25/08/2026

Sobre Friedrich Nietzsche

Ó filósofo do martelo,

tu indagaste e interrogaste

a verdade em seu elo

para proclamá-la em haste.

 

Nas extemporâneas considerações,

demonstraste o que guia a cultura:

o ímpeto do eu em suas variegações

que se manifesta em ou não desenvoltura.

 

E no que é demasiado humano

explicou o que é a humanidade;

humanismo assaz atérmano

que desvela o valor da verdade.

 

E ao desvelar o futuro

cantou para os homens a Aurora,

que transforma o clarão em escuro

tornando a verdade uma espora.

 

Para os homens do conhecimento

edificaste a Gaia Ciência,

do saber hodierno o portento,

mostrando aos sábios sua insapiência.

 

Com Zaratustra aprendeste a indagar,

e a tudo e a todos nivelar pela verdade;

e com isso entendeu-se que o laborar

do sábio consiste em experienciar a bondade.

 

Aos homens sem nenhum padrão

desvelaste o que está além do bem e do mal,

ensinando que a verdadeira autocorreção

é encontrar no próprio eu da vida o fanal.

 

Diante da moral assaz corrompida

dispuseste da moral a genealogia,

pois se a verdade está esquálida

a moral se transforma em causa doentia.

 

Por isso, os terríveis ídolos hodiernos

dominam os homens tidos como modernos;

a fase crepuscular do divino

o torna para os homens algo anódino.

 

Para o vil e falso cristianismo

o Anticristo surge como profeta,

que confrontando o falso religiosismo,

testemunha de Cristo de maneira correta.

 

E depois de filosofar e escrever,

deste a conhecer a si mesmo como homem;

e ao dizer quem era, para o saber

erigiste como obra um grande bem.

 

A vontade de poder não é mera vontade,

antes é a sedução da magia do extremo;

pois, assim o próprio eu se torna a verdade

retirando da reta razão o seu termo.

 

Eis o homem, eis o pensador;

eis o egrégio martelador

dos ídolos e das meias verdades

demonstrando as falsas realidades.


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