Prólogo
Uma questão que aterra o ser humano é a respeito da
morte. Pode-se dizer que é a questão mais horrífera com a qual o ser humano tem de
lidar.
A angústia do ser humano moderno é não conseguir ter
resposta a esta questão; mas a arrogância do homem moderno, através de suas
muitas criações, de sua ciência, de seus engenhos, de suas “criações”, tenta
subverter esta questão; mas não se consegue; aonde quer que o homem chegue (a
lua, por exemplo), ou que quer que crie, ou o que quer que desenvolva, a
questão sobre a morte permanece intacta e com sua carranca horripila, tal como o
Pregador asseverara: “porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra,
nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma” (Ec 9.10).
O homem moderno esquiva-se desta verdade, mas ela
permanece; não há ciência, não há comentário, não há indústria que prive o
homem deste destino comum a todos os seus semelhantes próximos, e não somente
aos seus semelhantes, mas a todos os seres humanos, em todas as épocas e
localidades.
A sentença do Pregador também responde parte de uma
pergunta fundamental da razão humana: “para onde vou?”. O Pregador diz
que para a sepultura, isto é, todos vão morrer. É uma certeza apodíctica da
vida.
Por isso, resolveu-se elencar alguns pontos de
reflexão sobre a morte.
I
A primeira questão a se tratar é a respeito da própria
morte. O que ela significa, e porque ela existe. Quando Adão pecou, uma das
sentenças ao seu ato de desobediência, a sentença mais amarga, foi a morte. O
texto diz: “quia pulvis es et in pulverem reverteris”; “porquanto és
pó e em pó te tornarás” (Gn 3.19b). O homem que foi formado do pó, a ele
volta quando morre. E a morte entrou no mundo devido ao Pecado. O Apóstolo diz:
“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a
morte...” (Rm 5.12).
E então, o homem, por não ter sido criado para a
morte, torna-se subserviente a ela; todos morrem; e esta tensão gera um
assombro no ser humano; e ainda mais devido ao pecado, este assombro se
manifesta de muitas formas. No entanto, Salomão aconselha: “Melhor é ir à
casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque ali se vê o fim de
todos os homens; e os vivos o aplicam ao seu coração” (Ec 7.2).
A vista da morte, os homens devem aplicar esta
terrível realidade ao seu coração; saber que todos morrem, e que um dia a morte
também chegará; é este o destino de todos os homens.
Diz uma história que os monges ao se encontrarem com
outros colegas monges diziam: “memento moris” (vais morrer), ao passo
que quem ouvia isso, respondia: “quia pulvi es et in pulverem reverteris”
(porque és pó e em pó te tornarás). Os monges já tinham em vista esta realidade
da morte, pois esta “é o fim de todos os homens”.
Por isso, a lembrança da morte é preceito irrevogável
da vida virtuosa; sem a lembrança da morte não se desenvolve virtude e nem se
mantém no caminho da piedade.
II
Mas também há outra coisa que o Pregador fala sobre a
morte; ele diz: “nenhum homem há... que tem poder sobre o dia da morte”
(Ec 8.8).
Apesar de saber qual é o seu fim, a morte, nenhum
homem tem o poder sobre o dia dela; ninguém pode dizer que não vai ser assolado
por ela quando a hora chegar. E isto aos ouvidos e a compreensão do homem
moderno que expulsou Deus de cena, soa como um relâmpago estrondoso sob o anil
do céu da modernidade. “A morte é a pergunta que em última análise não pode
ser reprimida, e que se faz presente na existência humana com um aguilhão
metafísico”[1].
O homem moderno que tem o poder de tudo em suas mãos,
que muitas vezes com apenas um clique num botão tem o poder de matar milhares
de vidas, não tem poder sobre o dia da morte; não tem poder sobre a morte; não
tem ciência sobre a morte; ele também concorrerá para o mesmo destino de todos
os homens. A morte não é uma escolha, é uma realidade inconcussa. E nenhum homem,
mesmo o mais poderoso entre os homens, não tem poder sobre o dia da morte.
Muitos filósofos falaram sobre a morte; inclusive um
dos pontos de contato da teologia dos primeiros séculos da era cristã com a
filosofia, era reflexão sobre a morte; o filósofo era aquele que falava sobre a
morte; e como os que melhor falaram sobre a morte foram os primeiros teólogos
cristãos, por isso mesmo foram chamados de verdadeiros filósofos.
Por exemplo, Friedrich Nietzsche constatou algo assaz
cirúrgico sobre a compreensão que os homens modernos tem sobre a morte: “Cada
um quer ser o primeiro nesse futuro — mas a morte e seu silêncio são a única
coisa certa e comum a todos nesse futuro! Estranho que essa única certeza e
elemento comum quase não influa sobre os homens e que nada esteja mais distante
deles do que se sentirem irmãos na morte! Fico feliz em ver que os homens não
querem ter o pensamento da morte! Eu bem gostaria de fazer algo para lhes
tornar o pensamento da vida mil vezes mais digno de ser pensado”[2].
Esta é a realidade desencantada da vida hodierna, onde
os homens “ficam felizes por não pensarem sobre a morte”; os homens se
divertem para não pensar sobre a morte.
Mas se o homem não tem poder sobre a morte, e se para
a sepultura, o destino de todos os homens, não existe ciência nem conhecimento,
o que fazer para que se possa chegar a uma compreensão adequada a respeito da
morte? Como devemos entendê-la?
Pois, o que Nietzsche dissera é verdade: os homens não
querem ter o pensamento da morte; e isto, por sua vez, não pode ser uma
realidade premente naqueles que se dizem “cristãos”, pois, a morte é o critério
da racionalidade humana e do respeito com a própria vida.
Portanto, há de se elucubrar, e com maestria, sobre a
morte.
III
A questão sobre morte foi tratada de forma insipiente;
o salmista disse que “Dixit insipiens in corde suo non est Deus” (Diz
o insensato no seu coração: não há Deus). Mas o insensato não é apenas
aquele que nega a Deus; insensato também é quem nega a morte e sua realidade; o
que faz possível de declarar sobre o homem moderno (parafraseando o salmista): “diz
o insensato no seu coração: morte não é nada”.
Mas, por que é insensatez, tanto crer que Deus não
existe, como crer que a morte não é nada? E que tipo de insensatez se refere o
salmo? Será que é a falta de conhecimento? Será que é somente a falta de
capacidade intelectual? Não é somente a estes, mas é um conceito muito amplo;
se refere aos que vivem uma vida afastada de Deus, como se ele não existisse. É
a mesma coisa que o orgulho.
Por isso, o homem moderno vive como se a morte fosse
nada; ele não põe o coração para pensar e meditar sobre a realidade que o tempo
passa, e que mais cedo ou mais tarde a morte lhe mostrará a carranca. O homem
moderno não pensa sobre a morte, e por consequência, no mais das vezes está
embotado pelos lixos filosóficos dos pensadores coetâneos, e falta-lhe por isso
a filtragem crítica do que é mais importante nesta vida.
Existem algumas exceções, mas entre os pensadores mais
badalados, quase nenhum faz uma reflexão sobre a morte, a qual seria uma
reflexão digna de um grande filósofo. E sobre a questão de os filósofos coevos
não trabalharem a morte como tal, não está em eles não falarem sobre a morte;
muitos deles falam sobre a morte; mas nenhum deles trabalha a questão que vem
amalgamada quando se fala em morte: a questão da imortalidade. Pois, alguém já
disse “o homem é imortal, mas não é imorrível”.
A respeito da imortalidade há um debate filosófico mui
amplo, o que não é o propósito desta meditação analisar; mas deve-se ter em
mente que uma realidade apodíctica da vida humana é que o ser humano tem sempre
diante de si a perspectiva da eternidade; ele tem diante de si as portas do que
é eterno; a questão é: o que faz com que o ser humano tenha compreensão a
respeito da eternidade?
Simples, o Pregador diz que Deus pôs no coração do
homem a eternidade (cf. Ec 3.11); se fora o próprio Criador quem colocara no
coração do homem a eternidade, então, nada do que não seja a respeito da
eternidade satisfará o homem; e isto é a mais pura verdade; nada, a não ser
quem pôs a eternidade no coração do homem pode satisfazê-lo; e a questão de se
ponderar e considerar a morte, deveria fazer com que os homens pensassem sobre
a eternidade.
Morte e imortalidade são duas realidades que são
preponderantes na racionalidade humana, e que são fundamentais para o próprio
desenvolvimento da personalidade e a base no caminho rumo a maturidade e a
própria formação do caráter.
IV
Aqui há de se fazer um parêntese, para se falar
brevemente da questão da imortalidade. A questão da imortalidade é um tema da
filosofia; como foi dito, muitos filósofos tratam esta questão
displicentemente, quando não a rejeitam. Não vamos tratar exaustivamente do
tema (que não é nosso propósito), mas vamos elencar alguns pontos que são
importantes.
Eric Voegelin elencara quatro pressupostos ao tratar
do assunto da imortalidade; ele diz: “(1) o simbolismo da imortalidade não é
peculiar à cristandade e à revelação [...]. (2) a imortalidade é um predicado
que pressupõe um sujeito [...]. (3) qualquer que seja o sujeito do qual a
imortalidade se predica, o símbolo pertence à permanência ou duração de uma
entidade. (4) o símbolo ‘imortalidade’ pressupõe a experiência de vida e de
morte [...]”[3].
Os pressupostos elencados por Voegelin servem-nos de muita
ajuda neste quesito.
O primeiro é que a noção de imortalidade está presente
em muitas das culturas antigas, e por isso, não é referência única das
Escrituras; no entanto, é somente nas Escrituras que este é tema entendido
exaustivamente e corretamente.
O segundo é que a imortalidade é um predicado, e todo
predicado pressupõe um sujeito; ou melhor, o conceito de imortalidade,
pressupõe um sujeito que lhe dê sentido; este sujeito é Deus. O profeta diz que
o Messias (o Logos do Evangelho) é o pai da Eternidade (cf. Is 9.6),
isto é, foi ele quem a gestou. Portanto, é Ele o sujeito primeiro a quem se
refere a imortalidade; e os homens, os sujeitos secundários os quais tem diante
de si a eternidade como predicado da existência e como fim último da vida.
O terceiro pressuposto está em intima ligação com o
segundo, já que o sujeito ao qual a imortalidade predica pressupõe permanência.
É a prova de que o sujeito ao qual a imortalidade predica é a respeito de Deus.
E se predica a respeito de Deus, também se predica a respeito do homem, que é o
que tem de entrar em contato com a imortalidade.
O quarto pressuposto é que a existência de
imortalidade pressupõe vida e morte; quando o homem tem consciência de
imortalidade, como um símbolo, ele então, tem diante de si a questão da vida e
da morte.
Assim, a imortalidade, tem sua constante na reflexão
humana, desde os egípcios antigos até os filósofos modernos; e uma coisa
perpassa todos eles, que são estes quatro pressupostos elencados por Voegelin;
no entanto, a única compreensão a respeito da imortalidade que tem um todo
correto é a concepção cristã.
É nesta consciência de imortalidade (e também de
eternidade), que se forma na teologia a concepção da escatologia: a doutrina a
respeito das últimas coisas, onde são analisadas todas as questões referentes
ao tempo futuro; e apesar de existirem muitas teorias a respeito do processo
até o desenrolar destes acontecimentos, uma coisa é certa, e é que, mesmo em
meio a estas nuances (muitas vezes controversas) o corpus escatológico cristão
tem uma linha tênue e fixa: céu, inferno, morte, vida após a morte, estado
intermediário, salvação, imortalidade, eternidade, etc.
V
Dito isso, voltemos as sentenças do homem mais sábio
que já existiu.
O Pregador dissera que é melhor ir na casa onde a luto
porque nela o homem vê o seu fim, e então, põe o coração a pensar; e se o homem
pensar sobre a morte, ele terá diante de si a questão da eternidade. E quão
insensato é o homem ao pensar sobre a eternidade; ele não põe o coração naquilo
que é eterno devido ao seu pecado, que o afastou dAquele que é eterno.
Então, como o homem que morre e está com seu espírito
morto em delitos e pecados (cf. Ef 2.1) pode voltar a ter a verdadeira
consciência da eternidade? Como pode o homem se voltar ao que é eterno? Somente
pela obra dAquele que pôs a eternidade no coração do homem se pode resgatar o
homem; somente Deus pode trazer o homem de volta a consciência real da
eternidade; e foi realmente o que aconteceu: fora o próprio Deus quem realizara
a redenção do homem; fora Cristo quem morrera no lugar do homem para expiar os
pecados, para poder dar salvação a quem nEle crê.
O evangelista dos segredos de Deus afirmara: “Mas a
todos quantos o receberam deu-lhes o poder se serem feitos filhos de Deus: aos
que creem no seu nome” (Jo 1.12). O Deus eterno entrou no tempo para poder
salvar o homem e dar-lhe de novo a comunhão com Deus e a consciência de
eternidade. Este é o caminho para restaurar a consciência de imortalidade nos
homens.
VI
Por isso, sendo o homem conduzido até Jesus Cristo
pelo Espírito Santo, o homem agora tem a salvação (cf. Rm 10.9); e a salvação
dá-lhe o real sentido da eternidade; ainda que ele morra, ele sabe que viverá
eternamente com Deus; a salvação em Cristo é uma salvação eterna; portanto, ao
homem que morre, que volta ao pó da terra, tem a esperança dos céus e da vida
eterna.
A morte não é o fim da linha para o cristão; há
esperança para além da morte; conquanto, todos os homens tenham de passar pela
morte, o cristão sabe qual é sua esperança diante das portas morte; ele sabe em
quem ele tem crido; ele sabe que há apenas um que venceu a morte, e quem nEle
crê também há de vencer a morte, que foi chamada pelo Apóstolo de o último
inimigo a ser aniquilado (cf. 1Co 15.26).
A memória teológica da Igreja tem consciência da
reflexão sobre a morte; pois, a formulação ao longo dos séculos de sua
mensagem, e é esta mensagem rememorada que o próprio Senhor ordenou que se o
fizesse na memória dEle, é um ponto nevrálgico da proclamação cristã diante da
realidade da morte.
A memória da Igreja, e com isso, sua reflexão sobre a
morte, também é a expectativa que os cristãos devem ter, mesmo diante da difícil
e sempre assustadora reflexão sobre a morte.
Karl Barth assevera: “A memória da Igreja é também
sua expectativa, e sua mensagem para o mundo é também a esperança do mundo.
Pois Jesus Cristo, de cuja palavra e a obra a Igreja conscientemente, e o mundo
ainda inconscientemente, origina, é o mesmo que veio ao encontro da Igreja e do
mundo, como o objetivo do tempo que está chegando ao fim”[4].
E a questão da morte também influenciou a arte; e na
perspectiva cristã a respeito das últimas coisas não foi diferente; um dos mais
notáveis exemplos de reflexão sobre a morte é o de Wolfgang Amadeus Mozart, um
dos maiores compositores de todos os tempos.
Mozart pouco antes de morrer compôs o Requiém,
uma obra fúnebre, que não pode concluir devido a sua morte; a compreensão de
Mozart sobre a morte é algo muito interessante, o que fica claro na última
carta a seu pai, que na época desta estava já muito doente, e que viera a
falecer pouco tempo depois: “Como a morte (a rigor) é o real destino final
de nossas vidas, de alguns anos para cá fiz tão boa amizade com este mais
verdadeiro e melhor amigo dos homens, que sua imagem não apenas me assunta, mas
deveras me tranquiliza e consola. Agradeço a Deus por me ter considerado digno
de tal felicidade e (pois o senhor me compreende) de me ter proporcionado
conhecer a chave de nossa verdadeira felicidade. Numa me deito sem antes pensar
que (apesar de jovem) talvez amanhã eu não exista mais, e mesmo assim, nunca,
nenhum dos meus conhecidos pode dizer a meu respeito que eu seja carrancudo ou
triste em público - por esta felicidade dou graças diariamente ao Criador...”[5].
Outro exemplo provém de Dietrich Bonhoeffer, que dissera
pouco antes de ser martirizado que a morte é apenas o começo da vida; o mártir
alemão da segunda guerra disse estas palavras ao caminhar para o local onde
seria morto; e este é o testemunho da fé cristã em meio a morte.
Ademais, este aspecto foi muito tratado por C. S.
Lewis em sua obra; ele poetiza sua concepção cristã da morte; ele diz: “Para
ele, porém, este foi apenas o começo da verdadeira história. Toda a vida deles
neste mundo e todas as suas aventuras em Nárnia haviam sido apenas a capa e a
primeira página do livro. Agora, finalmente, estavam começando o Capítulo Um da
Grande História que ninguém na terra jamais leu: a história que continua
eternamente e na qual cada capítulo é muito melhor do que o anterior”[6].
E esta expressão de Lewis é uma excelente forma
poética-literária de se descrever o que é a morte sob a perspectiva da fé
cristã.
VII
Deste modo, a compreensão a respeito da morte tem muitas
nuances; muitos cristãos descreveram-na em poesias, hinos, em livros de ficção,
etc.; muitos outros descreveram o testemunho de outros cristãos frente a morte,
como por exemplo, o relato do martírio de São Policarpo, bispo de Esmirna; ou
na própria descrição do martírio de Bonhoeffer, quando sabe-se pelo testemunho
de um médico que o acompanhou até o momento final, o qual algum tempo depois
segreda sobre aquele momento: “Nunca vi ninguém morrer com tamanha fé em
Deus”.
O cristão morre bem. O cristão sabe que ao final de
sua vida, cumpre-se as palavras do Apóstolo: “O que tu semeias não é
vivificado, se primeiro não morrer” (1Co 15.36b). A morte é o nascer da
semente da eternidade que Deus colocou no coração humano quando o criou, e que
Cristo redimiu.
No entanto, o Apóstolo também diz: “o último
inimigo a ser vencido é a morte” (1Co 15.26); e duas coisas devem ser ditas
sobre essa passagem, a guia de conclusão, e em sentido de aplicação prática:
1. A primeira coisa a ser dita é que a morte é o
último inimigo a ser vencido no sentido que diante de um confronto com ela
todos temos de morrer, não há escape da morte física; a morte é um inimigo que
vai nos vencer, mas é uma derrota pela fé, pois ao passarmos pela morte,
encontrar-nos-emos com o Senhor Jesus na glória.
2.A segunda coisa a ser dita é que a morte não pode
nos vencer eternamente; temos de morrer fisicamente; mas não vamos morrer
espiritualmente e eternamente; a morte é o último inimigo o qual temos de
passar, mas o qual nos conduz aos braços de Jesus. Que glorioso momento! Que
incalculável alegria! Que glória imarcescível ser-nos-á concedida neste
momento!
Para concluir, retomamos com confiança as palavras de
Jacó e as do salmista, pois esta certeza deve ser algo vivido em sua mais
profunda intensidade principalmente de quando da reflexão sobre a morte: “O
Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me
sustentou, desde que eu nasci até este dia [o dia da morte]” (Gn 48.15); e:
“Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à
morte” (Sl 48.14). Esta é a nossa esperança diante da carranca da morte!
Laudate Deo!
[1] Joseph
Ratzinger, Natureza e Missão da Teologia [2° edição. Petropólis, RJ:
Vozes, 2012], pág. 21.
[2] Friedrich Nietzsche, Cem Aforismos sobre o Amor e a Morte [São
Paulo: Penguin; Companhia das Letras, (s. d.)], n. 94.
[3] Eric Voegelin, Ensaios Publicados 1966-1985 [1°
edição. São Paulo: É Realizações, 2019], pág. 120.
[4] Karl Barth, Esboço de uma Dogmática [São Paulo: Fonte Editorial,
2006], pág. 185.
[5] Wolfgang
Amadeus Mozart, Cartas Vienenses [São Paulo: Editora Veredas, 2004],
pág. 201.
[6] C. S. Lewis, As Crônicas de Nárnia Volume 7: A Última Batalha [2°
edição. São Paulo: Martin Claret, 2003], pág. 213.
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