologia de Zwinglio desenvolveram aspectos problemáticos da baixa escolástica, e principalmente porque a “teologia” de Zwinglio concatenou-se com a virada sócio-cultural da reforma da Federação Suíça de sua época, dando forma a outro tipo de princípio político além daqueles provenientes dos imperialismos que terminaram e dos que se iniciaram nos sécs. IV e V - este outro tipo de princípio sócio-político pode ser chamado de proto-capitalismo, que nasce, cresce e se desenvolve pela influência de Zwinglio.

Além disso, as invectivas em torno de se recuperar Zwinglio do pó das épocas tem por propósito mostrar toda a usurpação inerente ao calvinismo; pois, geralmente se tem Calvino como o “pai do capitalismo”, e isso é um erro; na verdade, o “pai do capitalismo” é Zwinglio; e a teologia de Zwinglio se desenvolveu de acordo com a mutação da perspectiva das altas-sociedades de sua época, muito mais do que o luteranismo nascente.

Por isso, se aparecer algum erro ou equívoco quanto a esta invectiva que tende a parecer alguma aprovação ou participação nos erros teológicos de Zwinglio e do protestantismo, saiba que isso foi um erro; e no que não tiver erro, se compreenda a necessidade intelectual de se revisitar Zwinglio e entendê-lo para se compreender a falta de honra intelectual que permeia a doutrina protestante, e não só a doutrina protestante, mas também as teorias sócio-econômicas da modernidade.

Assim sendo, no que tiver algum erro, que se entenda a partir do que fora descrito, e que se rejeite como erro ou como heresia; mas no que tiver algum proveito em função do propósito descrito, algo sumamente necessário, que se entenda corretamente o que fora descrito, principalmente porque fora uma tentativa de ser justo com um autor analisado, o qual mesmo esquecido influi em quase tudo na vida moderna.

Portanto, no que houver algum erro que se rejeite sem meio termos, mas no que não houver erro que se leve adiante esta invectiva intelectual de acordo com os propósitos evocados.

 

Capítulo VI: Considerações Finais.

 

Com isso, os meus escritos anteriores que não foram mencionados aqui não possuem equívocos, principalmente porque foram diretamente abalizados ou porque foram exposições bíblicas feitas em forma de síntese escolástica; evidentemente, estes equívocos mencionados, ainda não são retratações ao estilo de Santo Agostinho; quiçá, e se assim me permitir o Senhor, farei algo similar quando chegar a velhice, pois é algo que já tenho como resolução em meu coração; no entanto, até chegar neste estágio, tenho muito o que escrever, e rogo para que que o bondoso Deus me livre de erros deliberados nas argumentações racionais.

Entretanto, decidi escrever sobre estes equívocos, a fim de que aqueles que leem estes e outros textos que escrevi fiquem atentos quanto a estes equívocos, bem como para que evitem os deslizes que nos mesmos foram cometidos; ora, estes escritos mencionados, ou algum outro que tiver algum equívoco que faltou a minha solicitude a percepção para descrevê-los aqui, podem ser lidos sem nenhum problema; e a respeito disso, faço minhas as palavras de Santo Agostinho, que estes escritos “podem ser lidos com proveito, se se desculpam seus deslizes, ou, se não se desculpam, não se aceite o que está errado”, ao que também exorto que “todo aquele que ler estes escritos não me imite em seus erros, mas em meu progresso para melhor[2]. 

Pois, é impossível não se ter erros no que se escreve - mesmo os autores mais excelentes na escrita defrontam-se com erros no que escrevem devido as limitações humanas; todavia, em tudo o que escrevi, no que escrevo e no que escreverei não se terá nenhum sofisma, mas talvez possa ser encontrado algum paralogismo ou algum erro de escrita ou edição, tal como os que foram mencionados. E falo deste modo não por soberba ou por arrogância, mas pela certeza e sinceridade de minha diante da verdade e diante de todo o meu desenvolvimento intelectual e espiritual.

Todo o meu caminho está diante de mim e diante de Deus, em sinceridade e verdade; por esta razão posso falar nestes termos a respeito do que escrevi, do que escrevo e do que escreverei. Pois, os meus escritos não são reflexos de uma mente ociosa ou que salta voos cósmicos, mas são reflexo de uma vida ordenada na verdade, que procura glorificar a Deus em doutrinas quanto a filosofia, e que procura viver, explicar e defender a fé cristã quanto a teologia. E isso, graças a Deus, tenho feito de maneira incólume e perseverante ao longo dos anos, e o próprio Deus me é testemunha e o que escrevi comprova isso cabalmente.

No mais, louvo a Deus, tanto por ter me direcionado em tudo o que escrevi de bom, seja nas exposições bíblicas por me livrar de erros ao ter me iluminado com Seu Santo Espírito, seja nos outros escritos que me permitiu escrever ou que minha solicitude intelectual me conduziu a escrever por alguma necessidade, mas também, e principalmente por isso, por ter me feito perceber os equívocos que foram mencionados e por me fazer descrevê-los com sinceridade; a Ele glória e majestade para sempre. Amém. 



[1] Estas publicações foram disponibilizadas numa plataforma digital, em ebook, que constava na biografia do autor que o mesmo era protestante; isso não pode ser arrumado devido a plataforma digital não se ter aceitado mudar esta descrição biográfica; mas, de fato, nestas publicações, não era mais protestante, como constava na biografia do autor, ainda que as mesmas tenham saído com algum equívoco que podem tender para a heresia protestante. 

[2] Santo Agostinho, Retractationum, prol., n. 3. 


Sobre a Reconstrução da Fenomenologia

I   A fenomenologia desenvolvida por Husserl é um dos pontos altos do pensamento ocidental; principalmente, porque na filosofia moderna ...