§ 1
A expressão
literária é na esfera humana uma espécie de antessala anatômica da vida humana;
enquanto no Santo Evangelho se tem a mensagem da salvação em Jesus Cristo, na
literatura se tem a mensagem do homem para ele mesmo a respeito de sua
responsabilidade como ser cultural, e também de sua responsabilidade ante a
construção de valores e ideais na sociedade.
§ 2
A
literatura tem um caractere de eschaton; não um eschaton tal como
na formulação teológica, nem mesmo o eschaton preditivo das religiões de
mistério; ambos seriam um disparate: no primeiro seria uma redução da teologia,
no segundo seria anátema. Portanto, o eschaton da literatura está em a
mesma ser anatomia de uma sociedade, ou de um indivíduo, etc. O que na
literatura se analisa sobre o hoje, tem o reflexo do ontem e a projeção do
amanhã. Isso está presente de maneira inconcussa nos grandes clássicos da
literatura; de fato, as grandes obras dos mestres da literatura são tão atuais
como quando foram escritas. Por isso, a literatura é atemporal, e por ser
atemporal tem um eschaton anatômico.
§ 3
A
literatura se subdivide em duas esferas gerais: a divina e a humana. A
literatura divina são os textos sagrados da Bíblia; conquanto tenham sido
escritos por homens, estes foram inspirados por Deus na escrita (cf. 2Pe
1.19-21), e assim a vontade divina fora comunicada aos homens; na Bíblia é Deus
quem fala; por isso, o Apóstolo diz que toda a Escritura fora inspirada por
Deus (cf. 2Tm 3.16). A literatura humana tem dois aspectos: primeiro, que é uma
obra humana, e assim é proveniente da capacidade humana a partir da imagem de
Deus no homem; segundo, é que mesmo sendo uma obra humana, na literatura também
se tem reflexos da ação divina, não por descrição inspiracional, mas por Graça
Comum a todos os homens, a fim de que os homens abençoados com a literatura
desenvolvam o todo da vida humana; isto dá valor e dignidade a literatura, mas
não lhe confere autoridade revelacional normativa, sendo esta uma
característica exclusiva da Sagrada Escritura; entretanto, em tudo o que é
demasiadamente humano a literatura tem grande autoridade e imensa utilidade.
***
E
termina aqui este escrito. Laudate Deo!