Proêmio.
1. “Estejam na sua garganta os altos louvores de
Deus e espada de dois fios, nas suas mãos” (Sl 149.6); ora, estas palavras
competem à matéria e ao assunto do cântico de Maria; pois, a Virgem Santa
entoou com sua voz os altos louvores de Deus tendo em sua mão, isto é, em seu
coração, a espada de dois fios, ou seja, a Sagrada Escritura (cf. Hb 4.12). O
hino da Virgem Maria é testemunho inconcusso de que somente se deve entoar a
Deus louvores que estejam de acordo com Sua Santa Palavra. “Os teus
estatutos têm sido os meus cânticos no lugar das minhas peregrinações” (Sl
119.54).
2. Ora, o hino de Maria demonstra duas coisas:
primeiro, a retidão da Virgem Santa, pois quem vive em piedade fala das
palavras de Deus, já que os mandamentos de Deus são justiça à quem crê. “E
creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça” (Gn 15.6). “A
minha língua falará da tua palavra, pois todos os teus mandamentos são justiça”
(Sl 119.172). Segundo, a confissão salvífica da Virgem Santa, pois aqueles que
desejam a salvação de Deus tem na lei do Senhor o seu prazer. “Tenho
desejado a tua salvação, ó Senhor; a tua lei é todo o meu prazer” (Sl
119.174). Portanto, a excelência da fé é manifesta pelo sacrifício de louvor a
Deus, ou seja, pela confissão verdadeira e pelos lábios sinceros que louvam e
adoram ao Deus Altíssimo. “Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus
sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome”
(Hb 13.15).
Adentremos, pois, a explicação do Magnificat
para compreender as maravilhosas verdades transmitidas no hino entoado pela Virgem
Maria.
Lição 1 - Lc 1.46-50
(46) Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao
Senhor, (47) e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, (48) porque
atentou na humildade de sua serva; pois eis que, desde agora, todas as gerações
me chamarão bem-aventurada. (49) Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e
Santo é o seu nome. (50) E a sua misericórdia é de geração em geração sobre os
que o temem.
1. Os hinos são uma das mais belas expressões da fé
verdadeira; e se tem na Sagrada Escritura muitos hinos de inestimável valor; o
mais belo dos hinos bíblicos sem sombra de dúvida é o Magnificat, o
cântico da Virgem Maria, o hino daquela que recebeu a honra de ser a mãe do
Filho de Deus; este hino é sublime não somente pela honra de quem o entoa, mas
pelo fulgor de seu conteúdo; a sublimidade do Magnificat é manifesta não
porque quem o entoara fora a Mãe do Salvador, mas pela beleza e fidelidade de
seu conteúdo que sintetiza todo o Velho Testamento. O Magnificat
testemunha de maneira cabal o profundo conhecimento bíblico que a Virgem Maria
cultivou em sua vida de santidade; além do que, a partir do Magnificat
se constata que a Virgem Maria também é imaculada na interpretação da Sagrada
Escritura.
2. O cântico de Maria pode ser aclarado a partir da
sentença do salmista: “Falarei da magnificência gloriosa da tua majestade e
das tuas obras maravilhosas” (Sl 145.5); o Magnificat é a Virgem
Santa falando da magnificência gloriosa da majestade divina e de suas obras
maravilhosas, e da mais maravilhosas de todas as obras divinas, a encarnação de
Deus, o advento da humildade. Ora, o cântico de Maria é subdividido em duas
partes: a primeira, na qual se tem a confissão pessoal da Virgem Maria (v.
46-50); a segunda, na qual se tem a declaração de fé da Virgem Maria (v.
51-56).
3. E, quanto a primeira parte, a confissão da Virgem
Maria, se a subdivide igualmente em duas partes: a primeira, na qual a Virgem
Maria adora a Deus como Salvador (v. 46-48); a segunda, na qual a Virgem Maria
louva a Deus como Abençoador (v. 49-50).
4. Ora, quanto a primeira parte, a Virgem Maria faz
quatro coisas: primeiro, engrandece ao Senhor: “Disse, então, Maria: A minha
alma engrandece ao Senhor” (v. 46); ora, somente quem se deleita e se
gloria no Senhor é que o engrandece; a Virgem Maria ao engrandecer ao Senhor
demonstra que se gloria e se deleita n’Ele. “A minha alma se gloriará no
Senhor; os mansos o ouvirão e se alegrarão” (Sl 34.2). Pois, o deleite da
fé é estar na presença de Deus, já que a alma que engrandece ao Senhor encontra
no relacionamento com Deus abundância de alegrias. “Far-me-ás ver a vereda
da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há
delícias perpetuamente” (Sl 16.11). E o gloriar-se da fé se manifesta em
conhecer a Deus: “Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e
saber que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra;
porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jr 9.24).
5. Segundo, expõe a causa de sua alegria: “e o meu
espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (v. 47); ora, a alegria da Virgem
Maria está no Senhor; a Virgem Santa engrandece ao Senhor, e nisto mesmo
encontra sua alegria, já que ao engrandecer ao Senhor também se alegra n’Ele
como o Salvador; pois, aqueles que recebem a Deus como Salvador encontram a
alegria nas águas das fontes da salvação. “E vós, com alegria, tirareis
águas das fontes da salvação” (Is 12.3). Na verdade, quanto mais o amor a
Deus aumenta no fiel, mais a alegria lhe é aumentada por Deus; pois, a medida
do amor a Deus é a medida da alegria dispensada no coração. “Tu
multiplicaste este povo e a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante
ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando se repartem os despojos”
(Is 9.3). Por esta razão, a alegria que provém do Senhor é a força dos eleitos
nesta vida. “portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a
vossa força” (Ne 8.10c).
6. Terceiro, descreve seu estado: “porque atentou
na humildade de sua serva” (v. 48a); ora, a Virgem Santa ao engrandecer o
seu Salvador, trata de descrever seu estado, isto é, de descrever sua condição,
a saber: “humildade”; ou seja, ao engrandecer a Deus como Salvador
reconhece sua própria miséria. O Deus Altíssimo atenta na humildade daqueles
que se chegam a Ele em contrição e confissão. “Os sacrifícios para Deus são
o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó
Deus” (Sl 51.17). Pois, é parte da virtude da fé reconhecer a própria
miséria espiritual diante de Deus. “Mas todos nós somos como o imundo, e
todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; e todos nós caímos como a
folha, e as nossas culpas, como um vento, nos arrebatam” (Is 64.6). Com
efeito, quanto mais reconhecimento sincero da própria miséria mais se recebe da
misericórdia de Deus, do mel saído da rocha. “E eu o sustentaria com o trigo
mais fino e o saciaria com o mel saído da rocha” (Sl 81.16).
7. Quarto, declara humildemente a honra que lhe fora
conferida: “pois eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão
bem-aventurada” (v. 48b); ora, a humildade da Virgem Maria lhe trouxera uma
honra que lhe fora conferida de forma única e exclusiva, a saber: todas as
gerações a chamarão de bem-aventura, de venturada, de beata, de abençoada; e a
bem-aventurança da fé está em se gloriar em Deus. E quem confia em Deus e vive
em retidão o próprio Deus se digna a outorgar graça e glória. “Porque o
Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem
algum aos que andam na retidão” (Sl 84.11). E a glória outorgada à Virgem
Maria é de ser a mais abençoada entre as mulheres, e de ter sua honra
rememorada e reafirmada de geração em geração até o fim dos tempos. Os fiéis do
passado, do presente e do futuro possuem uma mesma confissão a respeito da mãe
do Salvador, a saber, ela é bem-aventurada de geração em geração, tal como
dissera Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres, e é bendito o fruto do teu
ventre!” (Lc 1.42).
8. E, quanto a segunda, a Virgem Santa faz três
coisas: primeiro, declara que Deus fez grandes coisas por ela: “Porque me
fez grandes coisas o Poderoso” (v. 49a); ora, a Virgem Maria reconhece que
Deus fez grandes coisas a seu favor; e esta é a razão de sua alegria; pois, o
coração se alegra ao compreender que Deus realiza grandes coisas. “Grandes
coisas fez o Senhor por nós, e, por isso, estamos alegres” (Sl 126.3). E a
alegria de entender o agir poderoso de Deus é uma alegria completa e perfeita. “Tenho-vos
dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja
completa” (Jo 15.11). De fato, a quem Deus obra com grandes coisas, tanto o
poder de Deus se torna manifesto quanto o coração do fiel se alegra em sincera
confissão e devoção. O reconhecimento da Virgem Maria é que Deus é o Poderoso,
Aquele que realiza impossíveis e para quem não há nenhuma coisa difícil.
9. Segundo, proclama que o nome de Deus é Santo: “e
Santo é o seu nome” (v. 49b); ora, quem reconhece a grandeza e o poder de
Deus, entende que o nome de Deus é Santo; o nome de Deus é três vezes santo,
para denotar santidade perfeitíssima. “E clamavam uns para os outros,
dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia
da sua glória” (Is 6.3). Ora, se o nome de Deus é santo, então todas as
suas obras são santas; por isso, Ele é perfeito, justo e santo em todos os seus
caminhos e em todos os seus juízos. “Justo é o Senhor em todos os seus
caminhos e santo em todas as suas obras” (Sl 145.17).
10. Terceiro, evoca a misericórdia de Deus sobre
aqueles que o temem: “E a sua misericórdia é de geração em geração sobre os
que o temem” (v. 50); ora, a misericórdia de Deus é mais manifesta naqueles
que o temem; com todos os homens Deus tem uma misericórdia geral, mas com os
eleitos Ele tem entranhas de misericórdia, pois se compadece dos fiéis como um
Pai se compadece de seus filhos, tal como diz o salmista: “Como um pai se
compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem”
(Sl 103.13). O temor do Senhor conduz a alma para as fontes das misericórdias
de Deus, pois a base da sabedoria espiritual está em considerar atentamente as
misericórdias de Deus. “Quem é sábio observe estas coisas e considere
atentamente as benignidades do Senhor” (Sl 107.43).
Lição 2 - Lc 1.51-56
(51) Com o seu braço, agiu valorosamente, dissipou os
soberbos no pensamento de seu coração, (52) depôs dos tronos os poderosos e
elevou os humildes; (53) encheu de bens os famintos, despediu vazios os ricos,
(54) e auxiliou a Israel, seu servo, recordando-se da sua misericórdia (55)
(como falou a nossos pais) para com Abraão e sua posteridade, para sempre. (56)
E Maria ficou com ela quase três meses e depois voltou para sua casa.
1. E, quanto a segunda parte do cântico de Maria, na
qual se tem a declaração de fé da Virgem Santa, a própria Virgem Maria
descortina o agir poderoso de Deus através de seis declarações, as quais
testemunham de uma fé profunda e reta firmada na solidez da Sagrada Escritura:
primeiro, ela declara o modo do agir de Deus: “Com o seu braço, agiu
valorosamente” (v. 51); ora, Deus age valorosamente; e este agir é figurado
pelo “braço de Deus”, metáfora para designar o poderio do Deus Altíssimo; e
Deus age valorosamente ao livrar e resgatar seu povo. “Portanto, dize aos
filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos
egípcios, vos livrarei da sua servidão e vos resgatarei com braço estendido e
com juízos grandes” (Êx 6.6).
Além disso, o poderoso agir de Deus é fruto de sua
benignidade com Seu povo e com todos os homens de boa vontade. “Com mão
forte, e com braço estendido; porque a sua benignidade é para sempre” (Sl
136.12). Pois, a bondade de Deus se manifesta aos fiéis com a proteção e a
libertação que provém do Seu agir valoroso. Com efeito, Deus age valorosamente
em ordem a Sua infinita bondade e em função de Seu infinito poder.
2. Segundo, declara como Deus age contra os soberbos: “dissipou
os soberbos no pensamento de seu coração” (v. 51); ora, do mesmo modo como
Deus age valorosamente para proteger e libertar o Seu povo, Ele também age
valorosamente contra os soberbos; pois, a soberba é podridão que calcina aquele
que quer ser “deus”. “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito
precede a queda” (Pv 16.18).
Por isso, aqueles que são soberbos são arrogantes com
os que humanamente lhes são inferiores nas coisas possuídas, tal como por
exemplo, (1) perseguir os pobres: “Os ímpios, na sua arrogância, perseguem
furiosamente o pobre” (Sl 10.2a); (2) semear perversidade: “O que semear
a perversidade segará males” (Pv 22.8a); (3) destruir a piedade: “Clamam,
porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus” (Jó 35.12); etc.
A soberba quando domina o coração produz altivez de
espírito, o querer ser como Deus; produz o furor contra a verdade, a beleza e a
bondade; conduz à jactância, a qual engendra a vaidade das vaidades, o orgulho
contra si, contra Deus e contra a obra de Deus. “Ouvimos da soberba de
Moabe, a soberbíssima, e da sua altivez, e da sua soberba, e do seu furor; a
sua jactância é vã” (Is 16.6).
Deste modo, Deus age contra os soberbos por causa dos
efeitos da soberba na vida humana; os soberbos são descritivamente aquilo que a
sabedoria salomônica chama de caminho do inferno; os soberbos são sementeira
das infernidades na vida humana. Por isso, Deus dissipa os soberbos, isto é, os
confunde em suas próprias soberbas para que não as levem a cabo contra os retos
e justos.
3. Terceiro, declara como Deus age com os poderosos e
como age com os humildes: “depôs dos tronos os poderosos e elevou os
humildes” (v. 52); ora, o agir poderoso de Deus com os poderosos e orgulhos
é com poder e severidade, mas com os humildes é de elevação e graça; Deus
repreende e se afasta dos poderosos orgulhosos, mas dá graça, favor e
misericórdia aos humildes. “Antes, dá maior graça. Portanto, diz: Deus
resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (Tg 4.6).
De fato, Deus resiste aos soberbos, pois a soberba
traz aos homens o caminho da perdição; mas Deus dá graça aos humildes, pois a
humildade é a antessala da honra. “diante da honra, vai a humildade” (Pv
18.12b). Além do que, a humildade é efeito da graça outorgada a um coração
sincero sobre si, com os outros e com Deus, o qual Deus não despreza. “Os
sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e
contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17). “o que vem a mim de
maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37).
4. Quarto, declara como Deus age com os famintos e
como age com os ricos: “encheu de bens os famintos, despediu vazios os ricos”
(v. 53); ora, o agir de Deus também se manifesta contra os frutos da soberba
dos homens: com os famintos, Deus os enche de bens; com os pobres Deus se faz
presente; mas com os ricos, os orgulhosos da riqueza, os mestres do amor ao
dinheiro, Deus os despede vazios, sem nenhuma graça, pois as mais das vezes os
ricos tentam justificar suas infâmias por causa de suas riquezas. “A fazenda
do rico é sua cidade forte e, como um muro alto, na sua imaginação” (Pv
18.11).
A fome é fruto da soberba dos homens, pois muitas
vezes a riqueza é adquirida em função da fome dos pobres. Por isso, Deus age
com os famintos dando-lhes graças e bens, mas com os ricos que ficaram ricos
pela soberba Deus os despede sem nenhum favor ou graça. “Eia, pois, agora
vós, ricos, chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre vós hão de vir”
(Tg 5.1).
A honra diante de Deus não está pelo que alguém possui
ou tem financeiramente, mas pura e simplesmente por quem o ama verdadeiramente.
De fato, Deus ama mais aqueles que o amam mais.
5. Quinto, declara como Deus age com Seu povo: “e
auxiliou a Israel, seu servo, recordando-se da sua misericórdia” (v. 54);
ora, o agir de Deus é valoroso para com Seu povo; Deus auxilia Seu povo os
socorrendo e livrando do mal: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro
bem-presente na angústia” (Sl 46.1); os abençoando com todas as bênçãos
espirituais: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual
nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”
(Ef 1.3); os outorgando graça sem medida: “Antes, dá maior graça” (Tg
4.6a). O fundamento do agir de Deus para com Seu povo é a Sua infinita
misericórdia; Deus se recorda de Sua misericórdia e assim abençoa Seu povo. “O
SENHOR, que se lembrou de nós, abençoará; abençoará a cada de Israel; abençoará
a cada de Arão” (Sl 115.12).
6. Sexto, declara que Deus cumpre suas promessas: “(como
falou a nossos pais) para com Abraão e sua posteridade, para sempre” (v.
55); ora, o agir de Deus é evidenciado pelo cumprimento de Suas santas
promessas; Deus cumpriu o que prometera a Abraão e a sua posteridade. Em Suas
promessas Deus se mostra solicito e glorioso para cumprir o que estabelecera
para abençoar Seu povo. O agir de Deus com os poderosos e com os humildes, com
os famintos e com os ricos, e com Seu povo, é uma demonstração cabal de que
tudo o que Deus promete Ele cumpre: sejam bênçãos sejam juízos. “Ó Deus, nós
ouvimos com os nossos ouvidos, e nossos pais nos têm contado os feitos que
realizaste em seus dias, nos tempos da antiguidade. Como expeliste as nações
com a tua mão e aos nossos pais plantaste; como afligiste os povos e aos nossos
pais alargaste. Pois não conquistaram a terra pela sua espada, nem o seu braço
os salvou, e sim a tua destra, e o teu braço, e a luz da tua face, porquanto te
agradaste deles” (Sl 44.1-3); etc.
7. Após descrever o cântico de Maria, o cronista da
atividade apostólica acrescenta algo, quando diz: “E Maria ficou com ela
quase três meses e depois voltou para sua casa” (v. 56); ora, após receber
a saudação angélica e após ter recebido a saudação de Isabel, a Virgem Maria
irrompeu em louvor a Deus demonstrando sua santidade e dignidade para ser mãe
do Filho de Deus, bem como expressando sua fé profundamente enraigada na
confiança em Deus, pela qual se expressa o modo como Deus opera em favor dos
seus servos e daqueles que n’Ele confiam, pois na concepção do Filho de Deus em
seu ventre a glória de Deus se manifestou sobre a terra e sobre o céu. “Que
louvem o nome do Senhor, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre
a terra e o céu” (Sl 148.13). A este Deus que a Virgem Maria adorou e
louvou, o Deus Uno e Trino, louvamos e bendizemos, o qual vive e reina com o
Filho na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos. Amém.
Em março de 2018.