05/10/2018

O Cristão e a Política: Reflexão Prolegomenar

I

 

Será que política e fé se relacionam? Será que pode haver um diálogo saudável entre a fé e a política? Ou será que a política é entregue apenas a ela mesma? Há alguma conexão entre política e teologia? Estas são questões que miram aos cristãos à medida que se tem épocas de eleição, e sempre que se pensa em questões cívicas e questões sociais  

Muitos cristãos se esquivam afirmando que política não se discute, ou que preferências políticas não são discutíveis. Mas esta questão, do que não se discute e coisas similares, é matéria de extrema importância, pois não existe nenhum assunto humano que não deva passar pelo crivo do escrutínio racional.

Não se pode é claro fazer-se uma ditadura da opinião; nenhum homem pode arrolar para si ser senhor da consciência de outrem, o que é um erro grave, além de pecado mortal. Mas também o cristão não pode se deixar dominar pela ditadura do relativismo, pois este relativismo segundo Ratzinger, “nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e suas vontades”.

Os cristãos não podem se entregar ao relativismo presente na política. E nem deixar com que as teorias políticas com viés marxista e comunista, ou com viés sionista, tomem conta da realidade social de uma nação; o que infelizmente ocorre no Brasil por mais de sessenta anos (com a Igreja em silêncio: ou por omissão, ou por ignorância).

Mas por que os cristãos não podem aceitar o comunismo? Simples, porque os princípios e doutrinas do comunismo são especificamente evocados para destruir a realidade, destruir a família e destruir o cristianismo.

Num documento do congresso do partido comunista de 1924, se estabelece a seguinte práxis: “Nenhuma revolução será possível enquanto existir a família e o espírito da mesma. A família é instituição burguesa inventada pela igreja, é necessária destruí-la[1].

O manifesto do partido comunista (1848) fala sobre o ideal do comunismo; um ideal totalmente anti-cristão; Marx e Engels dizem: “... o comunismo abole as verdades eternas, abole a religião e a moral...[2].

Mas então surge uma pergunta: o que fazer?

Bento XVI lançou um livro intitulado “Liberale La Libertá: Fede e Politica nel Terzo Millennio” (Liberar a Liberdade: Fé e Política no Terceiro Milênio), no qual, propõe uma política iluminada pelos valores da fé. E nesta presente reflexão, este será o caminho a ser seguido.  

Ou seja, formular racionalmente os argumentos necessários para estabelecer o ajuizamento de uma política que não está entregue a si mesma, mas que é iluminada pelos valores da fé. 

 

II

 

O que é política? Política é um tema tratado destes os tempos primeiros da raça humana; Aristóteles diz, que “... a cidade (polis) encontra-se entre as realidades que existem naturalmente, e o homem é por natureza um animal político”.

Ou seja, a política ocorre, porque há duas necessidades básica do homem: primeiro, viver em sociedade; segundo, se organizar em sociedade. A relação política/fé tem um ponto de encontro que tange a sociedade como um todo.

Os cristãos precisam lembrar de que, a respeito da vida cristã, deve-se olhar para as coisas sob duas óticas, a do alto e a de baixo, respectivamente, a de Deus e da relação com os homens, as quais, precisa-se conhecer bem, para entender o real propósito da existência neste mundo. Por isso, a compreensão do cristão sobre a política deve estar aplicada a ética bíblica.

Para compreender corretamente este aspecto, elencar-se-á uma célebre definição dada por Santo Agostinho, a qual traz um precioso ajuizamento para o cristão entender que é cidadão deste mundo, mas também é herdeiro do reino de Deus. Santo Agostinho diz: “Dividi a humanidade em dois grandes grupos: um dos que vivem segundo o homem; o outro, o daqueles que vivem segundo Deus. Misticamente, damos aos dois grupos o nome de cidades, que é o mesmo que dizer sociedade dos homens[3].

A subdivisão conceitual que Santo Agostinho faz consiste em enumerar duas sociedades nas quais o cristão está inserido: na terrena, sob o governo dos homens; e na celestial, sob o governo de Deus.

Com isso, para melhor compreender esta definição agostiniana, elencar-se-á três perguntas básicas, que se coadunam com esta definição, as quais são: como pensar a política segundo a bíblia? Porque precisa-se de política? Como o cristão deve lidar com a política?

 

III

 

1. A primeira pergunta é: como pensar política segundo a bíblia? Dois pontos são elencados:

Primeiro: Deus governa todos os aspectos da vida humana, inclusive a política. O texto sagrado diz: “E ele muda os tempos e as estações; ele remove e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos” (Dn 2.21). E o Apóstolo diz: “Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1).

Segundo: é Deus quem levanta homens que o glorifiquem na política, como por exemplo, José do Egito, Neemias e Daniel.

2. A segunda pergunta é: porque precisamos de política? Dois pontos são elencados:

Primeiro: porque os mais variados aspectos da vida sócio-política precisam ser mantidos dentro de limites. Limites da ordem e da decência.

Segundo: porque é um meio de transmitir o evangelho quando há justiça e prudência. O texto bíblico declara: “Quando os justos exaltam, grande é a glória; mas quando os ímpios sobem, os homens se escondem” (Pv 28.12).

3. A terceira pergunta: como o cristão deve lidar com a política? Cinco pontos são elencados:

Primeiro: o governo da terra Deus deu aos filhos dos homens; está escrito: “Os céus são os céus do SENHOR; mas a terra a deus aos filhos dos homens” (Sl 115.16). Logo, para o governo das coisas humanas, Deus outorgou tal responsabilidade aos homens; embora permaneça soberano sobre tudo e sobre todos, Ele outorgou esta responsabilidade e esfera de soberania para os seres humanos.

Segundo: submissão. Diz o texto bíblico: “Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governantes, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem” (1Pe 2.13-14). 

Terceiro: com intercessão. O Apóstolo aconselha: “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador” (1Tm 2.1-3).

Quarto: com envolvimento sóbrio e racional. O Apóstolo diz: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Rm 13.7). 

Quinto: com limites. Está escrito: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29b).

Com estes princípios, se evoca os pressupostos básicos de como o cristão deve lidar com a política.

 

IV

 

Assim, chega-se a uma questão: pode o cristão ser um governante público? É claro que sim, desde que tenha vocação à vida pública, que tenha um caráter honesto, que seja um bom homem, de boa índole, que seja casado (caso não, pelo menos seja honrado e casto), bom marido e bom pai. O governante cristão deve ter em mente que seu relacionamento é hexadimensional, ou seja, é um relacionamento em seis esferas diversas.

Primeiro: em relação a Deus deve ter confiança sincera e dirigir-se a Ele em oração; e deve saber que a soberania de qualquer governante terreno nunca se compara a soberania absoluta de Deus.

Segundo: em relação aos súditos (ao povo), deve agir com amor e serviço cristão; um governante o é para servir. E a honra e o valor de um governante está em sua disposição para servir para o bem do povo.

Terceiro: em relação aos conselheiros e aqueles que têm plenos poderes (outros magistrados e governantes), deve-se manter livre nas decisões e independente nas análises, além de ser fiel aos seus princípios e valores cristãos, e íntegro e correto diante da Lei.

Quarto: em relação aos criminosos, deve mostrar seriedade e rigor de acordo com a lei.

Quinto: com as ideologias profanas e nefastas, deve ser impoluto e resistente, mantendo os bons princípios e os bons costumes conservados de acordo com os valores cristãos, bem como lutar para que estas ideologias não subvertam a ordem social.

Sexto: deve parar para ouvir e aprender com filósofos e estudiosos (até mesmo se for um; oxalá que o seja!), que em suas análises demonstram ser honrados e pertinentes ao bem da nação e dos valores cristãos.

 

V

 

Com toda esperança, e com toda a fé, sabe-se que a sociedade não está entregue a si mesma e aos déspotas. O mundo jaz no maligno, como diz o apóstolo João (cf. 1Jo 5.19); no entanto, não é por isso que o cristão não deva ter influência neste mundo; pelo contrário, é justamente por isso que o cristão deve pregar e demonstrar os valores do reino de Deus, para o bem de todas as pessoas de bem. Isto é o ardor cívico do político cristão, com toda a consciência e racionalidade, bem com temor para com o Senhor e dignidade perante o povo.

Por isso, Karl Barth dissera: “Esperançosa e pensativa nos mira essa questão: o cristão na sociedade. O cristão na sociedade! Quer dizer que a sociedade não está, então, entregue apenas a si mesma [...] A catástrofe (1° guerra mundial), e dentro da qual ainda nos encontramos, não levou a todos, mas muitos a um esclarecimento e abalo profundos. Porventura, não é assim que de preferência nos retiraríamos da sociedade, profundamente céticos e desaminados da vida? Mas retirar-se para onde? Retirar-se da vida, da sociedade não é possível. A vida nos envolve por todos os lados; ele nos coloca diante de perguntas, exige decisões. E nós temos que resistir...[4].

Esta resistência diante das questões da vida, principalmente diante de questões sociais e de questões políticas, é o modo de ação que deve influenciar os cristãos a demonstrarem os princípios bíblicos e agirem de acordo com o ensino do Senhor Jesus, rejeitando as ideologias nefastas e propagando preceitos e princípios em prol do bem comum e da preservação da vida e dos direitos inalienáveis da pessoa humana.

Nestes aspectos, pois, estão delineados alguns aspectos da relação entre o cristão e a política.

Deo Gratias!



[1] In: Manuel Vieira, O Intelectual Cristão [1° edição. São Paulo: Paulinas, 1966], pág. 105.

[2] Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto do Partido Comunista [Porto Alegre, RS: L&PM, 2001], pág. 58.

[3] Santo Agostinho, A Cidade de Deus Parte II: Contra os Pagãos [1° edição. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira; Bragança Paulista, SP: Editora Universitária São Francisco, 2012], pág. 207.

[4] Karl Barth, Dádiva e Louvor: Ensaios Selecionados [3° edição. São Leopoldo, RS: Sinodal/EST, 2006], pág. 19. 


24/02/2018

Exposição da Saudação Angélica

Nota Inicial.

 

O texto bíblico utilizado nesta exposição foi a versão ARC (Almeida Revista e Corrigida [4ª ed. Sociedade Bíblica do Brasil, 2009]); esta versão da tradução de Almeida em relação a língua portuguesa é boa em muitos dos textos sagrados, entre os quais, o texto da saudação angélica.

 

Proêmio.

 

1. “Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis” (Pv 31.10); ora, estas palavras competem a matéria e ao assunto desta saudação; pois, a Virgem Maria é a mais preciosa entre as mulheres, tanto por sua virtude quanto por sua santidade; a nobreza de caráter e a vida santa da Virgem Maria a tornam a mais venturada e abençoada entre as mulheres: “Muitas filhas agiram virtuosamente, mas tu a todas és superior. Enganosa é a graça, e vaidade, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada” (Pv 31.29-30).

2. A virtude da Virgem Maria a fizeram ser objeto da eleição divina para a mais preciosa de todas as tarefas que foram incumbidas a uma mulher, a saber, ser mãe do Filho de Deus. Ora, a saudação angélica demonstra a revelação de Deus quanto a eleição da Virgem Maria para ser mãe do Redentor; o anjo foi enviado na plenitude dos tempos para saudá-la e para anunciar tudo quanto sucederia no maior dos milagres, de quando ocorreria a humanidade de Deus, tal como o profeta houvera anunciado: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14).

3. Portanto, a preciosidade da Virgem Maria desvelada na saudação angélica se demonstra de três maneiras: primeiro, por sua eleição para este divino propósito. “Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta” (Jr 1.5). Segundo, pela santidade e imaculação de sua vida. “Mas uma é a minha pomba, a minha imaculada, a única de sua mãe e a mais querida daquela que a deu à luz; vendo-a, as filhas lhe chamarão bem-aventurada, as rainhas e as concubinas a louvarão” (Ct 6.9). Terceiro, pela formosura de sua virtude e pela graça de seu testemunho. “Jardim fechado és tu, irmã minha, esposa minha, manancial fechado, fonte selada” (Ct 4.12).

Assim, pois, é totalmente entendível o modo, a razão e a causa da saudação angélica; analisemos, pois, o texto para compreender as benditas verdades reveladas sobre a Virgem Santa.

 

Lição 1 - Lucas 1.26-28

 

(26) E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, (27) a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. (28) E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.

 

1. O autor do terceiro evangelho, querendo, pois, inspirado pelo Espírito Santo, anunciar o que concerne ao nascimento do Salvador, tratou de explicar, em detalhes, a anunciação da concepção de Cristo a Virgem Maria; e isto, por sua vez, é um artigo fundamental da fé, posto ser parte da fé a confissão de que Cristo nasceu como verdadeiro homem de mulher, tal como o Apóstolo diz: “mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4); e isto também é anunciado pelos principais documentos credais da fé cristã.

2. A saudação angélica é um dos textos mais importantes do Santo Evangelho, pois versa sobre os principais aspectos de no que consiste as glórias humanas e a missão da Virgem Maria; pois, o cronista da atividade apostólica querendo, pois, munir a Igreja no entendimento sobre a virtude da Virgem Santa, tratou de evocar a anunciação angélica logo no início do Santo Evangelho a fim de designar a importância da encarnação de Deus; ora, a saudação angélica apresenta três aspectos: primeiro, a demonstração da dignidade da Virgem Santa (v. 26-28); segundo, o anúncio da maternidade divina (v. 29-33); terceiro, a concepção do Filho de Deus (v. 34-38).

3. Ora, em relação ao primeiro se fazem três coisas: primeiro, o envio do anjo: “E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré” (v. 26); ora, o Deus Altíssimo enviara o mensageiro angelical, o anjo Gabriel (homem forte de Deus), para Nazaré (broto), para anunciar o nascimento do broto de Jessé, tal como houvera sido profetizado: “Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará” (Is 11.1); o anunciador da vontade de Deus foi a Nazaré para anunciar o maior dos milagres e o maior dos acontecimentos à Virgem Santa.

4. Segundo, aquela a quem o anjo Gabriel é enviado, a saber, Maria: “a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria” (v. 27); ora, o anjo Gabriel, anunciador da vontade de Deus, é enviado a alguém específico, a uma Virgem desposada com um homem chamado José; o mensageiro angelical foi enviado para anunciar as boas-novas, a maior das boas-novas, a uma Virgem, cujo nome é Maria, que significa senhora pura, aquela que é profetiza; o anjo foi enviado a uma Virgem Santa, cujo testemunho de santidade é de igual aos dos antigos profetas e profetizas.

5. Terceiro, a saudação angelical direcionada a Maria: “E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres” (v. 28); ora, após se designar o envio do mensageiro angelical por Deus e a quem o mensageiro angelical é enviado, se tem a saudação do anjo a Virgem Maria; o homem forte de Deus, aquele que anuncia a vontade de Deus, cumpriu as ordens de Deus e saudou a Virgem Santa de modo a demonstrar-lhe a dignidade para a missão para a qual ela fora eleita.

6. Por isso, a saudação angelical direcionada a Virgem Maria tem três aspectos: primeiro, a reverência do anjo para com Maria: “Salve, agraciada”; pois, a Virgem Maria foi agraciada de tal modo que Deus a encheu de tanta graça que ela pode ser intitulada pelo mensageiro de Deus de “agraciada” - literalmente, aquela que foi plenamente enchida de graça; portanto, a Virgem Maria é recebedora da graça, mas não é a fonte da graça.

Pois, a Virgem Maria achou graça diante de Deus porque tinha os mandamentos de Deus escritos nas tábuas de seu coração. “Filho meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração guarde os meus mandamentos. Porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz. Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e acharás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens” (Pv 3.1-4).

Por isso, a Virgem Maria fora agraciada com uma honra única e especial. A saudação, “Salve, agraciada” (κεχαριτωμένη), é única em toda a Escritura; portanto, nesta saudação se desvela no que consiste a honra e a glória da Virgem Maria.

7. Segundo, a mensagem do anjo à Virgem Maria: “o Senhor é contigo”; pois, somente aqueles com quem Deus se faz presente, isto é, com os contritos e humildes de espírito (cf. Sl 51.17; Is 57.15), é que são cheios de sua graça e que são agraciados com o desvelar de Sua vontade boa, perfeita e agradável. “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25).

8. Terceiro, a proclamação pelo anjo da dignidade da Virgem Maria: “bendita és tu entre as mulheres”; ora, a Virgem Maria possui uma dignidade que lhe é própria e que é manifesta em todas as épocas e para todos os fiéis; a Virgem Maria é a mais venturada e a mais abençoada entre as mulheres, pela sua virtude e santidade, mas principalmente por ter sido eleita para ser a mãe do Filho de Deus. “Sessenta são as rainhas, e oitenta, as concubinas, e as virgens, sem número. Mas uma é a minha pomba, a minha imaculada, a única de sua mãe e a mais querida daquela que a deu à luz; vendo-a, as filhas lhe chamarão bem-aventurada, as rainhas e as concubinas a louvarão” (Ct 6.8-9).

 

Lição 2 - Lucas 1.29-33

 

(29) E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta. (30) Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, (31) E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. (32) Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, (33) e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.

 

1. Em relação ao segundo, o anúncio da maternidade divina, se explicam quatro coisas: primeiro, narra-se a atitude da Virgem Maria com relação a saudação do anjo; por isso, o evangelho diz: “E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta” (v. 29); a turbação da Virgem Maria era devido a dignidade da presença do mensageiro celestial e pelo teor da mensagem, pois quanto mais importante a mensagem de maior dignidade era o mensageiro; e como o mensageiro fora o anjo Gabriel, aquele que anunciara ao profeta Daniel o fim dos tempos (cf. Dn 9.21ss), então a mensagem se revestira de maior solenidade e importância.

2. Ora, a atitude da Virgem Maria em se turbar demonstra duas coisas: primeiro, humildade; pois, a humildade é inerente a quem vive em santidade. “A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra” (Pv 29.23). Segundo, meditação, a atitude de quem ouve e entende as Palavras de Deus; pois, somente quem ama e tem reverência pela Palavra é que medita na Palavra. “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (Sl 119.97).

3. Segundo, narra a ação angelical ao ver Maria turbada com a saudação; e, quanto a isso, logo trata de animá-la fazendo três coisas: primeiro, ordenando, como mensageiro de Deus, a não temer: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas” (v. 30); ora, os anjos são ministros de Deus em favor dos fiéis. “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14). Por isso, a dignidade da saudação é demonstrada por saúda e por quem é saudado: da parte de quem saúda, devido a Aquele que envia, para anunciar o nascimento do Salvador; da parte de quem é saudado, devido a dignidade que lhe é conferida, a saber, ser mãe do Deus encarnado.

4. Segundo, declarando que ela achou graça diante de Deus: “porque achaste graça diante de Deus”; ora, a Virgem Maria achou graça diante de Deus não somente pela eleição soberana de Deus, mas também por sua vida santa e virtuosa; Deus concede graças aos fiéis a medida que estes vivem em santidade; por isso, quanto maior a retidão maior é a graça que Deus dispensa ao coração. “Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão” (Sl 84.11).

5. Terceiro, anunciando Sua missão maternal: “E eis que em teu ventre conceberás”; ora, a maior dignidade que é conferida a mulher é ser mãe, pois é sendo mãe que a mulher se salva: “Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação” (1Tm 2.15). Agora, quanto maior dignidade tem a que fora achada digna de ser escolhida para ser a mãe do Filho de Deus; a dignidade da Virgem Maria supera a de todas as mulheres em todas as épocas; por isso, Isabel ao encontrá-la houvera afirmado em devoção: “E de onde me provém isso a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?” (Lc 1.43).

6. O anúncio do nascimento do Filho de Deus foi o maior dos anúncios, a maior das boas-novas já anunciadas aos homens; e a Virgem Maria é a mais venturada das mulheres e a mais abençoada entre todos os santos, tanto porque foi a primeira a saber do nascimento do Filho de Deus, quanto porque fora eleita para ser a mãe de Cristo, a mãe do Emanuel. “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel. (Emanuel traduzido é: Deus conosco)” (Mt 1.23).

7. Terceiro, dá a entender quem será o filho que ela dará a luz, o Filho do Deus Altíssimo: “e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus”; ora, a maternidade da Virgem Maria será a maternidade de Cristo, o Filho do Deus Altíssimo; o anúncio a Virgem Maria é que ela será mãe do Deus encarnado; este filho será chamado de Jesus, porque livrará o seu povo dos seus pecados. “E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21).

8. Portanto, tanto a dignidade quanto a glória da Virgem Maria se demonstram em ordem a sua maternidade divina; a Virgem Maria tem sua dignidade não por si mesma, como ela mesma declara no Magnificat, mas a suma dignidade da Virgem Maria está no fruto de seu ventre, a saber, em Cristo; a Virgem Maria é cheia da graça não porque ela é a fonte da graça, mas porque em seu ventre será concebido Aquele que é fonte da graça. A Virgem Maria recebera graça sem medida porque iria conceber a fonte infinita donde provém a graça. “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1.17b).

9. Quarto, explica a substância e a natureza deste que será concebido: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim”; ora, o que a Virgem Maria conceberá não é apenas um homem, mas o Deus feito homem; a graça que a Virgem Maria recebeu foi tão grande, que a preparou não somente nos momentos anteriores a concepção, mas desde sua infância a encaminhando a virtude e no temor do Senhor, na vida em santidade diante de Deus; a Virgem Santa não progrediu penosamente na virtude, não porque não era humana, mas porque escolheu a vida santa e irrepreensível, a qual houvera visto em seus pais, e em sua prima Isabel e seu esposo Zacarias (cf. Lc 1.6).

10. Ora, sendo anunciado a Virgem Maria a dignidade de quem ela conceberia, o mensageiro de Deus também trata de anunciar os títulos do Filho de Deus que a Virgem Santa conceberá, em concórdia plena com as profecias do Antigo Testamento, tal como se diz no livro do profeta: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6).

11. E em concórdia com a profecia, o anjo Gabriel anuncia os seguintes títulos, os quais demonstram a substância e a natureza do Filho do Deus Altíssimo: primeiro, que ele será grande: “Este será grande”. “Grande é o Senhor e mui digno de louvor na cidade do nosso Deus, no seu monte santo” (Sl 48.1). Segundo, que ele será chamado Filho do Altíssimo: “e será chamado Filho do Altíssimo”. “Recitarei o decreto: O Senhor me disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei” (Sl 2.7). Terceiro, que ele receberá o Trono de Davi, pois é descendente de Davi: “e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai”. “O Senhor jurou a Davi com verdade e não se desviará dela: Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono” (Sl 132.11). Quarto, que seu reino não terá fim: “e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim”. “Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Is 9.7).

 

Lição 3 - Lucas 1.34-38

 

(34) E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão? (35) E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. (36) E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril. (37) Porque para Deus nada é impossível. (38) Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.

 

1. E, em relação ao terceiro, se expõe o modo como o filho de Deus fora concebido no ventre da Virgem Santa; ora, quanto a isso se afirmam cinco coisas: primeiro, a indagação de Maria sobre como se daria tal concepção: “E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?” (v. 34); ora, sendo evidentemente Virgem, e estando desposada com José, Maria indagou como se daria a concepção do Filho do Altíssimo em seu ventre já que não conhecia varão, isto é, já que era virgem; a profecia diz que uma Virgem conceberia, mas não diz como; Maria trata de indagar para saber como se daria a concepção mesmo com ela sendo Virgem.

2. Segundo, a resposta do anjo sobre o modo da concepção: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (v. 35); ora, o anjo Gabriel responde a Virgem Maria sobre o modo como ela concebera: primeiro, pela descida do Espírito Santo sobre ela: “Descerá sobre ti o Espírito Santo”; pois, a promissão do Espírito Santo cumpre-se primeiro na Virgem Santa, já que em seu ventre imaculado é concebido Aquele que é a fonte da graça.

Segundo, pela virtude de Deus: “e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”; pois, a virtude de Deus é suficiente para operar qualquer milagre ou maravilha, mesmo se for para fazer uma virgem conceber. “operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13c).

Terceiro, pela imaculada conceição do fruto de seu ventre: “que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”; pois, sendo ela santa e imaculada, e tendo descido sobre ela do Espírito Santo, e tendo a virtude do Altíssimo a coberto com glória e poder, ela concebe milagrosamente Aquele que é Santo, o Filho de Deus. A conceição imaculada de Cristo se dá pela santidade e virtude da Virgem Maria, amparada soberanamente pela descida do Espírito Santo e efetivada de modo eficaz pela virtude do Altíssimo que a cobriu com seu inefável poder.

3. Terceiro, o anúncio a Virgem Maria da concepção de Isabel: “E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril” (v. 36); ora, a anunciação a Virgem Maria não somente é a anunciação da concepção do Filho de Deus, mas também a anunciação da concepção de Isabel; pois, do mesmo modo o anjo a fizera saber do mistério altissonante da concepção do Filho de Deus em seu ventre também a fizera saber da gloriosa concepção de João Batista no ventre de Isabel, o precursor do Messias. “E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos” (Lc 1.76). O anúncio da concepção de Isabel para a Virgem Maria desvela a consumação da Velha Aliança e o raiar da Nova Aliança.

4. Quarto, a declaração sobre o poder de Deus: “Porque para Deus nada é impossível” (v. 37); ora, o poder de Deus é sua infinita majestade para operar como quer e quando quer, pois o poder pertence a Deus, isto é, o poder é de Deus e é exercido soberanamente por Deus. “Uma coisa disse Deus, duas vezes a ouvi: que o poder pertence a Deus” (Sl 62.11). Além disso, o poder de Deus se mostra eficaz para a salvação. “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para te salvar” (Sf 3.17a). Portanto, na concepção do Salvador no ventre da Virgem Maria se mostra uma gloriosa manifestação do poder de Deus.

5. E o anjo declara para Maria que para Deus nada é impossível por três razões: primeiro, para fortalecê-la na fé; pois, a fé é fortalecida na força do poder de Deus. “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6.10). Segundo, para fortificá-la em sua esperança; pois, a esperança faz abundar em virtude do Espírito Santo. “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo” (Rm 15.13). Terceiro, para ensiná-la na caridade; pois, a Virgem Maria ao ser envolta pelo Espírito Santo ela fora revestida de Amor; e assim na concepção de Cristo se mostra o vínculo da perfeição. “E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3.14).

6. Além do que, o poder de Deus manifesto na concepção de Cristo no ventre da Virgem é manifestação singular de fé, esperança e caridade. A concepção de Cristo é artigo principal da fé; a concepção de Cristo é o raiar da esperança áurea entre os homens (cf. Is 9.2); e a concepção de Cristo é manifestação singular do amor de Deus para com os homens, pelo fato do próprio Deus ter se feito homem.

7. Quinto, a atitude de humilde obediência de Maria: “Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela” (v. 38); ora, ao ter o mensageiro de Deus revelado a Virgem Maria o mistério altissonante da encarnação de Deus, a Virgem Maria, em meio aos seus temores, rompeu em efusiva confiança a Deus; e após ter sido agraciada com uma honra única e especial, afirma de si mesma: “Eis aqui a serva do Senhor”, isto é, eis-me aqui, Senhor, “cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. Ou seja, a Virgem Santa se entregou aos propósitos divinos segundo a Palavra pronunciada por Deus através de Seu mensageiro.

8. A fé e a obediência de Maria a tornaram bem-aventurada, tal como dissera Isabel: “Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas!” (Lc 1.45). Pois, a ventura da fé está na obediência, e o deleite da obediência se manifesta pela fé; e tanto o é, que após sua atitude de humilde obediência e após ter ido até Isabel, Maria irrompe em efusivo louvor a Deus como expressão do deleite da obediência que se manifesta pela fé; o hino de Maria é singular expressão da fé preciosa que se evidencia pela obediência. Portanto, a atitude de humilde obediência da Virgem Maria demonstram a graça que lhe fora outorgada para uma honra única e exclusiva.

9. Depois, Maria vai até Isabel, e ao chegar na casa de Zacarias, Isabel a saúda com a mesma saudação angelical, ao declarar: “Bendita és tu entre as mulheres, e é bendito o fruto do teu ventre!” (v. 42). Ora, a saudação fora duplicada duas vezes; e na Sagrada Escritura tudo o que é duplicado duas vezes é para designar algo que fora determinado por Deus e porque Deus se apressa em fazer este algo. “E o sonho foi duplicado duas vezes a Faraó é porque esta coisa é determinada de Deus, e Deus se apressa a fazê-la” (Gn 41.32). Assim, a dupla saudação a Virgem Maria, a do anjo Gabriel e a de Isabel, demonstra no que consiste as glórias de Maria: de ser a mais abençoada e venturada entre as mulheres, e de que em seu ventre fora concebido Aquele que é Bendito. Como diz Tomás de Aquino, a Virgem é bendita, mas muito mais bendito é o fruto de seu ventre (cf. Exp. Salut. Ang., art. 3).

10. Ademais, na saudação de Isabel também se delineia um dos mais importantes títulos da Virgem Maria, quando Isabel declara: “E de onde me provém isso a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?” (v. 43); ora, quando Isabel chama a Virgem Maria de “mãe do meu Senhor”, é o mesmo que ela dizer “mãe do meu Deus”; pois, o título Senhor utilizado nesta passagem (Κυρίου), e em outros lugares na Sagrada Escritura, refere-se exclusivamente a Deus; na verdade, aquele que chama Cristo de Senhor também o chama ao mesmo tempo de Deus. “Tomé respondeu e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!(Jo 20.28).

11. Portanto, a Virgem Maria é mãe de Deus (Θεοτόκος); e este é um dos mais importantes títulos da Virgem Santa, porque refere-se não somente a sua maternidade divina, mas principalmente porque se refere a própria glória do Filho de Deus em ser verdadeiro homem e verdadeiro Deus. No mais, é parte impreterível e irrevogável da fé verdadeira a atribuição do título de mãe de Deus à Virgem Maria, o que é plenamente e cabalmente comprovado na saudação de Isabel, o que por sua vez confirma a saudação angelical com duplo testemunho, tal como fora evocado a partir do princípio de Gn 41.32, etc.; pois, afirmar que a Virgem Maria é mãe de Deus é o mesmo que afirmar que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem em uma única Pessoa, e vice-versa. De fato, as glórias da Virgem Maria demonstradas na saudação angelical foram algo determinado por Deus, o qual é bendito eternamente. Amém. 

Em fevereiro de 2018. 


Canção Sacra 1

Ó Santa Maria, Virgem Pura, minha inteligência vem augurar, meu coração vem sondar e minhas dores em Cristo confortar. Meu engenho e...