17/01/2026

Em Defesa de Constantino o Grande

1. Ao ver uma infamante imbecilidade por parte de alguns ateus, e até mesmo de alguns “cristãos”, entre os quais muitos padres e pastores, que criticaram sofisticamente e injustamente a vida e a fé de Constantino o Grande (ou Constantino I), decidi me pronunciar a respeito, em defesa do primeiro imperador a se converter para a fé cristã; evidentemente, a influência de reis e imperadores na fé cristã sempre teve efeito negativo e trouxe consequências terríveis; mas a influência de Constantino não foi uma destas: ele de fato se converteu verdadeiramente, e quis laborar para o bem da fé cristã e para a promoção do bem comum – e isto evidencia o caráter de um homem honrado.

2. O cristianismo não foi inventado por Constantino; o cristianismo verdadeiro não é obra de homens, mas é obra de Deus; não o falso cristianismo que foi engendrado pelos imperialismos perversos do passado, mas o verdadeiro cristianismo; aliás, Constantino não promoveu um cristianismo imperial; é sofisma de princípio querer falar de cristianismo imperial em Constantino; houveram cristãos em muitos impérios, e o próprio império Bizantino era tido num geral como um império cristão, mas tinha problemas como qualquer outro império ou nação, a diferença era a sociedade que se tornara majoritariamente cristã.

3. Deste modo, Constantino, que era um pagão, ao se tornar imperador, começou a perseguir a fé cristã; mas, a visão de uma cruz antes da Batalha de Milvia em 312, o fez ter opiniões diferentes a respeito da fé cristã; Constantino converteu-se plenamente alguns anos depois desta visão, mas mesmo antes de sua conversão decidiu não mais perseguir institucionalmente o cristianismo, o que fez por meio do Édito de Milão em 313; a conversão de Constantino se formalizou plenamente em 316-317, quando ele de fato, após estudo, aconselhamento e de ter sido ensinado na fé corretamente, decidiu se tornar um cristão.

A conversão de Constantino não representara nenhum atentado ou perigo contra a fé, e não fora algo mentiroso como os críticos modernos gostam de propagar, para dizer que Constantino se “converteu” apenas por conveniência; a conversão de Constantino foi conversão verdadeira; outros imperadores se aproveitaram da fé para propósitos ideológicos e instrumentalizaram a Igreja para isso, mas Constantino não decaiu neste erro.

4. Constantino era um homem muito bem preparado; era um imperador com erudição clássica, com a formação greco-romana clássica; e ao se converter, tratou de procurar compreender melhor a fé, lendo e estudando os principais tratados sobre a fé cristã; provavelmente, leu livros de Clemente de Alexandria, de Orígenes, e de outros dos Santos Padres dos séculos I e II; aliás, Constantino soube como poucos como valorizar sua fé sem decair em desrespeito com outras crenças, algo que é pouco mencionado; antes da conversão a fé cristã, ele perseguia outras religiões e crenças, após sua conversão ele deixou de perseguir outras religiões e crenças; na verdade, Constantino como qualquer cristão leigo quis laborar para o bem da fé, e como imperador, quis que este laborar também servisse de algum modo para o bem do império. E isto é o que concerne a um líder cristão civil com honra e decência.

5. Outrossim, é que poucos anos após se converter, Constantino, ao ouvir o conselho dos bispos ao redor do mundo, convocou com sua autoridade imperial uma assembleia de bispos; Constantino apenas convocou, a pedido dos bispos, dado a necessidade das crises na Santa Igreja nesta mesma época; este Concílio foi realizado na cidade de Nicéia em 325, no qual se formulou alguns cânones disciplinares, e no qual se abalizou a doutrina cristológica; Constantino assistiu ao Concílio e participou do mesmo, mas apenas como ouvinte, não como autoridade teológica; Constantino discursou sobre o que aprendeu da fé, mas não institui-se em questões de fé porque era imperador; e as críticas imbecilóides dos ateus e dos inimigos da fé afirmam totalmente o contrário do que de fato ocorrera; se os ateus e os inimigos da fé querem falar de Constantino deveriam primeiro ler a vida de Constantino escrita por Eusébio de Cesareia.

6. Aliás, quanto a isso, se demonstra a verdadeira fé de Constantino; apesar de ser um homem erudito nos conhecimentos seculares, ao conhecer a fé cristã, ele tratou de estudar e se esclarecer sobre a doutrina cristã; por isso, no Concílio de Niceia, ao discursar sobre a fé, assim como houvera feito antes, e como houvera feito depois, ele teve a humildade de submeter suas pressuposições a análise dos bispos, dos homens santos que compuseram o Concílio de Niceia. Constantino em nada atrapalhou o Concílio Ecumênico, e em nada quis interferir nos assuntos da fé; antes, ao ser parte da fé verdadeira participou como um leigo comum, assim como outros que assistiram ou acompanharam o Concílio na cidade de Niceia.

7. Ora, em seu mais famoso discurso sobre a fé, a “Oratio Ad Sanctorum Coetum”, feito no Concílio de Niceia, preservado por Eusébio de Cesareia na integra, Constantino demonstrou uma humildade que poucos homens na história demonstraram, principalmente em se tratando de reis e imperadores que se disseram cristãos; Constantino, que já entendia um pouco do linguajar teológico, fez um discurso a pedido dos bispos no início do Concílio de Niceia, e em seu discurso ou oração, declarou: “A vós, então, eu clamo, que sois os mais bem instruídos nos mistérios de Deus, para que me auxiliem com vossos conselhos, para que me acompanhem com vossos pensamentos e corrijam tudo o que possa parecer errôneo em minhas palavras, não esperando demonstração de conhecimento perfeito, mas aceitando graciosamente a sinceridade do meu esforço” (cap. 2). Por mais incrível que possa parecer, Constantino se submetia a disciplina em relação a fé quanto a suas falas ou discursos e quanto as suas ações.

8. E estas breves palavras evocadas são suficientes para uma defesa da vida e do testemunho de Constantino o Grande, que conquanto tenha cometidos muitas falhas em sua vida após a conversão, se manteve até o fim da vida como um cristão fiel; e embora se tenham tidos problemas como em qualquer outro império, seja em relação a religião seja em problemas sociais, o testemunho de conversão de Constantino é verdadeiro, e sua humildade nos assuntos da fé é sua mais preciosa qualidade e a confirmação de que ele de fato experienciou o novo nascimento; portanto, em honra ao testemunho de Constantino o Grande, se escreve esta defesa; e que o Deus Altíssimo conceda ao mundo homens de fibra e de sinceridade para que possam testemunhar da verdade eterna na vida pública com ações em função do bem comum tal como fizera Constantino.

Laudate Deo


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