30/01/2026

Os ociosos e o desprezo pela sabedoria

I

 

A ociosidade é um mal terrível, e os ociosos são apressados propagadores de vícios e males; por isso, a exortação cristã é que se reprima o ócio com algum ofício; no entanto, no planeta Brasil ocorre justamente o contrário: se introduz o ócio através de algum ofício; pois, no planeta Brasil os mais ociosos são justamente os que exercem algum ofício de forma desordenada.

E o que é exercer um ofício de forma desordenada? É tornar o exercício do ofício em desculpa para a falta de desenvolvimento da personalidade, ou seja, exercem o ofício tal como se fosse um divertimento; os ociosos no planeta Brasil não são somente aqueles que não exercem um ofício, seja ele qual for; os ociosos no planeta Brasil são principalmente aqueles que exercem algum ofício, mas tornam tal ofício um divertimento para velar a miséria da própria personalidade.

 

II

 

A destruição da personalidade no planeta Brasil é velada pelo incentivo ao ofício; não porque isto é preceito da natureza, mas para velar a despersonalização instituída na camada nuclear da cultura; os ociosos no planeta Brasil muito falam sobre emprego e ofício, mas ao mesmo tempo possuem a personalidade totalmente prostituída.

Num geral, os que possuem a personalidade prostituída, e querem manter a sociedade despersonalizada, proclamam os seguintes jargões: “vai trabalhar vagabundo!”, “estudar é para rico, pobre tem que trabalhar”, e similares; etc.

Os que proclamam tais jargões são os mais ociosos numa cultura de ociosidade, pois, tais jargões são evidencia do impregnar passivo da ociosidade; na verdade, os que proclamam tais jargões são os artífices dos que promoveram a impregnação passiva do desprezo pela sabedoria no planeta Brasil.

 

III

 

O desprezo pela sabedoria em nome de algum ofício é o que é incentivado no planeta Brasil por aqueles que dominam a partir da implementação da burrice e da destruição da inteligência; os ociosos no planeta Brasil são os que desprezam o saber e o conhecimento; por isso, em nome de algum ofício manifestam as mais diversas infernoses da inveja contra aqueles que buscam adentrar na senda do saber.

Aliás, este é um critério para conhecer algum ocioso: quanto mais inveja e desdém contra quem está na senda da sabedoria, mais jargões que velam a personalidade prostituída serão manifestos - principalmente nos mandos para algum ofício. Os ociosos buscam o ofício para esconder de si a própria miséria na qual vivem.

Outrossim, é que quem tem a personalidade prostituída ainda que possua algum ofício não tem honra moral para falar de trabalho; e no planeta Brasil quanto mais despersonalizado alguém é, mais se ab-roga o juízo em defesa de algum ofício.

 

IV

 

A ociosidade, segundo Sirach, ensina muita malícia (cf. Eclo. 33.29); ora, os ociosos no planeta Brasil, como são desprezadores da sabedoria em função de algum ofício, promovem e propagam muita malícia; pois, o desprezo pela sabedoria conduz os ociosos para o dolo; o planeta Brasil é o local onde os ociosos, principalmente os que exercem algum ofício, promovem malícia e dolo; e isso se comprova pela rejeição da sabedoria que fazem de maneira descarada e obstinada.

A malícia do desprezo a sabedoria se assoma em meio ao ofício; e ao invés do ofício ser um meio de conhecer a verdade pelo lume da luz exterior, o ofício se torna em expressão de dolo e engano; o ofício se for verdadeiro e sóbrio deve conduzir ao conhecimento da verdade, agora quando o ofício é exercido para velar a prostituição da própria personalidade, quanto mais ofício mais malícia e engano.

Além do que, em sentido espiritual, a ociosidade é fruto da soberba (cf. Ez 16.49); portanto, os ociosos que não exercem algum ofício, e os ociosos que exercem algum ofício, são soberbos; além do que, aqueles que rejeitam a sabedoria em nome do ofício, seja por burrice ou algum propósito nefasto, também são soberbos; a soberba da rejeição a sabedoria em função de algum ofício é a soberba que atenta contra outrem na tentativa de se tornar “deus” sobre outrem.

 

V

 

Ademais, todos aqueles que rejeitam a sabedoria buscam se tornar a própria sabedoria; e os ociosos que exercem algum ofício são aqueles que mais rejeitam a sabedoria, posto terem imbecilmente arrolado para si o ofício em detrimento da formação da própria personalidade; e o pior dos males não é a falta de emprego ou a dificuldade em conseguir trabalho, mas o pior dos males é a despersonalização, que no planeta Brasil infelizmente é mais manifesta naqueles que exercem algum ofício.

Deste modo, os ociosos que exercem algum ofício são os piores e os mais malignos inimigos do estudo da sabedoria; aliás, quanto mais despersonalizado alguém está, mais abrupta será a rejeição a sabedoria; além do que, os graus de despersonalização são mais abruptos naqueles que dão risadas contra o estudo da sabedoria; portanto, os ociosos, principalmente os que exercem algum ofício, propagam luxúria através do “ofício” que exercem.

E triste desdita sobrevêm aos ociosos quando estes se manifestam contra a sabedoria. Na verdade, quanto mais alguém se vocifera e atenta contra a sabedoria mais isso atesta a ociosidade maliciosa na qual vive; os ociosos são assaz maliciosos contra as variadas formas de manifestação da sabedoria; por isso, a todo custo buscam propagar, enganar e promover ações contra a sabedoria e buscam do mesmo modo instituir algum tipo de ridicularização contra os que trilham o bendito caminho da sabedoria. 

θεῷ χάρις


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