02/11/2020

Nótula sobre o Aborto

I

 

A problemática em torno do aborto, bem como de sua legalização, é algo delicado, mas que precisa ser tratado com firmeza. Uma questão que trata com a vida humana deve ser ponderada com a mais alta responsabilidade, pois o direito à vida é um bem inalienável e irrevogável do ser humano. A questão do aborto tem de ser tratada em termos éticos e não em termos ideológicos.

 

II

 

Os que defendem a legalização do aborto tendem a apresentar supostos “dados estatísticos” para informar este ou aquele aspecto em favor do mesmo; afirmam com falácias estatísticas que onde houvera a legalização do aborto o mesmo diminui substancialmente e outros sofismas similares; como é clarividente, este argumento é falacioso, porque na maioria das nações o aborto não é permitido por lei, logo a sua prática é um ato infratório para com a lei; assim, como é possível se ter dados da quantidade de abortos onde o mesmo é crime; portanto, as estatísticas em favor do aborto são quimeras falaciosas e maliciosas.

 

III

 

Outra questão, é que se o aborto ilegal é quantificado pelo Estado, e o mesmo em seu estamento jurídico não o permite, toda a estrutura estamento burocrático ou está sendo relapsa ou então há manipulação ideológica do estamento estatal para destruir a vida; pois, se isso ocorre então o Estado supera suas próprias leis para cometer assassinatos, enquanto deveria ser regido pela lei e pelos ideais da liberdade para proteger a inviolabilidade da vida. Se os representantes do Estado têm o descaro de se portar contra suas próprias leis, o próprio Estado tende a ruir, e dar a lugar ao ressurgimento do lema de alguns imperadores romanos: “o Estado sou eu”, onde este “eu” pode ser ou um indivíduo ou alguma ideologia. A permissividade jurídica e social para com o aborto é prática do Estado Total.

 

IV

 

Outra questão, é que a estratificação do Direito na multiplicidade de direitos, os quais desfiguram a face racional do Direito, só geram problemas insolúveis para a ordem social e para o desenvolvimento cultural. Desta forma, o aborto nunca pode se tornar um dos direitos, já que em si desfigura e destrói o próprio Direito.

 

V

 

A questão da não-aceitação da criminalização do aborto com o argumento de políticas públicas de planejamento familiar, acesso à saúde e informação, é sofisma. Novamente, o problema se encontra com as perspectivas trocadas; se a criminalização do aborto de acordo com estas falácias não é a solução, e se a própria questão estatística em favor do aborto num Estado onde o mesmo é vetado é falaciosa, a substituição dos argumentos é sutil; o problema sai da falácia do argumento (as estatísticas), e vai para a criminalização, enquanto que se existissem realmente tais estatísticas, o problema estaria no governo, e então o mesmo teria de proporcionar políticas públicas de planejamento familiar, acesso à saúde e informação em função da preservação e propagação da vida e não em favor do aborto.  

Não há necessidade de se legalizar o aborto para se ter estas políticas, já que se o número tão abertamente defendido pelos defensores da legalização do aborto são verdadeiros, que lutem pela implantação de políticas públicas antes da legalização do aborto, não após ela; pois senão não faz sentido lutar por algo que se já se tem (no caso a legalização do aborto), através daquilo que seria a solução preventiva para o problema (as políticas públicas para se evitar o aborto).

 

VI

 

De fato, não já nenhum argumento verídico em defesa da legalização do aborto. É fato declarado pela ciência que a vida humana começa na concepção; a Sagrada Escritura ensina isso (cf. Sl 139.15-16); da mesma forma as leis de uma sociedade refletem suas crenças mais caras; não que o Estado privatize ou prefira determinada religião, mas sim que os princípios fundantes se estabelecem a partir da sociedade que não é laicista, mas é uma sociedade cristã. E um dos valores morais e sociais mais importantes da sociedade é a importância da vida, é a dignidade inviolável da vida. Por isso, São João Paulo II afirmara na “Evangelium Vitae”: “confirmo que a morte direta e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral [...] A decisão deliberada de privar um ser humano inocente da sua vida é sempre má do ponto de vista moral, e nunca pode ser lícita nem como fim, nem como meio para um fim bom. É, de facto, uma grave desobediência à lei moral, antes ao próprio Deus, autor e garante desta; contradiz as virtudes fundamentais da justiça e da caridade(cap. III, n. 57).

Laudate Deo


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