1. Ao ver uma infamante imbecilidade por parte de
alguns ateus, e até mesmo de alguns “cristãos”, entre os quais muitos padres e
pastores, que criticaram sofisticamente e injustamente a vida e a fé de
Constantino o Grande (ou Constantino I), decidi me pronunciar a respeito, em
defesa do primeiro imperador a se converter para a fé cristã; evidentemente, a
influência de reis e imperadores na fé cristã sempre teve efeito negativo e
trouxe consequências terríveis; mas a influência de Constantino não foi uma
destas: ele de fato se converteu verdadeiramente, e quis laborar para o bem da
fé cristã e para a promoção do bem comum – e isto evidencia o caráter de um
homem honrado.
2. O cristianismo não foi inventado por Constantino; o
cristianismo verdadeiro não é obra de homens, mas é obra de Deus; não o falso
cristianismo que foi engendrado pelos imperialismos perversos do passado, mas o
verdadeiro cristianismo; aliás, Constantino não promoveu um cristianismo
imperial; é sofisma de princípio querer falar de cristianismo imperial em
Constantino; houveram cristãos em muitos impérios, e o próprio império
Bizantino era tido num geral como um império cristão, mas tinha problemas como
qualquer outro império ou nação, a diferença era a sociedade que se tornara
majoritariamente cristã.
3. Deste modo, Constantino, que era um pagão, ao se
tornar imperador, começou a perseguir a fé cristã; mas, a visão de uma cruz
antes da Batalha de Milvia em 312, o fez ter opiniões diferentes a respeito da
fé cristã; Constantino converteu-se plenamente alguns anos depois desta visão,
mas mesmo antes de sua conversão decidiu não mais perseguir institucionalmente
o cristianismo, o que fez por meio do Édito de Milão em 313; a conversão de
Constantino se formalizou plenamente em 316-317, quando ele de fato, após
estudo, aconselhamento e de ter sido ensinado na fé corretamente, decidiu se
tornar um cristão.
A conversão de Constantino não representara nenhum
atentado ou perigo contra a fé, e não fora algo mentiroso como os críticos
modernos gostam de propagar, para dizer que Constantino se “converteu” apenas
por conveniência; a conversão de Constantino foi conversão verdadeira; outros
imperadores se aproveitaram da fé para propósitos ideológicos e
instrumentalizaram a Igreja para isso, mas Constantino não decaiu neste erro.
4. Constantino era um homem muito bem preparado; era
um imperador com erudição clássica, com a formação greco-romana clássica; e ao
se converter, tratou de procurar compreender melhor a fé, lendo e estudando os
principais tratados sobre a fé cristã; provavelmente, leu livros de Clemente de
Alexandria, de Orígenes, e de outros dos Santos Padres dos séculos I e II;
aliás, Constantino soube como poucos como valorizar sua fé sem decair em
desrespeito com outras crenças, algo que é pouco mencionado; antes da conversão
a fé cristã, ele perseguia outras religiões e crenças, após sua conversão ele
deixou de perseguir outras religiões e crenças; na verdade, Constantino como
qualquer cristão leigo quis laborar para o bem da fé, e como imperador, quis
que este laborar também servisse de algum modo para o bem do império. E isto é
o que concerne a um líder cristão civil com honra e decência.
5. Outrossim, é que poucos anos após se converter,
Constantino, ao ouvir o conselho dos bispos ao redor do mundo, convocou com sua
autoridade imperial uma assembleia de bispos; Constantino apenas convocou, a
pedido dos bispos, dado a necessidade das crises na Santa Igreja nesta mesma
época; este Concílio foi realizado na cidade de Nicéia em 325, no qual se
formulou alguns cânones disciplinares, e no qual se abalizou a doutrina
cristológica; Constantino assistiu ao Concílio e participou do mesmo, mas
apenas como ouvinte, não como autoridade teológica; Constantino discursou sobre
o que aprendeu da fé, mas não institui-se em questões de fé porque era imperador;
e as críticas imbecilóides dos ateus e dos inimigos da fé afirmam totalmente o
contrário do que de fato ocorrera; se os ateus e os inimigos da fé querem falar
de Constantino deveriam primeiro ler a vida de Constantino escrita por Eusébio
de Cesareia.
6. Aliás, quanto a isso, se demonstra a verdadeira fé
de Constantino; apesar de ser um homem erudito nos conhecimentos seculares, ao
conhecer a fé cristã, ele tratou de estudar e se esclarecer sobre a doutrina
cristã; por isso, no Concílio de Niceia, ao discursar sobre a fé, assim como
houvera feito antes, e como houvera feito depois, ele teve a humildade de
submeter suas pressuposições a análise dos bispos, dos homens santos que
compuseram o Concílio de Niceia. Constantino em nada atrapalhou o Concílio Ecumênico,
e em nada quis interferir nos assuntos da fé; antes, ao ser parte da fé
verdadeira participou como um leigo comum, assim como outros que assistiram ou
acompanharam o Concílio na cidade de Niceia.
7. Ora, em seu mais famoso discurso sobre a fé, a “Oratio
Ad Sanctorum Coetum”, feito no Concílio de Niceia, preservado por Eusébio
de Cesareia na integra, Constantino demonstrou uma humildade que poucos homens
na história demonstraram, principalmente em se tratando de reis e imperadores
que se disseram cristãos; Constantino, que já entendia um pouco do linguajar
teológico, fez um discurso a pedido dos bispos no início do Concílio de Niceia,
e em seu discurso ou oração, declarou: “A vós, então, eu clamo, que sois os
mais bem instruídos nos mistérios de Deus, para que me auxiliem com vossos
conselhos, para que me acompanhem com vossos pensamentos e corrijam tudo o que
possa parecer errôneo em minhas palavras, não esperando demonstração de
conhecimento perfeito, mas aceitando graciosamente a sinceridade do meu esforço”
(cap. 2). Por mais incrível que possa parecer, Constantino se submetia a
disciplina em relação a fé quanto a suas falas ou discursos e quanto as suas
ações.
8. E estas breves palavras evocadas são suficientes
para uma defesa da vida e do testemunho de Constantino o Grande, que conquanto tenha
cometidos muitas falhas em sua vida após a conversão, se manteve até o fim da
vida como um cristão fiel; e embora se tenham tidos problemas como em qualquer
outro império, seja em relação a religião seja em problemas sociais, o
testemunho de conversão de Constantino é verdadeiro, e sua humildade nos
assuntos da fé é sua mais preciosa qualidade e a confirmação de que ele de fato
experienciou o novo nascimento; portanto, em honra ao testemunho de Constantino
o Grande, se escreve esta defesa; e que o Deus Altíssimo conceda ao mundo
homens de fibra e de sinceridade para que possam testemunhar da verdade eterna
na vida pública com ações em função do bem comum tal como fizera Constantino.
Laudate Deo!
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