I
A
importância das disciplinas filosóficas de singularidade única na construção de
um saber humano integral.
Sendo
a ética a investigação sobre a conduta moral do ser humano, a sua
instrumentalidade é de tal calibre, que sem a mesma não se é possível explicar
racionalmente a conduta moral dos seres humanos. A ética versa sobre como o
homem se comporta, e é clarividente que a mesma exerce um papel modelador nas
investigações, nas discussões, na vida diária, pois um comportamento moral
equilibrado conduz a uma vida acadêmica viçosa e produtiva; sem a mesma, cai-se
nos pântanos da desatenção e da falta de perseverança e nas astucias da
preguiça; agora, com um entendimento ético sobre como o homem se comporta
moralmente, o mesmo se vale para quem assim estuda contribuindo para uma
formação pessoal integral, que sabe valorizar os multiformes pontos e visões que
a vida acadêmica pode produzir bem como conduz ao caminho de respeito ao homem.
Na
filosofia política, enquanto o homem é visto em comunidade, também se enche de
singular importância. Se a ética investiga as ações morais do ser humano
enquanto indivíduo, a filosofia política investiga as ações da vida em
comunidade. Sem uma compreensão filosófica da vida em comunidade, o ser humano
pode cair em ditaduras excessivas, promulgadas pelas ideológicas extremistas
que só prejudicam a sociedade; agora, quando há uma investigação filosófica a
respeito da vida em comunidade, das suas formas, das suas interações entre si,
a conduta pessoal em relação ao todo ganha a devida importância, não se
relegando ou deixando para outrem as decisões políticas da mesma. Talvez até
uma ética da filosofia política, ou seja, uma conduta moral ao adentrar na
filosofia política.
E
para que haja uma ética bem fundamentada e uma filosofia política bem fundamentada
é necessário que ambas sejam calcadas pela razão e iluminadas pelos valores da
fé.
II
O
estudo da história da filosofia medieval, por se tratar de história da
filosofia se enche de capitular importância; e não somente devido a isto, mas
principalmente por ser um período que desafia todos os reducionismos teóricos
da contemporaneidade. A filosofia medieval se constitui numa riqueza infinda,
que nos quarteirões dos séculos sempre enche a pesquisa filosófica de muitos
valores morais e intelectuais. Além do que, no período medieval, a educação
ganha suas glórias de forma mais auspiciosa, pois é neste período que são
fundadas as grandes universidades.
Mas o
estudo da filosofia patrística e medieval, ganha singular importância, devido a
grandes nomes terem pensado e raciocinado através da luz da fé, e sob ela terem
produzido reflexões racionais que adiantaram muitas questões contemporâneas. Do
mesmo modo, os pensadores medievais tomaram conceitos da filosofia antiga e os
ampliaram, e dedicaram suas vidas para moldá-los e aperfeiçoá-los. Neste
período sobressaem Santo Agostinho, Boécio, João Escoto Erigena, São Anselmo da
Cantuária, Santo Alberto Magno, São Boaventura, São Tomás de Aquino, etc. Estes
nomes produziram um verdadeiro patrimônio de conhecimento e de profundidade
racional. Por isso, gostando ou não destes pensadores, eles têm uma articulação
com todos os aspectos da filosofia e do pensamento teórico. Aliás, muitos dos
aspectos racionais que se tem hoje, inclusive parte das bases da verificação
cientifica, advém do trabalho dos monges em interpretar as escrituras, e estudá-la
a luz de uma fonte mais antiga, os pais da igreja.
E
duas máximas se tornam importantíssimas para que se compreenda a importância
deste período; uma delas é a de Santo Agostinho, que dizia em seus sermões: “Creio
para entender, entendo porque creio”; a fé antecede o saber, e o saber é
formulado a partir da fé. A outra máxima advém da regra monástica quaerere Deum (buscar a Deus), ou seja,
buscar a Deus e deixar se encontrar n’Ele, para então produzir reflexões
racionais.
A
produção cultural deste período está intimamente ligada à fé; e como diz Paul
Tillich todo “ato cultural é um ato crente”, seja feito por quem for;
etc.
III
A
hermenêutica tem extrema importância no âmbito filosófico; pois o perímetro
filosófico, assim como outros campos do saber, lida com textos e com questões
que necessitam de interpretação. E não somente pontos de vista sobre
determinado ponto, mas sim sua exegese e hermenêutica, ou seja, sua
interpretação com bases e regras racionais.
A
hermenêutica tem um aspecto filosófico muito interessante, a saber: do mesmo
modo como os pensadores antigos, deixando de ser filodoxos (amantes da
opinião), para serem filósofos (amantes do saber), a intepretação racional das
coisas teve um papel fundamental neste interim; um dos motivos pelos quais eles
se tornaram filósofos foi porque interpretaram as coisas racionalmente, e
procuraram o logos, ou o princípio
comum e universal.
Alguns
séculos mais tarde, a interpretação ganhará uma conotação própria, como arte da
interpretação, e na idade moderna a partir da nomeação de hermenêutica; o que é
valido é a formidável tarefa de interpretar, pois basicamente tudo passa pela
interpretação.
Por
isso, a interpretação equilibrada e filosófica, consiste em chegar ao
significado literal do texto e a intenção do autor, conforme atestava Teodoro
de Mopsuéstia em sua interpretação dos textos bíblicos.
IV
A
importância do estudo da lógica é sem dúvida um dos pilares da investigação
filosófica, pois serve como base para a análise da validade dos argumentos. Por
isso, estudam-se os componentes que fazem parte de um argumento, como as
preposições, em que se encontram premissas e conclusão, formando assim a lógica
formal; da mesma forma, existe a lógica simbólica, que também trata do
argumento, mas este feito através dos símbolos, muitos deles algébricos, para
simplesmente chegar a uma simbologia universal para a explicação dos argumentos
e para traduzir os argumentos em símbolos universais.
Ora,
sendo os argumentos advindos do pensamento, e sendo que este é universal, deve
existir uma lógica universal, ou pelo menos, uma forma universal de verificação
da validade dos argumentos. Por isso, a importância da lógica simbólica é
especialmente dotada de uma validade inconcussa na interpretação dos argumentos
com base nos princípios da demonstração, e assim, conflui-se para frutificar na
concepção da interpretação dos signos do pensamento, e assim dos argumentos neles
manifestos; e já que, do século XIX em diante, a lógica simbólica ganhou local
de destaque, o estudo da mesma é imprescindível a qualquer que adentre no vasto
campo da investigação filosófica.
Laudate Deo!
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