20/03/2020

Algumas Notas Filosóficas

I

 

A importância das disciplinas filosóficas de singularidade única na construção de um saber humano integral.

Sendo a ética a investigação sobre a conduta moral do ser humano, a sua instrumentalidade é de tal calibre, que sem a mesma não se é possível explicar racionalmente a conduta moral dos seres humanos. A ética versa sobre como o homem se comporta, e é clarividente que a mesma exerce um papel modelador nas investigações, nas discussões, na vida diária, pois um comportamento moral equilibrado conduz a uma vida acadêmica viçosa e produtiva; sem a mesma, cai-se nos pântanos da desatenção e da falta de perseverança e nas astucias da preguiça; agora, com um entendimento ético sobre como o homem se comporta moralmente, o mesmo se vale para quem assim estuda contribuindo para uma formação pessoal integral, que sabe valorizar os multiformes pontos e visões que a vida acadêmica pode produzir bem como conduz ao caminho de respeito ao homem.

Na filosofia política, enquanto o homem é visto em comunidade, também se enche de singular importância. Se a ética investiga as ações morais do ser humano enquanto indivíduo, a filosofia política investiga as ações da vida em comunidade. Sem uma compreensão filosófica da vida em comunidade, o ser humano pode cair em ditaduras excessivas, promulgadas pelas ideológicas extremistas que só prejudicam a sociedade; agora, quando há uma investigação filosófica a respeito da vida em comunidade, das suas formas, das suas interações entre si, a conduta pessoal em relação ao todo ganha a devida importância, não se relegando ou deixando para outrem as decisões políticas da mesma. Talvez até uma ética da filosofia política, ou seja, uma conduta moral ao adentrar na filosofia política.

E para que haja uma ética bem fundamentada e uma filosofia política bem fundamentada é necessário que ambas sejam calcadas pela razão e iluminadas pelos valores da fé.

 

II

 

O estudo da história da filosofia medieval, por se tratar de história da filosofia se enche de capitular importância; e não somente devido a isto, mas principalmente por ser um período que desafia todos os reducionismos teóricos da contemporaneidade. A filosofia medieval se constitui numa riqueza infinda, que nos quarteirões dos séculos sempre enche a pesquisa filosófica de muitos valores morais e intelectuais. Além do que, no período medieval, a educação ganha suas glórias de forma mais auspiciosa, pois é neste período que são fundadas as grandes universidades.

Mas o estudo da filosofia patrística e medieval, ganha singular importância, devido a grandes nomes terem pensado e raciocinado através da luz da fé, e sob ela terem produzido reflexões racionais que adiantaram muitas questões contemporâneas. Do mesmo modo, os pensadores medievais tomaram conceitos da filosofia antiga e os ampliaram, e dedicaram suas vidas para moldá-los e aperfeiçoá-los. Neste período sobressaem Santo Agostinho, Boécio, João Escoto Erigena, São Anselmo da Cantuária, Santo Alberto Magno, São Boaventura, São Tomás de Aquino, etc. Estes nomes produziram um verdadeiro patrimônio de conhecimento e de profundidade racional. Por isso, gostando ou não destes pensadores, eles têm uma articulação com todos os aspectos da filosofia e do pensamento teórico. Aliás, muitos dos aspectos racionais que se tem hoje, inclusive parte das bases da verificação cientifica, advém do trabalho dos monges em interpretar as escrituras, e estudá-la a luz de uma fonte mais antiga, os pais da igreja.

E duas máximas se tornam importantíssimas para que se compreenda a importância deste período; uma delas é a de Santo Agostinho, que dizia em seus sermões: “Creio para entender, entendo porque creio”; a fé antecede o saber, e o saber é formulado a partir da fé. A outra máxima advém da regra monástica quaerere Deum (buscar a Deus), ou seja, buscar a Deus e deixar se encontrar n’Ele, para então produzir reflexões racionais.

A produção cultural deste período está intimamente ligada à fé; e como diz Paul Tillich todo “ato cultural é um ato crente”, seja feito por quem for; etc.

 

III

 

A hermenêutica tem extrema importância no âmbito filosófico; pois o perímetro filosófico, assim como outros campos do saber, lida com textos e com questões que necessitam de interpretação. E não somente pontos de vista sobre determinado ponto, mas sim sua exegese e hermenêutica, ou seja, sua interpretação com bases e regras racionais.

A hermenêutica tem um aspecto filosófico muito interessante, a saber: do mesmo modo como os pensadores antigos, deixando de ser filodoxos (amantes da opinião), para serem filósofos (amantes do saber), a intepretação racional das coisas teve um papel fundamental neste interim; um dos motivos pelos quais eles se tornaram filósofos foi porque interpretaram as coisas racionalmente, e procuraram o logos, ou o princípio comum e universal.

Alguns séculos mais tarde, a interpretação ganhará uma conotação própria, como arte da interpretação, e na idade moderna a partir da nomeação de hermenêutica; o que é valido é a formidável tarefa de interpretar, pois basicamente tudo passa pela interpretação.

Por isso, a interpretação equilibrada e filosófica, consiste em chegar ao significado literal do texto e a intenção do autor, conforme atestava Teodoro de Mopsuéstia em sua interpretação dos textos bíblicos.

 

IV

 

A importância do estudo da lógica é sem dúvida um dos pilares da investigação filosófica, pois serve como base para a análise da validade dos argumentos. Por isso, estudam-se os componentes que fazem parte de um argumento, como as preposições, em que se encontram premissas e conclusão, formando assim a lógica formal; da mesma forma, existe a lógica simbólica, que também trata do argumento, mas este feito através dos símbolos, muitos deles algébricos, para simplesmente chegar a uma simbologia universal para a explicação dos argumentos e para traduzir os argumentos em símbolos universais.

Ora, sendo os argumentos advindos do pensamento, e sendo que este é universal, deve existir uma lógica universal, ou pelo menos, uma forma universal de verificação da validade dos argumentos. Por isso, a importância da lógica simbólica é especialmente dotada de uma validade inconcussa na interpretação dos argumentos com base nos princípios da demonstração, e assim, conflui-se para frutificar na concepção da interpretação dos signos do pensamento, e assim dos argumentos neles manifestos; e já que, do século XIX em diante, a lógica simbólica ganhou local de destaque, o estudo da mesma é imprescindível a qualquer que adentre no vasto campo da investigação filosófica. 

Laudate Deo


Resposta sobre abusos litúrgicos

Prólogo.   Vossa dileção houvera me indagado as seguintes questões a respeito dos abusos litúrgicos: I) O que é abuso litúrgico? II)...