Nota Preliminar
Estas breves meditações foram feitas
durante as semanas de outubro e novembro de 2015, a fim de apresentar algumas
verdades da fé de forma acessível a pessoas símplices; não são de fato
meditações ao estilo correto, mas são como o próprio título indica, migalhas
meditativas sobre tópicos concernentes a fé, com apenas algumas pequenas correções
quanto a oralidade do registro.
I
“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar
contra ti” (Sl 119.11).
O texto o qual nós lemos nos fala
que o salmista escondeu a Palavra do Senhor em seu coração. E isto demonstra a
importância da Palavra de Deus para a vida na fé.
E será que damos o devido valor a
Palavra de Deus a ponto de escondê-la em nosso coração? Ou será que se tem uma
vil omissão em relação ao valor que os fiéis devem dar a Palavra de Deus na
vida cristã?
O salmista escondeu a Palavra de
Deus em seu coração, pois esconder significa proteger. E só se protege algo que
se tem importância e valor. Por exemplo, tem muitas pessoas que possuem em suas
casas cofres para guardar seus objetos importantes, dinheiro e similares. No
entanto, o salmista não guarda objetos, riquezas ou dinheiro, ele guarda a
Palavra de Deus no recôndito de seu coração. Os homens dão valor a muitas
coisas inúteis, e esquecem-se da pérola de grande valor: esquecem-se de dar o
devido valor e tempo à Palavra de Deus. O salmista ensina qual deve ser a
prioridade espiritual: “Também os teus estatutos são o meu prazer e os meus
conselheiros” (Sl 119.24).
E o salmista escondeu a Palavra de
Deus em seu coração com um propósito, a saber, não pecar contra o Senhor. O
pecado nos afasta de Deus, mas a santificação nos aproxima d’Ele. O salmista
ensina que ao guardar a Palavra de Deus em seu coração ele estaria próximo do
Senhor. A Palavra nos santifica: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a
verdade” (Jo 17.17). A Palavra traz as bênçãos da santificação, sem a qual
ninguém verá o Senhor (cf. Hb 12.14).
A santificação vai libertando os
fiéis aos poucos do pecado e os tornando semelhantes a Cristo, para que quando
Cristo voltar encontre os eleitos em mácula, nem ruga, mas irrepreensíveis e
santos.
Que o Senhor nos ajude na batalha
pela santificação. Que Ele nos conceda graça necessária para que possamos dar o
devido valor a Sua Palavra, fundamento da nossa vida e da nossa fé, pois por
meio da Palavra somos santificados pelo Espírito Santo. Pois, como o Santo
Evangelho ensina estas palavras são palavras de vida eterna (cf. Jo 6.68). Que
Ele nos ajude a vencer a batalha que nos deixa omissos para com a leitura
bíblica, e que Seu Santo Espírito nos mova a fim de darmos o devido valor a Sua
Santa Palavra, a fim de crescermos espiritualmente. Amém!
II
“Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus
estatutos” (Sl 119.71).
O salmista ensina que foi bom ter
sido afligido, por causa do que ele aprendera com esta aflição. O salmista
entende o bem que provém da aflição, ao entender que a aflição o conduziu a
entender os estatutos do Senhor.
E este texto sagrado nos ensina
três lições:
1º- O sofrimento tem um propósito.
Todos os sofrimentos da vida tem um propósito maior. No caso do salmista, ele
sofreu para que aprendesse a andar como Deus queria. E precisamos aprender a
olhar o sofrimento de nossa vida sob essa ótica, de que Deus tem um propósito
para o nosso bem em meio ao sofrimento, para nosso fortalecimento e nossa
edificação.
2º- O sofrimento traz mudança. Todo
sofrimento vem carregado de mudanças para a nossa vida espiritual. O sofrimento
vem com mudanças, para sermos moldados a medida da estatura de Cristo. O
sofrimento vêm de forma carrancuda, mas com um sorriso sorridente que se
manifesta após a provação.
3º- O sofrimento é um momento
propício para nos aproximarmos mais de Deus. Todo sofrimento vem para nos
conduzir para mais próximos de Deus. E isso é algo muito bom, pois em meio aos
sofrimentos e aflições tão agudos sabemos que temos um braço onde podemos descansar.
O sofrimento é bom para reconhecermos nossa pequenez, e nos apegarmos Àquele
que é perfeito, infinito e todo-poderoso. No sofrimento descobrimos nossa
realidade, de que somos pós, e nos colocamos humildemente diante da onipotência
e sapiência do Deus Altíssimo.
Então, em meio a todo sofrimento
que passarmos, que possamos ter a certeza de que Deus está conosco; de que Ele
tem um propósito em meio a todos os sofrimentos que passamos, e que este
propósito é nos moldar a imagem de Cristo, e nos conduzir aos seus braços
acolhedores de Pai Santo.
Que o Senhor nos ajude a entender
os propósitos do sofrimento em nossas vidas, e nos conceda a graça necessária
para que possamos passar pelo vale das provas e transformá-lo em lugar de
bênçãos tanto para nós mesmos quanto para outros, lembrando do que o Senhor
dissera para o Apóstolo: “A minha graça te basta, porque o meu poder se
aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9). Amém!
III
“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já
vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas
tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito
conhecer” (Jo 15.14-15).
O texto o qual lemos é um discurso
do Senhor Jesus. Ele fala sobre amizade. Não a amizade na esfera humana, mas
sobre a amizade com Ele próprio. E que maravilha é compreendermos que podemos
ser amigos de Cristo, que podemos chegar a ter com Ele um grau de comunhão tão
profunda que possamos ser chamados por Ele de seus amigos.
Mas, como podemos saber se somos ou
não amigos de Jesus? O texto sagrado nos fornece duas lições para
compreendermos quem é amigo de Cristo, as quais são:
1º- A amizade com Cristo está
vinculada a obediência. O próprio Cristo dissera que os seus discípulos seriam
seus amigos se obedecessem aos Seus mandamentos. E aqui existe uma condição, o “se”; por isso,
todo fiel pode se tornar amigo de Cristo através da obediência. A obediência é
a qualidade do caráter do cristão que demonstra sua submissão a vontade
soberana de Deus, sabendo que a vontade de Deus é a melhor coisa da vida. A
obediência nos leva a caminhos mais sublimes diante de Deus. A obediência nos
leva para os braços d’Aquele que nos acolhe e recebe com Amor Incondicional.
2º- A amizade com Cristo nos traz a
intimidade com Ele a ponto d’Ele nos revelar Sua vontade. Amizade representa
comunhão. E à medida que vamos nos aproximando de Cristo por meio da obediência
aos Seus mandamentos, se experiencia uma comunhão tão agradável que nosso ser
se enche de plena alegria e satisfação. Pois, quando somos amigos de Cristo,
Ele nos dá a conhecer os desígnios de Deus e a compreender o propósito d’Ele
para nossas vidas.
Que o Senhor nos conduza nessa
direção, da amizade com Ele, a ponto de sermos conhecidos por Deus e pelos
homens como amigos de Cristo, a fim de experienciarmos uma comunhão tão
profunda com Ele, que Ele mesmos nos revele os mistérios de Deus. Amém.
IV
“Aquele que diz que está nele também deve andar como ele
andou” (1Jo 2.6).
O texto sagrado que lemos ensina
que quem diz que está em Cristo deve andar como Ele andou. Portanto, se alguém
se diz cristão devem andar como Cristo andou, deve palmilhar os mesmos passos
de Cristo. Andar como Jesus andou é ser imitador de Cristo.
Entretanto, surge a indagação: como
Jesus andou?
A Escritura toda contêm inúmeros
exemplos sobre a vida de Cristo, de como Ele agia e se comportava, de como era
o Seu proceder. No próprio texto sagrado lido se apresenta algumas
característica de Cristo, de como Ele andou.
Ora, duas são as características de
Cristo apresentadas no texto lido:
1º- Cristo é puro (cf. 1Jo 3.3c). A
pureza reporta uma vida de santidade. A sentença divina é: sede santos (cf. 1Pe
1.16). O próprio Senhor Jesus exortara seus discípulos: “Porque eu vos dei
exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). O Senhor
Jesus nos deu exemplo de uma vida pura e santa, para que possamos viver uma
vida de santidade diante de Deus e dos homens, experimentando a excelência da
comunhão com Ele através da santidade. Somente uma vida em santidade poderá se
achegar a Deus para ter comunhão com Ele, pois Ele é santo.
2º- Cristo é justo (cf. 1Jo 3.7c).
Assim como Cristo é santo, Ele também é justo (cf. Sl 145.17). A santidade leva
a uma vida justa. E uma vida justa é uma vida íntegra diante de Deus e dos
homens, diante dos quais os homens verão em nós a justiça de Deus mediante uma
vida de santidade. A justiça de Deus se manifesta em nosso favor quando cremos
em Cristo como Senhor e Salvador, e se aperfeiçoa em nós a medida em que
vivemos uma vida santa.
Que o Senhor nos ajude a vivermos
uma vida justa e santa diante d’Ele. Que o Senhor nos ajude que a vida santa e
justa do Senhor Jesus seja manifestada em nós, para que através de nosso
testemunho o mundo venha a conhecê-Lo e adorá-Lo. Amém.
V
“Aquele que diz: Eu o conheço-o e não guarda
os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está à verdade” (1Jo 2.4).
O
tempo que estamos vivendo é um tempo em que muitas pessoas vivem
hipocritamente, ou seja, apenas professam ser algo e não vivem de acordo com o
que professam.
Mas
para os cristãos não tem sido diferente; os “cristãos” estão tão mundanos que
professam que conhecem a Cristo, mas não vivem de acordo com a fé professada.
Todavia,
o texto ao qual nós lemos fala que aquele que diz que conhece o Senhor Jesus,
mas não obedece aos seus mandamentos é mentiroso e nele não está à verdade.
O
verdadeiro cristianismo é conhecido quando se obedece aos mandamentos contidos
na Palavra de Deus. Apenas uma vida comprometida com obediência à Palavra de
Deus poderá dizer com firmeza e com convicção que conhece ao Senhor.
Então
fica uma pergunta para autoanálise da nossa vida: Será que a obediência a
palavra de Deus é tanta a ponto de se poder dizer verdadeiramente que se conhece
ao Senhor?
A
obediência ao Senhor leva a comunhão com Ele. O próprio Senhor Jesus disse em
João 15.14: “Vós sereis meus amigos, se
fizerdes o eu vos mando”. A obediência a palavra que o Senhor nos ordena,
concede o privilégio de sermos chamados de amigos de Jesus.
Entretanto,
surge outra pergunta para autoanálise das nossas vidas: Será que se está
disposto a conhecer o que o Senhor Jesus ordena em sua palavra? E mais: será
que se está disposto a ser obediente a tal ponto que possa ser chamado pelo
Senhor de amigo?
Que o
Senhor nos ajude nessa caminhada que devemos trilhar rumo à obediência. Que Ele
nos conceda a graça necessária para que possamos obedecê-Lo, e sermos chamados
seus amigos, a fim de usufruirmos dessa intimidade que está disponível para
todo aqueles que esteja disposto a ser obediente aos mandamentos divinos. Amém!
VI
“Purificando a vossa alma na obediência a
verdade...” (1Pe 1.22).
Um sábio chinês disse certa feita: “O maior
perigo que ronda os seres humanos é se esquecer dos princípios que governam a
sua vida”. E isso é verdade. Muitas vezes os cristãos esquecem-se de
princípios ordenados pelo Senhor Jesus em Sua Palavra. E um dos princípios mais
esquecidos atualmente é o de viver uma vida pura, santa, sem macula, o de viver
uma vida de santidade diante do Senhor. Pois, sem santidade ninguém vera a Deus
(cf. Hb 12.14).
E o
texto ao qual nós lemos fala de purificação, ou seja, o ato de tornar puro.
Pode-se entender aqui um princípio: que os cristãos tem de se purificar
constantemente, ou seja, manter uma vida pura. E mais, o texto sagrado fala de
purificar a nossa alma, ou seja, nossos desejos, vontades e sentimentos devem
todos estar purificados. O Apóstolo disse que a nossa alma deve se encontrar
irrepreensível diante do Senhor (cf. 1Ts 5.23).
A Escrita
ensina que os desejos carnais combatem contra a alma (cf. 1Pe 2.11), ou seja,
eles armam ciladas procurando destruir a nossa alma. Por isso, a alma deve
estar pura, santa, irrepreensível diante do Senhor para que nesse combate o
fiel possa sair vitorioso (cf. 1Jo 5.4).
Assim,
surge a indagação: como purificaremos a nossa alma? Ou ainda como continuaremos
nesse processo de santificação da nossa alma? A resposta é simples: através da
obediência a verdade. A obediência a verdade que está revelada na Escritura tem
como efeito a purificação para a nossa vida. O próprio Senhor Jesus disse: “Vós
estais limpos pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3).
A Palavra
de Deus traz limpeza contra os desejos carnais que combatem contra a nossa
alma. No entanto, para que essa purificação seja realizada em todo o nosso ser,
é necessário obedecer à Palavra de Deus. A palavra que norteia a nossa
santificação é obediência.
Que o
Senhor nos ajude a sermos obedientes a Sua Palavra, para que por ela sejamos
purificados, para que por ela sejamos mantidos santos, pois é por meio dela que
o Espírito Santo opera a santificação em nós. E que a oração do Senhor Jesus
possa ser a nossa oração: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a
verdade” (Jo 17.17). Amém!
VII
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as
conheço, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e
ninguém as arrebatará das minhas mãos” (Jo 10.27-28).
Um
texto muito interessante esse aos qual nós lemos. Pois, neste texto Jesus está
falando que os seus discípulos são como ovelhas. As ovelhas são os animais mais
dóceis, mais fracos, mais dependentes e que mais necessitam de cuidados entre
todos os animais.
E
porque Jesus utilizou da figura da ovelha para as comparar com os cristãos?
É
simplesmente porque a vida de um cristão é igual à vida de uma ovelha. As
ovelhas precisam de cuidados de seu pastor, os cristãos precisam dos cuidados do
Sumo-Pastor; as ovelhas precisam de proteção contra os seus devoradores, os
cristãos precisam de proteção contra as forças do mal.
Por
isso, em meio a tudo isso existe a gloriosa promessa: “... ninguém as
arrebatara das minhas mãos”. Os cristãos podem passar pelos mais escuros
vales da vida, mas possuem a certeza da promessa que ninguém os poderá tirar
das mãos do Senhor.
Mas
como podemos ter a certeza eterna que estamos seguros nos braços eternos do
Senhor? A resposta é simples. Observemos, pois o texto: “As minhas ovelhas
ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem...”. Eis aqui o
mistério. As ovelhas que ouvem a voz do Bom Pastor, são ovelhas que lhe obedecem,
pois elas ouvem a voz do Bom Pastor, voz essa que lhes é conhecida e então elas
o seguem para os pastos verdejantes que só o Sumo-Pastor as pode levar.
A
ovelha, o cristão, é marcado pela sua obediência a voz do seu pastor, do Sumo-Pastor
Jesus Cristo. Somente uma ovelha obediente pode estar segura que ainda que
alguém possa matar o seu corpo físico, ela estará rompendo na eternidade ao
lado do seu eterno Pastor contemplando-O face a face
Que o
Senhor nos ajude a sermos ovelhas obedientes a Sua voz, a sermos ovelhas que o
seguem sem questionar, caminhando sempre com a certeza de que o nosso Sumo-Pastor
nos concede a vida eterna, conduzindo-nos as águas tranquilas nos desertos
dessa vida até que enfim cheguemos a nossa morada eterna. Amém!
VIII
“E sede cumpridores da palavra e não somente
ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg 1.22).
O
tempo em que vivemos é um tempo de crises: crises econômicas, morais,
religiosas, etc.
E uma
das grandes crises que enfrentamos é a crise de identidade. Uma crise que
olhamos algo e não sabemos se aquilo que olhamos é realmente o que diz ser. Uma
crise que alguns professam serem cristãos, mas o comportamento não condiz com a
fé professada. Uma crise que os que se dizem cristãos tem o mesmo
comportamento, os mesmos gostos e até mesmo a mesma maneira de agir dos que os
ímpios.
E texto
sagrado nos exorta a uma vida diferente do nominalismo, ele nos chama a
mantermos a nossa conduta de acordo com a nossa fé. E uma das maneiras de se
fazer isso é ser praticante da Palavra. É ser um obediente praticante da Palavra.
É ser um autêntico cristão que é conhecido por ter a sua vida pautada de acordo
com os padrões bíblicos.
E
esse chamado é um chamado que todo cristão deve cumprir, pois todos os fiéis
precisam cumprir a Palavra de Deus no viver diário.
E
diante disso, surge uma indagação para autoanálise da nossa vida: como alguém
pode obedecer àquilo que não conhece? Como se pode obedecer àquilo que não têm
valor para o indivíduo em sua vida diária? Por isso, esse chamado é um dos mais
preciosos contidos na Palavra de Deus, pois por meio dele podemos ter a nossa
vida nos passos de Jesus, para andar como Jesus andou: “Porque para isto
sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para
que sigais as suas pisadas” (1Pe 2.21).
E
nesse tempo de crise o mundo precisa de exemplos dignos de ser seguidos. Não um
falso exemplo que atrai milhares de pessoas pelo aparente sucesso, mas um
exemplo que demonstre o caráter de Cristo.
Nesse
mundo de crise, os cristãos devem ser sal da terra e luz do mundo (cf. Mt
5.13-16), pois aqueles que vivem em Cristo têm a palavra de salvação, para
proclamar a todos que têm a água viva que é Jesus, o pão vivo que desceu do
céu.
Que o
Senhor nos ajude a sermos obedientes no que a Sua Palavra requer de nós. Que
Ele nos ajude a sermos praticantes e não apenas ouvintes, para que o mundo veja
Cristo em nosso viver. Amém!
IX
“... sendo obediente até a morte e morte de
cruz” (Fp 2.8b).
O apóstolo
Paulo nesse versículo e nos versículos anteriores está evocando o exemplo do
Senhor Jesus. Um exemplo que se aniquilou a si mesmo, que sendo igual a Deus se
colocou na condição de homem e habitou entre nós, e não teve usurpação o ser
igual a Deus, mas se entregou totalmente até a morte na cruz.
Este
sem dúvida é o maior exemplo que nós temos: o próprio Senhor renegou a si mesmo
para ser obediente a vontade do Pai. Ele se entregou por ter um caráter
obediente a vontade do Pai.
E
essa também deve ser a nossa atitude, ser obediente até a morte, pois como diz
em Apocalipse 2.10c: “Sê fiel até a morte
e dar-te-ei a coroa da vida”. A obediência do cristão a vontade de Deus deve
permanecer inabalável até mesmo em perigo de morte iminente.
E, no
texto sagrado aprendemos duas lições importantes:
1°-
para que haja uma obediência perfeita a vontade do Senhor precisamos aniquilar
toda vontade pecaminosa que há em nós. Precisamos tirar tudo o que há de mal do
nosso coração, e purificá-lo para que possamos experimentar qual é a boa,
perfeita e agradável vontade de Deus (cf. Rm 12.1).
2°-
quando aniquilarmos toda a nossa vontade pecaminosa, teremos o mesmo sentimento
que o Senhor Jesus, e então estaremos preparados para alcançar níveis
altaneiros na presença do Senhor, para então desfrutarmos de uma intimidade
mais profunda com o Senhor da Glória (cf. Ez 47.1-6).
Que o
Senhor nos ajude a aniquilarmos as nossas vontades pecaminosas, que Ele nos
ajude a sermos obedientes e se necessário for até a morte, para que no fim da
nossa carreira possamos falar como o Apóstolo: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor,
justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que
amarem a sua vinda” (2Tm 4.8). Amém!