Ó filósofo
do martelo,
tu indagaste
e interrogaste
a verdade
em seu elo
para
proclamá-la em haste.
Nas
extemporâneas considerações,
demonstraste
o que guia a cultura:
o ímpeto do
eu em suas variegações
que se
manifesta em ou não desenvoltura.
E no que é
demasiado humano
explicou o
que é a humanidade;
humanismo assaz
atérmano
que desvela
o valor da verdade.
E ao
desvelar o futuro
cantou para
os homens a Aurora,
que
transforma o clarão em escuro
tornando a
verdade uma espora.
Para os
homens do conhecimento
edificaste
a Gaia Ciência,
do saber
hodierno o portento,
mostrando
aos sábios sua insapiência.
Com
Zaratustra aprendeste a indagar,
e a tudo e
a todos nivelar pela verdade;
e com isso
entendeu-se que o laborar
do sábio
consiste em experienciar a bondade.
Aos homens
sem nenhum padrão
desvelaste
o que está além do bem e do mal,
ensinando
que a verdadeira autocorreção
é encontrar
no próprio eu da vida o fanal.
Diante da
moral assaz corrompida
dispuseste
da moral a genealogia,
pois se a
verdade está esquálida
a moral se
transforma em causa doentia.
Por isso,
os terríveis ídolos hodiernos
dominam os
homens tidos como modernos;
a fase
crepuscular do divino
o torna
para os homens algo anódino.
Para o vil
e falso cristianismo
o Anticristo
surge como profeta,
que
confrontando o falso religiosismo,
testemunha
de Cristo de maneira correta.
E depois de
filosofar e escrever,
deste a
conhecer a si mesmo como homem;
e ao dizer quem
era, para o saber
erigiste
como obra um grande bem.
A vontade
de poder não é mera vontade,
antes é a
sedução da magia do extremo;
pois, assim
o próprio eu se torna a verdade
retirando
da reta razão o seu termo.
Eis o
homem, eis o pensador;
eis o
egrégio martelador
dos ídolos
e das meias verdades
demonstrando
as falsas realidades.