02/01/2026

Sobre a Bebida Alcoólica

Prólogo.

 

Com muita satisfação recebo vossa confirmação de que minhas respostas lhe serviram bem, e que sanaram vossas dúvidas; no entanto, vós ainda encontrastes dificuldades com uma questão moral, a respeito da bebida alcoólica; apesar de ter evocado algo a respeito numa das respostas, não expliquei detalhadamente isso; no entanto, já que vossa dileção houvera me indagado se o consumo de bebida alcoólica é pecado, responder-lhe-ei neste escrito a respeito disso, tendo em vista não somente a reta razão, e a autoridade da Sagrada Escritura, mas também o contexto de nosso país, já que estes três aspectos devem ser observados ao se elucubrar sobre a questão da bebida alcoólica.

 

Capítulo I: A fé e a bebida alcoólica.

 

A fé verdadeira é manifesta na obediência ao que é transmitido na Sagrada Escritura, em tudo quanto diz respeito a fé; mas a fé verdadeira também é a fé que está em concórdia com a reta razão, pois as conclusões da reta razão são todas elas demonstradas, de um modo ou de outro, na Sagrada Escritura; por isso, o que primeiro se deve ter em mente é se a fé se relaciona ou pode comportar consumo de bebida alcoólica.

Ora, neste quesito, primeiro se deve entender o que a Sagrada Escritura fala sobre bebida alcoólica; embora o texto sagrado não utilize este termo, mas fala sobre o que concerne ao mesmo; na Escritura se fala sobre o vinho, tanto sobre o consumo do mesmo, quanto uma exortação ao consumo do mesmo para tratar um problema de saúde (cf. 1Tm 5.23); a Escritura também ensina que Deus se alegrou com os recabitas que respeitaram o ensinamento de seu ancestral ao este proibir o consumo de vinho (cf. Jr 35); além disso, a Escritura diz que Deus se alegra com aquele que bebe seu vinho com bom coração (cf. Ec 9.7); etc.

Então, pelo critério da Sagrada Escritura, se tem tanto a possibilidade de permissão quanto a possibilidade de proibição; portanto, que isto se estabeleça de acordo com os princípios que norteiam os costumes disciplinares de cada um; aliás, é por esta razão também que algumas denominações cristãs proíbem o consumo de bebida alcoólica e outras não; por isso, cumpre que se siga o que convém a cada um no que estabelece para si: se alguém é parte de uma denominação que proíbe o consumo de bebida alcoólica, que respeite isso; agora se alguém é parte de uma que permite isso, que o faça sem querer perturbar ou ironizar quem não consome bebida alcoólica.

Outrossim, é que se deve observar esta questão também sobre o critério da reta razão; ora, pelas conclusões da reta razão, não se tem nada que proíba; no entanto, a reta razão é sólida quanto ao preceito do equilíbrio e da moderação; por isso, se alguém consome bebida alcoólica e perde a sobriedade, então tal consumo é pecado; por isso, pela reta razão só pode haver consumo de bebida alcoólica se houver moderação, temperança e sobriedade, e se isto não fizer mal a saúde; se o consumo de bebida alcoólica for imoderado, causar intemperança, tirar a sobriedade, e fizer mal a saúde, então é pecado.

Além do que, para aqueles que tiveram vício em bebida alcoólica, o consumo da mesma sempre é pecado; portanto, se alguém teve vicio em bebida alcoólica, e venceu este vício, que não volte a consumir uma gota de álcool, pois para este isto é pecado mortal.

 

Capítulo II: A observação do contexto.

 

No entanto, não somente estes aspectos devem ser observados, os quais, num geral são mais do que suficientes; pois, para se averiguar se o consumo de bebida alcoólica é pecado ou não, se deve primordialmente levar em conta o contexto; pois, num país temperado/frio não se tem problemas quanto ao consumo de bebida alcoólica, e nestes países poucos são aqueles que decaem em vicio em bebida alcoólica; por exemplo, na Alemanha é costume o consumo de cerveja, e isso no contexto alemão não é pecado; na Rússia se tem o costume do consumo de Vodka, e isto no contexto russo não é pecado; mas por que? Simples, pelo fato de serem países temperados/frios, o consumo de bebida alcoólica não traz problemas a saúde e nem causa problemas na sobriedade (nestes casos, só se consumido em excessos exorbitantes).

Entretanto, em países tropicais, a questão é diferente; pois, em um país tropical qualquer consumo de bebida alcoólica desfigura a sobriedade, já que álcool no sangue em um país tropical sempre gera efeitos nocivos a sobriedade; por exemplo, no Brasil ainda que se tenha costume de consumir todos os tipos de bebida alcoólica, tal consumo faz mal e gera efeitos nocivos à sobriedade; e isto ocorre por fatores inerentes ao fato do Brasil ser um país tropical; portanto, no Brasil o consumo de bebida alcoólica quase sempre leva ao pecado, posto a bebida alcoólica gerar efeitos nocivos a saúde.

Deste modo, embora nem na Sagrada Escritura e nem na reta razão se tenha contrariedades absolutas com o consumo de bebida alcoólica, ao se observar o contexto brasileiro, se deve levar em conta os efeitos que a bebida alcoólica causa no corpo; por exemplo, um russo consume uma garrafa de Vodka, em locais muitos frios, e isto não causa problemas à sua saúde, mas se um brasileiro consume 5ml de Vodka, isto já gera efeitos nocivos à saúde e à sobriedade.

E por que? Simples, como fora dito, o contexto do país: enquanto na Rússia o clima é temperado e isto gera firmeza do corpo e da saúde quanto ao consumo de bebida alcoólica, no Brasil o clima é tropical e isto gera fraqueza no corpo e na saúde quanto ao consumo de bebida alcoólica; na verdade, não se precisa nem evocar o exemplo com a Vodka para explicar isso, pois até mesmo um bombom de licor alcoólico é suficiente para gerar efeitos nocivos na sobriedade em pelo menos 95% dos brasileiros.

Portanto, a vida num país tropical ou num país temperado/frio tem seus benefícios e tem seus malefícios; no caso do país tropical, em relação a fé, é necessário a vigilância excessiva com práticas que possa desatinar e descontrolar a sobriedade e fazer mal a saúde, tal como o consumo de bebida alcoólica.

 

Capítulo III: A exortação é que se evite a bebida alcoólica.

 

Por isso, se o consumo de uma bebida alcoólica não faz mal a saúde, não gera efeitos nocivos a sobriedade e não é vício, então tal consumo não é pecado, desde que feito com bom senso e equilíbrio; no entanto, que se tome cuidado com isso, principalmente se for brasileiro, já que como fora afirmado álcool no sangue em um país tropical sempre gera efeitos nocivos a sobriedade.

Então, o conselho é que se evite os tipos de bebida alcoólica que fazem mal a saúde, tal como cerveja artificial e similares[1]; aliás, se aconselha que se tenha predileção pelo vinho, que se for consumido com equilíbrio e bom senso, não é pecado; aliás, se ainda for possível, que se busque o suco de uva natural, que não tem o perigo de ocasionar alguma falta de sobriedade no corpo.

A exortação para se evitar o consumo de bebida alcoólica é justamente a problemática em torno dos efeitos nocivos do álcool à saúde e à sobriedade nos povos que nascem, crescem e vivem num país tropical; por isso, quanto ao contexto brasileiro a exortação, num geral, é que se evite o consumo de bebida alcoólica, justamente para se evitar decair nos problemas gerados à sobriedade e à saúde.

Pois, embora não seja pecado o consumo de bebida alcoólica, se uma pessoa consume alguma bebida alcoólica e isto gera efeitos nocivos seja para a saúde seja para a sobriedade, isto é pecado, ainda que a própria pessoa possa não se aperceber disso.

Por isso, é mais sábio evitar algo ainda que este algo não seja pecado do que praticar este algo e o mesmo se tornar em pecado. Evitar algo que não é pecado, mas que pode se tornar pecado ou que tende a se tornar ou levar ao pecado, é parte da sabedoria que concerne a vida cristã.

 

Capítulo IV: Alguns conselhos bíblicos.

 

Ora, estas ponderações acima evocadas dão um escopo geral sobre este assunto; no entanto, considero ainda por bem evocar alguns conselhos bíblicos a respeito do consumo de bebida alcoólica, os quais são:

1. Em Pv 20.1 diz que o vinho é escarnecedor e a bebida forte é alvoroçadora; por isso, se alguém erra nestes dois, isto é, se alguém erra no consumo do vinho ou de qualquer bebida alcoólica, então o tal nunca alcança o caminho da sabedoria; portanto, se há escárnio e alvoroço, a bebida alcoólica é pecado e se torna empecilho para alcançar a sabedoria. Portanto, neste texto salomônico se ensina a como verificar as consequências de quando a bebida alcoólica é consumida de maneira imoderada, ou de quando o próprio ato de consumir bebida alcoólica, em certos contextos, em si mesmo já é algo imoderado.

2. Em Pv 23.31 se aconselha a não se olhar o vinho, isto é, a não se desejar o vinho quando este se mostra palatável; pois, os ais, os pesares, as pelejas, as queixas, a falta de sobriedade, entre outras coisas, são para aqueles que consumem bebida alcoólica de maneira imoderada ou então naqueles que ao consumir bebida alcoólica perdem a sobriedade.

3. Em Pv 31.6 se fala que aqueles que perecem e os amargosos de espírito são dados a bebida alcoólica; por isso, se o consumo de bebida alcoólica causa algum perecer, ou se causa alguma amargura de espírito, ou se se é levado ao consumo de bebida alcoólica por algum perecer ou por alguma amargura de espírito, então o consumo de bebida alcoólica é pecado; aqueles que pelas amarguras de espírito são levados ao consumo de bebida alcoólica sempre pecarão por falta de moderação, e as mais das vezes são levados aos estágios mais terríveis do vício em álcool.

4. Em Rm 14.21 se aconselha que o que é bom é o que não traz escândalo, nem tropeço e nem fraqueza; ora, se a bebida alcoólica, ou alguma comida, ou fazer qualquer outra coisa, traz escândalo ou tropeço na fé ou enfraquece a fé de outrem, então tal ato é pecado. Por isso, se o consumo de bebida alcoólica ocasiona ou escândalo para alguém, ou gera algum tropeço na fé ou para a fé, ou se enfraquece a fé de outrem, então o consumo de bebida alcoólica se torna em pecado grave.

Ora, se se seguir estes conselhos e os meditar com calma e paciência se entenderá como se deve lidar com a questão da bebida alcoólica; certamente, é um assunto intrincado e tido como bobagem para muitos, mas que deve ser tratado com ordem e disciplina, a fim de se evitar o descaro num ato que de primeiro momento não é tido como pecado, mas que por um povo que vive na indisciplina e desordem, como é o caso do povo brasileiro, tal ato sempre se torna em pecado e induz a pecaminosidade. 

E por ora o que fora dito basta para uma compreensão adequada sobre o assunto elucubrado. 

Laudate Deo



[1] A distinção entre cerveja artificial e cerveja artesanal é necessária, posto que a cerveja artificial (a cerveja produzida artificialmente) sempre traz efeitos nocivos à saúde, enquanto que a cerveja artesanal não traz malefícios a saúde, apenas à sobriedade se for consumida de maneira imoderada. Por isso, consumir cerveja artificial sempre tende a ser pecado, enquanto que o consumo de cerveja artesanal pode não ser pecado, se tal consumo não ocasionar problemas a sobriedade. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Análise do Propósito do Eurasianismo

Capítulo I: A análise do propósito do eurasianismo.   1. “ Fugi pois destas plantas parasitas, que produzem fruto mortífero. Se alguém p...