1. A dignidade de um indivíduo é aferida a partir do
que este indivíduo fala de Cristo; e isto é uma regra válida tanto para
cristãos quanto para não-cristãos; na verdade, psicologicamente se pode afirmar
de maneira cabal que quando alguém fala de Cristo este alguém desvela o próprio
estado de sua alma; quanto mais ilogicidade uma pessoa promove mais
imbecilidades profere sobre Cristo; e quanto mais abominações alguém pratica
mais ódio este alguém manifesta contra Cristo.
2. Na verdade, diante de infâmias ditas contra Cristo,
se volve a memória a imorredoura sentença de Albert Schweitzer: “não há
tarefa histórica que revele o verdadeiro interior de um homem como a de
escrever uma Vida de Jesus”[1]; ou
dito em outros termos, não há divã que revela o verdadeiro interior de um homem
do que o que este homem profere sobre Cristo; um antigo provérbio árabe dizia
que se mede a dignidade de um homem pela qualidade de seus inimigos; e neste
mesmo sentido, se mede a excelência de alguém pelo que é dito a seu respeito:
não só por homens ilustres e honrados, mas também pelos tolos e imbecis; pois,
o elogio de homens ilustres mostra a grandeza de alguém, mas também as tolices
e imbecilidades ditas pelos idiotas também mostram a sublimidade de alguém.
3. Em relação a Cristo se dão ambas as coisas: tanto o
elogio de pessoas ilustres, quanto a imbecilidade dos retardados; os homens
ilustres honram-No e glorificam-No; mas os imbecis e tolos tentam desonrá-lo,
ao passo que ao fazê-lo cometendo tantas aberrações, ilogicidades e
imbecilidades demonstram a sublimidade do que criticam, pois ninguém inventa
mentiras e tolices contra alguém que não tem excelência; as maiores e a mais
abruptas mentiras, tolices e imbecilidades são ditas contra os maiores homens e
os homens mais excelentes; e não há ninguém tão maldito e ridicularizado pelos
imbecis e pelos tolos quanto Cristo; portanto, isso por si já demonstra a
suma-excelência de Cristo.
E mesmo diante de tolices, imbecilidades e vilezas, a
excelência de Cristo continua a brilhar fulgurantemente; com efeito, tolices,
vilezas, infâmias e imbecilidades não ofuscam a glória de Cristo; em
contrapartida, tolices, vilezas, infâmias e imbecilidades proferidas contra
Cristo demonstram a nefanda indignidade de quem as profere. Como o próprio Dr.
Schweitzer dissera, os homens criam um Jesus de acordo com seu próprio caráter;
quanto mais pérfido e abjeto for o caráter de alguém, mais tolices e vilezas
proferirá sobre Cristo.
4. E diante das vilezas ditas contra Cristo pelo atual
primeiro-ministro de Israel, o sr. Satãnyhu, se faz necessário uma resposta a
este vil baalita; ora, este vil baalita disse o seguinte: “a história prova
que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se
você for forte o suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente, o
mal superará o bem”; esta sentença do sr. Satãnyahu, demonstra uma série de
imbecilidades, o qual se utiliza dos seguintes argumentos: (i) o argumento da
história; (ii) o argumento da força; (iii) o argumento moral. Na sentença do
Satãnyahu se tem, consciente ou não, estes três argumentos, os quais são todos
utilizados de forma falaciosa e sofística; na verdade, a sentença do Satãnyahu
sobre Cristo é um amontoado de imbecilidades, falácias e vilezas.
5. Ora, diante desta afirmação infame do Satãnyahu, se
faz necessário confutá-la. Em primeiro lugar, se confuta o argumento da
história; pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que,
infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan”; ora, para
se evocar o argumento da história há de se ter provas e evidências históricas;
e não há nenhuma prova histórica de que alguém tenha vantagem sobre Cristo; na
verdade, o argumento da história prova a veracidade e a sublimidade de Cristo;
para a falácia do Satãhyanu Gengis Khan tem vantagem sobre Cristo; no entanto,
em toda a história precedente ninguém fala sobre Gengis Khan e o que Gengis
Khan construiu acabou.
Portanto, pelo argumento da história, sem nem
mencionar Cristo, se sabe que Gengis Khan conquanto tenha sido uma figura
histórica na época em que viveu, nada na história precedente o menciona e nem a
história subsequente continua suas conquistas, pois o Império Mongol acabou.
Todavia, ao se falar de Cristo, toda a história que o precede o menciona, e o
que Cristo construiu continua incólume com o passar dos séculos e há de
continuar até o fim dos tempos.
6. Assim, pelo argumento da história, em confutação a
sentença vil do Satãnyahu, se prova a excelência de Cristo e se demonstra a
infinita vantagem que Cristo tem sobre Gengis Khan ou sobre qualquer outro
líder histórico ou religioso; ora, pelo argumento da história se prova de dois
modos que Cristo é mais excelente: primeiro, pelas profecias bíblicas; segundo,
pelos ditos dos povos antigos.
Ora, em relação centenas de profecias bíblicas, se
menciona as seguintes:
(i) Cristo é Filho de Deus (cf. Sl 2.7).
(ii) Cristo será ressuscitado do túmulo (cf. Sl
16.10).
(iii) Deus desamparará Cristo em sua agonia (cf. Sl
22.1).
(iv) Cristo sofrerá zombaria e ridicularização (cf. Sl
22.7-8).
(v) Cristo será odiado (cf. Sl 35.19).
(vi) Cristo será traído por um amigo íntimo (cf. Sl
41.9).
(vii) Cristo receberá vinagre e fel (cf. Sl 69.21).
(viii) Cristo nascerá de uma virgem (cf. Is 7.14).
(ix) Cristo será chamado de Emanuel (cf. Is 9.6).
(x) Cristo sofrerá de maneira abrupta e cruel (cf. Is
53.1-12).
(xi) Cristo nascerá em Belém da Judeia (cf. Mq 5.2).
E todas estas profecias foram cumpridas a risca, nos mínimos
detalhes. Nenhum outro nome de importância na história mundial, seja religioso
ou não, teve profecias sobre sua vinda; somente Cristo teve sua vinda
profetizada desde o início do mundo.
7. E, em relação aos ditos dos povos antigos, se evoca
os seguintes:
(i) Tácito dissera para os romanos que do Oriente, da
Judeia, viria o Mestre e o Senhor do Mundo.
(ii) Nos “Anais do Império Celestial”, se diz
que apareceu uma luz no palácio imperial; o imperador chinês, dado o resplendor
desta luz, tratou de interrogar os sábios; e estes, por sua vez, trouxeram-lhe
livros para lhe mostrar que este prodígio e sinal significava o aparecimento
(nascimento) de um grande Santo no Ocidente.
(iii) Ésquilo, em “Prometeu”, dissera que Deus
surgiria entre os homens para aceitar sobre si a maldição pelos pecados dos
homens.
(iv) Platão, em “A República”, dissera que
quando surgisse no mundo um homem justo, moralmente perfeito, os homens o
açoitariam, o torturariam e o crucificariam.
(v) Vírgilio, nas “Bucólicas”, descreve uma
mulher casta que tendo tido um filho se alegra, pois este filho poria fim a
férrea gente (ou em termos teológicos, que salvaria seu povo de seus pecados
[cf. Mt 1.21]).
Entre tantos outros relatos; de fato, todas as
expectativas dos povos antigos, dos pagãos, também se cumpriram em Cristo. Isso
se prova pelo fato de que os reis magos, representantes da expectativa dos
povos pagãos, vieram para adorar a Cristo ao saberem que este havia nascido
(cf. Mt 2.1-12); etc.
8. Em segundo lugar, se confuta o argumento da força;
pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que, infelizmente, Jesus
Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se você for forte o
suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente”; o argumento do
Satãnyahu envolve-se da dialética da força; e este argumento tanto permeia a
esfera público-estatal quanto a esfera individual; ora, em sentido
público-estatal, como afirmara Joseph Ratzinger, “o que deve prevalecer não
é o direito do mais forte e sim a força do direito”[2]; portanto,
na esfera pública-estatal o argumento da força é anti-jurídico e é parte de um
belicismo perigoso e assaz prejudicial; etc. E, quanto a esfera individual, é
mais do que clarividente de que quem precisa comprovar algo pela força física
ou bélica não tem caráter e nem tem dignidade; a força de alguém está na mansidão
com que vive, pois a herança da terra é dos mansos e não dos
belicosos/truculentos (cf. Sl 37.11).
9. Além do que, o argumento da força, utilizado
falaciosamente pelo Satãnyahu, demonstra uma total petição de princípio: pois,
a suficiência de algo não se mostra pelo poder ou pela impiedade, mas pela
virtude; impetuosidade e poderio são apenas dois nomes para designar um sucesso
mundano que é talhado sob os altares da desonra; a respeito disso, Nietzsche
houvera alertado: “É à glória que aspiras? / Nessa caso consideres esta
lição: / Renuncia a tempo e espontaneamente / À honra!”[3];
de fato, quem quer honra mundana, isto é, poder e força neste mundo,
necessariamente tem de renunciar a honra.
Ora, a “força suficiente, etc.” que o Satãnyahu
propaga não é outra coisa senão a desonra que alguém se submete para alcançar
sucesso e fama neste mundo; aliás, o texto sagrado também fala contra os judeus
quando estes a fim de obterem riquezas e domínio praticam canibalismo e outras
abominações (cf. Ez 33.25-26); etc. Assim, pois, se confuta o argumento da
força utilizado pelo Satãnyahu, para demonstrar a defasada, inútil e vil visão
de mundo que permeia os sionistas; além do que, se os sionistas utilizam-se de
maneira neurótica do argumento da força, não podem reclamar se esta força
também for utilizada contra os próprios sionistas. Pois, como diz o Senhor
Jesus: “porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”
(Mt 26.52).
10. Em terceiro lugar, se confuta o argumento moral;
pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que, infelizmente, Jesus
Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se você for forte o
suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente, o mal superará o
bem”; o argumento moral do Satãnyahu demonstra a toda indignidade moral
do próprio Satãnyahu; a utilização do argumento moral para embasar vilezas e
abominações é a confissão velada de quem comete tais abominações; mas, como
este argumento fora utilizado de maneira sofística, convém confutá-lo.
Com efeito, em toda a história mundial se constata um
fato indubitável, a saber, o mal nunca triunfa sobre o bem; ainda que o mal
possa se avolumar e em alguns momentos pareça vencer, no final o bem sempre
triunfa sobre o mal; pois, falta ao mal um fundamento metafísico; o mal é
ausência de bem; o mal só vence de maneira temporária e parcial enquanto há
ausência de bem; mas, diante de uma só mínima fagulha de bem, o mal começa a
ser dissolvido.
Assim, o argumento moral utilizado pelo Satãnyahu por
si se demonstra uma falácia; pois, a moral se dá em ordem ao bem e não em ordem
ao mal; logo, o argumento moral só é utilizado corretamente em função do bem,
ou para refutar o mal; quem se utiliza do argumento moral para desqualificar o
bem e enaltecer o mal em si mesmo já comete sofisma no próprio argumento, ou
seja, quem assim o faz demonstra ilogicidade e retardo mental.
11. Assim, se tem a confutação da sentença iniqua do
Satãnyahu; no entanto, a guisa de peroração, convém mencionar no que consiste a
sublimidade de Cristo; e para isso, se evoca as sentenças inspiradas da
epístola aos Hebreus, para demonstrar, a partir dos tipos judaicos, que Cristo
é superior a toda a lei mosaica e suas cerimônias; pois, a epístola aos
Hebreus, segundo Sto. Tomás de Aquino, versa sobre a excelência de Cristo[4]; portanto,
ao se mencionar topicamente a excelência de Cristo de acordo com a epístola aos
Hebreus, se propugna o dito do salmista que demonstra cabalmente isso: “Entre
os deuses não há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas” (Sl
86.8); etc.
12. Ora, deste modo, se evoca os seguintes argumentos
sobre a excelência de Cristo a partir da epístola aos Hebreus:
(i) Jesus Cristo é mais excelente do que os anjos (cf.
Hb 1.4-2.18).
(ii) Jesus Cristo é mais excelente do que Moisés (cf.
Hb 3.1-4.13).
(iii) Jesus Cristo é mais excelente do que os antigos
sumo-sacerdotes (Hb 4.14-6.20).
(iv) Jesus Cristo é mais excelente do que
Melquisedeque (cf. Hb 7.1-22).
(v) Jesus Cristo é mais excelente como sumo-sacerdote
(cf. Hb 7.23-28).
(vi) Jesus Cristo instituiu um pacto melhor e mais
excelente do que o pacto da antiga aliança (cf. Hb 8.1-13; 2Co 3.1-18).
(vii) Jesus Cristo é mais excelente como mediador (cf.
Hb 9.1-28).
(viii) Jesus Cristo é mais excelente em seu sacrifício
vicário (cf. Hb 10.1-18).
(ix) Jesus Cristo é mais excelente porque seu sangue é
mais precioso do que o sangue de Abel, pois é um sangue eterno (cf. Hb 12.24,
13.20).
(x) Jesus Cristo é mais excelente porque é imutável
(cf. Hb 13.8).
Em suma, estas são algumas considerações feitas sobre
a excelência de Cristo a partir da epístola aos Hebreus, que versa sobre a
suma-excelência de Cristo em relação aos símbolos e figuras do judaísmo. A
excelência de Cristo é comprovada diante da sombra dos bens futuros que a lei
mosaica transmitia (cf. Hb 10.1ss); além do que, o próprio rei Davi afirmara
sobre Cristo: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita,
até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1); etc.
13. Com isso, conclui-se aqui esta breve resposta à
infamante e falaciosa sentença do Satãnyahu; de fato, a excelência de Cristo se
mostra rebrilhando mesmo diante dos tolos e imbecis que tendo chegado a altas
posições neste mundo desferem contra Cristo os lixos que possuem no coração; a
excelência de Cristo ecoa em todo o cosmos, e as blasfêmias proferidas contra
Cristo não mudam este fato inexpugnável; de fato, as blasfêmias dos iníquos não
tem poder de mudar a verdade.
Portanto, bendito seja o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, “Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai”, o qual por Deus Pai fora feito para os fiéis: sabedoria, justiça, santificação e redenção (cf. 1Co 1.30); a Cristo glória eternamente, o qual vive e reina em comunhão eterna com o Pai e com o Espírito Santo. Amém.
[1] Albert
Schweitzer, A Busca do Jesus Histórico [3ª ed. São Paulo: Fonte
Editorial, 2009], cap. I, pág. 14.
[2] In: Jürgen
Habermas e Joseph Ratzinger, Dialética da Secularização: Sobre Razão e
Religião [Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2007], pág. 65.
[3] Friedrich
Nietzsche, A Gaia Ciência [São Paulo: Martin Claret, 2012], pról., § 43,
pág. 29.
[4] cf. Santo
Tomás de Aquino, Super Epistolam B. Pauli ad Hebraeos Lectura, proem.
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