Prólogo.
A designação do espírito dialético é um neologismo
para descrever o estado da mente daqueles que são dominados pela dialética
hegeliana; o espírito dialético é o “eu” interior que ao compreender algo da
verdade passa a agir contra a verdade compreendida para dizer que entendeu a
verdade; e isto é loucura; mas não propriamente uma loucura psíquica, embora
possa se tornar em loucura psíquica, ao desenvolver os estágios mais avançados
da morbidade na alma; mais propriamente, o espírito dialético é manifestação de
loucura espiritual.
A dialética hegeliana coloca os seres humanos em
estado de loucura espiritual, a tal ponto da mente de um indivíduo ser dominada
pelo espírito dialético, o que faz desenvolver o modo dialético de pensar; e a
alma da sociedade onde há muitos indivíduos dominados pelo espírito dialético,
também será expressão do espírito dialético, mas não apenas com consequências
individuais, mas com consequências sociais.
Com isso, a sociedade se torna em sociedade dialética,
isto é, em sociedade de indivíduos dominados pelo espírito dialético; na
analogia cinematográfica, nisto consiste literalmente a Matrix. A Matrix é
instaurada quando os indivíduos, e em consequência a sociedade, são dominados
pelo espírito dialético.
Portanto, tecer-se-á algumas considerações sobre o
espírito dialético a guisa de apresentação/introdução, para se aclarar de
maneira mais adequada este neologismo conceitual, extremamente útil para se
fazer uma anatomia da contemporaneidade.
§ 1
A definição de espírito dialético é um complemento
filosófico para uma explicação racional daquilo que a Sagrada Escritura fala
sobre o espírito de luxúria (cf. Os 4.12); mais propriamente, o espírito de
luxúria atua na consciência; no entanto, os efeitos da ação do espírito de
luxúria também permeiam o intelecto; ora, os efeitos do espírito de luxúria no
intelecto é o que aqui se define como espírito dialético. Portanto, o espírito
dialético é o mesmo que o espírito de luxúria, só que em específico se refere
ao intelecto, aos efeitos da luxúria no intelecto; enquanto que o espírito de
luxúria é descrito na Sagrada Escritura, a descrição do espírito dialético
advém pelo lume da luz interior, mas em conformidade com o que a Sagrada
Escritura ensina sobre o espírito de luxúria.
§ 2
A luxúria ao dominar a consciência, torna a
consciência cauterizada bem como instaura na consciência o tender para laborar
contra os mandamentos divinos; o prazer da luxúria é atentar contra os
preceitos divinos; mas, a luxúria não somente age na consciência, mas também
age no intelecto; e a luxúria ao cauterizar a consciência, obstrui com uma
muralha o funcionamento do intelecto; além do que, o intelecto obnubilado pela
luxúria será permeado pelas formas dialéticas da luxúria; ou dito em outros
termos, as formas dialéticas da luxúria, as quais atentam contra a verdade e
vituperam a verdade, atinarão a inteligência para ir contra a verdade quando a
inteligência compreender algo da verdade. O prazer do espírito dialético é
laborar contra a verdade ao compreender algo da própria verdade; e isto é
evidência da obstinação no coração contra os preceitos da verdade - que em suma
é soberba.
§ 3
A amplidão de ações que o espírito dialético instaura
na mente, além de gerar o vício da melindre na personalidade, também calcifica
o ímpeto para o descaro na vontade; ou seja, em sua personalidade o indivíduo
fica melindroso, e volitivamente se deleitará no descaro; estas são
consequências do instaurar do espírito dialético num indivíduo, o qual ao ser
dominado pelo espírito dialético não conseguirá entender os melindres no qual
está inserido e nem entenderá as ações de descaro que pratica costumeiramente;
por isso, o espírito dialético é a mais abrupta manifestação do espírito de
luxúria; pois, o espírito dialético é evidência inegável da destruição total da
inteligência; e se a inteligência está destruída não haverá moralidade - na
verdade, através da destruição da inteligência se instaurará de modo absoluto a
mais hedionda imoralidade através das mais variadas formas de prostituição.
§ 4
Assim, o demônio da luxúria tanto atua na consciência
quanto no intelecto; ora, em relação ao agir do demônio da luxúria na
consciência se o define como espírito de luxúria; e quanto ao agir do demônio
da luxúria no intelecto se o define como espírito dialético. Outrossim, é que a
definição de espírito dialético não somente abaliza a compreensão do modo como
o demônio da luxúria age no intelecto a partir do que a Sagrada Escritura
ensina sobre isso; mas também a definição de espírito dialético é útil para se
compreender o modo como algumas filosofias utilizam-se das distorções
dialéticas para aprisionar as inteligências a grimórios de feitiçaria. Na
verdade, se evoca a questão do espírito dialético, especialmente para designar
o modo como algumas filosofias instauram de maneira inconsciente o espírito
dialético através da impregnação passiva de hábitos cristalizada pelo modo
dialético de pensar.
§ 5
O espírito dialético engendra no coração a obstinação
contra as definições corretas; ora, Tomás de Aquino afirma que a definição é o
que concerne a segunda operação do intelecto (cf. In De An., I, lect.
2); logo, se se tem as definições, mais propriamente definições corretas, então
a segunda operação do intelecto está em pleno funcionamento; todavia, se não se
tem definições corretas, então a segunda operação do intelecto está obstruída
ou destruída; por isso, o espírito dialético engendra a obstinação no coração e
no próprio intelecto contra as definições corretas; além do que, como é próprio
da luxúria, o espírito dialético induz o coração ao escárnio contra definições
corretas, não somente na rejeição das mesmas, mas principalmente nas risadas
contra as definições corretas. Ora, se alguém escarnece, por palavras ou por
ações, das definições corretas, isto é evidência inegável de inteligência
destruída. As risadas são apenas o modo mais simples de se averiguar e
constatar isso.
§ 6
A imaginação é totalmente sujeitada pelo espírito
dialético aos tentáculos da luxúria; por isso, o intelecto se sujeita ao desejo
pelo que é do próximo, seja cônjuge, casa, bens (cf. Êx 20.17), etc.; o desejo
pelo que é do próximo é evidência que o espírito dialético dominou o modo de
operar da imaginação, atinando esta para o desejo pelo que é de outrem; além do
que, o espírito dialético calcina o indivíduo nas perspectivas da
anti-liberdade. Por isso, a imaginação sujeitada pelo espírito dialético aos
tentáculos da luxúria se divertirá com as ações inerentes ao descaro.
Pois, imaginação dialetizada pelo espírito dialético
gera somente ídolos vãos para o coração; por causa da imaginação pervertida
pelo espírito dialético, o coração se sujeita a toda a podridão da soberba
contra Deus formando para si falsos fantasmas abstrativos que se estabelecem
contra as verdades eternas; assim, tudo o que provir do espírito dialético,
atinará uma imaginação anti-verdade, anti-liberdade e anti-religião; ou dito em
outros termos, tudo o que provir do espírito dialético formará uma imaginação
que atenta contra qualquer das formas verdadeiras que emanam da verdade, da
liberdade ou da religião.
§ 7
O espírito dialético instaura a maneira dialética de
pensar; e isso é a pior forma já manifesta entre os homens para a destruição da
inteligência; pois, uma coisa é a utilização da dialética para se encontrar o
que concerne ao saber, outra coisa é se ter o modo dialético de pensar; pois, o
modo dialético de pensar sujeita o ato de pensar ao domínio que é efetuado
através do espírito dialético; ora, se o espírito dialético é proveniente do
espírito de luxúria, então quem é dominado pelo espírito dialético estará
sujeito a quem instaurou este ímpeto para a luxúria na camada nuclear da
cultura; pois, a camada nuclear da cultura é a nascente donde flui tudo o que
se entende como manifestação cultural; uma vez que esta camada nuclear é
imbuída de luxúria, então todas as manifestações culturais serão em maior ou
menor grau permeadas pela luxúria; ou mais propriamente, pelo espírito
dialético. E as manifestações culturais são o que guiam uma sociedade a ter
certo modo de pensar, induz a certas ações, gostos, modas, costumes, etc., os
quais se instauram pela impregnação passiva de hábitos; pois, o domínio da
luxúria na consciência enfraquece a vontade e a inteligência para que estas não
se apercebam que são dominadas por hábitos contrários a própria natureza
humana.
***
Epílogo. Ora, fora evocado algumas
pressuposições e princípios sobre o espírito dialético a guisa de apresentação
deste neologismo conceitual; pois, a Sagrada Escritura fala sobre o espírito de
luxúria que age na consciência; mas, pelo lume da luz interior se chega a
compreensão dos efeitos da luxuria no intelecto; e isto é o que se chama de
espírito dialético; assim, a fim de abalizar algo compreendido pelo lume da luz
interior, e sob a autoridade da Sagrada Escritura, se põe este conceito, não só
para compreender as manifestações da luxúria no intelecto, mas principalmente
para se compreender quais filosofias que propagam o espírito dialético.
E termina aqui esta explicação. θεῷ χάρις!
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