30/05/2026

O ilustre mouro

Ó tu, ilustre mouro,

homem das virtudes de ouro,

polímata, artífice de muitos tesouros,

gênio digno de muitos louros.

 

De Aristóteles o Comentador,

das ciências um cultivador,

distinto na jurisprudência alcorânica,

mestre da religião islâmica.

 

E o que dizer mais senhor prezado?

Por Alberto e Tomás mui estimado;

pela cristandade assaz valorado;

e por este com fulgor honrado.

 

Vossa influência em que escrevo

sempre me é um grande enlevo.

Segredo que sou aprendiz intelectual

de um mestre imortal.


29/05/2026

Constantinopla

Ó Constantinopla, cidade sem igual,

por ti ergo um lamento, através do qual

evoco vossas infâmias e glórias,

as quais são histórias peremptórias.


Cidade de Constantino,

homem de fé, justiça e honra,

edificara-se em glória repentina,

e assim surgiu a cultura bizantina.


Vós vistes o maior dos vilipêndios,

 a inveja contra o príncipe da cultura cristã,

e sobre vós caíra o maior dos estipêndios:

não experimentar o aroma da maçã.

 

E com o monge confessor,

vos mostrastes um império opressor,

que contra a verdade se levantou

e contra a piedade atentou.

 

Em função de Deus a bondade,

na luz de renascimento da verdade,

Deus levantara Fócio o Patriarca,

para guiar da Igreja a barca.

 

E no século da crise aristocrata

aparecera Mehmed, o digno Sultão,

o qual com toda justiça e retidão

conquistara a maçã de prata.

 

A virtude do Sultão

evidenciara-se na permissão

da continuidade da instituição

que de Bizâncio fora o coração.

 

Na queda de Constantinopla

a Santa Igreja fora preservada,

e Deus dera uma nova direção

para a já assolada instituição.

 

Por Patriarca, Jorge o Erudito,

o que sabia o que havia de ser dito.

Polemista, santo, intelectual, jurista,

filósofo e de Aristóteles comentarista.


Ó Constantinopla, tu foste conquistada,

e a glória da cristandade fora assolada.

Mas Deus preservara algo de vossa glória

através de Escolário (em sua vida e obra notória).


Ó antiga Bizâncio, símbolo da cultura cristã,

vos tornastes pela desobediência uma cidade pagã;

e sobre vós o juízo de Deus pesaste,

pois contra Ele vos levantaste.


Pelo juízo de Deus foste abatida

e nunca mais serás reerguida.

Constantinopla findou

e a cultura cristã acabou.


27/05/2026

Anátema as Risadas

Prólogo

 

A bizarrice e a insolência das risadas as tornam um dos maiores males espirituais causados pelos demônios; por isso, dado os vilipêndios espirituais das risadas, as quais são escárnio contra Deus, decidi pronunciar anátemas as risadas, não por causa deste que profere estes anátemas, mas por causa da natureza descarada das risadas.

Por esta razão, é mais do que urgente pronunciar anátema contra as risadas. Assim sendo, se apresenta os seguintes argumentos para anematizar as risadas:

 

§ 1

 

Em Sl 59.6-7 se diz que os homens ímpios fazem sons pecaminosos com a boca (gritos e risos), e o fazem a fim de escarnecer publicamente com obstinação e insolência, isto é, cometem blasfêmias; o Deus Altíssimo vê tais blasfêmias, e julgará os ímpios consoante o escárnio que enunciaram. Portanto, as risadas são expressão de escárnio contra Deus.

 

§ 2

 

Em Sl 70.3 se diz que aqueles que riem (gritos e risos, cf. Sl 56.6), são cobertos de vergonha; pois, o riso é vergonhoso e traz vergonha. Portanto, as risadas são vergonhosas e envergonhadoras.

 

§ 3

 

Em Ec 7.6 se ensina que o riso é próprio do tolo; ora, o tolo é alguém que está em luta contra Deus. Portanto, as risadas são afronta direta a Deus.

 

§ 4

 

Em Lc 6.25b ensina que os que riem vão chorar e se lamentar. Portanto, as risadas são a antessala do choro e da lamentação.

 

§ 5

 

Em 1Rs 15.11-12 se diz que o rei Asa fez o que era reto perante o Senhor ao tirar da terra os rapazes escandalosos; ora, os escandalosos são aqueles que dão gritos e risadas; com isso, é parte da retidão da fé a rejeição aos escandalosos. Portanto, as risadas são expressão de falta de retidão.

 

§ 6

 

E pelas razões ora aduzidas, que por si são suficientes, dado serem provenientes da Sagrada Escritura, se declara os seguintes anátemas sobre as risadas:

(i) As risadas são expressão de rejeição a razão; e todo aquele que rejeita a reta razão rejeita a Cristo. Portanto, anátema as risadas, pois aqueles que riem rejeitam a Cristo.

(ii) As risadas são expressão de tolice e afronta a Deus. Portanto, anátema as risadas, pois aqueles que riem afrontam a Deus.

(iii) As risadas são expressão de escandalosidade, o que é abominação a Deus. Portanto, anátema as risadas, pois aqueles que riem são escandalosos.

(iv) As risadas são expressão do nada existencial, o que demonstra alguém que não encontrou sentido na vida por rejeitar a Deus. Portanto, anátema as risadas, pois aqueles que riem demonstram que vivem sem Deus.

(v) As risadas são expressão de blasfêmia contra o Espírito, posto serem obstinação contra a verdade. Portanto, anátema as risadas, pois aqueles riem blasfemam contra o Espírito Santo. 

***

E termina aqui este escrito. θεῷ χάρις

27 de maio de 2026. 


20/05/2026

Estrutura Geral da Fenomenologia do Espírito

I

 

A Fenomenologia do Espírito (doravante, Fenomenologia) tem uma estrutura real e uma estrutura oficial; a estrutura oficial é que foi preparada pelo próprio Hegel para a publicação, e é a que vem disposta como índice nas edições desde então, estabelecida em oito capítulos; no entanto, esta não é a estrutura adequada para este livro; o índice de matérias é ineficaz, ruim e totalmente incompleto; assim, se deve procurar entender a estrutura real da Fenomenologia, e dispor da melhor maneira possível um índice a partir desta estrutura; obviamente se sabe que Hegel ocultou o índice real para velar seu verdadeiro propósito - o que, diga-se de passagem, é uma canalhice hedionda.

Por isso, a fim de se aclarar esta estrutura real da Fenomenologia, e dispor uma estrutura geral, um index geral, se deve elucubrar sobre alguns aspectos de antemão, para assim se chegar ao cerne do sistema da ciência; quanto a isso, a estrutura evocada por Kojève é fantástica; pois, ele conseguira ir ao cerne da Fenomenologia, e desvelou muito daquilo que Hegel velou deliberadamente; e conquanto após anos de estudo e análises tenha conseguido abalizar de outro modo esta estrutura, sem sombra de dúvida, a melhor estruturação para uma compreensão geral do sistema da ciência é a que é proposta por Kojève.

Deste modo, se evoca uma sentença axiomática para se compreender o sistema da ciência, a saber: nada na Fenomenologia é por acaso; tudo tem um propósito, embora sempre um propósito diverso daquele que está nas aparências, bem como sempre um propósito que demonstra a insinceridade e a canalhice de Hegel; por isso, para a compreensão da Fenomenologia, sempre é necessário um esforço fenomenológico (no sentido husserliano); assim, se compreende que o jogo de palavras no sistema da ciência é como um círculo cabalístico (ou de modo mais prosaico, um círculo de macumba); portanto, há de se entender o real propósito do jogo de palavras, para se compreender o que Hegel pretende com as pressuposições sistêmicas.

E neste imenso jogo de palavras que é o sistema da ciência, o mais fundamental e central jogo de palavras, é a distinção, quase que imperceptível, entre o que está sendo descrito e o que é descrito pelo saber absoluto; e é um jogo dialógico quase que perfeito, porque sempre vela o domínio do saber absoluto; outrossim, Hegel distingue o que ele descreve, e o que tanto o leitor quanto ele se apercebem, e o que é descrito pelo saber absoluto, que é o próprio Hegel.

Ou seja, Hegel descreve algo para o leitor, e o leitor ao entender isso se defronta com Hegel, mas ao mesmo tempo Hegel descreve algo como o saber absoluto, o qual está acima da dialógica do “nós” (isto é, do que Hegel que descreve e o leitor que o entende no que ele descreve não como saber absoluto); assim, o Hegel como saber absoluto (o Hegel feiticeiro) domina sobre o Hegel que descreve (o Hegel filósofo) e o leitor que o entende.

Ora, isto já evidencia uma loucura total, bem como demonstra um jogo dialético infernal; e as articulações intelectuais e morais em uma imensa riqueza de observações filosóficas estão sujeitas a este jogo dialético; e isto, por sua vez, prende o leitor num círculo cabalístico inescapável; na verdade, uma vez que se é preso por este jogo, como diz Voegelin, “estás perdido”; a perdição que emana do sistema da ciência é justamente consumada pela prisão a este jogo dialético infernoso.

E esta distinção permeia soberanamente toda a Fenomenologia, do prefácio ao cap. VII; e, como bem identifica Kojève, só no cap. VIII que esta distinção é abolida; pois, ao se chegar no cap. VIII, não se precisa mais deste jogo dialético, porque já sujeitou tudo à consciência do saber absoluto; o cap. VIII é o clímax da Consciência que dominou as consciências através deste jogo dialético que sujeita os homens ao sistema da ciência.

No entanto, este clímax é apenas o começo, que leva aos homens para o oceano da profundeza desta Consciência na Ciência da Lógica, onde se instaura o reino do pensamento puro, ou em termos literários, a Segunda Realidade [ou Matrix], na qual Hegel domina de maneira quase que “onisciente”.

 

II

 

Tendo feito estas breves considerações, se vai evocar a estrutura geral da Fenomenologia, onde se indica a parte da Fenomenologia de acordo com o índice geral, e quando necessário os parágrafos de acordo com a edição de Miller (Oxford Univ. Press, 1977).

 

Prefácio.

Seção I: O objetivo de Hegel.

a) A busca pela verdade.

b) A natureza da verdade.

Seção II: O ponto de partida.

a) Análise da conjuntura epocal.

b) O despontar de uma nova época.

 

Livro I: O Itinerário ao Sistema Científico.

Seção I: O caminho para a verdade.

a) A definição de substância.

b) O sistema da ciência.

c) A introdução ao sistema.

d) A primeira parte do sistema.

e) No que consiste a Fenomenologia.

Seção II: O método da verdade.

a) O método histórico.

b) O método matemático.

c) O método filosófico.

e) Os métodos pseudo-filosóficos.

Seção III: O critério da verdade.

 

Livro II: A Natureza da Fenomenologia.

Seção I: A necessidade da Fenomenologia.

a) A crítica a Kant.

b) A crítica a Fichte.

c) A crítica a Schelling.

Seção II: O tema da Fenomenologia.

a) O saber parcial.

b) O caminho para o saber total.

c) O saber total.

Seção III: O método da Fenomenologia.

a) O critério da verdade.

b) A experiência subjetiva.

 

Livro III: Os Elementos Cognitivos (caps. I a III).

Seção Única: A consciência.

a) A consciência como fonte da cognição.

b) A consciência e suas operações.

c) A dialética da consciência.

 

Livro IV: A Sensação (cap. I).

Seção I: O Objeto da Sensação.

       a) A dialética do nunc.

       b) A dialética do hic.

Seção II: O Sujeito da Sensação.

       a) O eu-abstrato.

       b) A dialética do hic et nunc.

Seção III: A Sensação Vista como um Todo.

            a) A dialética do nunc e do hic a partir do todo.

            b) Crítica do realismo ingênuo.

 

Livro V: A Percepção (cap. II).

Seção I: A Percepção Vista como um Todo.

Seção II: O Objeto da Percepção.

       a) O termo Aufheben.

       b) O objeto como universal positivo.

       c) O objeto como universal negativo.

       d) O objeto como um todo.

Seção III: O Sujeito da Percepção.

Seção IV: A Dialética da Percepção.

       a) A dialética sujeito-objeto na percepção.

       b) O Eu como médium e a coisa como unidade.

       c) O Eu como unidade e a coisa como médium.

       d) A coisa como unidade e médium.

       e) O todo da percepção.

       f) Crítica contra a filosofia do senso comum.

 

Livro VI: O Entendimento (cap. III).

Seção I: A Dialética do Entendimento.

       a) O universal incondicionado.

       b) A força.

       c) O interno e o fenômeno.

       d) O mundo supra-sensível.

       e) O reino das leis.

       f) O mundo invertido.

Seção II: A Transição dos Elementos Cognitivos.

            a) A noção de vida.

            b) A noção de consciência-de-si.

 

Livro VII: Os Elementos Emocionais (cap. IV).

Seção Única: A Noção de Consciência-de-Si.

 

Livro VIII: O Desejo (cap. IV, §§ 166-177).

Seção Única: A Atitude de Desejo.

       a) A vida e a consciência-de-si.

       b) A dialética do desejo.

       c) Nota sobre a vida.

       d) Nota sobre o Espírito.

 

Livro IX: O Reconhecimento (cap. IV, A, §§ 178-196).

Seção Única: A Dialética da Luta pelo Reconhecimento.

       a) A dialética da luta de morte.

       b) A dominação.

       c) A sujeição.

 

Livro X: A Liberdade (cap. IV, B, §§ 197-230).

Seção Única: A Dialética da Liberdade.

            a) O estoicismo.

            b) O cepticismo.

            c) A consciência infeliz.

 

Livro XI: As Ações Concretas (cap. V, §§ 231-239).

Seção Única: A Noção de Razão.

            a) Característica geral da atitude racional.

            b) Crítica do idealismo de Fichte e de Kant.

 

Livro XII: O Sábio ou Intelectual (cap. V, A, §§ 240-346).

Seção I: A Atitude Científica.

Seção II: A Dialética do Sábio.

       a) As ciências da natureza.

       b) A psicologia das faculdades inata.

       c) A antropologia naturalista.

 

Livro XIII: O Moralista (cap. V, B, §§ 347-393).

Seção Única: A Dialética do Moralista.

       a) A questão do individual.

       b) O indivíduo que flui o mundo.

       c) O indivíduo que critica o mundo.

       d) O indivíduo que busca melhorar o mundo.

 

Livro XIV: O Literato (cap. V, C, §§ 394-437).

Seção Única: A Dialética do Literato.

       a) A impostura do literato.

       b) As contradições do rigorismo moral.

       c) O pseudo-filósofo.

       d) O intelectual e o cidadão.

 

Livro XV: A Dialética da Realidade Histórica (cap. VI, §§ 438-443).

Seção Única: A Ação Histórica.

            a) Características gerais da ação histórica.

            b) A convergência da realidade histórica.

 

Livro XVI: O Mundo Pagão (cap. VI, A, §§ 444-483).

Seção I: A Existência Pagã.

Seção II: O Destino Trágico.

Seção III: O Império Romano.

 

Livro XVII: O Mundo Cristão (cap. VI, B, §§ 484-595).

Seção I: A Oposição entre o Mundo Pagão e o Mundo Cristão.

Seção II: A Dialética do Mundo Cristão.

Seção III: A Dialética do Mundo Pré-Revolucionário.

Seção IV: A Dialética do Mundo Revolucionário.

Seção V: A Transição para o Mundo Contemporâneo.

 

Livro XVIII: O Mundo Contemporâneo (cap. VI, C, §§ 596-671).

Seção I: A Dialética do Mundo Contemporâneo.

Seção II: A Antropologia de Kant e de Fichte.

Seção III: A Autodestruição da Antropologia de Kant e de Fichte.

Seção IV: Jacobi, o Romantismo e Hegel.

 

Livro XIX: A Dialética das Ideologias Históricas (cap. VII, §§ 672-683).

Seção Única: A Manifestação das Ideologias Históricas.

            a) A religião como conteúdo da consciência individual.

            b) A religião como ideologia social.

 

Livro XX: As Sociedades Desejantes (cap. VII, A, §§ 684-698).

Seção I: O Henoteísmo das Sociedades Agrícolas.

Seção II: O Totemismo dos Caçadores e do Guerreiros.

Seção III: O Egito Antigo.

 

Livro XXI: As Sociedades do Reconhecimento (cap. VII, B, §§ 699-747).

Seção I: A Dialética das Ideologias Sociais do Desejo na Luta pelo Reconhecimento.

Seção II: A Dialética das Ideologias Sociais da Luta pelo Reconhecimento.

Seção III: A Dialética das Ideologias Sociais do Trabalho no Contexto da Luta pelo Reconhecimento.

 

Livro XXII: As Sociedades Livres (cap. VII, C, §§ 748-787).

Seção I: Cristo e o Cristianismo Primitivo.

Seção II: O Cristianismo Evoluído.

 

Livro XXIII: A Dialética Pós-Histórica (cap. VIII).

Seção Única: A Pós-História.

       a) A religião pós-cristianismo.

       b) A encarnação da sabedoria.

 

Livro XXIV: O Sábio (cap. VIII).

Seção I: A Dialética da Sabedoria.

       a) O ponto de partida: o filósofo.

       b) Retomada da dialética da Fenomenologia.

       c) A transição da filosofia para a sabedoria.

       d) O movimento desta transição: o sábio.

       e) A obra do sábio.

Seção II: O Saber Absoluto.

Seção III: A Continuidade do Saber Absoluto.

 

***

 

E conclui-se aqui a apresentação desta disposição da estrutura geral da Fenomenologia do Espírito de Hegel, a partir de uma paráfrase da estrutura proposta por Kojève. 

Laudate Deo


15/05/2026

Escólios em “O Laurel” de Hölderlin

A. Proêmio.

 

A poesia “O Laurel” (c. 1788) de Friedrich Hölderlin é um poema que versa sobre a filosofia do mérito; ou mais especificamente, sobre no que consiste a vida meritória – no caso de Hölderlin, o mérito na literatura.

Pois, aqueles que vivem em mérito, seja no que for, são laureados por Deus, ainda que possam nesta vida se defrontar com a soberba inexorável da Fortuna.

Por isso, o laurel da vida meritória é ver o sorriso da natureza, ou seja, é ver a aprovação de Deus e da Criação por tudo que se fez de bom para a humanidade.

Eis, portanto, uma explicação escoliadora a este importantíssimo poema, nonde Hölderlin desvela o propósito de sua obra como poeta; de fato, o eu-poético de Hölderlin está encarnado neste poema.

 

B. Escólios.

 

1. A vida não é feita de resignação, mas de sempre avançar, independentemente da quantidade de passos percorridos neste avançar; um avanço diário e sempre crescente, com ponderação e meditação.

Pois, a vida é vivida no avançar, não na resignação; e resignar-se não somente é deixar de viver as coisas boas da vida, mas quem se resigna de viver se engendra na busca por divertimentos como se os mesmos fossem expressão do ato de viver.

Com efeito, resignar-se é deixar de viver.

2. O destino do homem é avançar; o laurel da vida só é outorgado àqueles que avançam sempre em tudo o que se faz. Na corrida da vida vence quem não desiste e quem não se resigna.

Por isso, não se deve render as tentações do repouso, isto é, os tentáculos da abulia (preguiça); pois, o perigo, ou seja, uma situação adversa, é o que suscita as forças do homem, já que a força e a dignidade de alguém se manifesta diante da dificuldade.

Do mesmo modo, a dor incha o peito dos jovens, isto é, as dificuldades e as vicissitudes tornam os jovens mais fortes e mais corajosos; por esta razão, como diz a Sagrada Escritura, bom é aguentar o jugo, isto é, o sofrimento, na mocidade (cf. Lm 3.27).

3. A busca por consolo nas misérias pode conduzir à maus caminhos, a caminhos de morte; por isso, o consolo verdadeiro em meio ao sofrimento nunca está em bebidas ou em mulheres, isto é, nunca está coisas exteriores, mas sim no próprio coração.

Por esta razão, nunca se deve buscar consolo em bebidas, pois estas são alvoroçadoras (cf. Pv 20.1). E nunca se deve buscar consolo em flertes sorridentes, pois os amores de uma mulher sem caráter são mais amargos do que o absinto (cf. Pv 5.3-5).

O falso consolo que advêm de bebidas ou de mulheres ímpias conduzem a misérias ainda piores e ainda mais abruptas.

4. A resolução do coração deve se manifestar em não beber jamais do cálice da alegria, isto é, jamais se deixar desviar por seduções, mas sempre permanecer firme e resoluto no avançar na vida.

As seduções que paralisam a vida são seduções passageiras e vãs; por isso, mesmo que seja algo que possua um clarão sedutor, não se deve deixar resignar pelos cálices sedutores ou manjares sedutores, mas sempre seguir em frente para não ser aprisionado pelas tentações da resignação. Os prazeres maléficos sempre aprisionam na resignação.

O verdadeiro laurel de um homem, e o mais importante, é fazer uma obra de homem; esta é a verdadeira conquista da vida de um homem.

E a obra de um homem é seguir a verdade e honrá-la através das múltiplas luzes que advém ao ser humano para conduzi-lo à verdade.  

Somente quando um homem faz obra de homem é que o homem está pronto a participar do banquete da felicidade.

5. A resolução do coração é preparar-se para a felicidade; manter as boas resoluções incólumes é participar da felicidade; e ensinar boas resoluções é sabedoria.

O cumprimento das boas resoluções é uma séria promessa que o homem faz diante de si e de Deus; uma promessa tão séria que chega a conduzir a lágrimas, posto a dignidade que nesta está manifesta.

A dignidade de um homem está na promessa que faz a si mesmo de seguir o caminho da virtude, uma promessa que meche com as emoções até do homem mais forte.

A felicidade no caminho da vida está em justamente manter esta promessa, pois assim os entes alegres, as “criaturas de júbilo” (substâncias separadas ou anjos), ouvirão o homem resoluto em seu coração a jubilar de alegria; os anjos escutam os júbilos daqueles que seguem as boas resoluções e com estes também jubilam.

Jubilar diante de Deus por seguir a virtude é no que consiste verdadeiramente ser homem.

Pois, a natureza existe para um propósito, e do mesmo modo cada ente ou coisa na natureza também existe para um propósito.

Feliz é o homem que encontrou seu propósito, e que ao vivê-lo o faz em jubilosa e sóbria alegria.

O sorriso da natureza manifesta-se àquele que tem o coração resoluto em ordem a verdade, do homem que ao ser homem faz uma obra de homem. 

6. E terminam aqui estes escólios. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém. 


Sentenças Antissionistas

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