15/04/2026

A moral e a política

I

 

A política, quando feita de maneira honrada e virtuosa, se sujeita sem meios termos a moral; política sem moral é política ditatorial; pois, a moral é o freio natural para os ímpetos do Estado Total; por isso, ao se falar de algum aspecto concernente a política, ou sobre a ação dos políticos, há de se ter a compreensão adequada sobre a moral; os políticos que não gostam de reflexão moral sobre suas condutas são políticos desonrados e desordeiros.

E a Igreja como um todo é chamada a se pronunciar moralmente em questões políticas; embora a Igreja não seja uma instituição política e os líderes da Igreja não sejam políticos, é função preponderante da Santa Igreja se pronunciar sobre a moral inclusive a que concerne a política; a Igreja é coluna e firmeza da verdade (cf. 1Tm 3.15), e compete a Igreja se pronunciar sobre a moral seja em relação a lei moral natural seja em relação a moral revelada.

Assim, a preocupação de políticos, ou de instituições públicas, ou do aparato estatal, quanto ao fato da Igreja se pronunciar em questões morais e políticas é algo preocupante; pois, a preocupação quanto a críticas referentes a política, seja ela proveniente donde for, evidencia que os políticos estão permeados com a síndrome de Lúcifer (cf. Ez 28.16-17), já que os que não aceitam ser criticados em erros mais do que evidentes não só são soberbos e orgulhosos, mas principalmente se demonstra que são dominados pela esquizofrenia psicótica comum aos ditadores.

Deste modo, quando a Igreja critica erros políticos pela evidenciação cabal diante da moral destes erros, e os políticos e o estamento público não gostam de tais críticas, isto evidencia muito sobre estes políticos; a Igreja sempre deve se pronunciar em questões morais, também as questões morais da política; que os homens públicos da política nunca se esqueçam que não existe política sem moral, ou então que saibam que se fazem política sem moral então não se distinguem dos ditadores e dos carniceiros.

E esta, infelizmente, é a sina que domina a política hodierna: políticos infantis, principalmente nas grandes nações, que se consideram acima da lei e acima da moral; os políticos hodiernos, quase sem exceção, são melindrosos quanto a moral; e isto sem nem sequer se mencionar a moral individual; os políticos hodiernos são melindrosos quanto a moral política.

E isto é algo terrível, pois os políticos hodiernos ao serem melindrosos quanto a moral política, demonstram que não são dignos de exercerem a liderança pública; somente um líder civil indigno é melindroso quanto a moral política; além do que, somente líderes civis ímpios é que pensam que podem exercer o poder público sem se conformarem com a lei moral. E este são os que fazem a sociedade gemer moralmente quando se tornam líderes públicos (cf. Pv 29.2).

 

II

 

Ora, a crítica do atual vice-presidente dos EUA de que a Igreja deveria se ater a “questões de moralidade”, além de demonstrar a burrice do vice-presidente dos EUA também demonstra a total incompetência dos políticos norte-americanos; políticos que não sabem distinguir moral e política nas ações que praticam são imbecilóides; pois, se fossem dignos da posição que ocupam e se as exercessem com honra e virtude não se preocupariam com críticas quanto a moralidade da política que exercem.

Deste modo, se observa que é dever preponderante de todos os cristãos estarem em conformidade com a moral natural que a Igreja também ensina; aliás, a expressão do atual vice-presidente dos EUA de que a Igreja se ater apenas a “questões de moralidade” demonstra que a fé “confessada” por ele é uma fé mentirosa e falaciosa; pois, é dever de um político que se diz “cristão” estar em conformidade plena com a fé que diz confessar no exercício do poder público.

A “preocupação” do atual vice-presidente dos EUA em relação as críticas da Igreja, além de demonstrar os melindres dos políticos trumpistas quanto a moral, também evidencia o total desrespeito dos políticos norte-americanos em relação aos preceitos dos pais fundadores dos EUA, bem como demonstra que o guia a política trumpista é a imoralidade e a ilegalidade.

Com efeito, se um político quer dizer o que considera “melhor” para a Igreja deveria primeiro ter uma conduta reta; pois, é próprio de políticos sem retidão se enraivecerem contra a Igreja quando esta critica suas ações infames; aliás, o melhor da Igreja se manifesta sempre quando a Igreja luta pelo bem comum, principalmente quando a Igreja se pronuncia sobre a moral política diante de uma política envernizada com a ilegalidade.

De fato, políticos e líderes públicos que querem coagir a Igreja a se ater apenas a “questões de moralidade”, se esqueceram que a política é uma questão de moralidade. Os políticos infames é que se doem com críticas enquanto estupram a dignidade de outros sem se aperceberem das infâmias que praticam. Portanto, a política sem moral é um chiqueiro de infâmias; e os políticos que exercem o poder político sem moral são os porcos que se divertem neste chiqueiro.

Com isso, que a Igreja sempre se atenha a questões de moralidade; pois, a política é uma questão de moralidade; e que a Igreja exerça sua incumbência política não como ideologia ou com politicagem ideológica, mas como coluna e firmeza da verdade, exortando e ensinando os políticos como Mãe e Mestra, sempre lembrando da exortação feita por Karl Barth de que a teologia e a Igreja são a última fronteira do Estado de Total, não só a nível nacional mas também a nível internacional (e quem ler que entenda o que isto significa).

E termina aqui esta reflexão. θεῷ χάρις


14/04/2026

Breve Apologia Contra os Lefebvrianos

Prólogo.

 

1. O tradicionalismo lefebvriano é um grande perigo para a fé reta e sólida; na verdade, o lefebvrianismo é um rothschildianismo da fé ou um rockefellerianismo da fé; a vil conduta e a perfídia intelectual dos lefebvrianos os tornam terríveis inimigos da fé; pois, o lefebvrianismo se tornou em relação a religião o que os grupos da elite globalista são em relação a humanidade.

Ora, se isso ocorreu de maneira consciente ou não, não se dá para saber ao certo; no entanto, algo é inegável, a saber, o lefebvrianismo enquanto movimento eclesial é fruto da vontade de poder do globalismo, a qual infelizmente se assomou a religião; e isto se patenteia, entre tantas provas, pelo fato de que o ecumenismo patrístico foi substituído no séc. XX pelo ecumenismo globalista, e ninguém escapa aos efeitos desta substituição.

Aliás, a própria atitude dos lefebvrianos em buscarem defender a Tradição com a intenção totalmente corrompida demonstra cabalmente esta sujeição para com a vontade de poder do “globalismo”.

2. Deste modo, ao se analisar o lefebvrianismo como “movimento eclesial”, se deve ponderar uma série de outras questões que vão além da análise eclesiológica; pois, todo “movimento eclesial” surge como resposta a algum problema teológico-eclesial ou por causa da falta de busca por solução a algum problema teológico-eclesial; e os movimentos eclesiais sempre buscam ser alguma resposta a estes problemas, mas de fato acabam propagando outros problemas e agravando ainda mais outros problemas.

E o tradicionalismo lefebvriano não foge a esta regra; embora se tenha entre os lefebvrianos aqueles que realmente buscam viver a fé reta e sólida, o movimento lefebvriano se tornou em si mesmo um problema maior do que os problemas que dizem enfrentar; assim, infelizmente o lefebvrianismo se tornou o que diz combater.

Ora, como o lefebvrianismo promove isso, então se faz necessário apologizar contra o lefebvrianismo, pois a corrupção espiritual que emana do lefebvrianismo é maior do que a corrupção espiritual que estes dizem estar dominando a Igreja após o Concílio Vaticano II.

 

Capítulo I: Os problemas espirituais na conduta dos lefebvrianos.

 

3. A insolência e a luxúria são, respectivamente e ao mesmo tempo, inimigas da verdade e da virtude; onde não há verdade não há virtude, e vice-versa; assim, onde há insolência e luxúria, principalmente em se tratando da fé, há a demonstração que a verdadeira fé ou não fora experienciada ou então ocorrera apostasia da fé; a fé reta e sólida se manifesta sempre em ordem a virtude e a verdade, em contraposição a insolência e a luxúria que sempre são manifestações contra a virtude e contra a verdade.

E a conduta e os preceitos que tem guiado a ação dos lefebvrianos tem sido expressão inconcussa de insolência e de luxúria, posto os lefebvrianos não só estarem contra a verdade, mas também contra a virtude: pois ao corromperem a intenção da doutrina acabam por corromper a própria doutrina.

Além disso, os lefebvrianos também estão calcinados na desobediência e na obstinação espiritual; pois, algumas das ações dos lefebvrianos consistem em atos cismáticos, ao tentarem usurpar a autoridade do Sumo Pontífice, o que se estabelece a partir do direito canônico[1]; e também por tentarem usurpar a autoridade dos Santos Padres, ao promulgarem-se defensores da Tradição ao mesmo tempo em que vituperam vários preceitos teológicos fundamentais tidos como indubitáveis pelos Santos Padres.

Assim sendo, os lefebvrianos são participes em desobediência e obstinação espiritual tanto em relação a solidez da fé quanto em relação a retidão da fé. Embora se tenham poucas exceções neste quesito, o movimento lefebvriano consiste fundamentalmente em desobediência e obstinação espiritual.

4. Por isso, a conduta dos lefebvrianos apresenta uma série de problemas espirituais; os quais, por sua vez, atestam não só corrupção espiritual, mas também o impedimento da sabedoria de adentrarem ao templo do saber; os lefebvrianos não somente tem sido permeados por problemas espirituais, e morais, mas também por problemas intelectuais; infelizmente, um movimento que diz defender a Tradição está decaindo em conduta herética-cismática-apostasiosa e em imbecilidades mórbidas.

Ora, Boécio instruíra a não se compartilhar as considerações da sabedoria com aqueles que não permitem que nada seja tomado sem jogo e sem risadas[2]; pois, como Sto. Tomás dissera, aqueles que não suportam nada além dos jogos e das risadas são aqueles que não suportam nada ordenado e disposto corretamente[3].  

E, de fato, os lefebvrianos ao agirem em insolência, luxúria, desobediência e obstinação espiritual, demonstram que não buscam o que concerne ao saber teológico, já que demonstram em si mesmos que não suportam nada ordenado e disposto corretamente. Isto se patenteia, pois, não só pela conduta dos lefebvrianos, mas pelos ensinamentos que em sua maior parte são propagados pelos lefebvrianos, especificamente os lefebvrianos midiáticos.

 

Capítulo II: A intenção corrompida na defesa da Tradição.

 

5. Com efeito, a problemática do lefebvrianismo inicia com o fato de terem a intenção corrompida na defesa da Tradição; pois, segundo Sto. Tomás, a doutrina se corrompe ou pelo que é ensinado ou pela intenção com que se ensina[4];e a intenção dos lefebvrianos na defesa da Tradição está totalmente corrompida: dizem defender a Tradição e não possuem retidão.

Na verdade, os lefebvrianos tem decaído em três erros: (i) o caminho de Caim, (ii) o engano de Balaão, e, (iii) a contradição de Corá; aliás, a respeito destes erros a Sagrada Escritura apresenta um grave alerta, o qual também serve de alerta contra os lefebvrianos: “Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais, se corrompem. Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Corá” (Jd 1.10-11).

E estes são os erros dos lefebvrianos: (a) dizem mal do que não sabem; (b) se corrompem naquilo que sabem como animais irracionais; e, (c) por esta razão perecem nos mesmos erros de Caim, Balaão e Corá. Com efeito, os lefebvrianos ou entram pelo caminho de Caim (cf. Gn 4.8-15), o caminho da inveja e do despudor espiritual (cf. 1Jo 3.12); ou são levados pelo engano de Balaão (cf. Nm 22-24), o engano que se move contra a verdade revelada (cf. Jr 9.6); ou perecem na contradição de Corá (cf. Nm 16), a contradição que provoca divisão e cisma (cf. Tg 4.1-2). E não só os lefebvrianos, mas em grande medida os “grupos” tradicionalistas católicos são permeados pelos mesmos erros, além de se tornarem “bolhas” extremamente sectárias.

6. Ora, a intenção corrompida na defesa da Tradição é o pior inimigo da própria Tradição; o preceito nietzschiano ensina que “a maneira mais pérfida de prejudicar uma causa é defendê-la propositalmente com más razões[5]; aqueles que dizem defender a Tradição, mas tem a intenção corrompida, são os que mais prejudicam a própria Tradição; pois, a Tradição Apostólica não é um museu de tesouros que se visita esporadicamente quando se tem vontade, mas Tradição é memória viva: os que dizem defender a Tradição e tem a intenção corrompida tomam a Tradição como se fosse um museu faraônico. No entanto, a Tradição é viva, pois faz parte da vida da Igreja militante em todas as épocas: passado, presente e futuro.

Por isso, a intenção corrompida dos lefebvrianos é uma afronta aos santos do passado, um vilipêndio aos santos do presente e um atentado contra os santos do futuro; o lefebvrianismo desfigura a vitalidade da Sagrada Tradição em função de “promovê-la” com a intenção corrompida; a Sagrada Tradição, assim como a Sagrada Escritura, só pode ser ensinada, promovida e defendida onde se tem doutrina correta, conduta correta e sentimento correto, isto é, onde há ortodoxia, ortopraxia e ortopatia.

Com efeito, convém plenamente àqueles que buscam defender a Tradição que tenham doutrina santa, conduta santa e sentimento santo, pois do contrário acabam por desfigurar a própria Tradição - como de fato o fazem os lefebvrianos e outros.

 

Capítulo III: A dialética dos efeitos do tradicionalismo lefebvriano.

 

7. E a consequência dos problemas espirituais do lefebvrianismo, assomada com a intenção corrompida na defesa da Tradição, cristaliza a formação de uma “dialética” lefebvriana; pois, esta dialética que se torna inerente ao lefebvrianismo faz com que o tradicionalismo lefebvriano propague uma forma de ideologização da Igreja; pois, a partir da dialética eclesial lefebvriana a Igreja se divide em modernistas e tradicionalistas, e isto, por sua vez, tem por consequência a formação de uma Igreja modernista e uma Igreja tradicionalista, ou seja, criou-se moldes eclesiais da mesma lixaria política da briga entre esquerda e direita.

8. Aliás, os próprios tradicionalistas lefebvrianos criaram uma bolha católica em nome da “tradição”, a qual é respondida com a mesma insolência com outra bolha católica em nome da “modernização”. Assim, criou-se duas “igrejas” dentro da Igreja: uma que diz defender a Tradição e tem a intenção corrompida, os tradicionalistas, e outra que diz buscar “novos ares” do Espírito e corrompe a doutrina, os modernistas.

O tradicionalismo lefebvriano propaga este dualismo eclesial, e calcifica ainda mais a dialetização da vida interna da Igreja, tal como os modernistas também o fazem. Na verdade, o lefebvrianismo assomou na esfera eclesial o princípio contra-dominador da dialética das ideologias históricas de Hegel (os modernistas assomaram o princípio dominador da dialética das ideologias históricas de Hegel).

9. Expliquemos isso; na dialética das ideologias históricas de Hegel (cf. Ph VII)[6], quando se tem o que Hegel chama de sociedades “pacíficas” (em sentido sócio-filosófico, sociedades kantianas), de quando o pacifismo domina toda uma sociedade, então, as artes, a literatura e a religião serão permeadas por este pacifismo em maior ou menor grau; mas, este pacifismo que nada tem de paz real e verdadeira, gesta um tipo de secularismo que sempre gera algum princípio que busca se sobrelevar a indolência social (e/ou espiritual) deste pacifismo (o princípio dominador ou orientador), o qual influi nas artes, na literatura e na religião (especialmente na religião).

Tendo, pois, sido declarada a vitória do pacifismo kantiano após Segunda Guerra Mundial, este pacifismo gerou uma indolência existencial-espiritual, que se secularizou a tal ponto, que isto fez com que o modernismo do final do séc. XIX tenha sido ressuscitado com total força[7], que gerou um princípio dominador/orientador modernista, o modernismo que busca se sobrelevar a indolência do pacifismo na religião (ou nas artes ou na literatura), mas que acaba por secularizar ainda mais a própria religião.

Ora, de acordo com a dialética das ideologias históricas de Hegel, onde surge um princípio dominador ou orientador, logo surge também o princípio contra-dominador ou contra-orientador; como o princípio dominador que surgiu na secularização da religião foi o modernismo, o princípio contra-dominador que surgiu um pouco depois foi o tradicionalismo, que tomou forma mais específica através do tradicionalismo lefebvriano (e também através de outros grupos católicos ditos tradicionalistas).

De fato, a partir de uma anamnese filosófica, o lefebvrianismo é expressão desse aspecto inalterável da dialética das ideologias históricas.

10. Deste modo, a “dialética” do lefebvrianismo é, em primeira instância, efeito da dialética hegeliana; pois, o lefebvrianismo se tornara expressão da fase incremental da dialética das ideologias históricas; enquanto que o modernismo é expressão da fase disruptiva (o que rompe), o lefebvrianismo (e os tradicionalismos como um todo) é expressão da fase incremental.

No entanto, na dialética das ideologias históricas, tanto o que é disruptivo quanto o que é incremental, conduzem ao mesmo fim, a saber: a ruptura com o fio condutor da religião tradicional; ou dito em outros termos, a rejeição do modo, da causa e da razão da linha indivisível que guia a história da religião tradicional - no caso do cristianismo, a rejeição do modo, da causa e da razão da autoridade divina da Sagrada Tradição.

Com efeito, a dialética lefebvriana assemelha aos modos e as consequências da dialética hegeliana (do mesmo como a dialética modernista); e se se fosse analisar em linhas puramente históricas, poder-se-ia ainda afirmar, com total razão, que o lefebvrianismo se assemelha a dialética de Lutero e dos líderes protestantes: dizem que buscam a reforma da Igreja quando na verdade são causadores de problemas eclesiais, pelas razões já descritas.

Assim, é clarividente que o lefebvrianismo enquanto movimento eclesial não é expressão de eclesialidade ou tradicionalidade, conquanto esteja envolvido nestas, mas sim expressão de princípios totalmente anti-cristãos que se assomaram a vida eclesial por vários fatores.

 

Capítulo IV: Os Rothschild, os Rockefeller e o tradicionalismo lefebvriano.

 

11. Ao se ter explicado estes aspectos, o que pode causar certo estranhamento em muitos e desconcerto em tantos outros, surge a indagação: como o lefebvrianismo se tornou nisso? Além obviamente do aspecto explicado quanto a dialética das ideologias históricas, se percebe que diante da manipulação globalista quase ninguém fica imune aos efeitos desta manipulação; e o lefebvrianismo não ficou imune a esta manipulação, e acabou se tornando, consciente ou não, em instrumento indireto desta manipulação, assim como o tradicionalismo islâmico (e os outros tradicionalismos religiosos).

12. A ideia de que grupos ou movimentos salvaguardam alguma tradição é utilizada para fins nefastos; pois, os senhores do mundo, as grandes famílias que dominam o mundo, tal como os Rothschild e os Rockefeller, instauraram que os mesmos são cultores da tradição fundamental; por isso, tais famílias promovem os mais terríveis rituais de feitiçaria a fim de salvaguardar esta tradição fundamental que segundo os globalistas permeia a história da humanidade desde os tempos da religião primeira, onde o xamanismo dominava tudo e todos.

Com isso, estas famílias que dominam o mundo estabelecem uma rede de manipulação que busca açambarcar tudo e todos neste mesmo xamanismo, inclusive aqueles que entre as religiões tradicionais buscam defender as tradições destas religiões; e como eles fazem isso? Simples, apesar de não poderem manipular o conteúdo destas tradições, eles podem manipular a intenção ao inocular a contradição; assim, a maior parte daqueles que surgem dizendo defender as tradições das religiões tradicionais acabam servindo aos propósitos do globalismo Rothschildiano/Rockefelleriano, etc., através da corrupção da intenção pela impregnação passiva da feitiçaria.

Assim, se compreende que os lefebvrianos, conscientemente ou inconscientemente, são sujeitos a este ímpeto de domínio das famílias globalistas (assim como os modernistas); aliás, a respeito disso, se poderia evocar o que René Guénon falava sobre a volta a uma tradição fundamental, o que é seguido a risca pela elite globalista, e que se assoma aos grupos tradicionalistas nas religiões tradicionais; de fato, os lefebvrianos acabaram ficando sujeitos a este ímpeto da tradição fundamental guenoniana.

Além disso, a insolência e a luxúria dos lefebvrianos são expressão inconcussa e apodítica de que estão sujeitos aos poderes de mando da elite globalista; pois, a insolência e a luxúria dos lefebvrianos é exatamente a mesma insolência e luxúria da elite globalista.

13. Portanto, o tradicionalismo lefebvriano se tornou em expressão do globalismo que busca subjugar a fé cristã; embora a tendência globalista num geral seja para a ridicularização da fé, o globalismo institui a corrupção da moralidade nos que se “interessam” pela tradição a fim de utilizá-los como os maiores corruptores da própria tradição; e como o globalismo faz isso? Simples, institui por impregnação passiva de hábitos a imoralidade e falta de retidão, ao mesmo tempo em que usa algumas formas de propagar algum interesse pelas tradições antigas: assim os indivíduos ficam com a retidão totalmente corrompida ao mesmo tempo em que nasce um desejo sádico de participar destas tradições sem que haja retidão moral por parte do indivíduo; isso, a curto prazo, parece irrisório na perspectiva religiosa, mas a médio e a longo prazo causam um efeito sumamente nefasto como se constata na vida eclesial nos últimos decênios.

Com isso, o tradicionalismo lefebvriano assoma-se nesta manipulação; embora de início o lefebvrianismo tenha buscado estar em conformidade com a fé reta e sólida, com o passar das décadas se observou que o lefebvrianismo se tornou em instrumento, direto ou indireto, desta manipulação dos senhores do mundo contra a Santa Igreja; e não só o lefebvrianismo, mas a maior parte dos tradicionalismos religiosos em meio a cristandade (e também os tradicionalismos religiosos no Islam); não que os lefebvrianos ou qualquer outro dos tradicionalistas sejam os culpados dos abjetos desvios modernistas na cristandade, mas infelizmente os lefebvrianos e outros tradicionalistas estão inseridos, gostem ou não, no âmbito desta onda da manipulação globalista.

 

Capítulo V: A vontade de poder globalista e os lefebvrianos.

 

14. Ora, isto demonstra que os lefebvrianos estão sujeitos a vontade de poder globalista; pois, como dissera Nietzsche, tudo que é extremo exerce força sedutora; e o globalismo tem força sedutora porque reproduz na íntegra os antigos rituais xamânicos e as abominações sionistas, tais como canibalismo e similares a fim de obterem força engendrada pela soberba e efetuarem domínio (cf. Ez 33.25-28); a força sedutora do globalismo tem a ver com bruxaria e canibalismo, o que de fato é promovido de maneira voraz pelos senhores do mundo; os Rothschild, os Rockefeller, e a elite globalista como um todo, promovem esta força sedutora a fim de dominar tudo e todos e subjugá-los sob o sistema globalista.

15. E esta vontade de poder, esta força sedutora que emana dos globalistas permeia os tradicionalismos religiosos, não de maneira direta, mas pelo modo que fora descrito: induzem a alguma atração, pois os ritos antigos são permeados por reverência, beleza e mistério, mas uma atração que apenas significa participação e não conversão; tanto o é, que infiltrou-se muitos indivíduos que buscam tais ritos não pela firmeza da fé neles demonstrada, mas porque através da participação em ritos antigos os globalistas acham que ficam livres das infâmias que praticaram ou que ficam livres da obrigação moral perante a fé; esta sedução é a seiva que tem movido muitos que são tidos como tradicionalistas em meio a desinstitucionalização e a perversão das religiões tradicionais.

16. Além destes aspectos, se compreende que os lefebvrianos estão dominados pela vontade de poder globalista através da canalhice que muitos lefebvrianos promovem e praticam; nada revela tanto a vontade de poder ideológica do que as ações praticadas; já o Senhor Jesus ensinara: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). Ora, os frutos do lefebvrianismo são da mesma espécie dos frutos do modernismo: a corrupção final da doutrina; enquanto que os modernistas dizem estar sob “novos ares” do Espírito e corrompem diretamente a doutrina, os lefebvrianos dizem defender a Tradição e corrompem a intenção; no final, as consequências são as mesmas, a corrupção da doutrina ou por erros doutrinários ou pela intenção pecaminosa.

Outrossim, é que os lefebvrianos, em sua maior parte, tem tido ações canalhas em função de uma suposta “defesa” da Tradição; os lefebvrianos midiáticos tem cometido ações contra a liberdade, contra a verdade, contra a virtude, etc., e dizem com isso estar defendendo a Tradição; na verdade, as ações dos lefebvrianos tem sido similar as ações da elite globalista: cometem infâmias em prol de algo e consideram-se santos porque cometeram tais infâmias; e isto sem mencionar a vontade de poder ideológica que tem guiado a ação dos lefebvrianos.

17. De fato, os lefebvrianos demonstram pensar que o problema teológico da Igreja é ideológico; de fato, há sim o problema da ideologização da Igreja; mas a causa das crises eclesiais não é a ideologização; na verdade, a ideologização da Igreja é apenas uma das consequências. Aliás, ao procederem de acordo com a dialética ideológica, os lefebvrianos evidenciam que estão sujeitos ao preceito ideológico; e, consciente ou não, quem se sujeita ao preceito ideológico torna-se escravo da ideologia; logo, etc. E não se pode haver dois senhores no coração (cf. Mt 6.24): ou Cristo ou a ideologia; logo, etc.

 

Capítulo VI: Entre forma e re-forma no lefebvrianismo.

 

18. Assim, se percebe que a forma do lefebvrianismo tem sido moldada de acordo com o círculo vicioso e viciante da dialética ideológica; este círculo é um círculo da mesma espécie dos círculos cabalísticos; por isso, a forma do lefebvrianismo tem sido expressão inconcussa da vontade de poder do globalismo, ao mesmo tempo em que moralmente e socialmente tem sido expressão do círculo da dialética ideológica; assim, o que o lefebvrianismo diz defender é o que o lefebvrianismo mais corrompe e destrói. Na verdade, a dialética ideológica desde Hegel está ou sujeita ao marxismo-comunismo ou ao sionismo; e em muitos aspectos, até mesmo o marxismo foi sujeitado ao sionismo.

Portanto, a forma do lefebvrianismo tem sido moldada em grande medida pelo sionismo; a dialética ideológica que se assomou no lefebvrianismo é o sionismo: tanto o é que os sionistas movem pelos bastidores uma série de defensores inócuos do levebvrianismo e de outros tradicionalismos seja através de pessoas que vão aos líderes cristãos os defender seja promovendo propaganda contra os líderes cristãos que se colocaram contra a manipulação sionista (como, por exemplo, fizeram contra o Papa Francisco); etc.

19. Com efeito, a forma que o lefebvrianismo adquiriu nos últimos decênios é uma forma anti-cristã, é a forma do anticristo; convém, portanto, ao lefebvrianismo se de fato quiser servir a Igreja e verdadeiramente defender a Tradição, instituir uma re-forma total em tudo aquilo que permeia o lefebvrianismo, para que possam adquirir a verdadeira forma eclesial que honra a Deus; no entanto, a re-forma do lefebvrianismo é algo dificílimo para o próprio lefebvrianismo dado as infâmias que se assomaram nos lefebvrianos ao redor do mundo; mas este é o único caminho para o lefebvrianismo poder contribuir de fato com a defesa da Tradição e da Igreja. Pois, o estado atual do lefebvrianismo demonstra que este movimento é uma forma eclesial sujeita aos ditames sionistas.

Ora, o que fora dito e apresentado a respeito do que se tornara o lefebvrianismo basta por enquanto para designar uma apologia contra os lefebvrianos; na verdade, o lefebvrianismo em si mesmo já se tem se auto-impugnado pelo fato de dizerem-se defensores da Tradição quando na verdade o fazem com a intenção corrompida.

E que nossa oração seja para que os lefebvrianos se apercebam da influência globalista e façam uma re-forma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a fim de que se tornem livres da sujeição ideológica e possam caminhar verdadeiramente em virtude e na verdade na senda da santidade.

20. E termina aqui este escrito contra os lefebvrianos. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém.



[1] cf. Código de Direito Canônico, livro III, cân. 751.

[2] cf. Boécio, De Hebdomadibus, cap. I.

[3] cf. Santo Tomás de Aquino, Expositio Libri Boetii De Ebdomadibus, lect. 1.

[4] cf. Santo Tomás de Aquino, Super I Epistolam B. Pauli ad Thessalonicenses Lectura, cap. II, lect. 1.

[5] cf. Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência [São Paulo: Martin Claret, 2012], livro III, n. 191, pág. 132.

[6] cf. G. W. F. Hegel, Fenomenologia do Espírito [2ª ed. Petropólis, RJ: Vozes, 2003], cap. VII, § 672-787, pág. 458-529.

[7] Este modernismo começou a ser combatido por Pio IX, e foi severamente e tardiamente derrotado por Pio X através da “Pascendi Dominici Grecis” (1907); mas, infelizmente, devido a dialética das ideologias históricas, o modernismo foi ressuscitado com força ainda maior após a Segunda Guerra Mundial. O modernismo que foi combatido por Pio X era apenas uma grande serpente, enquanto que o modernismo que foi ressuscitado após a Segunda Guerra se tornou uma hidra. 


A moral e a política

I   A política, quando feita de maneira honrada e virtuosa, se sujeita sem meios termos a moral; política sem moral é política ditatoria...