§ 1
A expressão
literária é na esfera humana uma espécie de antessala anatômica da vida humana;
enquanto no Santo Evangelho se tem a mensagem da salvação em Jesus Cristo, na
literatura se tem a mensagem do homem para ele mesmo a respeito de sua
responsabilidade como ser cultural, e também de sua responsabilidade ante a
construção de valores e ideais na sociedade.
§ 2
A
literatura tem um caractere de eschaton; não um eschaton tal como
na formulação teológica, nem mesmo um eschaton preditivo das religiões
de mistério; ambos seriam um disparate: no primeiro seria uma redução da
teologia, no segundo seria anátema. Portanto, o eschaton da literatura
está em a mesma ser anatomia de uma sociedade, ou de um indivíduo, etc. O que na
literatura se analisa sobre o hoje, tem o reflexo do ontem e a projeção do
amanhã. Isso está presente de maneira inconcussa nos grandes clássicos da
literatura: Cervantes, Shakespeare, Dickens, Dostoiévski, Balzac, Vitor Hugo, Tolkien,
etc.; as grandes obras dos mestres da literatura são tão atuais como quando foram
escritas. Por isso, a literatura é atemporal, e por ser atemporal tem um eschaton
anatômico.
§ 3
A literatura
se subdivide em duas esferas gerais: a divina e a humana. A literatura divina
são os textos sagrados da Bíblia; conquanto tenham sido escritos por homens,
estes foram inspirados por Deus na escrita (cf. 2Pe 1.19-21), e assim a vontade
divina fora comunicada aos homens; na Bíblia é Deus quem fala; por isso, o
Apóstolo diz que toda a Escritura fora inspirada por Deus (cf. 2Tm 3.16). A
literatura humana tem dois aspectos: primeiro, que é uma obra humana, e assim é
proveniente da capacidade humana a partir da imagem de Deus no homem; segundo,
é que mesmo sendo uma obra humana, na literatura também se tem reflexos da ação
divina, não por descrição inspiracional, mas por Graça Comum a todos os homens,
a fim de que os homens abençoados com a literatura desenvolvam a própria
personalidade; isto dá valor e dignidade a literatura, mas não lhe confere
autoridade revelacional normativa, sendo esta uma característica exclusiva da
Sagrada Escritura; entretanto, em tudo o que é demasiadamente humano a
literatura tem grande autoridade e imensa utilidade.
***
E
termina aqui este escrito. Laudate Deo!