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01/05/2026

Resposta sobre abusos litúrgicos

Prólogo.

 

Vossa dileção houvera me indagado as seguintes questões a respeito dos abusos litúrgicos:

I) O que é abuso litúrgico?

II) Qual a causa dos abusos litúrgicos?

III) Qual o efeito dos abusos litúrgicos?

IV) Se os abusos litúrgicos são expressão de doença da alma?

Assim, responder-lhe-ei de modo adequado a cada uma destas questões, a fim de se ter uma explicação mais específica sobre este mal sem-par que assola a cristandade hodierna.

Os abusos litúrgicos são os piores males que se assomaram à vida da Igreja hodierna: pois o abuso litúrgico é tanto rejeição a Deus quanto rejeição de si mesmo.

 

Artigo 1: O que é abuso litúrgico?

 

A abuso litúrgico, ou prostituição litúrgica, é tudo aquilo que é sacrílego em relação a postura e as ações que concernem ao fiel e/ou ao sacerdote dentro da Igreja; onde há um sacrilégio na vida interna da Igreja se tem abuso litúrgico ou prostituição litúrgica. Portanto, o abuso litúrgico é a perversão total da santidade que convém a casa de Deus (cf. Sl 93.5).

 

Artigo 2: Qual a causa dos abusos litúrgicos?

 

A causa do abuso litúrgico é o demônio da luxúria (cf. Os 4.12); por isso, o abuso litúrgico é ao mesmo tempo expressão de engano demoníaco, da corrupção da vida espiritual e da falta de sujeição a Deus. Portanto, os abusos litúrgicos surgem dos enganos do demônio da luxúria, o qual faz com que os fiéis se corrompam espiritualmente e moralmente, e ainda os faz se apartar da sujeição a Deus; pois, os abusos litúrgicos são afronta direta e total contra Deus. Por isso, aqueles que se enlameiam com os abusos litúrgicos não possuem entendimento e são transtornados (cf. Os 4.14).

 

Artigo 3: Qual o efeito dos abusos litúrgicos?

 

O efeito do abuso litúrgico é a imoralidade (cf. Os 4.13); além dos erros litúrgicos na adoração a Deus, os abusos litúrgicos conduzem a vida interna da Igreja para a sujeição e o costume da prática de fornicação e de adultérios. A falta de retidão dos que confessam a fé, as mais das vezes, inere diretamente nos abusos litúrgicos; pois, quem comete abuso litúrgico diante de Deus não tem padrão moral para nada na vida.

Portanto, os efeitos dos abusos litúrgicos são terríveis: fornicação e adultério; ou dito em outros termos, os efeitos dos abusos litúrgicos manifestam-se na promoção de todas as formas de prostituição por parte daqueles que se dizem cristãos. Pois, os que se perdem em meio aos abusos litúrgicos além de desonrarem a Deus também destroem a si mesmos. Por isso, o caminho dos abusos litúrgicos é um caminho de perdição.

 

Artigo 4: Se os abusos litúrgicos são expressão de doença da alma?

 

Os abusos litúrgicos por serem expressão da rejeição a Deus, acabam por também ser rejeição a razão; pois, se alguém sabe pela reta razão que não convém praticar certas ações na Igreja, então ao fazê-lo deliberadamente rejeita a razão; por isso, nos dois sentidos os abusos litúrgicos são rejeição a razão: tanto no sentido natural, na renúncia pessoal ao ato de pensar, quanto no sentido revelacional, na rejeição aos mandamentos divinos.

Com efeito, os abusos litúrgicos são expressão de doença da alma, porque antes foi expressão da rejeição a Deus; pois, aqueles que rejeitam e esquecem-se de Deus acabam por bestializar a si mesmos (cf. Rm 1.20-32); e com os abusos litúrgicos não é diferente: ao cometerem os infamantes abusos litúrgicos se declara nestes atos a rejeição a Deus; logo, os abusos litúrgicos fazem com que os homens se bestializem a si mesmos.

Assim sendo, os abusos litúrgicos se tornam expressão de doença da alma, da morbidade da alma, que ao não encontrar um escape social ou existencial se torna em afronta contra Deus na vida eclesial. O lixo da rejeição a Deus por parte do indivíduo se torna manifesto nos mais variados abusos litúrgicos cometidos de maneira obstinada e vil como modo do indivíduo se divertir, ou seja, de velar de si a própria miséria.

Os abusos litúrgicos são os divertimentos dos insolentes e luxuriosos que ao não se arrependerem das infâmias que praticam tratam de inventar um falso cristianismo onde se é permitido a putaria litúrgica.

 

Epílogo.

 

Ora, espero que estas respostas lhe sirvam bem e espero que consigam explicar vossas indagações; e é bom sempre lembrar que os abusos litúrgicos são fruto da obra do demônio. E se por acaso ainda houve alguma dúvida a este respeito, não hesite em me perguntar. E termina aqui esta resposta. Laudate Deo! 


12/04/2026

Resposta sobre símbolos de devoção pessoal

Prólogo.

 

A ti, caríssimo colega, respondo agora pois vi vossa mensagem na última semana, e não tive tempo para responder-lhe da maneira como considero adequado, dado a importância de vossa indagação a respeito da devoção pessoal. Na verdade, vossa indagação açambarca três aspectos distintos, os quais são:

I) Se utilizar pingente de cruz ou similares é símbolo de fé e de devoção?

II) Se a utilização de redes sociais para propagar mensagens religiosas é símbolo de fé e de devoção?

III) Se tatuagem é símbolo de fé e de devoção?

Com efeito, considero por bem responder-lhe de maneira separada a respeito destes tópicos, a fim de estabelecer uma reflexão adequada sobre os aspectos que tem sido vilipendiados ao se falar sobre a devoção pessoal.

 

Artigo 1: Se utilizar pingente de cruz ou similares é símbolo de fé e de devoção?

 

A utilização de pingente de cruz, ícone de santo ou similares, é uma demonstração pública pessoal de fé; por isso, é símbolo de fé e de devoção; assim sendo, os fiéis que gostarem de se utilizar de pingente de cruz ou de ícones de santos são  autorizados a utilizar das mais diversas formas de cruz para expressar sua fé: seja da cruz com o Cristo, símbolo que Jesus foi crucificado (cf. 1Co 2.2); seja da cruz sem o Cristo, símbolo que Jesus foi ressuscitado (cf. 1Co 15.4); seja da cruz de Cristo com o símbolo de algum título de Cristo, como a cruz do bom pastor, ou a cruz do Jesus misericordioso, ou a cruz comum a alguma situação histórica, como a cruz de Jerusalém, ou a cruz bizantina, etc.; seja da cruz de Cristo no martírio de algum apóstolo, tal como a cruz de Santo André, ou a cruz de São Pedro, etc.; seja a cruz comum a alguma Igreja antiga, tal como a cruz armênia, a cruz etíope, a cruz copta, etc. Apenas se deve ter o cuidado de que a cruz utiliza por um leigo seja uma cruz comum a leigos ou que possa ser utilizada por um leigo; pois, existem algumas espécies de pingente de cruz que são específicas ao sacerdote (cruz presbiteral ou cruz episcopal), bem como somente a quem recebeu o sacramento da ordem é permissível se utilizar de cruz acima de 10cm de cumprimento independente do modelo de pingente. Estas são algumas especificações para evitar erro ou desvio em uma coisa simples. Com isso, a utilização de pingente de cruz, ou de qualquer outro acessório que expressa publicamente a fé, é símbolo de fé e de devoção, desde que usado por quem confessa a fé correta e que vive de acordo com a retidão da fé confessada. Pois, um símbolo de fé, embora não seja amuleto gnóstico, sempre é uma forma adequada de expressar publicamente a fé.

 

Artigo 2: Se a utilização de redes sociais para propagar mensagens religiosas é símbolo de fé e de devoção?

 

A utilização de redes sociais para propagar mensagens religiosas pode ser expressão de fé e de devoção; embora, isto deva ser feito com sobriedade e decência; pois, nem todo cristão precisa necessariamente utilizar rede social somente para evangelizar ou algo similar; o que deve haver é testemunho da fé em tudo o que se faz, principalmente no que se mostra e se publica em redes sociais; assim, aqueles que observando a lei da decência podem utilizar as redes sociais para propagar mensagens religiosas como símbolo de fé e de devoção; mas, principalmente não é tanto o que se propaga, mas o testemunho da vida correta diante de Deus. Por isso, que todo cristão utilize redes sociais com ordem e decência, e que as redes sociais seja para testemunhar a vida correta diante de Deus; se testemunharem com a vida nem sequer precisão de palavras ou mensagens.

 

Artigo 3: Se tatuagem é símbolo de fé e de devoção?

 

A tatuagem não é um símbolo de fé e de devoção; existem muitos sofismas espirituais sendo propagados pela máquina de propaganda globalista a fim de tentarem impregnar passivamente a aceitação do ato de tatuar o corpo; e ainda surgiram muitos que disseram que tatuarem santos ou mensagens bíblicas serve para proteção ou algo similar; de fato, tatuagem não serve de proteção para nada mesmo que se tenha tatuado santos, cruz ou versículos bíblicos; o ato de tatuar o corpo é pecado como já demonstrei noutro escrito (em “Breve Apologia Contra o Ato de Tatuar o Corpo”, e em outros escritos); portanto, mesmo que seja tatuagem de santos ou de qualquer aspecto referente a fé, o ato de tatuar o corpo é pecado; embora a figura de santos e de aspectos concernentes a fé sejam símbolos visíveis da fé, o ato de tatuar o corpo é pecado e sendo pecado torna os símbolos da fé em blasfêmia; uma imagem de santo, ou de Cristo, ou de versículo bíblico, ou de qualquer aspecto concernente a fé, se for utilizada em tatuagem perde completamente a sacralidade tanto do símbolo quanto do corpo; por isso, como o ato de tatuar o corpo é pecado não há proteção divina que surja por causa de tatuagem; o ato de tatuar o corpo é sujeição ao demônio e não proteção divina.

[Excurso]

Outrossim, é que surgiram muitos dizendo que a tatuagem da medalha de São Bento é símbolo de devoção e proteção pessoal; embora São Bento seja um santo que é usado por Deus para proteção contra o maligno, a tatuagem com a medalha de São Bento não é usada por Deus para proteção, pois, como fora dito, o ato de tatuar o corpo é pecado; sendo assim, mesmo se for um símbolo santo como a medalha de São Bento, o ato de tatuar o corpo continua sendo pecado. Aliás, utilizar de símbolos santos em atos pecaminosos é blasfemar contra o Espírito Santo. Portanto, a utilização de santos ou de aspectos concernentes a fé em tatuagem é blasfêmia contra o Espírito Santo, pois é obstinação contra a verdade; etc.

Além disso, a utilização de símbolos santos em atos pecaminosos é a reversão do sagrado; e reversão do sagrado é prática comum a feitiçaria; portanto, a utilização de símbolos santos em atos pecaminosos, tal como em tatuagens, é a formação de um grimório no corpo; por isso, a bruxaria utiliza-se de símbolos cristãos revertendo-os para incentivar o ato de tatuar o corpo a fim de gerar grimórios a partir do sacrilégio com as coisas santas; e no exemplo evocado, na prática infame de tatuagem com a medalha de São Bento, ao invés de honrar a São Bento e a Deus, a tatuagem com medalha de São Bento cria no corpo o grimório de São Bento; o grimório de São Bento, ou o grimório a partir de qualquer outra coisa sacra, é a reversão de algo santo em algo sacrílego dado este algo ser utilizado em uma prática pecaminosa.

Por isso, os que tatuam o corpo com coisas sagradas ao invés de estarem sob a sacralidade destas coisas estão na verdade se sujeitando a feitiçaria. Assim sendo, tatuagem com a medalha de São Bento não é símbolo de fé e de devoção e nem serve para proteção; de fato, a tatuagem com a medalha de São Bento é a sujeitar o próprio corpo ao grimório de São Bento.

 

Epílogo.

 

Ora, concluo esta resposta a vossa indagação em três tópicos a fim de melhor explicar-lhe o que concerne a vossa dúvida; espero que a resposta lhe sirva bem caríssimo colega. E que o Deus Altíssimo lhe conduza a compreensão da verdade à vida na verdade. E termina aqui esta resposta. Laudate Deo! 


27/03/2026

Resposta a Fraternidade Sacerdotal São Pio X

1. Nietzsche, com arguta percepção e cirúrgica descrição, afirmara que “a maneira mais pérfida de prejudicar uma causa é defendê-la propositalmente com más razões”[1]; ora, a sentença nietzschiana se encaixa perfeitamente naquilo que tem sido chamado de “tradicionalismo católico”, especificamente os tradicionalistas lefebvrianos; a maior parte dos tradicionalistas lefebvrianos, que dizem defender a Tradição, são aqueles que mais prejudicam a própria Tradição; pois, os lefebvrianos que dizem defender a Tradição, na verdade, são os mais pérfidos inimigos da Tradição, porque o que dizem defender o fazem “propositalmente com más razões”.

2. E o que Nietzsche quer dizer com “más razões”? Ora, o mesmo que o aquinate dissera com “má intenção”; pois, Sto. Tomás de Aquino afirmara que a doutrina se corrompe ou pelo que se ensina ou pela intenção daquele que ensina (cf. In I Thes., cap. II, lect. 1); a sentença de Nietzsche sobre as “más razões”, coaduna com esta sentença do aquinate a respeito da corrupção da doutrina pela intenção daquele que ensina; os tradicionalistas lefebvrianos que dizem defender a Tradição, na verdade defendem a Tradição com má intenção, com “más razões”.

3. Por isso, compreender este aspecto é fundamental para entender como que a grande maioria dos tradicionalistas lefebvrianos e outros, amparados pelo demônio da luxuria, pervertem a intenção da doutrina: seja porque não possuem retidão na conduta seja porque são movidos pela vontade de poder ideológica. De fato, as ações dos tradicionalistas lefebvrianos, daqueles que “militam” ideologicamente em função de uma “tradição” inexistente, demonstram cabalmente ou falta de retidão ou sujeição a vontade de poder.

4. A mais cabal propriedade dos tradicionalistas lefebvrianos tem sido a perfídia; neste quesito, se assemelham a Lutero e a heresia protestante; de fato, as razões dos lefebvrianos são pérfidas; por isso, os tradicionalistas lefebvrianos tem sido aqueles que mais tem prejudicado a Sagrada Tradição; para exemplificar isso, analisemos a última demanda dos tradicionalistas, na questão das ordenações da “Fraternidade Sacerdotal São Pio X” (doravante, FSSPX); evidentemente, o requerimento da FSSPX, além de teologicamente errôneo, o que deveriam saber por dizerem-se defensores da Tradição, no principium do direito canônico demonstra um erro ainda mais grave. Analisemos estes aspectos.

5. Ora, o requerimento das sagrações episcopais da FSSPX, além obviamente de ferir princípios teológicos fundamentais da teologia católica, tais como a autoridade do primado petrino, a autoridade e a dignidade da sucessão apostólica, o preceito da Tradição Apostólica sobre as ordenações episcopais, etc., também são uma tentativa de coação para com o Romano Pontífice; em suma, o requerimento das sagrações episcopais da FSSPX, é tido como “certo” pelos lefebvrianos devido a dois argumentos: (i) o estado de necessidade; e, (ii) a possibilidade moral e canônica das consagrações.

6. Quanto ao primeiro argumento, em relação a promoção de um suposto de estado de necessidade pela FSSPX, que é tido pelos líderes lefebvrianos como a “razão de ser das consagrações”, se tem, evidentemente, uma série de falácias; pois, a proposição de um estado de necessidade quanto a sagrações episcopais, se dá obviamente em ordem aos governos eclesiásticos diocesanos (ou de administrações apostólicas), amparados pelo governo eclesiástico arquidiocesano ou pelo governo eclesiástico patriarcal; do contrário, não se tem possibilidade formal e nem possibilidade material de estado de necessidade para ordenações episcopais. E este é um raciocínio óbvio de acordo com o modo de operação da Santa Igreja em relação as ordenações episcopais.

Portanto, a ideia de um estado de necessidade evocado pela FSSPX é um sofisma; pois, sequer a ordenação jurídico-canônica da FSSPX permite isso teologicamente; na verdade, nunca antes na história eclesiástica ocorreu um estado de necessidade em relação a ordenação episcopal que não estivesse em ordem a descrição que fora mencionada; e isto, por si, constitui-se de um preceito inviolável da vida interna da Igreja, lembrando do preceito formulado sabiamente por São João Cassiano de que a manifestação da verdade inegável é a autoridade de todos, pois a reta razão residi onde há concórdia e unanimidade[2].

Ora, a verdade inegável a respeito do estado de necessidade fora essa que fora brevemente descrita acima; por isso, neste quesito, a autoridade unânime da Santa Igreja ao longo da história sempre foi a mesma, e permanece inalterável e imutável; e é estranho que aqueles que dizem defender a Tradição não conhecerem o preceito próprio da Tradição Apostólica quanto a esse assunto, o qual, como fora dito, permanece inalterado ao longo dos séculos.

Assim sendo, é mais do que óbvio que não existe estado de necessidade tal como arrolado pela FSSPX; aliás, a falácia de que a alta hierarquia da Igreja está em grave falta espiritual, além de erro teológico, é falta da compreensão sobre a humanidade dos sucessores dos apóstolos; a Tradição, assim como a sucessão apostólica, é infalível, mas não é inerrante.

Portanto, querer inerrância dos sucessores dos apóstolos, ou da alta hierarquia da Igreja, é exigir algo que não é parte da natureza da Igreja como instituída pelo Senhor Jesus Cristo; a Tradição, assim como os sucessores dos apóstolos, estão sujeitos a errarem, como a Sagrada Escritura demonstra (cf. At 10.9-16; Gl 1.11-14); etc.

7. E, quanto ao segundo argumento, em relação a possibilidade moral e canônica das consagrações, o que os senhores da FSSPX promovem abruptamente neste quesito contradiz uma série de princípios doutrinários fundamentais, entre os quais, os três que foram mencionados: (i) o preceito da Tradição Apostólica sobre as ordenações episcopais; (ii) a autoridade do primado petrino; (iii) a autoridade e a dignidade da sucessão apostólica. Com efeito, convém analisar a proposição da FSSPX em relação a possibilidade moral e canônica das consagrações episcopais, a partir deste tripé doutrinário evocado, para com isso compreender o vilipêndio doutrinário destas sagrações episcopais.

8. [i] O preceito da Tradição Apostólica sobre as ordenações episcopais; ora, o mais comum e antigo preceito da Tradição Apostólica sobre as ordenações episcopais, oriundo dos preceitos do Apóstolo (cf. 1Tm 3.1-7), afirma: “Nenhum Bispo deve conceder ordenação fora de sua jurisdição sem permissão dos responsáveis locais”[3]; ou seja, para haver ordenação episcopal há de haver permissão dos responsáveis da Igreja Local, isto é, dos bispos de uma nação ou de uma região diocesana, ou arquidiocesana, ou patriarcal; do mesmo modo, o preceito da Tradição Apostólica ensina que: “Um Bispo será ordenado por dois ou três Bispos”[4], ou seja, a ordenação episcopal só pode ocorrer diante de dois ou três bispos, com o devido consentimento dos sucessores dos apóstolos da região para onde se quer instituir estas ordenações.

Portanto, para haver ordenação episcopal, antes propriamente de se averiguar o preceito do direito canônico, há de se averiguar as características ensinadas pelos Santos Apóstolos e há de se averiguar os preceitos da Tradição Apostólica, para se chegar a um juízo teológico sóbrio quanto ao que concerne a ordenação episcopal; somente depois de aferido estes aspectos é que se pode falar de possibilidade moral e canônica de ordenações episcopais.

E, como o requerimento da FSSPX não cumpre estes requisitos teológicos, então o requerimento das sagrações episcopais da FSSPX não tem base teológica, e por isso não se estabelece em ordem a possibilidade moral e canônica de ordenações episcopais. Ou seja, as ordenações episcopais pretendidas pela FSSPX além de serem anti-teológicas são anti-canônicas.

9. [ii] A autoridade do primado petrino; ora, se a proposição em relação a ordenação episcopal não cumpre o requisito mencionado, então não só se tem a contrariedade ao preceito da Tradição Apostólica em relação a ordenação episcopal, mas também a afronta insolente contra a autoridade do primado petrino; é algo que convém ao Romano Pontífice, o sucessor de São Pedro, ouvindo ou não conselhos de outros bispos ou de quem quer que seja, para designar o que convém sobre a ordenação episcopal diante do juízo e aquiescência de outros bispos.

Portanto, se a FSSPX quer fazer sagrações episcopais sem mandato petrino, então incorrem em afronta a autoridade do sucessor de São Pedro; ou dito em outros termos, incorrem em vituperação da autoridade do primado petrino. Com isso, as sagrações da FSSPX violam a autoridade do Sumo Pontífice; ou no caso, manifestam-se como uma tentativa de usurpação da autoridade do Sumo Pontífice.

E se são tentativa de usurpação, como de fato se constata, então é anátema; pois a mais vil e abjeta ação contra a fé reta e sólida é a usurpação, já que a usurpação é o sentimento mais contrário a fé cristã, como se extrai de uma glosa feita a partir de uma sentença do Apóstolo (cf. Fp 2.5-6); etc.

10. [iii] A autoridade e a dignidade da sucessão apostólica; ora, a proposição da ordenações episcopais da FSSPX não somente são afronta a autoridade petrina, mas igualmente uma afronta e vilipêndio a autoridade e a dignidade da sucessão apostólica; as proposições da FSSPX de fato afrontam a autoridade e a dignidade da sucessão apostólica, pelas razões já mencionadas.

E se se fosse ainda adentrar ao que os Padres da Igreja falam sobre este assunto, se saberia que tal afronta é tão grave quanto as ações e as doutrinas dos heresiarcas antigos; por exemplo, os tradicionalistas que vituperam a autoridade e a dignidade da sucessão apostólica são tão inimigos da fé como foram Marcião, Ário, Pelágio, etc.

Aliás, a vituperação da autoridade e da dignidade da sucessão apostólica, demonstra que aqueles que assim procedem - no caso em voga, a FSSPX -, não só incorrem em usurpação, mas em violação grave da unidade da Igreja.

11. Assim, a partir deste tripé doutrinário para a explicação das ordenações episcopais, se compreende que não existe possibilidade moral e nem canônica das consagrações episcopais da FSSPX; e nem se precisou adentrar na compreensão do principium do direito canônico a este respeito; pois, como é mais do que óbvio o direito canônico emerge da Tradição Apostólica; assim, se pois a partir da autoridade da Sagrada Tradição se tem a confutação do que os senhores da FSSPX dizem ser uma possibilidade moral e canônica das sagrações, então nem sequer se precisa evocar a análise a partir do direito canônico. Se não tem fundamento teológico não tem fundamento no direito canônico.

12. Além destes aspectos concernentes a sagrada teologia diante da atitude da FSSPX de instituir estas sagrações sem o mandato apostólico, arrolando para estas sagrações o estado de necessidade e a possibilidade moral e canônica das consagrações, e querendo que o Romano Pontífice aprove tal sagrações a partir destes argumentos, o que de fato a FSSPX está fazendo é uma tentativa de coagir o sucessor de São Pedro; se não tem ordem teológica e hierárquica adequada para tais sagrações episcopais, então, ao quererem que o Romano Pontífice aprove isso, se tem de fato uma tentativa de coagir o Papa a aprovar algo sem a devida ordem para tais sagrações.

Ora, a tentativa de coagir o Romano Pontífice é cisma; pois, é parte do que é descrito no direito canônico como recusa da sujeição ao Sumo Pontífice (vd. apêndice)[5]; a recusa a se sujeitar ao Sumo Pontífice não somente é manifesta na desobediência hierárquica, mas também na tentativa de exercer pressão ou coação para pressionar o Sumo Pontífice contra sua livre vontade ou contra a liberdade inerente a Sua autoridade na vida interna da Igreja; portanto, a ação dos senhores da FSSPX consiste em cisma. E este é um dos delitos/pecados mais graves, não só na teologia sagrada, mas também no direito canônico.

Assim sendo, o requerimento da FSSPX com relação as sagrações episcopais, constitui-se em cisma, pois é uma tentativa de coagir o Sumo Pontífice, já que tais sagrações não tem fundamento teológico; portanto, por todos os meios fica mais do que evidente que as consagrações episcopais da FSSPX se constituem em ato cismático.

13. E, por fim, ao escrever contra os tradicionalistas lefebvrianos diante da indecente coação da FSSPX para ordenações episcopais, principalmente os lefebvrianos do meio midiático, aproveito o ensejo para falar sobre a nefanda conduta dos tradicionalistas lefebvrianos que querem defender a Tradição sem viverem em retidão; pois, segundo o Apóstolo: “requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel” (1Co 4.2), ou seja, para se defender a Tradição se deve antes haver retidão, fidelidade absoluta a Deus e obediência total aos Seus mandamentos; assim, é mais do que óbvio que os mais pérfidos inimigos da Tradição são aqueles que querem defender a Tradição ou ensinar a fé, mas não possuem retidão para tal; assim sendo, para se defender a Tradição é necessário caráter ilibado e conduta reta.

14. Deste modo, se constata alguns exemplos terríveis no caso de alguns dos lefebvrianos brasileiros; pois, se percebe as seguintes ações nefandas do lefebvrianismo midiático no Brasil e em outros países:

(i) querem ensinar sobre a fé, mas não conhecem a fé: tanto por falta de conhecimento doutrinário quanto por falta de retidão moral.

(ii) dizem conhecer algo sobre a fé, quando na verdade cometem as mais terríveis imbecilidades sobre as conclusões racionais; e como é que querem defender a fé se são imbecis; a imbecilidade mórbida que propagam é um terrível inimigo da fé, pois a irracionalidade é obra do demônio (cf. 2Ts 2.11s).

(iii) dizem defender algo, mas o fazem com “más razões”, com a intenção corrompida. Pois, requer que aqueles que defendam a fé, o façam com a intenção santa.

(iv) querem ensinar sobre modéstia, mas não possuem moralidade sexual; não há modéstia onde não há moralidade sexual; a mais terrível afronta a modéstia é justamente a prática da imoralidade sexual; e os que ensinam sobre modéstia, as mais das vezes mulheres, principalmente aquelas que estão na mídia, não possuem retidão moral para ensinar sobre modéstia; pois, estas pífias tradicionalistas lefebvrianas que querem ensinar sobre modéstia são mulheres que vivem em promiscuidade sexual (ou nos termos bíblicos, em prostituição), e estas são as que insolentemente e luxuriosamente que querem ensinar sobre modéstia; estas são as mais pérfidas inimigas da modéstia.

(v) atacam a hierarquia da Igreja afirmando que não possuem moral ou algo similar, quando na verdade são os próprios tradicionalistas lefebvrianos que estão envoltos nas mais terríveis imoralidades e/ou sandices.

15. Assim, se percebe que a nefanda conduta dos lefebvrianos midiáticos, a partir dos aspectos supramencionados, é expressão de: (i) falta de conhecimento (cf. Jr 6.10, 9.6); (ii) imbecilidade (cf. Sl 10.4); (iii) intenção corrompida (cf. Jr 5.25-28); (iv) imoralidade sexual (cf. Jr 3.9); (v) hipocrisia e descaro (cf. Mt 12.34); etc. Com efeito, se observa que neste tipo de tradicionalismo, se tem todo tipo de infâmia condenada veementemente na Sagrada Escritura; e os tais são os que se dizem defensores da Tradição; por isso, a sentença cirúrgica de Nietzsche evocada no início se encaixa perfeitamente nos tradicionalistas lefebvrianos: “a maneira mais pérfida de prejudicar uma causa é defendê-la propositalmente com más razões”. As “más razões”, a intenção corrompida dos lefebvrianos são expressão inconcussa de que são movidos pela vontade de poder e não pela santidade que busca defender a verdade.

16. Deste modo, o que fora dito basta por enquanto para confutar os ignóbeis tradicionalistas lefebvrianos a respeito tanto da vil tentativa de coagir o Romano Pontífice em relação as ordenações episcopais declaradas pela FSSPX, quanto para demonstrar que num geral, com poucas exceções, os lefebvrianos, principalmente os lefebvrianos midiáticos, não possuem retidão para sequer se dizerem “cristãos”.

Este é apenas um escrito generalíssimo a este respeito, mas que é mais do que suficiente para demonstrar a falta de fundamento teológico nas sagrações da FSSPX e para declarar, a guisa de introdução, a nefanda conduta daqueles que, movidos pela vontade de poder, dizem defender a Tradição, quando na verdade são os mais pérfidos inimigos da Sagrada Tradição. 

17. E termina aqui este escrito. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém. 


Apêndice:

Breve Explicação do Cânon 751 do Código de Direito Canônico.


No livro III do “Código de Direito Canônico”, Cânon 751, se diz o seguinte: “Diz-se heresia a negação pertinaz, depois de recebido o baptismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou ainda a dúvida pertinaz acerca da mesma; apostasia, o repúdio total da fé cristã; cisma, a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos”. 

Este Cânon é dividido em três partes: a primeira, na qual se fala da heresia: “Diz-se heresia, etc.”; a segunda, na qual se fala da apostasia: “apostasia, etc.”; a terceira, na qual se fala de cisma: “cisma, etc.”.

Especificamente aqui explicar-se-á brevemente no que consiste a terceira parte, a respeito de cisma. Pois, obviamente, heresia e apostasia são a antessala de algum ato cismático.

No entanto, a substância do cisma de fato é a recusa consciente em sujeitar-se ao Sumo Pontífice; e a recusa em sujeitar-se ao Sumo Pontífice manifesta-se de três modos: primeiro, com a desobediência a autoridade do Sumo Pontífice; segundo, com a usurpação da autoridade do Sumo Pontífice; terceiro, com a tentativa de coagir o Sumo Pontífice a fazer algo que convém a Sua autoridade apostólica.

Portanto, se houver manifestação consciente e deliberada de algum destes três aspectos, então se tem ato cismático; aliás, as formas de recusa a sujeitar-se ao Sumo Pontífice, também são um vilipêndio total contra um dos pilares da fé católica-romana, a autoridade do Magistério; a recusa em sujeitar-se ao Sumo Pontífice no que compete à Sua Autoridade apostólica é rejeição de todo o Magistério.

Deste modo, seja na desobediência ao Sumo Pontífice, seja na usurpação da autoridade do Sumo Pontífice, ou na tentativa de coagir o Sumo Pontífice, se tem ato cismático; e todo ato cismático é uma afronta e escárnio tanto do Magistério Vivo quanto do Magistério Histórico da Santa Igreja, isto é, é afronta terrível tanto ao Sumo Pontífice em exercício quanto aos Pontífices que já morreram. 

Assim, se alguma ação ou doutrina se enquadra nesta descrição, então de acordo com o direito canônico se tem cisma. E a questão da coação para com o Sumo Pontífice é o mais vilipendioso, nefasto e demoníaco ato cismático. 



[1] Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência [São Paulo: Martin Claret, 2012], livro III, n. 191, pág. 132. 

[2] cf. São João Cassiano, De Incarnatione, I, cap. 6. 

[3] Cânones Apostólicos, § 25. 

[4] Ibidem, § 1. 

[5] cf. Código de Direito Canônico, livro III, cân. 751. 


23/03/2026

A Sublimidade de Cristo: Resposta ao Satãnyahu

1. A dignidade de um indivíduo é aferida a partir do que este indivíduo fala de Cristo; e isto é uma regra válida tanto para cristãos quanto para não-cristãos; na verdade, psicologicamente se pode afirmar de maneira cabal que quando alguém fala de Cristo este alguém desvela o próprio estado de sua alma; quanto mais ilogicidade uma pessoa promove mais imbecilidades profere sobre Cristo; e quanto mais abominações alguém pratica mais ódio este alguém manifesta contra Cristo.

2. Na verdade, diante de infâmias ditas contra Cristo, se volve a memória a imorredoura sentença de Albert Schweitzer: “não há tarefa histórica que revele o verdadeiro interior de um homem como a de escrever uma Vida de Jesus”[1]; ou dito em outros termos, não há divã que revela o verdadeiro interior de um homem do que o que este homem profere sobre Cristo; um antigo provérbio árabe dizia que se mede a dignidade de um homem pela qualidade de seus inimigos; e neste mesmo sentido, se mede a excelência de alguém pelo que é dito a seu respeito: não só por homens ilustres e honrados, mas também pelos tolos e imbecis; pois, o elogio de homens ilustres mostra a grandeza de alguém, mas também as tolices e imbecilidades ditas pelos idiotas também mostram a sublimidade de alguém.

3. Em relação a Cristo se dão ambas as coisas: tanto o elogio de pessoas ilustres, quanto a imbecilidade dos retardados; os homens ilustres honram-No e glorificam-No; mas os imbecis e tolos tentam desonrá-lo, ao passo que ao fazê-lo cometendo tantas aberrações, ilogicidades e imbecilidades demonstram a sublimidade do que criticam, pois ninguém inventa mentiras e tolices contra alguém que não tem excelência; as maiores e a mais abruptas mentiras, tolices e imbecilidades são ditas contra os maiores homens e os homens mais excelentes; e não há ninguém tão maldito e ridicularizado pelos imbecis e pelos tolos quanto Cristo; portanto, isso por si já demonstra a suma-excelência de Cristo.

E mesmo diante de tolices, imbecilidades e vilezas, a excelência de Cristo continua a brilhar fulgurantemente; com efeito, tolices, vilezas, infâmias e imbecilidades não ofuscam a glória de Cristo; em contrapartida, tolices, vilezas, infâmias e imbecilidades proferidas contra Cristo demonstram a nefanda indignidade de quem as profere. Como o próprio Dr. Schweitzer dissera, os homens criam um Jesus de acordo com seu próprio caráter; quanto mais pérfido e abjeto for o caráter de alguém, mais tolices e vilezas proferirá sobre Cristo.

4. E diante das vilezas ditas contra Cristo pelo atual primeiro-ministro de Israel, o sr. Satãnyhu, se faz necessário uma resposta a este vil baalita; ora, este vil baalita disse o seguinte: “a história prova que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se você for forte o suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente, o mal superará o bem”; esta sentença do sr. Satãnyahu, demonstra uma série de imbecilidades, o qual se utiliza dos seguintes argumentos: (i) o argumento da história; (ii) o argumento da força; (iii) o argumento moral. Na sentença do Satãnyahu se tem, consciente ou não, estes três argumentos, os quais são todos utilizados de forma falaciosa e sofística; na verdade, a sentença do Satãnyahu sobre Cristo é um amontoado de imbecilidades, falácias e vilezas.

5. Ora, diante desta afirmação infame do Satãnyahu, se faz necessário confutá-la. Em primeiro lugar, se confuta o argumento da história; pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan”; ora, para se evocar o argumento da história há de se ter provas e evidências históricas; e não há nenhuma prova histórica de que alguém tenha vantagem sobre Cristo; na verdade, o argumento da história prova a veracidade e a sublimidade de Cristo; para a falácia do Satãhyanu Gengis Khan tem vantagem sobre Cristo; no entanto, em toda a história precedente ninguém fala sobre Gengis Khan e o que Gengis Khan construiu acabou.

Portanto, pelo argumento da história, sem nem mencionar Cristo, se sabe que Gengis Khan conquanto tenha sido uma figura histórica na época em que viveu, nada na história precedente o menciona e nem a história subsequente continua suas conquistas, pois o Império Mongol acabou. Todavia, ao se falar de Cristo, toda a história que o precede o menciona, e o que Cristo construiu continua incólume com o passar dos séculos e há de continuar até o fim dos tempos.

6. Assim, pelo argumento da história, em confutação a sentença vil do Satãnyahu, se prova a excelência de Cristo e se demonstra a infinita vantagem que Cristo tem sobre Gengis Khan ou sobre qualquer outro líder histórico ou religioso; ora, pelo argumento da história se prova de dois modos que Cristo é mais excelente: primeiro, pelas profecias bíblicas; segundo, pelos ditos dos povos antigos.

Ora, em relação centenas de profecias bíblicas, se menciona as seguintes:

(i) Cristo é Filho de Deus (cf. Sl 2.7).

(ii) Cristo será ressuscitado do túmulo (cf. Sl 16.10).

(iii) Deus desamparará Cristo em sua agonia (cf. Sl 22.1).

(iv) Cristo sofrerá zombaria e ridicularização (cf. Sl 22.7-8).

(v) Cristo será odiado (cf. Sl 35.19).

(vi) Cristo será traído por um amigo íntimo (cf. Sl 41.9).

(vii) Cristo receberá vinagre e fel (cf. Sl 69.21).

(viii) Cristo nascerá de uma virgem (cf. Is 7.14).

(ix) Cristo será chamado de Emanuel (cf. Is 9.6).

(x) Cristo sofrerá de maneira abrupta e cruel (cf. Is 53.1-12).

(xi) Cristo nascerá em Belém da Judeia (cf. Mq 5.2).

E todas estas profecias foram cumpridas a risca, nos mínimos detalhes. Nenhum outro nome de importância na história mundial, seja religioso ou não, teve profecias sobre sua vinda; somente Cristo teve sua vinda profetizada desde o início do mundo.

7. E, em relação aos ditos dos povos antigos, se evoca os seguintes:

(i) Tácito dissera para os romanos que do Oriente, da Judeia, viria o Mestre e o Senhor do Mundo.

(ii) Nos “Anais do Império Celestial”, se diz que apareceu uma luz no palácio imperial; o imperador chinês, dado o resplendor desta luz, tratou de interrogar os sábios; e estes, por sua vez, trouxeram-lhe livros para lhe mostrar que este prodígio e sinal significava o aparecimento (nascimento) de um grande Santo no Ocidente.

(iii) Ésquilo, em “Prometeu”, dissera que Deus surgiria entre os homens para aceitar sobre si a maldição pelos pecados dos homens.

(iv) Platão, em “A República”, dissera que quando surgisse no mundo um homem justo, moralmente perfeito, os homens o açoitariam, o torturariam e o crucificariam.

(v) Vírgilio, nas “Bucólicas”, descreve uma mulher casta que tendo tido um filho se alegra, pois este filho poria fim a férrea gente (ou em termos teológicos, que salvaria seu povo de seus pecados [cf. Mt 1.21]).

Entre tantos outros relatos; de fato, todas as expectativas dos povos antigos, dos pagãos, também se cumpriram em Cristo. Isso se prova pelo fato de que os reis magos, representantes da expectativa dos povos pagãos, vieram para adorar a Cristo ao saberem que este havia nascido (cf. Mt 2.1-12); etc.

8. Em segundo lugar, se confuta o argumento da força; pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se você for forte o suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente”; o argumento do Satãnyahu envolve-se da dialética da força; e este argumento tanto permeia a esfera público-estatal quanto a esfera individual; ora, em sentido público-estatal, como afirmara Joseph Ratzinger, “o que deve prevalecer não é o direito do mais forte e sim a força do direito”[2]; portanto, na esfera pública-estatal o argumento da força é anti-jurídico e é parte de um belicismo perigoso e assaz prejudicial; etc. E, quanto a esfera individual, é mais do que clarividente de que quem precisa comprovar algo pela força física ou bélica não tem caráter e nem tem dignidade; a força de alguém está na mansidão com que vive, pois a herança da terra é dos mansos e não dos belicosos/truculentos (cf. Sl 37.11).

9. Além do que, o argumento da força, utilizado falaciosamente pelo Satãnyahu, demonstra uma total petição de princípio: pois, a suficiência de algo não se mostra pelo poder ou pela impiedade, mas pela virtude; impetuosidade e poderio são apenas dois nomes para designar um sucesso mundano que é talhado sob os altares da desonra; a respeito disso, Nietzsche houvera alertado: “É à glória que aspiras? / Nessa caso consideres esta lição: / Renuncia a tempo e espontaneamente / À honra!”[3]; de fato, quem quer honra mundana, isto é, poder e força neste mundo, necessariamente tem de renunciar a honra.

Ora, a “força suficiente, etc.” que o Satãnyahu propaga não é outra coisa senão a desonra que alguém se submete para alcançar sucesso e fama neste mundo; aliás, o texto sagrado também fala contra os judeus quando estes a fim de obterem riquezas e domínio praticam canibalismo e outras abominações (cf. Ez 33.25-26); etc. Assim, pois, se confuta o argumento da força utilizado pelo Satãnyahu, para demonstrar a defasada, inútil e vil visão de mundo que permeia os sionistas; além do que, se os sionistas utilizam-se de maneira neurótica do argumento da força, não podem reclamar se esta força também for utilizada contra os próprios sionistas. Pois, como diz o Senhor Jesus: “porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão” (Mt 26.52).

10. Em terceiro lugar, se confuta o argumento moral; pois, segundo o sr. Satãnyahu: “a história prova que, infelizmente, Jesus Cristo não tem vantagem sobre Gengis Khan, porque se você for forte o suficiente, impiedoso o suficiente, poderoso o suficiente, o mal superará o bem”; o argumento moral do Satãnyahu demonstra a toda indignidade moral do próprio Satãnyahu; a utilização do argumento moral para embasar vilezas e abominações é a confissão velada de quem comete tais abominações; mas, como este argumento fora utilizado de maneira sofística, convém confutá-lo.

Com efeito, em toda a história mundial se constata um fato indubitável, a saber, o mal nunca triunfa sobre o bem; ainda que o mal possa se avolumar e em alguns momentos pareça vencer, no final o bem sempre triunfa sobre o mal; pois, falta ao mal um fundamento metafísico; o mal é ausência de bem; o mal só vence de maneira temporária e parcial enquanto há ausência de bem; mas, diante de uma só mínima fagulha de bem, o mal começa a ser dissolvido.

Assim, o argumento moral utilizado pelo Satãnyahu por si se demonstra uma falácia; pois, a moral se dá em ordem ao bem e não em ordem ao mal; logo, o argumento moral só é utilizado corretamente em função do bem, ou para refutar o mal; quem se utiliza do argumento moral para desqualificar o bem e enaltecer o mal em si mesmo já comete sofisma no próprio argumento, ou seja, quem assim o faz demonstra ilogicidade e retardo mental.

11. Assim, se tem a confutação da sentença iniqua do Satãnyahu; no entanto, a guisa de peroração, convém mencionar no que consiste a sublimidade de Cristo; e para isso, se evoca as sentenças inspiradas da epístola aos Hebreus, para demonstrar, a partir dos tipos judaicos, que Cristo é superior a toda a lei mosaica e suas cerimônias; pois, a epístola aos Hebreus, segundo Sto. Tomás de Aquino, versa sobre a excelência de Cristo[4]; portanto, ao se mencionar topicamente a excelência de Cristo de acordo com a epístola aos Hebreus, se propugna o dito do salmista que demonstra cabalmente isso: “Entre os deuses não há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas” (Sl 86.8); etc.

12. Ora, deste modo, se evoca os seguintes argumentos sobre a excelência de Cristo a partir da epístola aos Hebreus:

(i) Jesus Cristo é mais excelente do que os anjos (cf. Hb 1.4-2.18).

(ii) Jesus Cristo é mais excelente do que Moisés (cf. Hb 3.1-4.13).

(iii) Jesus Cristo é mais excelente do que os antigos sumo-sacerdotes (Hb 4.14-6.20).

(iv) Jesus Cristo é mais excelente do que Melquisedeque (cf. Hb 7.1-22).

(v) Jesus Cristo é mais excelente como sumo-sacerdote (cf. Hb 7.23-28).

(vi) Jesus Cristo instituiu um pacto melhor e mais excelente do que o pacto da antiga aliança (cf. Hb 8.1-13; 2Co 3.1-18).

(vii) Jesus Cristo é mais excelente como mediador (cf. Hb 9.1-28).

(viii) Jesus Cristo é mais excelente em seu sacrifício vicário (cf. Hb 10.1-18).

(ix) Jesus Cristo é mais excelente porque seu sangue é mais precioso do que o sangue de Abel, pois é um sangue eterno (cf. Hb 12.24, 13.20).

(x) Jesus Cristo é mais excelente porque é imutável (cf. Hb 13.8).

Em suma, estas são algumas considerações feitas sobre a excelência de Cristo a partir da epístola aos Hebreus, que versa sobre a suma-excelência de Cristo em relação aos símbolos e figuras do judaísmo. A excelência de Cristo é comprovada diante da sombra dos bens futuros que a lei mosaica transmitia (cf. Hb 10.1ss); além do que, o próprio rei Davi afirmara sobre Cristo: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1); etc.

13. Com isso, conclui-se aqui esta breve resposta à infamante e falaciosa sentença do Satãnyahu; de fato, a excelência de Cristo se mostra rebrilhando mesmo diante dos tolos e imbecis que tendo chegado a altas posições neste mundo desferem contra Cristo os lixos que possuem no coração; a excelência de Cristo ecoa em todo o cosmos, e as blasfêmias proferidas contra Cristo não mudam este fato inexpugnável; de fato, as blasfêmias dos iníquos não tem poder de mudar a verdade.

Portanto, bendito seja o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, “Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai”, o qual por Deus Pai fora feito para os fiéis: sabedoria, justiça, santificação e redenção (cf. 1Co 1.30); a Cristo glória eternamente, o qual vive e reina em comunhão eterna com o Pai e com o Espírito Santo. Amém. 



[1] Albert Schweitzer, A Busca do Jesus Histórico [3ª ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2009], cap. I, pág. 14.

[2] In: Jürgen Habermas e Joseph Ratzinger, Dialética da Secularização: Sobre Razão e Religião [Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2007], pág. 65.

[3] Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência [São Paulo: Martin Claret, 2012], pról., § 43, pág. 29.

[4] cf. Santo Tomás de Aquino, Super Epistolam B. Pauli ad Hebraeos Lectura, proem. 


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