Nota Preliminar
Estas teses são fragmentos
esparsos, ou breves respostas a indagações, sobre temas variados em relação a
filosofia e a teologia, feitas entre 2021 e 2022; ao encontrar estas anotações
que estavam guardadas, decidi mantê-las na ordem em que foram escritas, apesar
da diversidade de assuntos, e as disponho desta maneira neste escrito.
§ 1
A analogia entis ajuda na
compreensão a respeito da existência de Deus, mas somente a analogia fidei
desvela-nos as maravilhas que se é estudar e contemplar as perfeições de Deus.
§ 2
Em suma, dois aspectos confluem-se
na reflexão sobre Deus:
1. A “forma” específica de Deus (Deo
in se) – Características específicas de Deus em Seu Ser perfeitíssimo.
2. A “forma” individual de Deus (De
Deo Uno et Trino) – Características individuais de Deus ou predicados de
Deus.
§ 3
A simplicidade dos decretos de
Deus. O decreto de Deus é uno. Os decretos de Deus são duplos: em relação a Providência,
com a Graça Comum; em relação a Redenção, com a Graça Salvífica. Pois, os
decretos divinos são graça. Os decretos de Deus são simples no tocante a sua
natureza; e o decreto de Deus é composto, isto é, é duplo, no tocante a sua
manifestação.
A simplicidade dos decretos de
Deus evidencia o caráter santo, justo e misericordioso do próprio Deus; o que,
por sua vez, também evidencia que os decretos tem uma estrutura interna una e
dupla: una porque os decretos são absolutos em relação a tudo e a todos, e
duplo porque os decretos são manifestos tanto em relação a Criação quanto em
relação a Nova Criação (Reconciliação).
§ 4
A conceituação “Deus é” é
um conceito simpliciter simples; isto é, é um conceito que não se reduz
a nenhum outro; donde a afirmação “Deus é” ser expressão singular da
simplicidade de Deus. No entanto, todo conceito simpliciter simples
também necessariamente puxa um conceito simpliciter não-simples, a
saber, algo que os seres humanos podem conceber sobre Deus.
Por isso, ao se afirmar “Deus
é” está se falando da essência de Deus, para o que tende o intelecto,
conquanto nesta vida os homens não consigam alcançar uma compreensão plena a
respeito da essência de Deus, embora possam alcançar um conhecimento exato
sobre a existência de Deus e as nuances que nisto estão imbuídas.
E como não é possível ao homem
natural conhecer plenamente as coisas de Deus, então se faz necessário entender
como os homens chegam a proposição de algum conhecimento sobre Deus. A sentença
“Deus é” só é acessível pela revelação. Todavia, a sentença “Deus é”
em termos de conceito simpliciter não-simples é concebido nos moldes de
que é possível conhecer naturalmente sobre Deus nesta vida, a saber, a
existência de Deus.
§ 5
A distinção entre theologia in
se e theologia in nos evita que se forme uma teologia natural
racionalista e kantiana.
§ 6
O conceito de Scotus do caráter
unívoco do conceito de ente é uma forma de se evitar o agnosticismo teórico e o
agnosticismo prático, bem como é utilíssimo para salvaguardar incólume o
propósito e a natureza da teologia natural.
§ 7
A revelação é revelação
trinitária; toda revelação é trinitária, e a revelação toda é trinitária. A
revelação é teocêntrica (Criação), a revelação é cristológica (Reconciliação) e
a revelação é pneumática (Santificação). E isto tanto em relação ao Ser de Deus
em Comunhão Eterna e Infinita, quanto em relação as obras de Deus.
§ 8
O conceito sobre a existência de
Deus advém de dois modos:
1. Teologia natural geral – Deus existe
(cf. Sl 19.1ss) – o primeiro motor, a causa primeira, o primeiro princípio,
etc.
2. Teologia natural especial –
Deus é o Criador soberano (cf. Hb 11.6) – O primeiro artigo do símbolo apostólico:
“Creio em Deus Pai, etc.”.
***
E termina aqui este escrito. Laudate
Deo!
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