11/06/2023

A práxis da política anti-revolucionária

I

 

A política anti-revolucionária estabelece-se a partir de um programa bem orientado, fundamento em princípios singulares, e que permeia toda a construção da filosofia política anti-revolucionária, tal como fora disposto nos pressupostos da política anti-revolucionária.

Os princípios propedêuticos se estabelecem de antemão, para figurarem sobre as pressuposições básicas para atividade governamental daqueles que procuram velar e preservar os valores fundamentais da vida humana, que procuram conservar mesmo na política a honra a soberania de Deus, que respeita a inviolabilidade da vida, que preza pela liberdade e que busca estabelecer-se a partir da reta razão para o bem da coisa pública e que tem humildade para se deixar iluminar pela Revelação.

Por isso, os princípios fundamentais da política anti-revolucionária são: (a) O temor a Deus e a honra para com Sua Soberania Universal. (b) O respeito absoluto pela inviolabilidade da vida. (c) O respeito absoluto pela liberdade. (d) A valorização da reta razão para o bem da coisa pública. (e) A humildade diante da liberdade de religião. (f) A honra, a decência e o caráter como regras de vida.

Estes princípios são os que estabelecem, a partir dos pressupostos anti-revolucionários, os princípios que guiam a política anti-revolucionária em toda sua práxis; e destes princípios, se estabelece o pressuposto tríplice do programa anti-revolucionário: (1) programa eleitoral; (2) programa de governo; e, (3) programa de princípios.

Estes princípios fundamentais orientam estes três programas, os quais constituem-se a base e o fundamento da existência política sóbria e honrada, ou pelo menos, dão a orientação básica para aqueles que exercem a potestade política em função do bem comum e da vida virtuosa.

Pois, nestes três programas se estabelece o pressuposto da ação política, bem como a base pela qual se edifica os pressupostos basilares da ação anti-revolucionária em cada esfera da vida humana, para o bem de todos, e para a glória maior de Deus.

 

II

 

O programa eleitoral, assim como o programa de governo e o programa de princípios, estabelecem-se como um único programa, mas diferem em ponto de partida, escopo, conteúdo e propósito.

Ora, um programa eleitoral pode ser entendido de três maneiras:

Primeiro, o objetivo da campanha eleitoral; toda campanha eleitoral deve ter um objetivo; e este objetivo é eleger os candidatos mais capazes que disputaram as eleições, seja eleições gerais seja as eleições municipais; assim sendo, o objetivo da campanha eleitoral é eleger o máximo de políticos capazes possíveis, não para que estes usufruam e usurpem o aparato estatal, mas que todos se disponham a servir para o bem do povo a que representam enquanto políticos.

Segundo, o lema da campanha eleitoral; toda campanha eleitoral deve ter um lema, um “grito” de guerra, que deve ser curto, incisivo, tal qual aforismo utilizado pelos grandes oradores, para que todos se lembrem, e que sirva de resumo de um “credo” político racional e sóbrio; o mais correto é que seja uma frase completa; não pode ser mais do que uma tríade de frases, ou algumas sentenças breves; e assim, cada palavra deve ser estritamente escolhida, e cada frase transparente como o vidro. O lema correto e que se enquadra nestas características faz um enorme diferencial no programa eleitoral.

Terceiro, o ponto de partida para tal programa; o ponto de partida do programa eleitoral deve levar em conta a condição atual da nação, tendo por escopo o que está acontecendo no país como um todo, em vista os acontecimentos mundiais; isto gera a percepção do que amadureceu na consciência pública em relação ao que é correto, e o que na consciência pública ainda permanece calcificado de errado; pois, o programa eleitoral deve elevar o que é correto e que está amadurecido na consciência pública, e deve dissolver aquilo que fora implementado de errado sem que ninguém percebesse.

Assim, a virtude política do programa eleitoral se torna clarividente quando contemplados estes três aspectos; e a partir destes três aspectos, que devem sempre ser observados, mesmo que mude alguns aspectos, a fim de se estabelecer uma constância no programa eleitoral, que demonstra a firmeza da filosofia política, e que deve ser aplicada da melhor maneira possível para que sejam eleitos cada vez mais políticos dignos e capacitados.  

 

III

 

O programa de governo, como fora dito anteriormente, difere do programa eleitoral; pois, o próprio termo governo dá a entender a designação e o escopo deste programa, em diferença do programa eleitoral; o programa de governo é para os políticos, principalmente para estadistas; pois, entre os que tem a difícil tarefa de governar, existe o perigo do pecado do orgulho e da soberba; assim sendo, o programa de governo auxilia na difícil tarefa de governar, bem como procura esmerilhar a vocação política com seriedade moral e resoluções cristãs, para que sirva de um corretivo para a ambição pecaminosa da corrupção a qual podem cair os que estão no governo.

O objetivo central de um programa de governo pode ser definido de três maneiras:

Primeiro, o objetivo de um programa de governo é a governança sóbria, amparado sobre a reta razão, no temor a Deus, no respeito a religião, e calcinado sobre a justiça, para o fortalecimento do governo que deve ser instituído para o bem do povo.

Segundo, o objetivo de um programa de governo visa ganhar confiança, o apoio do povo, unir as divisões internas, sempre tendo em vista a praticidade, para a maior concreção dos princípios anti-revolucionários.

Terceiro, o objetivo de um programa de governo visa tornar os governantes mais ativos em seus trabalhos, tendo uma lista fixa de atividades, ou uma agenda pré-determinada, tornando a governabilidade do governo algo sólido e solidificado.

E a elaboração de um programa de governo é uma arte, a qual está imbuída na arte plena do que é a Política; faz parte da Política a elaboração de um plano de governo.

Deste modo, num programa de governo há de se vincular a tudo o que é proposto na prudência, para se cumprir o que fora prometido na campanha eleitoral; pois, um governo que não cumpre o que promete, não é digno de aprovação popular nem de novamente se tornar um governo. Por isso, a prudência básica neste quesito é prometer o que é possível de se cumprir, e não mentir deliberadamente com promessas mirabolantes para que se possa obter poder, o que é característico de um governo que antes de se estabelecer já se demonstra com um des-governo.

E para isso é necessário que as promessas feitas na campanha eleitoral sejam com o propósito de oferecer soluções eficazes e benéficas para se enfrentar os problemas nacionais e estas sejam em benefício de todo o povo. Em alguns casos pode até parecer que o alcance é pequeno, pela sobriedade e prudência das promessas eleitorais, mas se assim for feita e cumprida em prol do povo, para o benefício e bem do povo, certamente sempre obterá aprovação e aceitação geral por parte do próprio povo.

Com isso, o programa de governo pode ser assim sumariado: (1) o ponto de partida: misturar um bom fermento, o fermento da justiça, da honra, da esperança, das grandes coisas, na massa da política; (2) a extensão: procurar estender-se e determinar-se pela opinião pública em geral, pelos costumes e pela tradição nacional, na conservação dos valores mais importantes da sociedade; (3) o conteúdo: estabelecer soluções concretas para os problemas nacionais mais graves, bem como proporcionar uma estrutura de governo que vise o bem das gerações futuras; (4) o objetivo: a posse plena e o exercício correto da potestade política, para a maior glória de Deus e o desenvolvimento da nação; esta é a natureza de um programa de governo.

Se aqueles que ganharem a eleição fizeram isso, manifesto em uma administração pública honesta e justa, com sóbrio desenvolvimento econômico, certamente se terá um governo excelente em benefício de toda a nação.

 

IV

 

O programa de princípios, após o programa eleitoral e o programa de governo, se estabelece justamente após ter se formado os pressupostos gerais da teoria política anti-revolucionária, os quais são evidenciados no programa eleitoral e no programa de governo.

Ora, obviamente um programa de princípios se dá em vista a oposição a algo ou a alguma ideia; no caso, o programa de princípios anti-revolucionário é oposição total aos princípios da Revolução Francesa; por exemplo, na cultura britânica o programa de princípios tanto permeia o partido conservador quanto o partido trabalhista deste o séc. XVII; etc.

Pois, um programa de princípios é útil para agir contra os excessos e os efeitos da dialética da esquerda-direita hegeliana, bem como extremamente necessário para agir contra o liberalismo. Por isso, em função de um bom governo, seja por qual viés político for, tem de haver um programa de princípios, tanto no sentido geral em função do bem da nação, quanto no sentido particular a cada viés político, a fim de orientar a oposição contra os nefastos princípios que atentam contra a identidade nacional.  

Com isso, um programa de princípios deve ter cinco aspectos que são interligados e subsequentes:

Primeiro, um programa de princípios deve uma ideia-raiz, um conceito fundante, no qual demonstra-se aquilo que culturalmente os fundadores da nação demonstraram se opor.

Segundo, se deve demonstrar que este conceito fundante está enraizado em nossa cultura e na vida do povo, de modo que se encontre nos marcos históricos da história nacional.

Terceiro, deve haver uma derivação deste conceito fundante em outras ideias, que se estabeleçam em todas as esferas da cultura e da sociedade, a fim de demonstrar a fidelidade a este programa de princípios em todas as áreas da sociedade.

Quarto, um programa de princípios, ao ser estabelecido, tem a obrigação de sempre consultar e saber a opinião popular a respeito de questões em aberto ou mesmo de outras questões já tidas como fechadas, a fim de sempre estar em conformidade com a vontade do povo.

Quinto, um programa de princípios é feito diretamente não para a massa popular em geral, mas para aqueles que são vocacionados a vida pública para o bem do povo; pois, a grande multidão do povo não se preocupa tanto com a causalidade, mas sim com os resultados; assim, deve se ter um programa de princípios que faça bem para o povo e bem para a nação; os resultados que o povo espera são para o bem do próprio povo.

[...]

Com isso, o programa de princípios pode ser assim sumariado: (1) o ponto de partida: aquilo que guia a ação política, aquilo que desperta para a ação política; (2) a extensão: tudo o que está relacionado a este ponto de partida; (3) o conteúdo: os pressupostos teóricos e os programas que guiam a ação política; (4) o objetivo: a aceitação popular em vista do bem do povo para o povo; (5) o modo de ação: a preparação dos vocacionados a vida pública com esmero, em vista da formação do caráter e da honra.

Em suma, nisto consiste um programa de princípios, orientados em conformidade e em sequência ao programa eleitoral e ao programa de governo. Pois, na inter-relação entre estes três aspectos está fundamentada a práxis da política anti-revolucionária, a qual tem muito a oferecer a ação politica em tempos hodiernos.

 

Epílogo

 

Ora, a práxis da política anti-revolucionária se estabelece em conformidade com os pressupostos da política anti-revolucionária; e são estabelecidos estes aspectos concernentes a práxis, do mesmo modo e da mesma maneira com que foram explicados os pressupostos teóricos; com isso, se tem o escopo de uma filosofia política contra os princípios da Revolução Francesa e seus frutos, orientada tanto na teoria quanto na práxis. E termina aqui este escrito. Laudate Deo


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