28/08/2023

Anatomia de um Apóstata

Prólogo.

 

1. Tendo visto uma medonha decadência espiritual em razão da apostasia de um ex-presbítero de uma Igreja Evangélica de linha pentecostal, e das consequências inimagináveis desta apostasia no seio da Igreja, não somente as pentecostais, mas de outras igrejas evangélicas que se renderam a apostasia, resolvi elucubrar brevemente sobre este assunto; pois, um apóstata é tão perigoso quanto um homem-bomba; a diferença está que o homem-bomba mata as pessoas fisicamente se explodindo, e o apóstata mata as pessoas espiritualmente bem como mata a alma das pessoas que se deixam enfeitiçar pelas mentiras e pelos enganos do apóstata.

2. O perigo da apostasia, é que pelas mentiras, calúnias e sentimentos medonhos que provêm de um único apóstata, até mesmo toda uma cidade é contaminada e aos poucos vai sendo destruída; a Escritura afirma: “Quando as pessoas honestas abençoam uma cidade, ela se torna importante, mas as palavras dos maus a destroem” (Pv 11.11 NTLH). As palavras dos maus destroem uma cidade! A Escritura afirma isso categoricamente; e um apóstata, ao contaminar os outros com sua apostasia, torna-se a base para a destruição moral, e, por fim, a destruição de tudo de bom que há numa cidade; a morte na cidade de que falara Francis Schaeffer, é consequência direta da apostasia.

3. Além disso, tendo visto que um apóstata, mesmo maltratando a própria mulher, bem como batendo, maltratando e matando animais indefesos, e ainda, destruindo a natureza, o que por si demonstra a violência no coração do apóstata, o que mais chama a atenção é o fato que mesmo muitas pessoas de bem sabendo de tais atos, ainda sim apoiam e incentivam as atitudes malignas do apóstata. Por isso, é necessário compreender a apostasia para vigiarmos ao máximo com a pureza de nossa fé, pois, o tesouro maior que temos enquanto seres humanos é a vida e a nossa fé; assim, eis algumas breves e sintéticas reflexões sobre o estado do coração de um apóstata, fazendo assim uma anatomia de um apóstata.

 

Capítulo I: O apóstata: instrumento de contaminação espiritual.

 

4. O apóstata é instrumento de contaminação espiritual. O autor aos Hebreus adverte para que se tenha o cuidado de que nenhuma raiz venenosa cresça no meio dos cristãos, a qual priva os homens da graça de Deus os contaminando (cf. Hb 12.15); tal raiz venenosa é semeada pelo apóstata, pois, todo apóstata semeia sentimentos medonhos e venenos espirituais por onde quer que passe. Na verdade, o apóstata é instrumento maligno para contaminar a alma e a vida espiritual dos cristãos.

5. Por isso, onde há um apóstata começará a haver contaminação espiritual; um apóstata é carregado de sementes ruins, para fazê-las germinar nos corações desavisados e símplices, a fim de que estes sejam contaminados e estejam sujeitos a todo o lixo psicológico e espiritual que possa contaminar as almas daqueles que tem fé; o cuidado para que não se brote em meio ao solo do coração alguma erva venenosa é justamente esta erva que é semeada pelos apóstatas, que tendo sido semeados pelo Diabo, tornam-se ímpios e praticam a impiedade, e procuraram corromper o máximo possível de pessoas a fim de torná-las instrumento de apostasia e degeneração espiritual na propagação do mal e das práticas viciosas do apóstata, como a calúnia, a mentira, a difamação, etc.

6. Portanto, onde há um apóstata, logo, haverá a decadência espiritual; um apóstata é sempre guiado e influenciado pela obra maligna; e a obra maligna que acompanha um apóstata é sempre “enfeitiçadora”, arrastando pessoas e mais pessoas para a prática do mal e das obras malignas; e observa-se um fato curioso, onde não havia práticas viciosas e medonhas, quando se tem a influência do apóstata, a simplicidade e a pureza natural da vida é corrompida e, então, tudo aquilo que antes era tido como virtuoso e como prática de boas-obras, torna-se vilipendiado, e estas pessoas influenciadas pelo apóstata passam a ridicularizar e maldizer algum cristão verdadeiro que pela luz de Cristo brilha contra as trevas semeadas pelo apóstata. O apóstata é instrumento de contaminação espiritual para obnubilar as gentes para a luz de Cristo presente na vida dos verdadeiros cristãos.

 

Capítulo II: Os apóstatas: evidência da miséria da Igreja Evangélica.

 

7. A influência da apostasia na igreja evangélica, se dá principalmente através de algum apóstata; e a influência de um apóstata nas práticas da igreja evangélica, onde a própria igreja se torna subserviente as práticas apostasiosas as quais desfiguram o propósito de Cristo para a igreja, demonstram a miséria da igreja evangélica; as igrejas locais que se rendem a práticas coniventes com a apostasia, logo, serão elas próprias viveiros de apostasia.

8. A influência ignominiosa de um apóstata nas práticas espirituais da igreja, torna a própria igreja uma agente de apostasia; os apóstatas são inúteis espirituais, isto é, não tem nenhum bem espiritual e nenhuma boa dádiva da comunhão com Deus; por isso, a igreja que se rende a práticas ou a vícios dos apóstatas são desfiguradas espiritualmente e, por consequência, morrem espiritualmente.

9. Por isso, uma igreja local, ou igrejas locais, que se rendem a apostasia se tornam em elementos de manipulação, ou então, em berços de práticas viciosas e/ou práticas diabólicas, que pelo engano maligno insuflado pelo apóstata se tornam parte da existência dos cristãos e torna estes sujeitos a obra demoníaca. Portanto, o cuidado com a apostasia deve ser absoluto, e a rejeição para com os vícios provenientes de um apóstata ainda mais, porque estes enganam e engodam sem que sequer alguém se aperceba. Logo, a influência de um apóstata nas práticas da igreja, é evidencia da miséria espiritual das igrejas que se rendem as calúnias, mentiras e maledicências dos apóstatas.

 

Capítulo III: A influência do apóstata e suas consequências.

 

10. A influência do apóstata tem sérias consequências; aqui, menciona-se as mais comuns.

a. A destruição das virtudes.

11. A influência do apóstata se estende até a destruição das virtudes; no apóstata as virtudes teologais são desfiguradas: a fé deixa de ser elemento preponderante e se torna apenas elemento de manipulação psiquista; a esperança perde-se em meio a ira, e a esperança da ira sempre se perde (cf. Pv 11.7); a caridade, se torna esvoaçada e é transformada em violência e ódio, a qual se manifesta na destruição da natureza. Na apostasia as virtudes teologais são desfiguradas e aos poucos vão desparecendo; como diz o Evangelho: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12). Na multiplicação da iniquidade, e a iniquidade é sinal de apostasia, as virtudes são desfiguradas.

12. Mas a influência do apóstata também ocasiona a desfiguração das virtudes cardeais: a temperança se torna em intemperança e em desespero; a justiça torna-se e transmuta-se em injustiça e na aceitação de tudo aquilo que infere a justiça; a fortaleza transforma-se em fortaleza medonha, e é transmutada em medo e em consequência em violência para proteger o próprio medo; a prudência se transforma em astúcia, na pressa em correr para fazer o mal (cf. Pv 1.16). Portanto, quando há apostasia as virtudes cardeais se transmogrifam em vícios cardeais.

13. E o apóstata passa a ser instrumento para semear os vícios cardeais que contaminam as pessoas símplices e as práticas das igrejas que deixam se enveredar pelos caminhos da apostasia; e assim, as virtudes que antes eram cultivadas e incentivadas com honra e pudor, passam a ser desmerecidas e escarnecidas por aqueles que tendo sido capturados pelos laços da apostasia se formam como uma roda de escarnecedores das virtudes de outras pessoas. Por onde os apóstatas deixam rastros de influência pecaminosa e diabólica, logo, haverá a frutificação de tudo tipo de escárnio contra as virtudes e de deboche enraivecido por causa da inveja sobrelevada que contamina a muitas pessoas pelo crescimento da apostasia, e que se manifestam contra todo tipo de bem natural.

b. O inferir deliberadamente a liberdade.

14. A influência do apóstata se evidencia no inferir deliberadamente a liberdade; sendo a liberdade uma doutrina fundamental, e uma crença fundamental de todo aquele que é cristão, a inferência da liberdade, constitui-se pecado, e a inferência deliberada da liberdade demonstra a consciência cauterizada, e, portanto, a inferência deliberada da liberdade é sinal pleno de apostasia. Por isso, onde a influência de um apóstata se demonstra, logo começa a haver a inferência deliberada da liberdade.

15. E é de se espantar como que muitos cristãos inferem a liberdade deliberadamente; isto, é fruto da crescente apostasia entre aqueles que se dizem cristãos; pois, do mesmo modo como é doutrina a crença na imortalidade da alma, e a crença na existência de Deus, a liberdade é doutrina que não pode ser inferida, porque a inferência da liberdade é o mesmo que negar a fé, e vituperar esta dádiva concedida por Deus aos homens; por isso, onde há a influência de um apóstata, logo, se observa que as pessoas símplices e/ou desavisadas começam a inferir a liberdade, demonstrando que a contaminação proveniente do apóstata infectara a muitas pessoas.

16. A simples acepção do termo liberdade demonstra que é um princípio inalienável da vida humana; tanto que é princípio jurídico imovível da Constituição e da Declaração de Direitos Humanos, talhado como inviolável. A liberdade não somente é doutrina, também é lei; e como que cristãos inferem a lei e continuam se dizendo cristãos? Simples, a apostasia tomara conta das pessoas e tornaram estas sujeitas a práticas hediondas; a inferência da liberdade é o início de práticas monstruosas que se fazem no seio da sociedade; os “cristãos alemães” que no século passado aceitaram o nazismo e a Igreja do Reich em adoração a Hitler, começaram a ser contaminados com uma ideologia totalitária através da inferência deliberada da liberdade, fato esse que está totalmente documentado e bem explicado nos anais da história.

Portanto, onde há inferência da liberdade, há a influência de algum apóstata destruindo e desfigurando as consciências, bem como incentivando os cristãos a cometerem práticas hediondas. Onde há um apóstata, logo haverá quem infira a liberdade.

c. A contaminação dos jovens.

17. A influência do apóstata se demonstra na contaminação dos jovens; tanto na contaminação dos rapazes, quanto na sensualização das moças; o apóstata que após perder a presença do Espírito no coração, trata de contaminar e desvirtuar aqueles que podem superar e vencer a apostasia; e geralmente, são os jovens, com a força característica da juventude, com o vigor da juvenilidade, que rompem as barreiras deixadas pelos hipócritas e pelos apóstatas das gerações anteriores. Por isso, o Diabo utiliza-se de algum apóstata para contaminar e corromper a juventude.

18. O apóstata contamina e sensualiza os rapazes e as moças. Contamina os rapazes, tornando-os fracos na vontade e trôpegos nos ideais; sensualiza os rapazes deixando-os sujeitos a espíritos malignos que tornam-nos sujeitos a sexualidade desenfreada e desequilibrada; e assim, os rapazes que antes eram permeados pelo ideal e pela força de vontade, se tornam em instrumento de destruição espiritual e de degradação moral, sendo fortes fisicamente, mas sendo fracos intelectivamente e fracos na vontade e imbecilizados no ideal. Contamina as moças, despersonalizando-as, tornando-as objetos, ou quando não transmutando-as em coisas objetificáveis; sensualiza as moças fazendo com que as mesmas percam o recato e a beleza da verdadeira feminilidade; e assim, as moças que antes eram recatadas e tinham pudor, perdem o recato e o pudor, e em alguns casos, as moças passam a querer se transmogrifar em rapazes; ou em outros casos, os rapazes passam a querer se transmogrifar em moças; e todas as loucuras que disto provêm.

19. Deste modo, a influência do apóstata permeia e contamina a juventude com males fatais e medonhos; a juventude que fica sujeita a apostasia, se torna a própria juventude em instrumento do apóstata para fazer males e praticar iniquidade; e não há nada mais medonho do que a juventude contaminada pela apostasia; nem mesmo uma doença grave que tira as forças físicas de um jovem se compara com os graves efeitos da contaminação que um jovem sofre ao se sujeitar a um apóstata; pois, o apóstata é instrumento de destruição das virtudes inerentes a juventude.

d. A despersonalização.

20. A influência de um apóstata se demonstra na despersonalização; é um termo pouco utilizado, mas que tem uma significação muito importante; pois, a despersonalização é o que de pior pode ocorrer com um ser humano, já que despersonalizar é desumanizar (e existem outros significados); e desumanizar sempre ocasiona ou coisas horrendas, ou ocasiona uma série interminável de práticas viciosas, onde se quer mudar o estado natural do ser humano; a Escritura não utiliza o termo despersonalização, mas apresenta fatos do que acontece quando ocorre a despersonalização.

21. No livro de Provérbios fala-se da mulher má; na contextura do livro de Provérbios, é a mulher que fora despersonalizada e que se tornara em poço de maldade, a ponto de ser tornar uma mulher adúltera. E a mulher adúltera anda a caça de vida preciosa (cf. Pv 6.26); a mulher má que anda a caça de vida preciosa, seja em conotações sexuais, para prostituição ou adultério, seja em conotações de fazer maldade, é uma mulher despersonalizada, a qual, por detrás se tem uma forte influência de um apóstata ou de apóstatas; e o caso se aplica também aos homens, aos homens que ficam despersonalizados, e assim ficam a caça de vida preciosa, seja para a prostituição, seja para ficar a espreita para fazer maldade (cf. Pv 1.10-19).

22. Por isso, sempre que houver um homem ou uma mulher que estão despersonalizados, logo, haverá nestes a prática de coisas contrárias a natureza, como a prostituição ou a torpeza (cf. Rm 1.26-27); é sinal mais do que evidente que há influência de um apóstata quando há a prática veemente e constante de “coisas que não convém”, ou para utilizar de uma outra expressão, onde há a influência do apóstata há engenhosidade em baixezas.

E onde há baixeza já é ruim; mas com a despersonalização, os homens e as mulheres que ficam sob a influência de um apóstata se tornam engenhosos em baixeza, se tornam formados na faculdade da baixaria das coisas que desagradam a Deus; pois, um apóstata se torna instrumento de Satanás para semear baixaria e tornar as pessoas símplices em engenheiros da baixeza. Esta é a obra do apóstata.

23. Pois, a despersonalização é influência direta de um apóstata, ocasionando todo tipo de prática hedionda. O Apóstolo diz: “E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; estando cheios de toda iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pai e à mãe; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem” (Rm 1.28-32). Esta descrição do Apóstolo é um testemunho de que, onde há estas práticas, é porque houvera a despersonalização. E é um fato, onde os homens e as mulheres não se importam com o conhecimento de Deus, isto é, não se importam em praticar coisas hediondas, não se importam em inferirem a liberdade e coisas similares, é porque houvera a despersonalização ocasionada pela influência nefasta e nefanda de um apóstata. E isto basta por ora quanto a compreensão da influência nefasta de um apóstata.

24. E termina aqui esta descrição proto-anatômica sobre o apóstata. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém. 


26/08/2023

Para a compreensão da inveja

I

 

A elucubração sobre os vícios da alma, as mais das vezes, constitui-se de um dos assuntos primordiais em se tratando das virtudes; porque quem fala das virtudes há logicamente de falar dos vícios, e vice-versa. E um dos vícios mais medonhos e fatais é a inveja, a qual segundo as Escrituras “é a podridão dos ossos” (Pv 14.30), que traz perturbação e toda obra perversa (cf. Tg 3.16).

A inveja, vício sem igual, torna o coração sujeito a todo tipo de sentimento pecaminoso e sujeito a toda influência diabólica que procurar levar os homens a praticarem o mal; a inveja é a mãe de todos os sentimentos ruins e a porta de entrada para todos os males que assolam a alma, que por consequência se tornam em males sociais, males na vida em sociedade. A raiz de onde brota e germina todos os vícios e males na alma provém da inveja.

Por estas e outras razões, se faz necessário elucubrar sobre a inveja. E a elucubração sobre a inveja deve ser feita a fim de analisar este mal sem par que assola a vida de muitas pessoas; pois, a inveja torna-se parte do dia a dia de muitas pessoas sem que estas se apercebam e sem que se deem conta do mal que é a inveja.

Deste modo, elucubrar sobre a inveja é necessário para que se evite cair nas armadilhas da inveja, que as mais das vezes tornam a alma obnubilada e obscurecida para a compreensão da verdade; a inveja cega a inteligência e suja a alma, a fim de que estas não recebam mais a luz do Senhor.

Assim, em vista a uma compreensão geral sobre a inveja, se faz necessário uma definição de inveja e a compreensão do que a Escritura ensina sobre este vício ignominioso.

 

II

 

Antes propriamente de se adentrar no que as Escrituras ensinam sobre a inveja se faz necessário uma compreensão geral sobre a inveja, uma compreensão filosófica sobre o tema da inveja.

O Filósofo diz que a inveja é certa pena (tristeza) sentida contra os nossos semelhantes devido ao êxito visível alcançado nos bens (cf. Ret., II, 10). Por isso, os bens de outrem são alvos da inveja; pois, sendo a inveja certo tipo de tristeza, as paixões da alma acabam por ser impregnadas com esta tristeza, a tristeza desmedida e impulsionada pela virtude do bem de outrem.

A tristeza causada pela inveja é uma espécie de tristeza diferente da tristeza dita comum ou do cansaço que mina o ânimo; a tristeza causada pela inveja dos bens de outrem é evidência de que se visa a glória e/ou os atos meritórios de outrem; a inveja se transforma em sinal contra a glória e/ou o mérito humano de outra pessoa, pois “é preciso dizer que, como a inveja diz respeito à glória alheia na medida em que diminui a glória que se deseja, segue-se que a inveja só é sentida em relação àqueles a quem o homem deseja igualar-se ou superar em glória” (STh IIaIIae, q. 36, a. 1, ad. 2).

E a compreensão da inveja como um signo e como um sinal da tristeza causada pelos bens de outrem, demonstra que se a inveja tomar conta do coração de uma pessoa, então todo o referente da pessoa será permeado pela inveja, isto é, tudo o que a pessoa fizer, em pensamentos e ações será dominado pela inveja e será sementeira de inveja, vindo a contaminar outras pessoas, já que segundo as Escrituras “onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa” (Tg 3.16).

Com efeito, da inveja brotam todos os sentimentos ruins e todas as malignidades que permeiam o coração do invejoso, pois a inveja quando domina a alma de alguém, a cosmovisão de uma pessoa, isto é, as entradas e as saídas da vida, serão encharcadas com o lodo tóxico da inveja; por isso, onde há inveja, como diz a Escritura, passa a haver todo tipo de sentimento perverso. Analogamente, a inveja é como um lixo tóxico que contamina e polui a nascente de um rio, o qual ao ser poluído em sua foz, se tem em toda a extensão do rio esta poluição como parte integrante e indissolvível do próprio rio.

A poluição da inveja é muito mais lodacenta do que a poluição de um rio. A poluição causada pela inveja é talhada sob os ditames daquilo que fora chamado de “ignorância dos homens loucos” (1Pe 2.15). Os homens loucos são aqueles que foram poluídos pela inveja e então desses brotará todo tipo de sentimento perverso; a inveja semeia no solo do coração uma enormidade de vícios e as obras da carne (cf. Gl 5.19-21). Pois, a poluição causada pela inveja gera todo tipo de sujeira espiritual naqueles que são inoculados com o veneno da inveja. Por isso, quando o Filósofo fala que a inveja é certo tipo de tristeza, é sobretudo devido a contaminação causada por esta espécie de tristeza que conduz à morte espiritual; pois, existe uma espécie de tristeza que é boa (cf. 2Co 7.10), etc.

No entanto, a tristeza que é proveniente da inveja, é uma tristeza que ocasiona além de doenças físicas, como ocorrera com Asafe (cf. Sl 73.21-22), também ocasiona doenças espirituais, como ocorrera com Caim que matou a Abel seu irmão (cf. Gn 4.5), ou como ocorrera com Saul que procurou matar a Davi (cf. 1Sm 18.7ss), ou ainda como ocorrera com o profeta Daniel que por ter sido honrado foi imensamente invejado (cf. Dn 6.3-4), etc.

 

III

 

Deste modo, a inveja é porta de entrada para doenças físicas e para doenças espirituais, como bem descreve a Escritura, e como também o atesta a medicina no caso de doenças físicas. Portanto, quando o versículo áureo da Bíblia sobre a inveja assevera que da inveja provém todo tipo de perversidade é por causa da contaminação causada pela inveja; logo, a descrição do Filósofo sobre a inveja é deveras certeira e conduz a um entendimento adequado sobre este mal fatal e medonho, o qual ao ser pontuado a partir de alguns textos das Escrituras engendra um entendimento mais apurado a respeito da inveja.

Com isso, como fora dito, se faz necessário uma análise mais específica da definição de inveja a partir da Escritura; e a Escritura tem preciosos e precisos ensinamentos sobre a inveja, além evidentemente do já mencionado versículo áureo da Bíblia a respeito do tema da inveja em Tg 3.16; eis, portanto, algumas ponderações bíblicas sobre a inveja:

1. Em Pv 14.30 se diz que a “inveja é podridão dos ossos”. A inveja debilita a saúde do ser humano, a ponto de causar a podridão dos ossos; pois, deste modo, a inveja debilita aonde o ser humano tem mais força, ou na própria pessoa invejosa ou o mais corriqueiro naquele que é objeto da inveja; assim, se observa que, quando alguém é objeto de inveja, ou esta pessoa adoeça ou fica assaz atribulada, ou então perde a força vital, ou física ou na vontade (ânimo), e isto como consequência da inveja de outrem. A inveja apodrece a estrutura óssea do ser humano, seja do corpo seja da alma.

2. Em Pv 27.4 se diz: “quem parará perante a inveja?”. A inveja produz efeitos catastróficos em que é envenenado pela mesma, e efeitos ainda piores em quem é objeto de inveja desmedida. Por isso, a descrição da inveja é feita em comparativo com a crueldade; se a crueldade é ruim, e de fato o é, a inveja é muito pior. Se diante da crueldade é difícil de se resistir, diante da inveja é ainda pior, pois a crueldade as mais das  vezes é manifesta em atitudes virulentas, as quais podem ser resistidas, mas a inveja que as mais das vezes não se manifesta de forma virulenta – embora também o possa ser, como no caso de Caim, etc. – é ainda pior do que a crueldade porque inocula o mal se que se aperceba, ou sem que se tenha uma percepção inicial que se é objeto de inveja; se diante da crueldade não se pode resistir tamanha a maldade, então diante da inveja não se há defesas, a não ser que se aperceba da inveja antes. De fato, a inveja é pior do que a crueldade, é pior e mais vil do que a crueldade, porque a crueldade pode chegar ao ponto de ferir fisicamente, o que pode ser curado, enquanto que a inveja apodrece os ossos, o que não tem cura. A inveja pode ocasionar doenças incuráveis.

3. Em Mc 7.21-23 se diz: “Porque do interior do coração do homem saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem”. A inveja provém do coração, bem como provêm do coração todos os maus pensamentos e os maus desígnios. Por isso, a descrição bíblica da inveja é a partir do centro supra-temporal do ser humano, pois se se contamina a raiz a árvore cresce doente.

E assim se delineia a proposição básica daquilo que se apresenta como o princípio básico que guia a pessoa invejosa; é da contaminação do pecado no coração que faz brotar a inveja, a qual faz calcinar a inveja naquilo que se demonstra como o mal sem par que inocula e insufla venenos e coisas malignas no coração; deste modo, onde brota a inveja, logo passará a haver no coração todo tipo de obra do mal, tal como se evidencia a partir de Tg 3.16; etc.

Portanto, se o coração for contaminado pela inveja passará a ter imbuído o veneno que se inocula em toda forma e em todo tipo de virtude natural, tornando estas ao invés de virtudes em vícios, transmogrifando a virtude em vício, mas que ainda pode ter a casca de virtude; pois a ação do veneno da inveja em transmogrifar a virtude em vício se torna latente e patente a partir daquilo que se chama de o vício capital que contamina toda a alma e todo o coração, a saber, a soberba.

Deste modo, se tem aquilo que se chama a raiz de toda a viciosidade da alma, a soberba e a inveja. Se do coração provém todo mal desígnio, e a inveja provém do coração, então do coração invejoso surgirá todo tipo de maldade e perversão, tal como se diz em Tg 3.16, etc.

4. Em Gl 5.19-21 se apresenta a inveja como uma das obras da carne. A inveja é uma das obras da carne, as quais são manifestas; a inveja pode até se maquiar, mas toda obra da carne se manifesta como tal; e a inveja, como uma das obras da carne tal como apresentadas pelo Apóstolo, significa basicamente que é uma obra proveniente do domínio do Pecado.

A inveja é uma obra da carne porque o coração humano está dominado pelo Pecado, e assim tudo o que provém do coração humano é imbuído do Pecado, isto é, é espiritualmente miserável (cf. Is 64.6); a inveja é fruto do Pecado no coração porque a Queda (cf. Gn 3) tornara o homem distante de Deus e espiritualmente miserável, e assim do coração passa a provir todo tipo de obra maligna, já que o ser humano está morto espiritualmente em delitos e pecados (cf. Ef 2.1-3).

Portanto, a inveja sempre manifesta sua carranca, pois é uma obra da carne; logo, etc.

 

IV

 

Nestas quatro breves proposições sobre o que a Sagrada Escritura define como inveja, se delineia aquilo que se apresenta como a descrição bíblica sobre a inveja; todavia, a partir da designação do que é a inveja se compreende que se deve ponderar sobre a inveja como uma obra da carne, a qual sempre é manifesta; e é necessário analisar os modos pelos quais a inveja se manifesta; e além da própria Escritura designar estes modos, a razão natural serve-nos de muita valia para que seja feito uma anatomia da inveja através dos modos apodíticos pelos quais a inveja se manifesta. Eis, portanto, alguns dos modos pelos quais a inveja se manifesta:

1. A inveja se manifesta através do riso. Existe uma diferença entre o riso e o sorriso; este é expressão de um coração alegre (cf. Pv 15.13), enquanto aquele é expressão de malignidade no coração; por isso, o Senhor Jesus assevera: “Ai dos que agora rides” (Lc 6.25b). Além disso, o Pe. Antônio Vieira diz que o riso é impropriedade da razão; deste modo, onde há riso há irracionalidade; e o riso é expressão de inveja que domina o coração; onde há o riso é sinal de que ali há inveja, pois a inveja se manifesta através do escárnio, que é evidenciado pelo riso. A inveja quando não se manifesta abertamente em atitudes medonhas, se manifesta através do riso amalgamado com escárnio; as pessoas que tem o coração dominado pela inveja se tornam engenhosas no escárnio e mestres do riso.

O salmista fala que bem-aventurado é aquele que não se assenta na roda dos escarnecedores (cf. Sl 1.1-3). Pois, do escárnio é que brotam evidencias exteriores da inveja que tomara conta do coração; portanto, aqueles que escarnecem também zombarão e rirão daqueles de quem tem inveja. Os invejosos tratarão de zombar e escarnecer daqueles que contra quem tem inveja; pois, sendo a inveja a tristeza pelos bens alheios, quando esta inveja é pequena ou comedida gerará a tristeza; mas uma grande inveja gerará uma falsa alegria, o riso; o que se patenteia pela máxima de que uma tristeza pequena gera abatimento, mas uma tristeza muito grande gera o riso.

Portanto, uma grande inveja gerará o riso em relação aquilo que é invejado; os invejosos contumazes sempre rirão daqueles que tem inveja, pois a inveja é a tristeza pelos bens alheios, o que por si evidencia que se a inveja for muito grande, esta tristeza pelos bens alheios se transmuta em riso, em escárnio e em tudo que advém amalgamado com o escárnio.

A raiz da inveja se demonstra a medida que a inveja se alastra e se torna parte do coração de alguém. Um coração invejoso cultivará o riso, ao passo que o sorriso não encontrará lugar num coração dominado pelo riso; o coração dominado pelo riso é um coração triste; com isso, o invejoso tentará através do riso atingir aquele de quem tem inveja; e o riso do invejoso funciona como uma seta pontiaguda para atingir o ânimo e os bens da pessoa invejada; o riso de alguém invejoso é pior do que a crueldade e mais letal que o veneno mais mortífero (cf. Pv 14.30, 27.4).

2. A inveja se manifesta através da podridão dos ossos (cf. Pv 14.30). O riso com o qual o invejoso desfere uma seta contra aquele a quem inveja, ao penetrar como uma seta pontiaguda na alma de quem é invejado, passa a apodrecer os ossos. E o que o autor do livro de Provérbios estabelece sob o “signo” de podridão dos ossos, estabelece uma doença, física ou psíquica (ou espiritual), que torna as fortificações naturais e as virtudes naturais (físicas ou morais), desfiguradas e enfraquecidas. Uma pessoa invejada se não se aperceber da inveja, logo desenvolverá ou doenças físicas ou então doenças psíquicas, sendo a mais comum em quem é invejado o desânimo e a abulia (ou preguiça crônica). Quem sofre ataques de inveja se torna doente nas estruturas ossais da vida.

A pessoa invejosa torna-se em instrumento de adoecimento dos bens alheios, seja os bens naturais, seja os bens espirituais. A inveja apodrece a natureza e se torna um inibidor da graça; onde se tem inveja, se tem a destruição da natureza e a obnubilação dos efeitos da Graça Comum, bem como onde se tem inveja se desenvolve as obras da carne (cf. Gl 5.19-21), já que a inveja é uma obra da carne, assim como a inveja é a raiz de toda perturbação. A inveja é a mãe das perversidades, bem como é a inveja a porta de entrada para os vícios e para a destruição das virtudes.

A inveja apodrece e contamina a seiva da virtude; o invejoso busca, seja através do riso ou seja através de outra forma de escárnio, enfraquecer os bens de quem tem inveja; e se observa isso na prática, já que quem possui inveja se torna um empecilho para o desenvolvimento de quem inveja bem como se torna uma barreira contra aquele a quem inveja, pois se constata que a pessoa invejosa tentará de toda forma impedir e/ou burlar que o bem de outrem seja efetivado ou então seja manifesto.

Com efeito, é comum a todo invejoso querer impedir e/ou usurpar aquilo que é de outrem; há casos de interferência de liberdade por parte de quem é invejoso para com algo do objeto investigado, e assim o invejoso comete até crimes para sustentar e manter a inveja, pois quem cultiva a inveja não tem limite para cometer crimes, e passará a ter dentro de si as sementes e os feitos que provêm da inveja, os quais sempre são contaminadores e vis.

3. A inveja se manifesta através da perversidade. A perversidade contra a excelência de alguém é evidência inegável de inveja, pois onde se tem inveja, se terá todo tipo de obra maligna (cf. Tg 3.16); e as crueldades que emanam da inveja se tornam manifestas já que as obras da carne se tornam manifestas. Portanto, não somente pelo riso ou outra forma de escárnio, ou ainda pela podridão dos ossos, mas também pela perversidade a inveja se torna manifesta. Ora, sendo a inveja um inibidor da graça de Deus, logo onde há inveja passa a haver todo tipo de baixeza; as pessoas invejosas acabam por se tornar engenhosas em baixezas a fim de tentarem roubar e/ou inferir o bem de outrem; neste sentido, a inveja é fruto da libido dominandi que se estabelece como fruto do juízo de Deus em entregar os homens a si mesmos (cf. Rm 1.26-32); ou dito em outros termos, a inveja se torna algo patológico; etc. 

E para o que fora proposto o que fora dito até aqui basta para uma compreensão adequada sobre a inveja. 

Laudate Deo


01/08/2023

Nótula sobre resolução 715 do Conselho Nacional da Saúde

1. Recentemente, no dia 20 de julho de 2023, o Conselho Nacional de Saúde promulgou a resolução 715, na qual, entre tantas coisas, tenta legalizar o aborto e a liberação das drogas; evidentemente, o Conselho Nacional de Saúde não tem autoridade para legislar em leis anti-vida; ainda que o Art. 1º, §1º, da Lei Federal nº 8.142/1990, afirme que é competência do Conselho Nacional de Saúde avaliar a situação da saúde e propor diretrizes para a melhoria da saúde nos diversos níveis correspondentes, ainda sim, tudo o que diz respeito a saúde deve respeitar os princípios básicos pelos quais é constituído o Estado brasileiro, o que a resolução 715 de 20 de julho de 2023 viola de maneira colossal.

2. E, mesmo que a Constituição afirme que a saúde é um direito de todos, é bom que se saiba, e isso como uma OBVIEDADE, que não existe lei pró-saúde que seja anti-vida; não existe competência constitucional do Conselho Nacional de Saúde para que alguma lei que seja contrária a vida e a inteligência humana seja aprovada; o aborto é prática anti-vida, logo, o aborto é um ato pleno de inconstitucionalidade; do mesmo modo é com a liberação das drogas, pois, as drogas, como fato comprovado cientificamente, destroem a inteligência; logo, a liberação das drogas é pressuposto anti-saúde, portanto, também é um ato pleno de inconstitucionalidade.

3. Logo, toda a baboseira que o Conselho Nacional de Saúde arrola para si no preâmbulo da resolução 715 é desmontada pelo princípio constitucional imutável de que a vida é inviolável, mesmo diante de ações do Conselho Nacional de Saúde que estejam contra a Constituição. Logo, a proposta de legalizar o aborto e descriminalizar as drogas são princípios anti-saúde, bem como são princípios anti-vida. Portanto, urge aqueles que tem a competência legislativa, tanto os deputados como os senadores protestarem contra a resolução 715, e assim lutarem contra a mesma, porque qualquer mudança na lei é função do legislativo e não do Conselho Nacional de Saúde, o qual nas propostas da resolução 715 demonstra a própria inconstitucionalidade de sua existência ao fazer tais propostas.

 

I. O que é anti-vida é contra a saúde.

 

4. A resolução 715 do Conselho Nacional de Saúde propõe, entre tantas práticas anti-vida, o aborto; e é de se espantar como que pessoas com um pingo de juízo aceitem práticas anti-vida como se fossem monumentos pró-saúde. Aborto é prática anti-vida, logo, é prática anti-saúde; a Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma categoricamente no Art. 3: “todo ser humano tem direito à vida”; aborto não é direito a vida; na verdade, o aborto viola o direito a vida da Declaração dos Direitos Humanos; portanto, o aborto é prática contrária aos direitos humanos.

5. Além disso, a Constituição afirma que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, enquanto Estado Democrático de Direito, é a dignidade da pessoa humana (art. 1, inciso III); logo, qualquer prática que infira a dignidade da pessoa humana é ato de inconstitucionalidade; por isso, a prática do aborto além de ser contra os direitos humanos, também é contra a Constituição. Onde há permissão do Estado para o aborto, onde a descriminalização do aborto, não há dignidade da pessoa humana. E a própria Constituição assegura a todos os brasileiros a inviolabilidade da vida (art. 5); por isso, o aborto é totalmente contra a Constituição.

6. Deste modo, como é que o Conselho Nacional de Saúde e o Governo querem apoiar uma prática anticonstitucional; é uma obviedade: uma lei que procura legalizar o aborto, é uma lei anti-vida; então, como que o Conselho Nacional de Saúde, por meio da Conferência para a Saúde, instituída por lei para preservar e avaliar a saúde, incentiva uma prática anti-vida; se o Conselho Nacional de Saúde apoia a legalização do aborto, então, a própria existência do Conselho Nacional de Saúde e da Conferência da Saúde estão contrários as suas disposições e propósito estabelecido por lei; logo, há no Conselho Nacional de Saúde um perigo eminente a ordem constitucional e a ordem democrática do Estado brasileiro; se um conselho nacional incentiva algo anticonstitucional tal como o aborto, então, há desrespeito para com a lei e a ordem.

7. Se o Conselho Nacional de Saúde apregoa uma prática anti-vida, então, o próprio Conselho Nacional de Saúde é anticonstitucional, cabendo a um dos poderes corrigir e coibir as ações anticonstitucionais de um conselho nacional; pois, são inferência direta e destrutiva a harmonia constitucional do país; pois, onde há inconstitucionalidade de um órgão federal, ou de um conselho nacional, se o Congresso e/ou o Senado aprovarem, pode haver um GLO, para garantir a lei e a ordem (art. 142) - no caso, para garantir o cumprimento do direito a vida prescrito pela Constituição e que o Conselho Nacional de Saúde quer burlar implementando uma prática anti-vida, o aborto. É uma máxima básica: o que é anti-vida (anticonstitucional) não é pró-saúde; logo, o que é anti-vida (o aborto) é tentativa de destruir a lei e a ordem.

 

II. O que é pró-droga é anti-saúde.

 

8. A resolução 715 do Conselho Nacional de Saúde também procura descriminalizar o consumo de drogas; e é evidente que o que é pró-droga é anti-saúde; a atitude de se querer descriminalizar as drogas é um desrespeito para com a própria saúde, a qual, segundo a Constituição é direito de todos; e o ativismo ideológico pró-droga, é sinal continental das políticas anti-saúde do governo vigente.

9. Assim sendo, a própria atitude do Conselho Nacional de Saúde em colocar como pauta a ser buscada a descriminalização das drogas, evidencia que o mesmo não preza por aquilo que constitui sua razão de ser, a saber, velar pela saúde e pela preservação e cultivo da mesma. E se o consumo de drogas ilícitas, como o Crack e a Maconha, ou outra droga de mesma espécie, causa perdas quase que irreparáveis à saúde humana, como é que os responsáveis pelo cuidado com a saúde elaboram uma resolução tida como “programa pró-saúde” em que se quer descriminalizar o aborto e descriminalizar o consumo de drogas.

10. Por isso, toda invectiva pró-droga, seja através do Conselho Nacional de Saúde, seja através da atividade político-partidária de magistrados, é sinal clarividente de inconstitucionalidade. A doutrina pró-droga, assim como a doutrina pró-aborto, talhadas sobre as labaredas do anticristo, são sinais evidentes de inconstitucionalidade porque violam a vida e vituperam a saúde; além disso, a descriminalização das drogas, da mesma forma como a descriminalização do aborto, é contra os Direitos Humanos. Evidentemente, o que é pró-droga é contra os direitos humanos.

11. Deste modo, a atitude do Conselho Nacional de Saúde em querer descriminalizar as drogas é proveniente de práticas hediondas e doutrinas que rompem com a ordem constitucional, porque violam a vida, e o direito a vida é uma das bases da ordem constitucional; logo, se há violação ao direito a vida há desordem constitucional. Portanto, segue-se uma obviedade: O QUE É PRÓ-DROGA É ANTI-SAÚDE. E isto basta quanto a análise da resolução 715 do Conselho Nacional de Saúde. 

12. E termina aqui esta nótula. Laudate Deo


Trovas Brasileiras

Prólogo   As trovas que compõem esta obra versam sobre um aspecto da cultura brasileira; como se sabe a cultura brasileira é multifaceta...