29/11/2022

Teses Várias

Nota Preliminar

 

Estas teses são fragmentos esparsos, ou breves respostas a indagações, sobre temas variados em relação a filosofia e a teologia, feitas entre 2021 e 2022; ao encontrar estas anotações que estavam guardadas, decidi mantê-las na ordem em que foram escritas, apesar da diversidade de assuntos, e as disponho desta maneira neste escrito.

 

§ 1

 

A analogia entis ajuda na compreensão a respeito da existência de Deus, mas somente a analogia fidei desvela-nos as maravilhas que se é estudar e contemplar as perfeições de Deus.

 

§ 2

 

Em suma, dois aspectos confluem-se na reflexão sobre Deus:

1. A “forma” específica de Deus (Deo in se) – Características específicas de Deus em Seu Ser perfeitíssimo.

2. A “forma” individual de Deus (De Deo Uno et Trino) – Características individuais de Deus ou predicados de Deus.

 

§ 3

 

A simplicidade dos decretos de Deus. O decreto de Deus é uno. Os decretos de Deus são duplos: em relação a Providência, com a Graça Comum; em relação a Redenção, com a Graça Salvífica. Pois, os decretos divinos são graça. Os decretos de Deus são simples no tocante a sua natureza; e o decreto de Deus é composto, isto é, é duplo, no tocante a sua manifestação.

A simplicidade dos decretos de Deus evidencia o caráter santo, justo e misericordioso do próprio Deus; o que, por sua vez, também evidencia que os decretos tem uma estrutura interna una e dupla: una porque os decretos são absolutos em relação a tudo e a todos, e duplo porque os decretos são manifestos tanto em relação a Criação quanto em relação a Nova Criação (Reconciliação).

 

§ 4

 

A conceituação “Deus é” é um conceito simpliciter simples; isto é, é um conceito que não se reduz a nenhum outro; donde a afirmação “Deus é” ser expressão singular da simplicidade de Deus. No entanto, todo conceito simpliciter simples também necessariamente puxa um conceito simpliciter não-simples, a saber, algo que os seres humanos podem conceber sobre Deus.

Por isso, ao se afirmar “Deus é” está se falando da essência de Deus, para o que tende o intelecto, conquanto nesta vida os homens não consigam alcançar uma compreensão plena a respeito da essência de Deus, embora possam alcançar um conhecimento exato sobre a existência de Deus e as nuances que nisto estão imbuídas.

E como não é possível ao homem natural conhecer plenamente as coisas de Deus, então se faz necessário entender como os homens chegam a proposição de algum conhecimento sobre Deus. A sentença “Deus é” só é acessível pela revelação. Todavia, a sentença “Deus é” em termos de conceito simpliciter não-simples é concebido nos moldes de que é possível conhecer naturalmente sobre Deus nesta vida, a saber, a existência de Deus.

 

§ 5

 

A distinção entre theologia in se e theologia in nos evita que se forme uma teologia natural racionalista e kantiana.

 

§ 6

 

O conceito de Scotus do caráter unívoco do conceito de ente é uma forma de se evitar o agnosticismo teórico e o agnosticismo prático, bem como é utilíssimo para salvaguardar incólume o propósito e a natureza da teologia natural.

 

§ 7

 

A revelação é revelação trinitária; toda revelação é trinitária, e a revelação toda é trinitária. A revelação é teocêntrica (Criação), a revelação é cristológica (Reconciliação) e a revelação é pneumática (Santificação). E isto tanto em relação ao Ser de Deus em Comunhão Eterna e Infinita, quanto em relação as obras de Deus.

 

§ 8

 

O conceito sobre a existência de Deus advém de dois modos:

1. Teologia natural geral – Deus existe (cf. Sl 19.1ss) – o primeiro motor, a causa primeira, o primeiro princípio, etc.

2. Teologia natural especial – Deus é o Criador soberano (cf. Hb 11.6) – O primeiro artigo do símbolo apostólico: “Creio em Deus Pai, etc.”.

***

E termina aqui este escrito. Laudate Deo


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