Proêmio
O poema “Invocação de um Desesperado” (1837)[1] de
Karl Marx, desvela o princípio motor do que é a religiosidade de Marx; pois,
mesmo os ateus ou incrédulos vivenciam algum tipo de invocação, ainda que seja
para esconjurar o divino de diante de si mesmos.
Com Marx isso não é diferente: ele apresenta sua
invocação, e desvela quem é diante de Deus a partir do que ele mesmo faz, não
no sentido de uma confissão de arrependimento, mas muito pelo contrário: no
sentido de reafirmar descaradamente a própria obstinação contra os preceitos
divinos.
Ora, isto, por si, evidencia o que ocasiona a
desobediência aos preceitos divinos naqueles que são influenciados pelo
marxismo; a cultura dominada pelo marxismo será cultura com a mesma invocação
de Marx, a saber, o desespero diante dos preceitos divinos, e, por
consequência, a obstinação em rejeitar e desobedecer a tais preceitos e laborar
contra os mesmos.
Por isso, aqueles que são dominados pelo marxismo
acabam por se tornar indivíduos que rejeitam totalmente os preceitos divinos,
ainda que digam ser “cristãos”. Pois, se não se desvela a causa do desespero
espiritual, o desespero espiritual se tornará em ímpeto contra os preceitos
divinos, atentando contra suas mais variadas manifestações.
Assim, se faz necessário uma explicação deste poema,
para se entender no que consiste a religiosidade de Marx; embora, em outros
poemas Marx tenha desvelado no que consiste sua religião, que ele fez um pacto
com Satanás, etc., neste poema ele descreve como vivencia sua “religião”, a
saber, como a invocação de um desesperado; e isso tem muitas implicações.
Adentremos, pois, a explicação deste poema para
compreender estas implicações.
§ 1
Quando um homem culpa a Deus por suas próprias ações. A
falta de ordem na vida ocasiona o ímpeto para se acusar outrem pelas próprias
vicissitudes; no caso, de quem se acostumou com o descaro e a canalhice, se
culpa a Deus e aos seus servos pelas próprias ações; Marx, ao ter vendido a
alma para Satanás, como ele próprio declara, ao ver as consequências de suas
ações diante de si, afirma: “Então um deus arrancou de mim meu tudo”,
isto é, Marx fala que um “deus” arrancou dele tudo que ele tinha; ou dito em
outros termos, Marx acusa outrem pelas consequências de suas próprias ações.
Ora, se Marx fez um pacto com o “deus” deste século,
então ele atribui a culpa por suas ações ao próprio Demônio. Mas, ao ter feito
isso, retira de si a responsabilidade pelas próprias ações, e o faz de maneira
pensada, não somente para culpar outrem pelas próprias ações, mas
principalmente para arrolar algum motivo hediondo para seus labores.
Por isso, Marx fala o modo como o tal “deus” arrancou
dele tudo, a saber: “Na maldição e cremalheira do Destino”, isto é, Marx
atribui a roda do destino seus infortúnios, mas não numa compreensão racional
do Destino que é imprevisível a todos os homens, mas do destino como maldição;
para Marx, o destino que lhe sobreviera era uma maldição; no entanto, fora o
próprio Marx quem seguira este caminho; logo, quem escolhera a maldição foi
Marx.
Com isso, Marx constata: "Todos os seus mundos
se foram além da memória!”, isto é, na maldição e cremalheira do destino,
não existe mais nada a se pensar nem a se lembrar; novamente, Marx reclama de
seu destino, o qual ele próprio escolheu de maneira consciente e deliberada,
dizendo que todos os seus mundos se foram além da memória, e já não há mais
nada a se lembrar.
Ora, se não há memória então não se tem a
responsabilidade pelas próprias ações; Marx, deliberadamente, diz que todos os
mundos estão perdidos além da memória, então ele já não lembra de mais nada; e
isto não é uma declaração para indicar memória ruim, antes é a canalhice de
esconder os próprios erros, feitos de maneira consciente e deliberada, ao ter
diante de si as consequências dos mesmos.
Assim, ao ter colocado a responsabilidade na roda do
Destino, e não em suas próprias ações, Marx se arrola o que lhe resta após um “deus”
ter arrancado tudo dele, declarando: “Nada além de vingança me resta!”,
isto é, para Marx a única coisa que lhe resta após tudo ter lhe sido tirado é a
vingança, a vingança contra tudo e contra todos; a vingança total é o ímpeto
que move o “eu” interior de Marx em seus labores.
Ao invés de evocar as maravilhas da memória, Marx
prefere ser dominado pela vingança; na verdade, se adentrasse com sinceridade
aos quarteirões da memória, veria que a roda do Destino lhe adveio devido a
consequências de suas próprias ações, e não por outro motivo; a consolação de
Marx em meio a cremalheira do Destino não é a verdade, mas sim a vingança.
E este é o primeiro aspecto da invocação de um
desesperado, o desejo por vingança, não em função de alguma justiça, mas para
velar a consciência da própria miséria advinda como consequência das próprias
ações.
§ 2
A vingança contra Deus. Após
descrever que lhe restara apenas a vingança, Marx passa a explicar
especificamente contra quem ele busca vingança, a saber, contra Deus; pois, a
vingança dominou de tal modo a alma de Marx, que segundo ele mesmo ele se
tornou a própria vingança; Marx afirma: “Em mim mesmo vingança eu vou causar
orgulho”, isto é, o desejo de vingança dominou Marx de tal modo que através
de seu ímpeto para a vingança, nos seus labores se gera orgulho.
Por isso, para Marx, sua vingança fora talhada com o
propósito de gerar orgulho; e de fato o desejo de vingança inerente ao
pensamento marxista gera sempre orgulho (ou soberba); na verdade, o pensamento
marxista só se instaura através da vingança, e como consequência, gesta os
gérmens do orgulho, que frutificam rapidamente; e o marxismo assoma para seus
propósitos toda forma de orgulho, principalmente a de seus adversários; o
orgulho e a soberba nos adversários do marxismo é um combustível ainda maior
para o domínio marxista.
E a vingança de Marx é contra Deus, tal como ele
afirma: “Naquele ser, aquele Senhor entronizado”, isto é, Marx direciona
sua vingança contra o Senhor entronizado; os labores de Marx, em função de sua
busca por vingança, tem por objetivo atingir o Senhor entronizado.
No entanto, apesar de evocar sua vingança e luta
contra o Senhor entronizado, Marx ainda lhe faz um rogo: “Faça da minha
força uma colcha de retalhos do que é fraco”, isto é, Marx pede a Deus que
sua força seja tal como uma colcha de retalhos feita de tudo o que é fraco.
Por esta razão, o marxismo sempre se diz do lado dos
oprimidos e mais fracos, o proletariado; todas as espécies de opressão que Marx
identifica, ele quer que seja uma parte de sua colcha de retalhos (força). Por
isso, o mote do marxismo é que todos os fracos (oprimidos), o proletariado como
um todo, se reúna e se una em uma luta comum.
Além disso, Marx também exclama diante de Deus: “Deixe
o meu melhor eu sem recompensa!”, isto é, Marx não reclama nenhuma
recompensa diante de Deus; no entanto, Marx não busca nenhuma recompensa diante
do Deus verdadeiro, mas busca uma recompensa diante do deus deste século; e a
recompensa do deus deste século é que quem o adora recebe em troca as glórias demoníacas
deste mundo (cf. Mt 4.8-9).
A vingança de Marx contra Deus lhe conduz às glórias
deste mundo, ao domínio do sistema que jaz no maligno; no entanto, a vingança
contra Deus também conduz Marx ao mais profundo abismo, posto tal vingança se
efetivar não somente contra Deus, mas gesta uma soberba tal em Marx que ele
busca se tornar um deus; e a obra de Satanás é justamente colocar os homens
contra Deus prometendo-lhes que eles vão também se tornar como “deus” (cf. Gn
3.5).
§ 3
O plano para se tornar “deus”. Após
evocar sua vingança contra Deus, Marx desvela qual o real propósito desta
vingança, a saber, se tornar “deus”; por isso, Marx declara: “Construirei
meu trono no alto”, isto é, Marx quer se entronizado no lugar de Deus; Marx
quer subir ao alto e construir seu trono nas alturas, em usurpação ao trono do
Deus verdadeiro; isto, por si, é outra evidência cabal do satanismo de Marx,
proveniente do fato de ele ter vendido sua alma para Satanás.
Marx prossegue e descreve a propriedade de seu trono
nas alturas: “Frio, tremendo será seu cume”, isto é, será frio, ou seja,
não terá amor e nem misericórdia; e “tremendo será seu cume”, isto é,
será algo grandioso; Marx ao buscar instaurar seu trono em sua busca de vingança
contra Deus, antevê que seu trono, seu domínio, será grandioso; não da grandeza
verdadeira, mas da grandeza galgada pelo pacto com o demônio.
Depois, Marx faz suas descrições do que constituirá
seu trono nas alturas, do que se constituirá sua entronização como “deus”; Marx
afirma que seu trono vai ter um baluarte e um Marshall; ora, quanto ao
baluarte, Marx o descreve assim: “Por seu baluarte - pavor supersticioso”,
isto é, o baluarte da entronização de Marx é o pavor supersticioso.
E este é o mote existencial do marxismo, pavor e
superstição, pavor supersticioso, pois assim se gera medo e discórdia,
preparando o terreno para o domínio daquele que propaga o pavor supersticioso;
pois, se uma sociedade é dominada por este pavor supersticioso, então quem
propaga o mesmo dominará toda a sociedade.
E, quanto ao Marshall, Marx o descreve assim: “Por
seu Marshall - a
mais negra agonia”,
isto é, o plano de Marx é instaurar a mais negra agonia; o Marshall, o
comandante do império de Marx, é a mais negra agonia; o domínio marxista é para
gerar a mais negra agonia; e realmente, aqueles que buscam vingança contra Deus
são dominados pela mais negra agonia, pois a rejeição a Deus ocasiona na alma
os terrores da mais negra agonia.
Por
isso, o plano de Marx para se tornar “deus” tem um baluarte, isto é, uma
palavra de ordem, um mote, um jargão, que é o pavor supersticioso, ou tudo que
gere o pavor supersticioso; mas também tem um Marshall, isto é, um mordomo que
conduz os indivíduos sob o sistema marxista, que é a mais negra agonia[2].
Com
isso, onde houver pavor supersticioso e onde houver a mais negra agonia,
certamente se tem ou a manifestação do sistema marxista ou então a preparação
para a instauração total do mesmo.
§ 4
A
felicidade da vingança é como preparar o próprio túmulo. Após descrever seu plano para se
tornar “deus”, Marx descreve o efeito da vingança: primeiro, naqueles que se
defrontam com o marxismo; segundo, em sua própria vida. Marx assevera: “Quem
olha para ela com um olho saudável”, isto é, quem olha de
maneira saudável para seu baluarte e seu Marshall, ou seja, para a entronização
de Marx, terá um efeito terrível em si mesmo, tal como Marx afirma: “Voltará,
mortalmente pálido e mudo”, isto é, perderá aquilo em que é saudável e
voltará mortalmente pálido e mudo.
No entanto, a saúde a que Marx se refere não é
simplesmente a saúde física, mas a saúde psíquica; por isso, aqueles possuem a
alma saudável, ao se defrontarem com o instaurar do trono de Marx, acabam por
encaminhar-se em caminhos mortais, em palidez e mudez, pois o marxismo ocasiona
desordem na alma, e alma desordenada é alma ordenada ao inferno como o próprio
Marx asseverara em outro poema.
Assim, aquele que se defronta com o marxismo, acabará,
tal como Marx afirma, “Agarrado pela cega e fria Mortalidade”, isto é,
perderá o sentido da vida, perderá o real sentido de viver; é isto que
significa ser agarrado pela cega e fria mortalidade; aquele que se defronta com
o marxismo será dominado pelo senso de mortalidade, não para apreender quem é,
mas para gerar em si mesmo o ímpeto da vingança contra Deus. A contemplação da
própria mortalidade ou induz a se entender a própria miséria ou induz ao desespero.
No caso de Marx, induz ao desespero. E esta é a
consequência da mortalidade apregoada pelo marxismo. Pois, no materialismo, a
proposição da mortalidade é para gerar alguma práxis hedionda para velar a
consciência da compreensão sobre no que consiste realmente a mortalidade;
assim, tem-se não mais a mortalidade pela mortalidade, mas a mortalidade é
assomada para uma práxis em vingança contra Deus.
Com isso, Marx descreve o efeito de seu ímpeto para a
vingança contra Deus; e do mesmo modo como a compreensão verdadeira sobre a
mortalidade encaminha a alma para a alegria, a compreensão sobre a mortalidade
tal como transmogrifada pelo marxismo encaminha a alma para a falsa alegria
engendrada pelo espírito de vingança.
Por isso, Marx constata: “Que sua felicidade
prepare seu túmulo”, isto é, ao buscar o caminho da vingança contra Deus,
Marx encontra a falsa felicidade do espírito de vingança, a qual tem por efeito
a preparação do próprio túmulo, ou seja, do próprio destino eterno.
Portanto, aqueles que buscam vingança a ponto de serem
dominados pelo espírito de vingança, encontrarão a falsa alegria da vingança, a
qual tem por consequência irrevogável a preparação do próprio túmulo; pois,
aqueles que encontram a falsa felicidade do espírito da vingança contra Deus
preparam o próprio caminho para o inferno.
§ 5
A obstinação contra Deus. Após
descrever os efeitos de seu plano para se tornar “deus”, Marx desvela toda a
obstinação de seu coração contra Deus; Marx afirma: “E o relâmpago do
Todo-Poderoso deve ricochetear”, isto é, após declarar as consequências de
seu ímpeto de vingança contra Deus, Marx evoca o juízo de Deus através de uma
comparação do ricochetear do relâmpago; pois, ao lutar contra Deus, Marx tenta
antevê uma “reação” de Deus, através de algum juízo; no entanto, mesmo que
entenda que a vingança contra Deus por si já o coloca sob o juízo de Deus, Marx
ainda escarnece do juízo divino.
Pois, ao comparar o juízo de Deus com o relâmpago e ao
mencionar que este relâmpago ricocheteia, ou seja, que não cumpre seu
propósito, Marx descreve onde este relâmpago ricocheteia, a saber: “Daquele
gigante de ferro maciço”, isto é, diante de um gigante de ferro; mas quem é
este gigante de ferro? Ora, é o próprio Marx; diante do juízo de Deus, Marx se
considera um gigante de ferro que resiste ao relâmpago de Deus ao ponto de
fazer o juízo de Deus ricochetear de diante de si; isso é um escárnio que
demonstra a mais vil e fétida obstinação contra Deus.
Por isso, Marx assevera: “Se ele derrubar meus
muros e torres”, isto é, se o juízo de Deus derrubar suas edificações, seus
muros e torres; Marx considera a possibilidade do juízo de Deus falhar; e isto
também é escárnio e zombaria contra Deus; para Marx, se o relâmpago de Deus, ao
ricochetear contra o gigante de ferro maciço, destruir suas obras, as mesmas se
reerguerão, tal como o próprio Marx afirma: “A eternidade os levantará,
desafiador”, isto é, se os labores de Marx, comparados com muros e torres,
forem derrubados, a própria eternidade os levantará em tom desafiador ao
próprio Deus.
Na verdade, Marx evoca um desafio a Deus; em suma, o
marxismo é permeado pela ideia de desafiar a Deus, enquanto que na Escritura se
tem o mandamento de não tentar, de não desafiar a Deus (cf. Mt 4.7); logo, o
marxismo busca ser algo desafiador a Deus; embora, seja óbvio que isso é
impossível, já que Deus é Todo-Poderoso e nada escapa ao Seu senhorio, a busca
do marxismo mais tem a ver com a destruição da criação do que propriamente com
a destruição do Criador, que por si é algo impossível; embora não possam nada
contra o Criador, os marxistas conseguem laborar para destruir a criação, para
destruir a ordem da realidade e para destruir os fundamentos da ordem social.
Assim, a obstinação contra Deus é algo inerente ao
marxismo; não somente na doutrina marxiana em si mesma, mas em todo o
desenvolvimento do pensamento marxista; por isso, todas as saídas teoréticas do
marxismo são manifestação, em maior ou menor grau, de obstinação contra Deus;
na verdade, os marxistas e aqueles que são dominados pelo marxismo, conscientes
disso ou não, manifestam em seus pensamentos e ações a obstinação contra Deus.
§ 6
O marxismo como fruto da invocação de um desesperado.
Este poema de Marx desvela muita coisa do próprio Marx, e sobre no que consiste
a religiosidade marxista; pois, embora o marxismo seja materialista, e os
marxistas de fato sejam ateus, existe no marxismo algo como que uma “religiosidade”;
não uma religiosidade confessional teística, mas uma religiosidade em torno do
próprio pensamento marxista; o marxismo, tal como os marxistas o expressam e o
vivenciam, é uma forma de religiosidade totalmente em obstinação contra Deus.
Com isso, se constata que a invocação de um
desesperado é, na verdade, a apresentação de no que consiste a religiosidade do
marxismo; e a partir das perspectivas evocadas neste poema, se pode constatar
onde há influência do marxismo, já que a invocação de um desesperado apresenta
características não só de Marx, mas também de todos os marxistas.
Portanto, a partir das perspectivas deste poema, que
evidenciam no que consiste a religiosidade do marxismo e dos marxistas, se tem
vários aspectos que são de suma importância se entender, para que, ao se
analisar as práticas de determinada sociedade, se observar se esta sociedade é
dominada ou não pelo marxismo; se tais práticas forem expressão das
perspectivas deste poema, então o marxismo dominou totalmente determinada
sociedade, já que a religiosidade marxista só é manifesta a partir de quando o
marxismo dominou totalmente a cultura.
Assim, se uma ou mais das características descritas
neste poema forem observadas, então o que há é evidência do domínio do marxismo
sob os indivíduos, ou sobre toda uma sociedade; assim sendo, se alguém
manifesta algumas destas características é marxista, aceitando isso ou não,
tendo consciência disso ou não; além do que, estas características também são
úteis para se entender a influência do marxismo em muitos que se dizem “cristãos”;
basta observá-las e constatá-las com cuidado e sinceridade, que se entenderá que
onde há “religiosidade” marxista, que é religiosidade em revolta contra Deus
mesmo se estiver com invólucros “cristãos”, se tem na verdade uma das mais
abruptas formas de anti-cristianismo.
***
Epílogo. Ora, o que fora dito basta
quanto a explicação deste enigmático e assustador poema de Marx; este poema é
assaz necessário para se entender o mote da práxis marxista, pois o marxismo,
apesar de anti-religioso, tem uma religiosidade intrínseca, já que os preceitos
marxianos são seguidos de maneira dogmática, sem filtragem crítica, por aqueles
que se deixam dominar, conscientes ou não, pelo marxismo.
Portanto, compreender este poema é compreender no que
consiste, e quais são as implicações, da religiosidade marxista, que é
sumariada justamente a partir do título deste poema, como a invocação de um
desesperado. O marxismo é a invocação de um desesperado e os marxistas são
invocadores desesperados; e esta definição abarca plenamente o marxismo a
partir da perspectiva religiosa.
E termina aqui esta explicação. θεῷ χάρις!
[1]
In: Karl Marx e Friedrich Engels, Marx-Engels Collected Works Vol. 1: Karl
Marx 1835-1843 [Lawrence & Wishart, 1975], pág. 563-564.
[2] A descrição da
mais negra agonia difere da pura e simples agonia, causada por algum sofrimento
abrupto; a agonia normal é algo que pode se acometer a natureza humana de forma
natural devido a algum sofrimento muito angustiante, tal como ocorrera com o
Senhor Jesus no jardim do Getsêmani ao suar gotas de sangue (cf. Lc 22.44); no
entanto, a mais negra agonia é obra do demônio, para gerar e cristalizar na
alma as consequências do medo.
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