09/10/2023

A Constitucionalidade da Leitura da Bíblia

1. Exmo. Srs., escrevo-lhe humildemente, porque recentemente vi que os senhores do Egrégio Tribunal de Justiça da Paraíba, proibiram a leitura da Bíblia afirmando que a mesma é inconstitucional; certamente, entendo a preocupação dos senhores, já que o Estado brasileiro é laico, e não impõem a obrigatoriedade de um credo religioso; conquanto a isso, a leitura bíblica não é inconstitucional, já que a nossa própria história constitucional confirma a preciosidade da leitura bíblica nas atividades legislativas, bem como a própria história do direito é permeada pela influência da Bíblia e das ideias teológicas; os principais preceitos da democracia moderna foram talhados sobre as pedras de mármores da história, com os olhos fixados na Bíblia e com o respeito e a reverência para com o Livro Sagrado.

2. Deste modo, resolvi pronunciar-me diante de vós, homens e mulheres tão bem preparados, para reafirmar a constitucionalidade da leitura bíblica, bem como para demonstrar a validação desta afirmação; não para tornar o Estado laico em estado religioso, mas para aclarar que muitos dos fundamentos pelos quais a democracia e a liberdade são mantidos, provêm da Bíblia, da leitura da Bíblia; por isso, Ulysses S. Grant, certa feita, aconselhara aos jovens da América: “Agarre-se à Bíblia como a âncora de suas liberdades; escreva seus preceitos em seu coração e pratique-os em suas vidas. Somos gratos por todo o progresso feito na verdadeira civilização devido a influência deste livro, e para este livro devemos olhar como nosso guia no futuro[1]. O conselho de Ulysses Grant também nos serve em tempos atuais, principalmente no mantenimento da ordem e para a sempre renovada consciência de dever daqueles que ocupam cargos públicos.

3. A leitura bíblica, conquanto seja testemunho da prática de uma religião específica - o cristianismo -, não é por isso, necessariamente inconstitucional; pois, a base da história religiosa do Brasil, é o cristianismo; e, a história brasileira é permeada pelo cristianismo mais do que por qualquer outra religião ou saber; os nossos fundadores culturais eram padres; o maior luminar de nossa literatura, o imperador da língua portuguesa que com o fulgor de sua palavra iluminou as terras do Maranhão, era um padre jesuíta; entre tantos outros exemplos. Portanto, o cristianismo está enraizado na história brasileira mais do que qualquer doutrina jurídica; na verdade, a formação jurídica do Brasil é inteiramente embasada e formada pela influência do cristianismo. A história jurídica da terra de Machado de Assis, é uma história permeada pela influência da Bíblia; e, particularmente, a história constitucional brasileira, é talhada a partir dos ideais cristãos enraizados na sociedade.

4. A Constituição Federal foi promulgada sobre a “proteção de Deus”; e este “sob a proteção de Deus”, não somente é uma prece, embora o seja plenamente; é também um signo para evidenciar tudo aquilo que a religião cristã imbuí na existência jurídica do Estado brasileiro; a proteção de Deus evocada pelos constituintes de 1988, é uma prece a partir da perspectiva religiosa cristã; deste modo, é plenamente constitucional a leitura bíblica; evidentemente, e é bom que sempre se reafirme, não para tornar o estado laico em estado religioso; mas como o cristianismo é a base da história brasileira, é mais do justo que os símbolos cristãos e a influência do cristianismo sejam notórias na constituição do Estado brasileiro; em particular, na evocação da proteção de Deus na promulgação da constituição, o que por si, demonstra a logística básica pela qual a existência do direito no Brasil é permeada, a saber, sob os fundamentos da religião cristã.

5. A sociedade ocidental está fundada sob três bases: Atenas, Roma e Jerusalém; ou mais propriamente: filosofia grega, direito romano e teologia cristã; e no desenrolar da história a influência destes três pilares esteve presente em todas as sociedades livres; e, no caso do Brasil, particularmente, é o direito que se sobressai; tivemos sim importantes filósofos, alguns muitos grandes, embora pouco conhecidos; tivemos alguns poucos teólogos, padres-teólogos, pastores-teólogos que foram exímios escritores e que enriqueceram a língua com suas contribuições ao saber humano; mas, entre estas três bases a que se sobressai em relação ao Brasil com maior número de homens eruditos e que contribuíram para humanidade é proveniente do direito; e o direito na história brasileira teve alguns luminares grandiosos, tal como Rui Barbosa, Pontes de Miranda, Miguel Reale, etc.

6. E ao se observar este aspecto significativo sobre a história brasileira, se observa que o direito que tanto enobreceu a nossa terra, sempre esteve permeado pela influência do cristianismo; mesmos nas mais diversas escolas e perspectivas jurídicas que frutificaram no Brasil, as ideias básicas, mesmo nas escolas jurídicas mais radicais, sempre foram açambarcadas pela influência do cristianismo; os pilares jurídicos da existência do Estado brasileiro são provenientes do legado da Bíblia; os dogmas centrais da existência jurídica do Estado brasileiro, foram burilados e talhados a partir de pressupostos bíblicos; o que dizer da “soberania popular”, do respeito as diferenças, da valorização da vida, do respeito pleno para com a liberdade; tudo isso, e muito mais, é fruto da influência do cristianismo; não para inocular dogmas religiosos através do direito, mas para que a lei natural fosse salvaguardada do espírito de época, e assim, este bem da vida humana, fosse protegido e guardado incólume para o bem do povo e o desenvolvimento das nações livres.

7. Com isso, posso afirmar com absoluta certeza, que a leitura bíblica, donde provêm estes benefícios acima descritos, é imprescindível para a vida em sociedade; alguém certa feita disse que proíbe-se a leitura bíblica nas escolas, mas se permite nos presídios, e por isso, é melhor permiti-las nas escolas para se evitar que os seres humanos cometam crimes; esta expressão, que não se sabe ao certo o autor, é uma análise pertinente de um problema que assola o Brasil: proíbe-se a leitura da Bíblia nos locais onde deveria ser lida para a educação na justiça e na virtude, e incentiva-se a leitura da Bíblia somente aonde houve rompimento com a justiça e onde houve práticas viciosas; é bom que se permita e incentive a leitura da Bíblia nas escolas, e se houver necessidade, nos presídios, para trazer libertação as almas cativas; mas, a prevenção é sempre um melhor remédio do que a recuperação após o desastre, que sempre é mais custosa e demorada do que a prevenção e a educação na justiça.

8. E o mesmo se dá com a leitura bíblica nas atividades legislativas; a leitura bíblica, se feita com atenção e respeito, certamente, livra de muitos dos vícios institucionais e estatais que se proliferam quando não se tem a leitura bíblica, evidencia da influência infamante do comunismo; e se observa a medida que a leitura bíblica foi sendo deixada de lado, passou-se a um maior número de casos de corrupção, alguns dos quais, figuraram como o maior escândalo de corrupção da história da humanidade; o que resta da existência política se não há o respeito para com a base da sociedade, senão apenas uma quadrilha de ladrões que vicia as funções do Estado; a importância da leitura bíblica se avoluma justamente devido a história recente de nosso país; e ainda mais, se quisermos vislumbrar um país que cresce e se desenvolve; os sábios conselhos de Abraham Lincoln volvem a mente, quando o lendário presidente dos EUA se pronunciara sobre a Bíblia: “em relação a este Grande Livro, só tenho a dizer que é o melhor presente que Deus deu ao homem. Todo o bem que o Salvador deu ao mundo foi comunicado por meio desse livro. Se não fosse por ela, não poderíamos distinguir o certo do errado. Todas as coisas mais desejáveis para o bem-estar do homem, aqui e no além, podem ser encontradas retratadas nele[2].

9. Assim sendo, as atividades legislativas, expressão singular da existência daqueles que foram imbuídos de autoridade derivada pelo povo para o representar como líderes políticos, é dignifica e é sublimada a partir da conscientização daquilo que a sociedade brasileira tem de mais precioso, o Livro Sagrado; a leitura bíblica nas atividades legislativas é expressão do reconhecimento por parte dos políticos da soberania popular, pois, o povo brasileiro, a sociedade brasileira é, em sua maior parte, uma sociedade cristã; com isso, a dignidade da atividade legislativa, um dos fundamentos da existência do Estado brasileiro, é permeada pelo respeito a tradição histórica do país; e mesmo a harmonia entre os três poderes, só é efetuada de maneira constitucional e sem manipulações programadas a partir dos princípios estabelecidos em nossa história pátria; portanto, a leitura da Bíblia é o que melhor exemplifica a história do país e o que encarna de maneira singular esta história nas atividades legislativas; não se faz mais debates no legislativo sobre as constituições do Império Português, ou sobre as constituições de 1891, 1934, 1946, etc.; não se menciona mais as principais obras dos sécs. XVII e XVIII nas atividades legislativas; então, como que se mantém a continuidade histórica do Brasil em suas atividades legislativas? Simples, com a leitura bíblica, do mesmo modo como sempre foi feito, ainda que feita de maneira diversa ao longo de toda nossa história.

10. No sentido religioso, a leitura bíblica é parte da identidade cristã; São Jerônimo asseverou que “ignorar as Escrituras, é ignorar o Cristo[3]; tal expressão denota a importância da leitura bíblica para a vida cristã. Todavia, a leitura bíblica como parte das atividades legislativas, não no sentido específico tal como se demonstra no âmbito religioso, mas igualmente necessária; a leitura bíblica nas atividades legislativas é o mesmo que honrar a Constituição; como que se honra aquilo que de mais belo e precioso no âmbito jurídico o povo brasileiro possui? Simples, com a leitura de um livro mais importante e que contribuiu significativamente para a história da humanidade do que a Constituição Federal; e a Bíblia é o livro que mais contribuiu para a história da humanidade; portanto, a leitura bíblica dignifica a própria Constituição, já que é a Sagrada Escritura fonte de bens inumeráveis para a vida humana.

Com isso, posso concluir esta breve missiva, no intuito de chamar os senhores a consciência; de falar sobre a importância indiscutível da leitura bíblica mesmo nas atividades legislativas; evidentemente, e falo novamente, não para tornar o Estado laico em estado religioso, mas porque é parte da história ocidental e parte inegável da história brasileira; quando nas atividades legislativas se tem a leitura bíblica não se está fazendo um ato religioso, mas honrando a própria história brasileira, e dignificando e dando continuidade à própria história constitucional do Brasil; deste modo, é mais do que evidente a constitucionalidade da leitura bíblica. 



Este escrito é uma carta que fora enviada ao presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba. 

[1] Ulysses S. Grant, Letter to the children and youth of America, In: The New York Times, June 15, 1876. 

[2] Roy P. Basler (ed.), Collected Works of Abraham Lincoln Vol. 7 [New Brunswick/New Jersey: Rutgers University Press, 1953], pág. 542. 

[3] São Jerônimo, Commentariorum In Isaiam Prophetam, prol., n. 1-2, In: Patrologia Latina Vol. 24, pág. 17. 


28/08/2023

Anatomia de um Apóstata

Prólogo.

 

1. Tendo visto uma medonha decadência espiritual em razão da apostasia de um ex-presbítero de uma Igreja Evangélica de linha pentecostal, e das consequências inimagináveis desta apostasia no seio da Igreja, não somente as pentecostais, mas de outras igrejas evangélicas que se renderam a apostasia, resolvi elucubrar brevemente sobre este assunto; pois, um apóstata é tão perigoso quanto um homem-bomba; a diferença está que o homem-bomba mata as pessoas fisicamente se explodindo, e o apóstata mata as pessoas espiritualmente bem como mata a alma das pessoas que se deixam enfeitiçar pelas mentiras e pelos enganos do apóstata.

2. O perigo da apostasia, é que pelas mentiras, calúnias e sentimentos medonhos que provêm de um único apóstata, até mesmo toda uma cidade é contaminada e aos poucos vai sendo destruída; a Escritura afirma: “Quando as pessoas honestas abençoam uma cidade, ela se torna importante, mas as palavras dos maus a destroem” (Pv 11.11 NTLH). As palavras dos maus destroem uma cidade! A Escritura afirma isso categoricamente; e um apóstata, ao contaminar os outros com sua apostasia, torna-se a base para a destruição moral, e, por fim, a destruição de tudo de bom que há numa cidade; a morte na cidade de que falara Francis Schaeffer, é consequência direta da apostasia.

3. Além disso, tendo visto que um apóstata, mesmo maltratando a própria mulher, bem como batendo, maltratando e matando animais indefesos, e ainda, destruindo a natureza, o que por si demonstra a violência no coração do apóstata, o que mais chama a atenção é o fato que mesmo muitas pessoas de bem sabendo de tais atos, ainda sim apoiam e incentivam as atitudes malignas do apóstata. Por isso, é necessário compreender a apostasia para vigiarmos ao máximo com a pureza de nossa fé, pois, o tesouro maior que temos enquanto seres humanos é a vida e a nossa fé; assim, eis algumas breves e sintéticas reflexões sobre o estado do coração de um apóstata, fazendo assim uma anatomia de um apóstata.

 

Capítulo I: O apóstata: instrumento de contaminação espiritual.

 

4. O apóstata é instrumento de contaminação espiritual. O autor aos Hebreus adverte para que se tenha o cuidado de que nenhuma raiz venenosa cresça no meio dos cristãos, a qual priva os homens da graça de Deus os contaminando (cf. Hb 12.15); tal raiz venenosa é semeada pelo apóstata, pois, todo apóstata semeia sentimentos medonhos e venenos espirituais por onde quer que passe. Na verdade, o apóstata é instrumento maligno para contaminar a alma e a vida espiritual dos cristãos.

5. Por isso, onde há um apóstata começará a haver contaminação espiritual; um apóstata é carregado de sementes ruins, para fazê-las germinar nos corações desavisados e símplices, a fim de que estes sejam contaminados e estejam sujeitos a todo o lixo psicológico e espiritual que possa contaminar as almas daqueles que tem fé; o cuidado para que não se brote em meio ao solo do coração alguma erva venenosa é justamente esta erva que é semeada pelos apóstatas, que tendo sido semeados pelo Diabo, tornam-se ímpios e praticam a impiedade, e procuraram corromper o máximo possível de pessoas a fim de torná-las instrumento de apostasia e degeneração espiritual na propagação do mal e das práticas viciosas do apóstata, como a calúnia, a mentira, a difamação, etc.

6. Portanto, onde há um apóstata, logo, haverá a decadência espiritual; um apóstata é sempre guiado e influenciado pela obra maligna; e a obra maligna que acompanha um apóstata é sempre “enfeitiçadora”, arrastando pessoas e mais pessoas para a prática do mal e das obras malignas; e observa-se um fato curioso, onde não havia práticas viciosas e medonhas, quando se tem a influência do apóstata, a simplicidade e a pureza natural da vida é corrompida e, então, tudo aquilo que antes era tido como virtuoso e como prática de boas-obras, torna-se vilipendiado, e estas pessoas influenciadas pelo apóstata passam a ridicularizar e maldizer algum cristão verdadeiro que pela luz de Cristo brilha contra as trevas semeadas pelo apóstata. O apóstata é instrumento de contaminação espiritual para obnubilar as gentes para a luz de Cristo presente na vida dos verdadeiros cristãos.

 

Capítulo II: Os apóstatas: evidência da miséria da Igreja Evangélica.

 

7. A influência da apostasia na igreja evangélica, se dá principalmente através de algum apóstata; e a influência de um apóstata nas práticas da igreja evangélica, onde a própria igreja se torna subserviente as práticas apostasiosas as quais desfiguram o propósito de Cristo para a igreja, demonstram a miséria da igreja evangélica; as igrejas locais que se rendem a práticas coniventes com a apostasia, logo, serão elas próprias viveiros de apostasia.

8. A influência ignominiosa de um apóstata nas práticas espirituais da igreja, torna a própria igreja uma agente de apostasia; os apóstatas são inúteis espirituais, isto é, não tem nenhum bem espiritual e nenhuma boa dádiva da comunhão com Deus; por isso, a igreja que se rende a práticas ou a vícios dos apóstatas são desfiguradas espiritualmente e, por consequência, morrem espiritualmente.

9. Por isso, uma igreja local, ou igrejas locais, que se rendem a apostasia se tornam em elementos de manipulação, ou então, em berços de práticas viciosas e/ou práticas diabólicas, que pelo engano maligno insuflado pelo apóstata se tornam parte da existência dos cristãos e torna estes sujeitos a obra demoníaca. Portanto, o cuidado com a apostasia deve ser absoluto, e a rejeição para com os vícios provenientes de um apóstata ainda mais, porque estes enganam e engodam sem que sequer alguém se aperceba. Logo, a influência de um apóstata nas práticas da igreja, é evidencia da miséria espiritual das igrejas que se rendem as calúnias, mentiras e maledicências dos apóstatas.

 

Capítulo III: A influência do apóstata e suas consequências.

 

10. A influência do apóstata tem sérias consequências; aqui, menciona-se as mais comuns.

a. A destruição das virtudes.

11. A influência do apóstata se estende até a destruição das virtudes; no apóstata as virtudes teologais são desfiguradas: a fé deixa de ser elemento preponderante e se torna apenas elemento de manipulação psiquista; a esperança perde-se em meio a ira, e a esperança da ira sempre se perde (cf. Pv 11.7); a caridade, se torna esvoaçada e é transformada em violência e ódio, a qual se manifesta na destruição da natureza. Na apostasia as virtudes teologais são desfiguradas e aos poucos vão desparecendo; como diz o Evangelho: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12). Na multiplicação da iniquidade, e a iniquidade é sinal de apostasia, as virtudes são desfiguradas.

12. Mas a influência do apóstata também ocasiona a desfiguração das virtudes cardeais: a temperança se torna em intemperança e em desespero; a justiça torna-se e transmuta-se em injustiça e na aceitação de tudo aquilo que infere a justiça; a fortaleza transforma-se em fortaleza medonha, e é transmutada em medo e em consequência em violência para proteger o próprio medo; a prudência se transforma em astúcia, na pressa em correr para fazer o mal (cf. Pv 1.16). Portanto, quando há apostasia as virtudes cardeais se transmogrifam em vícios cardeais.

13. E o apóstata passa a ser instrumento para semear os vícios cardeais que contaminam as pessoas símplices e as práticas das igrejas que deixam se enveredar pelos caminhos da apostasia; e assim, as virtudes que antes eram cultivadas e incentivadas com honra e pudor, passam a ser desmerecidas e escarnecidas por aqueles que tendo sido capturados pelos laços da apostasia se formam como uma roda de escarnecedores das virtudes de outras pessoas. Por onde os apóstatas deixam rastros de influência pecaminosa e diabólica, logo, haverá a frutificação de tudo tipo de escárnio contra as virtudes e de deboche enraivecido por causa da inveja sobrelevada que contamina a muitas pessoas pelo crescimento da apostasia, e que se manifestam contra todo tipo de bem natural.

b. O inferir deliberadamente a liberdade.

14. A influência do apóstata se evidencia no inferir deliberadamente a liberdade; sendo a liberdade uma doutrina fundamental, e uma crença fundamental de todo aquele que é cristão, a inferência da liberdade, constitui-se pecado, e a inferência deliberada da liberdade demonstra a consciência cauterizada, e, portanto, a inferência deliberada da liberdade é sinal pleno de apostasia. Por isso, onde a influência de um apóstata se demonstra, logo começa a haver a inferência deliberada da liberdade.

15. E é de se espantar como que muitos cristãos inferem a liberdade deliberadamente; isto, é fruto da crescente apostasia entre aqueles que se dizem cristãos; pois, do mesmo modo como é doutrina a crença na imortalidade da alma, e a crença na existência de Deus, a liberdade é doutrina que não pode ser inferida, porque a inferência da liberdade é o mesmo que negar a fé, e vituperar esta dádiva concedida por Deus aos homens; por isso, onde há a influência de um apóstata, logo, se observa que as pessoas símplices e/ou desavisadas começam a inferir a liberdade, demonstrando que a contaminação proveniente do apóstata infectara a muitas pessoas.

16. A simples acepção do termo liberdade demonstra que é um princípio inalienável da vida humana; tanto que é princípio jurídico imovível da Constituição e da Declaração de Direitos Humanos, talhado como inviolável. A liberdade não somente é doutrina, também é lei; e como que cristãos inferem a lei e continuam se dizendo cristãos? Simples, a apostasia tomara conta das pessoas e tornaram estas sujeitas a práticas hediondas; a inferência da liberdade é o início de práticas monstruosas que se fazem no seio da sociedade; os “cristãos alemães” que no século passado aceitaram o nazismo e a Igreja do Reich em adoração a Hitler, começaram a ser contaminados com uma ideologia totalitária através da inferência deliberada da liberdade, fato esse que está totalmente documentado e bem explicado nos anais da história.

Portanto, onde há inferência da liberdade, há a influência de algum apóstata destruindo e desfigurando as consciências, bem como incentivando os cristãos a cometerem práticas hediondas. Onde há um apóstata, logo haverá quem infira a liberdade.

c. A contaminação dos jovens.

17. A influência do apóstata se demonstra na contaminação dos jovens; tanto na contaminação dos rapazes, quanto na sensualização das moças; o apóstata que após perder a presença do Espírito no coração, trata de contaminar e desvirtuar aqueles que podem superar e vencer a apostasia; e geralmente, são os jovens, com a força característica da juventude, com o vigor da juvenilidade, que rompem as barreiras deixadas pelos hipócritas e pelos apóstatas das gerações anteriores. Por isso, o Diabo utiliza-se de algum apóstata para contaminar e corromper a juventude.

18. O apóstata contamina e sensualiza os rapazes e as moças. Contamina os rapazes, tornando-os fracos na vontade e trôpegos nos ideais; sensualiza os rapazes deixando-os sujeitos a espíritos malignos que tornam-nos sujeitos a sexualidade desenfreada e desequilibrada; e assim, os rapazes que antes eram permeados pelo ideal e pela força de vontade, se tornam em instrumento de destruição espiritual e de degradação moral, sendo fortes fisicamente, mas sendo fracos intelectivamente e fracos na vontade e imbecilizados no ideal. Contamina as moças, despersonalizando-as, tornando-as objetos, ou quando não transmutando-as em coisas objetificáveis; sensualiza as moças fazendo com que as mesmas percam o recato e a beleza da verdadeira feminilidade; e assim, as moças que antes eram recatadas e tinham pudor, perdem o recato e o pudor, e em alguns casos, as moças passam a querer se transmogrifar em rapazes; ou em outros casos, os rapazes passam a querer se transmogrifar em moças; e todas as loucuras que disto provêm.

19. Deste modo, a influência do apóstata permeia e contamina a juventude com males fatais e medonhos; a juventude que fica sujeita a apostasia, se torna a própria juventude em instrumento do apóstata para fazer males e praticar iniquidade; e não há nada mais medonho do que a juventude contaminada pela apostasia; nem mesmo uma doença grave que tira as forças físicas de um jovem se compara com os graves efeitos da contaminação que um jovem sofre ao se sujeitar a um apóstata; pois, o apóstata é instrumento de destruição das virtudes inerentes a juventude.

d. A despersonalização.

20. A influência de um apóstata se demonstra na despersonalização; é um termo pouco utilizado, mas que tem uma significação muito importante; pois, a despersonalização é o que de pior pode ocorrer com um ser humano, já que despersonalizar é desumanizar (e existem outros significados); e desumanizar sempre ocasiona ou coisas horrendas, ou ocasiona uma série interminável de práticas viciosas, onde se quer mudar o estado natural do ser humano; a Escritura não utiliza o termo despersonalização, mas apresenta fatos do que acontece quando ocorre a despersonalização.

21. No livro de Provérbios fala-se da mulher má; na contextura do livro de Provérbios, é a mulher que fora despersonalizada e que se tornara em poço de maldade, a ponto de ser tornar uma mulher adúltera. E a mulher adúltera anda a caça de vida preciosa (cf. Pv 6.26); a mulher má que anda a caça de vida preciosa, seja em conotações sexuais, para prostituição ou adultério, seja em conotações de fazer maldade, é uma mulher despersonalizada, a qual, por detrás se tem uma forte influência de um apóstata ou de apóstatas; e o caso se aplica também aos homens, aos homens que ficam despersonalizados, e assim ficam a caça de vida preciosa, seja para a prostituição, seja para ficar a espreita para fazer maldade (cf. Pv 1.10-19).

22. Por isso, sempre que houver um homem ou uma mulher que estão despersonalizados, logo, haverá nestes a prática de coisas contrárias a natureza, como a prostituição ou a torpeza (cf. Rm 1.26-27); é sinal mais do que evidente que há influência de um apóstata quando há a prática veemente e constante de “coisas que não convém”, ou para utilizar de uma outra expressão, onde há a influência do apóstata há engenhosidade em baixezas.

E onde há baixeza já é ruim; mas com a despersonalização, os homens e as mulheres que ficam sob a influência de um apóstata se tornam engenhosos em baixeza, se tornam formados na faculdade da baixaria das coisas que desagradam a Deus; pois, um apóstata se torna instrumento de Satanás para semear baixaria e tornar as pessoas símplices em engenheiros da baixeza. Esta é a obra do apóstata.

23. Pois, a despersonalização é influência direta de um apóstata, ocasionando todo tipo de prática hedionda. O Apóstolo diz: “E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; estando cheios de toda iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pai e à mãe; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem” (Rm 1.28-32). Esta descrição do Apóstolo é um testemunho de que, onde há estas práticas, é porque houvera a despersonalização. E é um fato, onde os homens e as mulheres não se importam com o conhecimento de Deus, isto é, não se importam em praticar coisas hediondas, não se importam em inferirem a liberdade e coisas similares, é porque houvera a despersonalização ocasionada pela influência nefasta e nefanda de um apóstata. E isto basta por ora quanto a compreensão da influência nefasta de um apóstata.

24. E termina aqui esta descrição proto-anatômica sobre o apóstata. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém. 


Soneto 9

No tempo da infância, de criança, o aprendizado é tempera à personalidade; por isso, a verdadeira festança é progredir na decência, am...