I
A ociosidade é um mal terrível, e os ociosos são
apressados propagadores de vícios e males; por isso, a exortação cristã é que
se reprima o ócio com algum ofício; no entanto, no planeta Brasil ocorre
justamente o contrário: se introduz o ócio através de algum ofício; pois, no
planeta Brasil os mais ociosos são justamente os que exercem algum ofício de
forma desordenada.
E o que é exercer um ofício de forma desordenada? É
tornar o exercício do ofício em desculpa para a falta de desenvolvimento da
personalidade, ou seja, exercem o ofício tal como se fosse um divertimento; os
ociosos no planeta Brasil não são somente aqueles que não exercem um ofício,
seja ele qual for; os ociosos no planeta Brasil são principalmente aqueles que
exercem algum ofício, mas tornam tal ofício um divertimento para velar a
miséria da própria personalidade.
II
A destruição da personalidade no planeta Brasil é
velada pelo incentivo ao ofício; não porque isto é preceito da natureza, mas
para velar a despersonalização instituída na camada nuclear da cultura; os
ociosos no planeta Brasil muito falam sobre emprego e ofício, mas ao mesmo
tempo possuem a personalidade totalmente prostituída.
Num geral, os que possuem a personalidade prostituída,
e querem manter a sociedade despersonalizada, proclamam os seguintes jargões: “vai
trabalhar vagabundo!”, “estudar é para rico, pobre tem que trabalhar”,
e similares; etc.
Os que proclamam tais jargões são os mais ociosos numa
cultura de ociosidade, pois, tais jargões são evidencia do impregnar passivo da
ociosidade; na verdade, os que proclamam tais jargões são os artífices dos que
promoveram a impregnação passiva do desprezo pela sabedoria no planeta Brasil.
III
O desprezo pela sabedoria em nome de algum ofício é o
que é incentivado no planeta Brasil por aqueles que dominam a partir da
implementação da burrice e da destruição da inteligência; os ociosos no planeta
Brasil são os que desprezam o saber e o conhecimento; por isso, em nome de
algum ofício manifestam as mais diversas infernoses da inveja contra
aqueles que buscam adentrar na senda do saber.
Aliás, este é um critério para conhecer algum ocioso:
quanto mais inveja e desdém contra quem está na senda da sabedoria, mais
jargões que velam a personalidade prostituída serão manifestos - principalmente
nos mandos para algum ofício. Os ociosos buscam o ofício para esconder de si a
própria miséria na qual vivem.
Outrossim, é que quem tem a personalidade prostituída
ainda que possua algum ofício não tem honra moral para falar de trabalho; e no
planeta Brasil quanto mais despersonalizado alguém é, mais se ab-roga o juízo
em defesa de algum ofício.
IV
A ociosidade, segundo Sirach, ensina muita malícia
(cf. Eclo. 33.29); ora, os ociosos no planeta Brasil, como são desprezadores da
sabedoria em função de algum ofício, promovem e propagam muita malícia; pois, o
desprezo pela sabedoria conduz os ociosos para o dolo; o planeta Brasil é o
local onde os ociosos, principalmente os que exercem algum ofício, promovem
malícia e dolo; e isso se comprova pela rejeição da sabedoria que fazem de
maneira descarada e obstinada.
A malícia do desprezo a sabedoria se assoma em meio ao
ofício; e ao invés do ofício ser um meio de conhecer a verdade pelo lume da luz
exterior, o ofício se torna em expressão de dolo e engano; o ofício se for
verdadeiro e sóbrio deve conduzir ao conhecimento da verdade, agora quando o
ofício é exercido para velar a prostituição da própria personalidade, quanto
mais ofício mais malícia e engano.
Além do que, em sentido espiritual, a ociosidade é
fruto da soberba (cf. Ez 16.49); portanto, os ociosos que não exercem algum
ofício, e os ociosos que exercem algum ofício, são soberbos; além do que,
aqueles que rejeitam a sabedoria em nome do ofício, seja por burrice ou algum
propósito nefasto, também são soberbos; a soberba da rejeição a sabedoria em
função de algum ofício é a soberba que atenta contra outrem na tentativa de se
tornar “deus” sobre outrem.
V
Ademais, todos aqueles que rejeitam a sabedoria buscam
se tornar a própria sabedoria; e os ociosos que exercem algum ofício são
aqueles que mais rejeitam a sabedoria, posto terem imbecilmente arrolado para
si o ofício em detrimento da formação da própria personalidade; e o pior dos
males não é a falta de emprego ou a dificuldade em conseguir trabalho, mas o
pior dos males é a despersonalização, que no planeta Brasil infelizmente é mais
manifesta naqueles que exercem algum ofício.
Deste modo, os ociosos que exercem algum ofício são os
piores e os mais malignos inimigos do estudo da sabedoria; aliás, quanto mais
despersonalizado alguém está, mais abrupta será a rejeição a sabedoria; além do
que, os graus de despersonalização são mais abruptos naqueles que dão risadas
contra o estudo da sabedoria; portanto, os ociosos, principalmente os que
exercem algum ofício, propagam luxúria através do “ofício” que exercem.
E triste desdita sobrevêm aos ociosos quando estes se
manifestam contra a sabedoria. Na verdade, quanto mais alguém se vocifera e
atenta contra a sabedoria mais isso atesta a ociosidade maliciosa na qual vive;
os ociosos são assaz maliciosos contra as variadas formas de manifestação da
sabedoria; por isso, a todo custo buscam propagar, enganar e promover ações
contra a sabedoria e buscam do mesmo modo instituir algum tipo de
ridicularização contra os que trilham o bendito caminho da sabedoria.
θεῷ χάρις!
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