I
Ao ver se assomar uma corja de “cristãos ideologizados”
que se passam por católicos, que ao ganharem fama e “sucesso” em mídias
sociais, são intitulados com aquilo que se define em tempos atuais como “influencers”,
se observa que em sua maior parte estes são inimigos da fé reta e sólida; os “influencers”
católicos, em sua grande maioria, são insolentes e luxuriosos; e os tais ainda
dizem que promovem a fé.
Aliás, a sentença de Boécio se assoma contra os tais
de maneira cabal, pois segundo o mártir da fé, as questões referentes a
sabedoria não devem ser partilhadas com aqueles que são insolentes e luxuriosos; e a propriedade inerente a grande maioria dos “influencers”
católicos é justamente a insolência e a luxúria.
Mas, por que se faz este juízo de valor? Não seria
isso julgar erroneamente? Não, isso não é julgar erroneamente; seria julgar
erroneamente se o proceder destes “influencers” quanto a questões
intelectuais e quanto a questões da fé não fosse manifesto inconcusso de
insolência e luxúria.
II
Os “influencers” católicos falam do que não
sabem e não sabem do que falam; pois, como é que que alguém que diz confessar a
fé cristã decai em soberba e continuam a se considerar como “cristãos”; no
entanto, os maiores inimigos da fé são justamente aqueles que, movidos por
insolência e luxúria, querem “testemunhar” da fé que não vivem.
E por que isso ocorre? Simples, pela ideologização; a
ideologização é que busca promover “influencers” que não vivem em
conformidade com a fé para “testemunhar” da própria fé, pois este tipo de “testemunho”
na verdade é anti-testemunho; e pior, é preceito ideológico que se assomou pela
impregnação passiva de hábitos a obstinação em relação a querer falar do que
não se sabe e do que não se conhece, e pior, do que não se vive.
Ora, segundo São Vicente de Lérins se tem um tipo de provação que advém aos cristãos por parte daqueles
que mais aparentam do que de fato vivem, isto é, por aqueles que se movem e são
movidos por falsas aparências; e é justamente um cristianismo movido por falsas
aparências que tem sido propagado pelos “influencers” católicos: tanto
devido a falta de sinceridade na qual vivem, quanto pelo engano que promovem.
Pois, a insolência e a luxúria são inimigas mortais da
fé; onde há insolência e onde há luxúria, a fé é asfixiada de maneira mortal;
por isso, se há propagação de insolência e de luxúria, então se tem o coração
dominado por soberba, mesmo que isso seja sob os “invólucros” da fé.
III
Ademais, o núcleo midiático da apologética católica -
no qual se movem 95% dos “influencers” católicos -, na verdade são
movidos por vontade ideológica; pois, falam do que não sabem e do que não
estudaram para falar; falam do que virou moda ideológica de falar, ainda que
seja algo concernente a religião; este tipo de apologética é uma planta
mortífera para a saúde da Igreja, pois, corrói tanto quanto as heresias
hediondas; a falta de sinceridade, e a falta de vida na verdade, são maiores
inimigas da fé do que aqueles que desveladamente são inimigos da fé.
Deste modo, tendo a arte da apologia se tornado algo
midiático, a mesma decaiu em ideologismo; se faz apologética não mais para
defender a fé reta e sólida ou para defender a reta razão, mas para defender o
princípio ideológico que se assomou a fé, o qual é permeado por usurpação e
soberba; as manifestações apologéticas dos “influencers” católicos, são
permeadas pelo princípio ideológico: defendem a fé que é manifesta e permitida
pela ideologia dominante, mas não a fé reta e sólida.
A apologética “ideológica”, ainda que não tenha
aparências ideológicas, é um grande perigo para a fé; porque a doutrina se
corrompe, como Tomás de Aquino afirma, não só por erros ensinados, mas pela
intenção de quem ensina; a intenção ideológica, mesmo que velada e
inconsciente, sempre corrói e corrompe a fé, pois a intenção ideológica é
sempre irracional e diabólica.
Por isso, este tipo de apologética e/ou ensino dos “influencers”
católicos, está permeado com uma intenção ideológica; e isto se prova, entre
vários aspectos, pelo fato de que quase sem exceção dos “influencers”
católicos em seus ensinamentos vituperam cabalmente o argumento de autoridade
na sagrada teologia – em relação aos “influencers” não há uma única
exceção; e isso para mencionar apenas um aspecto; etc.
Portanto, a obra dos “influencers” católicos,
não sei se movidos por ignorância intelectual, ou por vontade corrompida por
consciência cauterizada, ou por má-fé, seja por qualquer outro motivo, sempre
atina contra a verdadeira piedade e contra a fé reta e sólida; assim, não são
apenas movidos por simplicidade ou falta de conhecimento, mas atentam contra a
própria fé antes de sequer terem alcançado maturidade espiritual na própria fé.
Com isso, pois, urge apologizar contra os “influencers”
católicos, não em relação a doutrina ou teologia, mas em relação ao fato de que
dizem-se “cristãos” não o sendo; pois, os males que provém dos mesmos são tal
como as plantas parasitas de que falava Santo Inácio; dos tais, portanto, tal
como ensina Santo Inácio, convém fugir: “Fugi pois destas plantas parasitas,
que produzem fruto mortífero. Se alguém provar delas morre na hora. Não são
pois eles plantação do Pai” (Ad Tral., 11.1).
***
E a guisa de post-scriptum, o que fora afirmado
dos “influencers” católicos também se diz cabalmente dos “influencers”
protestantes, com a diferença de que nos “influencers” protestantes a desonra
intelectual e canalhice, em sua grande maioria, é imensamente maior.
θεῷ χάρις!
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