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25/06/2026

Em Defesa de Orígenes

Prólogo.

 

1. A vós, prezados srs. da escolástica reformada, resolvi escrever depois que vi um post na rede social a respeito de Origenes; na postagem vós falastes que Orígenes é o “patrono do pelagianismo” e o “patrono do sinergismo”; e isso além de desrespeito com o maior dos teólogos, demonstra um profundo desconhecimento da obra que restou deste que no dizer do maior inimigo dos cristãos “foi o homem que atingiu o ápice do saber universal” - isto quem diz é o maior filósofo depois de Aristóteles. E se se fosse apenas evocar o argumento de autoridade isso já seria suficiente para aclarar a honra e a dignidade de Orígenes.

E as bases que vós citastes para estabelecer este argumento incorrem no mesmo erro do imperialismo que dominou a vida eclesial do séc. VI, no qual o infame Justianiano atentara contra as obras de Orígenes ordenando destruí-las. Veja-se bem: passaram-se 1500 anos e a inveja contra a autoridade de Orígenes continua a mesma; e é lamentável que vós continuais propagando este vilipêndio inominável. Na verdade, se vós como protestantes querem uma visão adequada sobre Orígenes deveriam ler Bullinger, que pelo menos em relação a Orígenes é um pouco razoável.

Com efeito, Orígenes não é pelagiano e nem é o “patrono do pelagianismo” (nem é o patrono do sinergismo)[1], pois a definição de Orígenes a respeito da salvação através da graça (cf. Ef 2.8-9), apesar de muitíssima de suas obras terem sido destruídas, é a visão mais equilibrada sobre este assunto[2].

2. Ora, se os srs. tivessem lido os comentários bíblicos restantes de Orígenes, principalmente o que restara do Comentário ao Evangelho de João (obra que já está traduzida em português) e do Comentário a Romanos (obra que em breve será traduzida), saberiam que do pensamento origenista não é pelagiano e nem dá base para o pelagianismo (ou o que se chama na teologia protestante de sinergismo). Uma coisa é o pensamento de Orígenes, outra coisa é o que Orígenes recolheu das diversas opiniões a respeito de um assunto - e o que restou de Orígenes são justamente críticas as opiniões que ele recolhia na análise de determinado assunto[3].

Na verdade, em seus escritos sobre a questão da salvação e da graça, Orígenes lutava contra os gnósticos que nesta época propagam uma doutrina da providência divina que era determinista ao extremo; Orígenes se opôs ao determinismo gnóstico, o qual ainda continua a influenciar algumas linhas da cristandade, inclusive entre os infames calvinianos dos quais os srs. são parte.

Com isso, tendo diante de mim vossa crítica a Orígenes, lhes respondo com as palavras que vem a seguir em defesa de Orígenes. Louvado seja Deus porque concedera à cristandade um homem genial e santo como Orígenes, e anátema a todos aqueles que ainda incorrem em invejas e maledicências contra Orígenes.

E minha resposta a vós consistirá em duas partes: a primeira, na qual elenco a grandeza da glória de Orígenes; a segunda, na qual confuto a opinião de Teófilo Gale.

 

Parte I: A Grandeza da Glória de Orígenes.

 

3. A grandeza da glória humana de Orígenes pode ser aferida a partir do que São Jerônimo dissera: “A grandeza da glória de Orígenes fica evidente” em “seu gênio imortal, como ele entendia de dialética, assim como de geometria, aritmética, música, gramática e retórica, e ensinava todas as escolas de filosofia, de tal maneira que tinha também alunos diligentes em literatura secular, aos quais dava aulas diariamente, e as multidões que acorriam a ele eram maravilhadas. Ele os recebia na esperança de que, por meio dessa literatura secular, pudesse firmá-los na fé em Cristo[4]; ora, a sentença de São Jerônimo é formidável, e demonstra no que consiste a grandeza da glória de Orígenes.

4. Orígenes, para a tradição patrística, é o homem de diamante; e não só em relação ao conhecimento ou a santidade, mas em relação a todas as virtudes e qualidades humanas que podem ser aferidas em um homem. Santo Atanásio dissera que Orígenes era um eruditíssimo e laborioso escritor[5]; e Santo Atanásio diz isso em sinal de elogio e em razão da autoridade (auctor) e da ortodoxia de Orígenes. E São Gregório de Nissa afirmara que Orígenes é o príncipe da cultura cristã, da filosofia cristã[6]. Estes e outros tantos testemunhos demonstram o porquê segundo o dito de São Jerônimo, Orígenes é adamatino, é Adamâncio, o homem de diamante, dado a excelência de seu conhecimento, o fulgor de sua santidade e a nobreza de suas qualidades humanas[7].

5. Ademais, Orígenes, para a tradição patrística, é o gênio imortal da cristandade; Orígenes é o maior dos gênios que já surgiram no cristianismo; os bispos de várias partes do mundo solicitavam a visita de Orígenes para soluções de problemas eclesiais, teológicos, filosóficos e intelectuais; a corte imperial o recebia com grande honra; etc.

O gênio imortal de Orígenes manifesta-se no domínio pleno que Orígenes tivera das disciplinas filosóficas e do saber teológico; Orígenes foi mestre sem igual em dialética, geometria, música, aritmética, gramática, retórica, lógica, literatura greco-romana, disciplinas as quais ensinava todo dia em multidões de alunos de todas as partes do mundo, de pessoas símplices aos grandes da terra, de teólogos a filósofos, de cristãos a ateus, todos acorriam a Orígenes para ouvir de sua sabedoria – assim como ocorria com Salomão (cf. 2Cr 9.23).

Do mesmo modo, Orígenes era mestre sem igual na Sagrada Escritura; ensinava e pregava todos os dias sobre os textos bíblicos aos mais variados tipos de ouvintes, dos catecúmenos aos experientes na fé; todos os dias Orígenes ensinava proficuamente sobre os livros da Sagrada Escritura – e no dia do Senhor, no domingo, pregava pelo menos duas vezes ao dia na Santa Liturgia.

E tudo isso Orígenes fazia, seja nas disciplinas filosóficas seja na teologia sagrada, a fim de que pudesse firmar seus ouvintes na fé em Cristo: aos que já eram cristãos a fim de edificá-los, aos que não eram cristãos a fim de levá-los a cristo; Orígenes foi um dos maiores evangelizadores de todos os tempos, levando em sua época milhares de pessoas a salvação em Cristo.

6. Ademais, Orígenes, para a tradição patrística, é o mais santo entre os teólogos; em Orígenes se tem a grandeza de um homem santo; São Gregório Taumaturgo afirmara sobre Orígenes: “Pois meu propósito é falar de alguém que tem, de fato, a aparência e a reputação de ser um homem, mas que parece, para aqueles que são capazes de contemplar a grandeza de seu calibre intelectual, ser dotado de poderes mais nobres e quase divinos”, pois, “meu assunto trata daquilo que há de mais divino no homem, e daquilo que nele tem maior afinidade com Deus, daquilo que está de fato confinado aos limites desta forma visível e mortal, mas que, no entanto, se esforça com mais ardor para alcançar a semelhança de Deus. E meu objetivo é mencionar isso, e dedicar-me a assuntos mais importantes, e também expressar minha gratidão à Divindade, por ter-me sido concedido encontrar um homem que superou as expectativas dos homens[8]. Ora, se São Gregório Taumaturgo, um homem que em vida foi usado por Deus em milagres, prodígios e maravilhas, testemunha isso e muito mais a respeito de Orígenes, então se tem uma prova indubitável da santidade de Orígenes.

7. Outrossim, é que Orígenes, em toda a história da cristandade, foi o filósofo e teólogo que mais sofrera com a inveja; nunca ninguém na história da cristandade foi tão invejado quanto Orígenes; isso por si demonstra a grandeza de Orígenes; quanto maior a inveja contra alguém maior é a grandeza deste alguém; e sobre a inveja contra Orígenes não somente o atesta São Gregório Taumaturgo e outros, mas o próprio São Jerônimo também afirma: “A Roma imperial consentiu com sua condenação e até convocou um senado para censurá-lo, não — como clamam os cães raivosos que agora o perseguem — por causa da novidade ou heterodoxia de suas doutrinas, mas porque os homens não conseguiam tolerar a incomparável eloquência e o conhecimento que, uma vez que ele abria os lábios, faziam os outros parecerem mudos[9]; a inveja contra Orígenes, como dissera São Jerônimo, não se manifesta por causa de erros e heresias, mas pela sobre-excelência de Orígenes, que superava qualquer intelectual, filósofo e teólogo; e isso gerou inveja dos medíocres e daqueles que quiseram subjugar a cristandade sob o domínio imperial.

8. Ora, tendo aclarado alguns aspectos sobre a grandeza da glória de Orígenes, convém esclarecer alguns aspectos sobre sua obra, a fim de explicar no que de fato consistem as reais dificuldades com as obras de Orígenes; Orígenes escrevia, ditava, ensinava e pregava todos os dias; e não só em teologia, mas também em filosofia, ciência e literatura; e tudo isso era transcrito por alguns que o serviam para preservar seus ensinamentos por escrito; como eram obras transmitidas oralmente, e dado o volume de escrita e o ritmo sobre-humano de trabalho, Orígenes não teve tempo para revisar a maior parte de suas obras.

E na transmissão oral ocorrem dois problemas: a pessoalidade da transmissão e o problema da corrupção por quem transcreve; toda a Igreja Antiga reconheceu que muitas das obras de Orígenes foram corrompidas justamente porque foram mal transcritas e mal copiadas pelos amanuenses, seja por desatenção seja por inveja (muito provavelmente por causa de inveja).

De fato, e isso é algo surpreendente, Orígenes escreveu durante quase 50 anos mais de centenas de páginas por dia, entre homilias, cartas, lições, comentários, tratados, explicações, etc.; nunca ninguém em nenhuma área do saber teve tanta prolixidade como Orígenes; certamente, Orígenes foi o autor mais prolífico da história.

9. Além disso, na filosofia, sem sombra de dúvida, Orígenes está em pé de igualdade com Platão e Aristóteles; o dito de São Jerônimo afirmado no início comprova isso, e o dito de São Vicente de Lérins também comprova isso: “O esplendor de seu conhecimento e de sua erudição em geral era tal que havia poucos pontos de filosofia divina, e quase nenhum de filosofia humana, que ele não dominasse completamente[10]; e se não se aceita a autoridade de São Jerônimo, então que se aceite o testemunho de Porfírio, o maior inimigo dos cristãos, que diz que Orígenes “foi o homem que atingiu o ápice do saber universal” – o dito de Porfírio põe Orígenes em pé de igualdade com Platão e Aristóteles.

10. Com efeito, a influência de Orígenes na filosofia é tão grande que os maiores filósofos platônicos da era cristã tem a influência plena do neoplatonismo origenista - na verdade o platonismo e o neoplatonismo da era cristã, em suma, é origenismo; ora, Plotino, Porfírio, e outros filósofos platônicos e neoplatônicos tem sua seiva intelectual e filosófica em Orígenes; além do que, menciona-se que além da teologia, intelectualmente e filosoficamente, Santo Agostinho é um neoplatônico origenista; aliás, até o método de escrita e análise de Santo Agostinho é uma imitação menos perfeita e mais compacta do método de Orígenes; o estilo das obras de Agostinho é o estilo origenista. E o que se dirá então dos Padres Capadócios, os mais geniais entre os Padres da Igreja, os quais foram totalmente esmerilados na teologia e na filosofia pela influência de Orígenes. De fato, Orígenes é o maior dos platônicos na era cristã, e poder-se-ia também afirmar, sem nenhum exagero, que Orígenes fora o maior dos filósofos da era cristã.

11. Outrossim, é que os títulos dos Padres da Igreja são expressão menos perfeita dos títulos do próprio Orígenes; por esta razão, um dos Padres da Igreja afirmara que Orígenes foi a pedra de amolar de todos nós, isto é, de todos os Santos Padres; por isso, Orígenes é o maior dos Padres da Igreja; não somente o maior dos Padres da Igreja, mas o maior dos teólogos.

Além disso, Orígenes é santo; sem sombra de dúvida Orígenes deve ser chamado de Santo Orígenes o Teólogo; pois, ninguém na história da cristandade foi mais digno do título de “Teólogo” do que Orígenes; a grandeza da glória de Orígenes o faz ele ser muitíssimo superior a junção de todos os Santos Padres latinos e gregos.

E segredo que amo Santo Agostinho e amo Santo Tomás de Aquino, mas depois de estudar os textos restantes de Orígenes, e analisar aspectos de sua obra e influência, pude constatar como fato indubitável que Orígenes é muito maior de que o aquinate e o bispo de Hipona juntos.

12. A autoridade de Orígenes viera não somente de sua vida santa, e de sua obra, mas também do saber que Orígenes reuniu ao redor de si; a biblioteca de Orígenes é a maior e a mais importante biblioteca da Igreja Antiga; Orígenes reuniu consigo manuscritos bíblicos, de filósofos, de autores orientais, etc., enfim de todo o saber da época; Orígenes tinha em mãos os autógrafos dos textos bíblicos, tinha os últimos manuscritos de obras de Pitágoras, textos perdidos de Platão e de Aristóteles, e de outros filósofos e intelectuais; grande parte do saber que havia sido perdido na queima da biblioteca de Alexandria, e do qual havia ainda apenas algumas cópias sobreviventes fora preservado e conservado por Orígenes em sua biblioteca; mas, infelizmente com a destruição da obra de Orígenes, sua biblioteca também fora destruída, e assim se perdeu as últimas cópias de obras de Pitágoras, Platão, Aristóteles, os autógrafos dos textos bíblicos do novo testamento, e outros textos importantes.

13. E pelo fato de ter reunido os autógrafos dos textos bíblicos, Orígenes abalizou a crítica bíblica para plena formação do cânon do Novo Testamento; quem aferiu, comparou, abalizou, definiu e organizou o cânon do Novo Testamento, a partir dos instrumentos da crítica, e dos argumentos teológicos, fora Orígenes; e Orígenes o fizera com maestria incomparável; o cânon do Novo Testamento, depois definido cabalmente pela Igreja como um todo, fora abalizado e confirmado por Orígenes.

A formação do cânon do Novo Testamento, e os critérios de fechamento do cânon, foram abalizados e estabelecidos pelo homem de diamante. A Hexapla é apenas um dos testemunhos da maestria de Orígenes com relação a crítica textual sóbria do texto sagrado e de sua tarefa em abalizar a regra do cânon escriturístico.

13. Ora, estes aspectos evocados são mais do que suficientes para demonstrar quem é Orígenes, e no que consiste o dito de São Jerônimo sobre a grandeza da glória de Orígenes; o homem de diamante da cristandade, o homem com os nervos de aço, da santidade que exala o perfume de Cristo, da sabedoria mais fulgurosa do que os ensinamentos salomônicos, do teólogo maior, do filósofo que podia falar de igual para igual com Platão e Aristóteles, etc.; este é Orígenes, e esta é a grandeza de sua glória tal como outorgada por Deus.

Por isso, aqueles que atentaram e os que atentam contra Orígenes estabelecem-se como algozes da cristandade; além do que, se alguém quisesse analisar a imensa obra de Orígenes isso seria algo impossível de se fazer, dado a extensão imensa de sua obra; um autor de mais de seis mil (6.000) livros não pode ser analisado com simplismos e reducionismos de imbecis e invejosos; todavia, sem compreenderem isso, os invejosos conseguiram destruir a obra de Orígenes para anematizá-lo e não deixar margens para que ele pudesse ser defendido a partir do que ele mesmo escreveu.

Com efeito, contra Orígenes cometera-se a maior das covardias intelectuais entre os homens; mas isso não muda a grandeza da glória de Orígenes; não se tem mais sua imensa obra, mas se tem o testemunho dos Santos Padres sobre a grandeza da glória de Orígenes; e isso é o que conta.

Glória a Deus pelos Santos Padres que souberam sempre reconhecer e honrar sem meios termos a dádiva divina outorgada a Santa Igreja através de Orígenes.

 

Parte II: A Confutação da Opinião de Teófilo Gale.

 

14. Depois de ter explicado no que consiste a grandeza da glória de Orígenes, passemos, pois, para a confutação da opinião de Teófilo Gale; ora, se se fosse utilizar do argumento de autoridade, a partir do que já fora afirmado, a opinião de Teófilo Gale seria desautorizada de antemão; o testemunho dos Santos Padres são mais autorizados do que o testemunho de outros estudiosos; no entanto, como convém a reta razão também este proceder confutatório, se seguirá a confutação da opinião de Teófilo Gale e de outros, as quais já estão confutadas pelo testemunho dos Santos Padres sobre a grandeza da glória de Orígenes e de sua ortodoxia e ortopraxia.

15. [A opinião de Teófilo Gale] A opinião de Teófilo Gale é manifestação do erro inerente a heresia protestante, a de se acharem superiores a quem lhes é imensamente superior intelectualmente. Não há ninguém na história da cristandade que possa falar de Orígenes como se lhe fosse superior.

Mas, vamos às sentenças de Teófilo Gale:

(i) A primeira sentença de Gale que os srs. se utilizam é a que ele fala sobre a vaidade da ética pagã; num sentido está correto, pois se se analisar apenas do ponto de vista da fé, a ética pagã literalmente é herética; todavia, do ponto de vista racional, a ética dita pagã tem muito a contribuir, principalmente no que diz respeito a vida natural e as virtudes naturais; de fato, a ética pagã não fala sobre a graça, mas a graça não anula o que é próprio da natureza, lembrando o dito de Santo Tomás de que a graça não tolhe, mas aperfeiçoa a natureza (cf. STh Ia, q. 1, a. 8, ad 2); portanto, se se for apenas do ponto de vista racional, a ética pagã tem muita validade, e como Orígenes também era um filósofo e ensinava numa escola filosófica, suas ponderações a este respeito estão corretíssimas, dado o caráter racional dos ensinamentos sobre a ética natural. Ora, os srs. calvinianos tem uma formulação da Graça Comum assaz secularizada e ainda querem criticar Orígenes porque ele valorizava a ética pagã nas coisas puramente naturais; a doutrina calviniana é muito pior do que os srs. criticam de Orígenes neste quesito; basta lembrar do plágio que os calvinianos fazem das ideias zwinglianas; num geral, os calvinianos tem dificuldade em confiar na reta razão em assuntos naturais geralmente porque são em sua maior parte uma corja de imbecis; etc.

(ii) A segunda sentença de Gale que os srs. se utilizam é a que Gale critica Orígenes porque supostamente Orígenes fizera a fonte de sua obra a confiança na reta razão, na boa natureza, no livre-arbítrio, das coisas ditas em nosso poder, nas sementes da virtude, etc.; ora, como fora dito Orígenes também era um filósofo, e um filósofo procede em relação ao saber racional com a confiança e o fundamento nestes aspectos; quanto a isso não há nenhuma heresia e nem desprezo a Revelação de Deus; estes aspectos dizem respeito ao lume da luz interior; e na filosofia a reta razão impera, a boa natureza é honrada, o livre-arbítrio é valorado, as sementes da virtude são ensinadas e inculcadas; neste quesito, Orígenes foi o mestre maior entre os platônicos e entre os neoplatônicos. E não venham os srs. com estas loucuras de querer acusar de heresia o proceder filosófico na filosofia, porque isso é loucura defasada e pietizada que os srs. desordenadamente propagam. A sentença de Gale é infame e imbecilizante, e os srs. ainda propagam esta imbecilização.

(iii) A terceira sentença de Gale que os srs. se utilizam é que Gale afirma que os Padres Gregos, entre os quais Orígenes, absorveram o pensamento filosófico com avidez, os quais segundo Gale exaltavam estes aspectos sem fim e nem medida; ora, Gale comete erro de princípio; de fato, os Padres Gregos valoravam o uso da reta razão, do pensamento filosófico, como preparação para o saber teológico, e nisto Orígenes superou seu predecessor, São Clemente de Alexandria; mas Orígenes não confundiu as esferas de ação da filosofia e da teologia, embora em sua obra, assim como por exemplo em Santo Agostinho, não haja separação cabal entre filosofia e teologia - o que em sentido teórico só ocorrerá plenamente com Santo Alberto Magno; ora, para comprovar isso bastaria que os srs. lessem a Epistola ad Gregorium para entender como Orígenes estabelece este assunto; etc. Aliás, neste sentido Orígenes é clementino, e amplia com uma erudição e saberes ainda maiores o preceito pedagógico do grande professor alexandrino. Os Padres Gregos não valorizavam a sabedoria filosófica sem medida, apenas a valoravam no âmbito humano como a glória maior que o intelecto natural nesta vida alcançou sobre a compreensão da verdade.

16. [Os argumentos de Gale] Os argumentos básicos utilizados por Gale, tal como evocado pelos senhores, baseia-se em cinco pressupostos, os quais são: (i) para Gale, Orígenes tinha uma indiferença a respeito do livre-arbítrio; (ii) para Gale, Orígenes tinha uma suposição de que a Lei da Natureza é suficiente para nos conduzir a viver bem; (iii) para Gale, Orígenes tinha uma suposição muito elevada na defesa dos méritos e da perfeita justiça; (iv) para Gale, Orígenes ocasionara a destruição da livre eleição, predestinação, etc.; (v) para Gale, Orígenes negou e destruiu a noção de pecado original, da graça, etc.

Analisemos estes aspectos:

(i) Obviamente, a crítica de Gale tem o tipo de ambiguidade inerente a quem desconhece o assunto analisado; primeiro, Gale acusa Orígenes de super-valorar o livre-arbítrio, depois o acusa de ter uma indiferença a respeito do livre-arbítrio (em suma, contradição de termos formal, ou seja, burrice e imbecilidade); e como fora afirmado, Orígenes não era indiferente nem super-valorava o livre-arbítrio, apenas combatera com veemência o erro da dialética gnóstica quanto a potência do livre-arbítrio nas coisas naturais. Com efeito, Orígenes não era indiferente ao que os antigos chamavam de livre-arbítrio, apenas sabia analisá-lo de maneira adequada em seu devido contexto na filosofia e na teologia.

(ii) E nisto Orígenes está totalmente correto; quanto as coisas humanas, a Lei da Natureza, ou Lei Natural, é suficiente para a vida humana; evidentemente a Lei Natural não é salvífica, mas é ordenadora para o que concerne a vida humana neste mundo; pelos preceitos da Lei Natural se consegue haurir um modo de vida virtuoso neste mundo; etc. Aliás, quanto a isso os srs. deveriam consultar o comentário de Orígenes a Rm 2.12-16.

(iii) A defesa de Orígenes dos méritos e da perfeita justiça está em concórdia com o ensinamento racional sobre a vida humana; os méritos dizem respeito as ações virtuosas praticadas com relação a vida humana; e a perfeita justiça diz a aplicação da ordem no todo da vida humana; Orígenes defendia os méritos porque aqueles que alcançam nesta vida alguns méritos são dignos de honra pelos méritos alcançados; e a vida meritória engendra a perfeita justiça para a vida humana, a de dar a cada um o que lhe convém (cf. Rm 13.7). O problema é que os srs. calvinianos confundem mérito ou vida meritória com meritocracia; na vida humana é possível, pela Lei da Natureza, alcançar méritos grandiosos; mas isso não significa que o ser humano espiritualmente seja aceito diante de Deus por seus méritos, senão isso seria ato meritocrático; Orígenes nunca ensinou meritocracia, mas sempre valorou a vida meritória nas coisas humanas ao mesmo tempo em que valorou o poder da graça para a salvação do ser humano.

(iv) Orígenes não ocasionou a destruição da ideia de livre eleição, predestinação e similares; basta ler seu comentários bíblicos aos textos que falam de eleição, predestinação e similares, e ver-se-á o que Orígenes ensina a este respeito; na verdade, quem mais falou sobre eleição, predestinação e similares entre os Padres da Igreja fora Orígenes; o ensinamento origenista concatena adequadamente o ensinamento sobre a eleição e a predestinação com a compreensão sobre a liberdade humana, sobre a necessidade de perseverança nos fiéis, etc. Com efeito, Orígenes demolira fora o falso determinismo gnóstico que tem uma compreensão defasada sobre a eleição, sobre a predestinação, sobre o livre-arbítrio, etc., a qual infelizmente ainda é propagada por muitos calvinianos.

(v) Orígenes não negou a ideia de pecado original e nem negou a eficácia da graça; embora o termo pecado original surja com Santo Agostinho, Orígenes não negou os efeitos do Pecado no ser humano quanto as questões espirituais, Orígenes apenas ensinava que mesmo após o Pecado há no ser humano ainda algumas coisas boas no tocante a vida natural; do mesmo modo, Orígenes não negava a eficácia da graça, mas não menosprezava os méritos humanos em função de uma compreensão gnóstica da graça; Orígenes foi um pregador da graça de Deus, e em seus comentários bíblicos e homilias sempre deixou claro a necessidade da graça para a salvação do pecador, mas nunca deixou que isso se transformasse na rejeição gnóstica dos méritos na vida natural.

17. Além disso, os srs. também evocam a opinião de Jansênio, a qual nem deter-me-ei a analisar porque incorre exatamente nos mesmos erros das sentenças de Gale. No entanto, convém ainda analisa as críticas de São Jerônimo que os srs. evocam; como se sabe São Jerônimo traduziu e divulgou muitas obras de Orígenes, e o tinha como um grande mestre intelectual que em seus comentários o ensinara muitíssimo; a biblicidade de São Jerônimo é a biblicidade origenista; a teologia bíblica de São Jerônimo é edificada sobre as imensas possibilidades da exegese bíblica abertas pelos comentários bíblicos de Orígenes; São Jerônimo foi um grande comentarista das Sagradas Escrituras porque aprendeu de Origenes o Comentador das Sagradas Escrituras; etc.

18. Os srs. evocam as sentenças de São Jerônimo contra o pelagianismo; numa destas sentenças, São Jerônimo evoca a pressuposição de que a doutrina de Pelágio era apenas um ramo da doutrina de Orígenes, como diz a Ctesifonte: “muito de seu ensino pode ser rastreado até Orígenes[11]; conquanto São Jerônimo tenha sido abrupto contra o pelagianismo - algo corretíssimo - suas críticas ao pensamento origenista nestas obras, como se mostra evidente pelo propósito das mesmas, se dá não tanto por erros de Orígenes, mas pela utilização errônea do pensamento origenista por muitos escritores, tal como Rufino e outros; São Jerônimo não critica propriamente a Origenes, mas a utilização pelagiana de Orígenes para tentar fundamentar o pelagianismo; pois, uma coisa é Orígenes ter descrito as possibilidades desta doutrina, o que acertou com precisão assombrosa, e outra coisa é Orígenes ter defendido esta doutrina; Orígenes nunca defendeu estas heresias, mas as explicou tão bem explicado que chega até parecer que era adepto de algumas delas.

Ora, Orígenes não era pelagiano ou algo similar, mas descreveu o pelagianismo bem antes do mesmo ser propagado por Pelágio, pelas razões já aduzidas; o ensino dos pelagianos ser rastreado até Orígenes não significa que Orígenes era o precursor do pelagianismo, pois como se sabe Orígenes apenas descreveu esta heresia antes dela tomar forma com Pelágio, porque era uma doutrina gnóstica que assolou a Igreja no período apostólico e no período dos Pais Apostólicos (sécs. I-II), e que perdurou posteriormente, até tomar forma cabal com Marcião, Pelágio, Ário e outros.

19. Outrossim, é que em relação ao pensamento de Orígenes há de se entender inicialmente duas coisas: primeiro, o que Orígenes analisou e descreveu; segundo, o que Orígenes propriamente desenvolveu.

Ora, quanto ao primeiro, Orígenes descreveu todas as escolas filosóficas e teológicas até sua época, e ainda catalogou e descreveu os erros e acertos de cada uma, e isto em meio as suas numerosas análises sobre todo e qualquer assunto; por exemplo, em meio a um comentário bíblico maior, se a explicação do texto sagrado se defrontasse com algum erro e/ou heresia, Orígenes parava a explicação bíblica, e analisada este erro e/ou heresia em todas suas possibilidades, e depois retornava para a explicação bíblica; ele também fazia isso em relação a literatura e a filosofia.

E em relação ao segundo, é onde se tem o pensamento propriamente dito de Orígenes, que se desvela principalmente em seus muitos comentários bíblicos, tratados filosóficos e também em suas milhares de epístolas. E, infelizmente, com a destruição da obra de Orígenes, só restaram as críticas contra o que ele descreveu, e não restou quase nada sobre o que ele propriamente desenvolveu.

20. Outro aspecto é que a tentativa de colocar Orígenes como o cultor do pelagianismo, ou o antecessor do pelagianismo, incorre em erro de falácia histórica e de falácia de princípio, e também evidencia uma neurose terrível em relação a heresia pelagiana; pois, o núcleo do pelagianismo remonta ao primeiro século, ao gnosticismo, não a Orígenes; Orígenes apenas abalizou estas opiniões e as ordenou como análise de parte de uma escola filosófica que infelizmente ganhou expressão teológica.

De fato, os gérmens do pelagianismo não surgem com Orígenes, mas Orígenes o catalogou e descreveu suas características antes mesmo de Pelágio incorrer em suas heresias; Pelágio apenas desenvolveu algo comum aos gnósticos e a dialética do determinismo gnóstico, algo que Orígenes lutou contra a vida inteira. Atribuir a Orígenes a patronicidade do pelagianismo, ou do que os srs. calvinianos chamam de sinergismo, é um erro crasso tanto no sentido histórico quanto no sentido principiológico.

Na história do desenvolvimento do pelagianismo, assim como de todas as outras heresias antigas, Origenes não é o cultor das mesmas, mas apenas aquele que as catalogou e descreveu em todas suas possibilidades; se Orígenes tivesse sido levado a sério neste ponto, e a inveja não tivesse se avolumado contra ele, nenhuma destas heresias teria ganhado força, pois Orígenes teve a hercúlea iniciativa de descrevê-las em suas todas suas nuances e possibilidades para alertar e possibilitar a confutação destas heresias mortíferas.

Com efeito, Orígenes foi o maior heresiológo da história da Igreja, pois ninguém descreveu tantas heresias e com tanta precisão quanto Orígenes; em sentido anamnésico, Orígenes foi o “profeta” que anteviu as grandes heresias.

21. E, por fim, gostaria de tecer algumas considerações finais, pois por ora o que fora dito basta para o propósito referido no início; como fora dito, a grandeza da glória de Orígenes fora algo atestado e comprovado pelos Santos Padres; e não somente pela Santa Igreja, a glória de Orígenes foi reconhecida em todo o mundo por humildes e poderosos, por filósofos e pessoas símplices; todo o mundo da época conhecia e reconhecia Orígenes como a maior autoridade no saber seja na filosofia seja na teologia.

Portanto, que as palavras evocadas contra as imbecilóides críticas de alguns autores protestantes contra Orígenes seja suficiente para aclarar que as críticas protestantes contra o pensamento origenista é fruto da mesma inveja do séc. VI de quando foram hediondamente destruídas quase todas as obras de Orígenes.

A grandeza da glória de Orígenes não foi ofuscada por homens invejosos e vis: a usurpação contra Orígenes custou à cristandade o domínio na cultura, e isso é um preço alto demais que a cristandade pagou por aceitar indolentemente a usurpação contra a maior autoridade em todos os campos da sagrada teologia.

22. E termina aqui esta breve apologia em prol de Orígenes. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém. 



[1] Esta dialética dissociada entre monergismo e sinergismo é loucura da teologia protestante; além de ser uma distinção mal aplicada, não convém ao equilíbrio patrístico (e escolástico) a respeito da salvação pela graça.

[2] E chega-se a esta conclusão a partir de uma correta doxografia das opiniões de Orígenes; pois, mesmo que sua imensa obra tenha sido quase que totalmente destruída, restaram muitas análises e ponderações sobre suas ideias; e em relação a compreensão sobre a graça, tanto a natural quanto a salvífica, as proposições origenistas são assaz ortodoxas. A doxografia de Orígenes comprova isso de maneira apodítica.

[3] Orígenes neste quesito procedia como Aristóteles. O Filósofo primeiro coletava e organizava as várias opiniões a respeito de um assunto, depois as analisava, e por fim, desenvolvia o saber concernente a este tópico; Orígenes fazia exatamente isso; o problema é que com a destruição das obras de Orígenes, restaram apenas as críticas contra os argumentos coletados como se fossem as próprias sentenças de Orígenes.

[4] São Jerônimo, De Viris Illustribus, cap. LIV.

[5] cf. Santo Atanásio, Epistola IV ad Serapionem, n. 9.

[6] cf. São Gregório de Nissa, De Vita B. Gregorii Thaumaturgi, In: PG XLVI, 905.

[7] Aqui menciona-se um fato curioso, que pode ser aferido corretamente a partir dos testemunhos sobre Orígenes, principalmente daqueles que estudaram pessoalmente com ele, tal como São Gregório Taumaturgo, etc.; diz-se que Orígenes possuía uma beleza tão grande, que as mulheres concorriam para escutá-lo simplesmente para ficar olhando para ele. Ora, com isto também se pode afirmar que Orígenes foi o “galã” da cristandade. 

[8] São Gregório Taumaturgo, Oration and Panegyric Addressed to Origen, cap. II. 

[9] São Jerônimo, Epístola 33, n. 4. 

[10] São Vicente de Lérins, Communitorium, cap. XVII, 43. 

[11] São Jerônimo, Epístola 133, n. 3. 


14/04/2026

Breve Apologia Contra os Lefebvrianos

Prólogo.

 

1. O tradicionalismo lefebvriano é um grande perigo para a fé reta e sólida; na verdade, o lefebvrianismo é um rothschildianismo da fé ou um rockefellerianismo da fé; a vil conduta e a perfídia intelectual dos lefebvrianos os tornam terríveis inimigos da fé; pois, o lefebvrianismo se tornou em relação a religião o que os grupos da elite globalista são em relação a humanidade.

Ora, se isso ocorreu de maneira consciente ou não, não se dá para saber ao certo; no entanto, algo é inegável, a saber, o lefebvrianismo enquanto movimento eclesial é fruto da vontade de poder do globalismo, a qual infelizmente se assomou a religião; e isto se patenteia, entre tantas provas, pelo fato de que o ecumenismo patrístico foi substituído no séc. XX pelo ecumenismo globalista, e ninguém escapa aos efeitos desta substituição.

Aliás, a própria atitude dos lefebvrianos em buscarem defender a Tradição com a intenção totalmente corrompida demonstra cabalmente esta sujeição para com a vontade de poder do “globalismo”.

2. Deste modo, ao se analisar o lefebvrianismo como “movimento eclesial”, se deve ponderar uma série de outras questões que vão além da análise eclesiológica; pois, todo “movimento eclesial” surge como resposta a algum problema teológico-eclesial ou por causa da falta de busca por solução a algum problema teológico-eclesial; e os movimentos eclesiais sempre buscam ser alguma resposta a estes problemas, mas de fato acabam propagando outros problemas e agravando ainda mais outros problemas.

E o tradicionalismo lefebvriano não foge a esta regra; embora se tenha entre os lefebvrianos aqueles que realmente buscam viver a fé reta e sólida, o movimento lefebvriano se tornou em si mesmo um problema maior do que os problemas que dizem enfrentar; assim, infelizmente o lefebvrianismo se tornou o que diz combater.

Ora, como o lefebvrianismo promove isso, então se faz necessário apologizar contra o lefebvrianismo, pois a corrupção espiritual que emana do lefebvrianismo é maior do que a corrupção espiritual que estes dizem estar dominando a Igreja após o Concílio Vaticano II.

 

Capítulo I: Os problemas espirituais na conduta dos lefebvrianos.

 

3. A insolência e a luxúria são, respectivamente e ao mesmo tempo, inimigas da verdade e da virtude; onde não há verdade não há virtude, e vice-versa; assim, onde há insolência e luxúria, principalmente em se tratando da fé, há a demonstração que a verdadeira fé ou não fora experienciada ou então ocorrera apostasia da fé; a fé reta e sólida se manifesta sempre em ordem a virtude e a verdade, em contraposição a insolência e a luxúria que sempre são manifestações contra a virtude e contra a verdade.

E a conduta e os preceitos que tem guiado a ação dos lefebvrianos tem sido expressão inconcussa de insolência e de luxúria, posto os lefebvrianos não só estarem contra a verdade, mas também contra a virtude: pois ao corromperem a intenção da doutrina acabam por corromper a própria doutrina.

Além disso, os lefebvrianos também estão calcinados na desobediência e na obstinação espiritual; pois, algumas das ações dos lefebvrianos consistem em atos cismáticos, ao tentarem usurpar a autoridade do Sumo Pontífice, o que se estabelece a partir do direito canônico[1]; e também por tentarem usurpar a autoridade dos Santos Padres, ao promulgarem-se defensores da Tradição ao mesmo tempo em que vituperam vários preceitos teológicos fundamentais tidos como indubitáveis pelos Santos Padres.

Assim sendo, os lefebvrianos são participes em desobediência e obstinação espiritual tanto em relação a solidez da fé quanto em relação a retidão da fé. Embora se tenham poucas exceções neste quesito, o movimento lefebvriano consiste fundamentalmente em desobediência e obstinação espiritual.

4. Por isso, a conduta dos lefebvrianos apresenta uma série de problemas espirituais; os quais, por sua vez, atestam não só corrupção espiritual, mas também o impedimento da sabedoria de adentrarem ao templo do saber; os lefebvrianos não somente tem sido permeados por problemas espirituais, e morais, mas também por problemas intelectuais; infelizmente, um movimento que diz defender a Tradição está decaindo em conduta herética-cismática-apostasiosa e em imbecilidades mórbidas.

Ora, Boécio instruíra a não se compartilhar as considerações da sabedoria com aqueles que não permitem que nada seja tomado sem jogo e sem risadas[2]; pois, como Sto. Tomás dissera, aqueles que não suportam nada além dos jogos e das risadas são aqueles que não suportam nada ordenado e disposto corretamente[3].  

E, de fato, os lefebvrianos ao agirem em insolência, luxúria, desobediência e obstinação espiritual, demonstram que não buscam o que concerne ao saber teológico, já que demonstram em si mesmos que não suportam nada ordenado e disposto corretamente. Isto se patenteia, pois, não só pela conduta dos lefebvrianos, mas pelos ensinamentos que em sua maior parte são propagados pelos lefebvrianos, especificamente os lefebvrianos midiáticos.

 

Capítulo II: A intenção corrompida na defesa da Tradição.

 

5. Com efeito, a problemática do lefebvrianismo inicia com o fato de terem a intenção corrompida na defesa da Tradição; pois, segundo Sto. Tomás, a doutrina se corrompe ou pelo que é ensinado ou pela intenção com que se ensina[4];e a intenção dos lefebvrianos na defesa da Tradição está totalmente corrompida: dizem defender a Tradição e não possuem retidão.

Na verdade, os lefebvrianos tem decaído em três erros: (i) o caminho de Caim, (ii) o engano de Balaão, e, (iii) a contradição de Corá; aliás, a respeito destes erros a Sagrada Escritura apresenta um grave alerta, o qual também serve de alerta contra os lefebvrianos: “Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais, se corrompem. Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Corá” (Jd 1.10-11).

E estes são os erros dos lefebvrianos: (a) dizem mal do que não sabem; (b) se corrompem naquilo que sabem como animais irracionais; e, (c) por esta razão perecem nos mesmos erros de Caim, Balaão e Corá. Com efeito, os lefebvrianos ou entram pelo caminho de Caim (cf. Gn 4.8-15), o caminho da inveja e do despudor espiritual (cf. 1Jo 3.12); ou são levados pelo engano de Balaão (cf. Nm 22-24), o engano que se move contra a verdade revelada (cf. Jr 9.6); ou perecem na contradição de Corá (cf. Nm 16), a contradição que provoca divisão e cisma (cf. Tg 4.1-2). E não só os lefebvrianos, mas em grande medida os “grupos” tradicionalistas católicos são permeados pelos mesmos erros, além de se tornarem “bolhas” extremamente sectárias.

6. Ora, a intenção corrompida na defesa da Tradição é o pior inimigo da própria Tradição; o preceito nietzschiano ensina que “a maneira mais pérfida de prejudicar uma causa é defendê-la propositalmente com más razões[5]; aqueles que dizem defender a Tradição, mas tem a intenção corrompida, são os que mais prejudicam a própria Tradição; pois, a Tradição Apostólica não é um museu de tesouros que se visita esporadicamente quando se tem vontade, mas Tradição é memória viva: os que dizem defender a Tradição e tem a intenção corrompida tomam a Tradição como se fosse um museu faraônico. No entanto, a Tradição é viva, pois faz parte da vida da Igreja militante em todas as épocas: passado, presente e futuro.

Por isso, a intenção corrompida dos lefebvrianos é uma afronta aos santos do passado, um vilipêndio aos santos do presente e um atentado contra os santos do futuro; o lefebvrianismo desfigura a vitalidade da Sagrada Tradição em função de “promovê-la” com a intenção corrompida; a Sagrada Tradição, assim como a Sagrada Escritura, só pode ser ensinada, promovida e defendida onde se tem doutrina correta, conduta correta e sentimento correto, isto é, onde há ortodoxia, ortopraxia e ortopatia.

Com efeito, convém plenamente àqueles que buscam defender a Tradição que tenham doutrina santa, conduta santa e sentimento santo, pois do contrário acabam por desfigurar a própria Tradição - como de fato o fazem os lefebvrianos e outros.

 

Capítulo III: A dialética dos efeitos do tradicionalismo lefebvriano.

 

7. E a consequência dos problemas espirituais do lefebvrianismo, assomada com a intenção corrompida na defesa da Tradição, cristaliza a formação de uma “dialética” lefebvriana; pois, esta dialética que se torna inerente ao lefebvrianismo faz com que o tradicionalismo lefebvriano propague uma forma de ideologização da Igreja; pois, a partir da dialética eclesial lefebvriana a Igreja se divide em modernistas e tradicionalistas, e isto, por sua vez, tem por consequência a formação de uma Igreja modernista e uma Igreja tradicionalista, ou seja, criou-se moldes eclesiais da mesma lixaria política da briga entre esquerda e direita.

8. Aliás, os próprios tradicionalistas lefebvrianos criaram uma bolha católica em nome da “tradição”, a qual é respondida com a mesma insolência com outra bolha católica em nome da “modernização”. Assim, criou-se duas “igrejas” dentro da Igreja: uma que diz defender a Tradição e tem a intenção corrompida, os tradicionalistas, e outra que diz buscar “novos ares” do Espírito e corrompe a doutrina, os modernistas.

O tradicionalismo lefebvriano propaga este dualismo eclesial, e calcifica ainda mais a dialetização da vida interna da Igreja, tal como os modernistas também o fazem. Na verdade, o lefebvrianismo assomou na esfera eclesial o princípio contra-dominador da dialética das ideologias históricas de Hegel (os modernistas assomaram o princípio dominador da dialética das ideologias históricas de Hegel).

9. Expliquemos isso; na dialética das ideologias históricas de Hegel (cf. Ph VII)[6], quando se tem o que Hegel chama de sociedades “pacíficas” (em sentido sócio-filosófico, sociedades kantianas), de quando o pacifismo domina toda uma sociedade, então, as artes, a literatura e a religião serão permeadas por este pacifismo em maior ou menor grau; mas, este pacifismo que nada tem de paz real e verdadeira, gesta um tipo de secularismo que sempre gera algum princípio que busca se sobrelevar a indolência social (e/ou espiritual) deste pacifismo (o princípio dominador ou orientador), o qual influi nas artes, na literatura e na religião (especialmente na religião).

Tendo, pois, sido declarada a vitória do pacifismo kantiano após Segunda Guerra Mundial, este pacifismo gerou uma indolência existencial-espiritual, que se secularizou a tal ponto, que isto fez com que o modernismo do final do séc. XIX tenha sido ressuscitado com total força[7], que gerou um princípio dominador/orientador modernista, o modernismo que busca se sobrelevar a indolência do pacifismo na religião (ou nas artes ou na literatura), mas que acaba por secularizar ainda mais a própria religião.

Ora, de acordo com a dialética das ideologias históricas de Hegel, onde surge um princípio dominador ou orientador, logo surge também o princípio contra-dominador ou contra-orientador; como o princípio dominador que surgiu na secularização da religião foi o modernismo, o princípio contra-dominador que surgiu um pouco depois foi o tradicionalismo, que tomou forma mais específica através do tradicionalismo lefebvriano (e também através de outros grupos católicos ditos tradicionalistas).

De fato, a partir de uma anamnese filosófica, o lefebvrianismo é expressão desse aspecto inalterável da dialética das ideologias históricas.

10. Deste modo, a “dialética” do lefebvrianismo é, em primeira instância, efeito da dialética hegeliana; pois, o lefebvrianismo se tornara expressão da fase incremental da dialética das ideologias históricas; enquanto que o modernismo é expressão da fase disruptiva (o que rompe), o lefebvrianismo (e os tradicionalismos como um todo) é expressão da fase incremental.

No entanto, na dialética das ideologias históricas, tanto o que é disruptivo quanto o que é incremental, conduzem ao mesmo fim, a saber: a ruptura com o fio condutor da religião tradicional; ou dito em outros termos, a rejeição do modo, da causa e da razão da linha indivisível que guia a história da religião tradicional - no caso do cristianismo, a rejeição do modo, da causa e da razão da autoridade divina da Sagrada Tradição.

Com efeito, a dialética lefebvriana assemelha aos modos e as consequências da dialética hegeliana (do mesmo como a dialética modernista); e se se fosse analisar em linhas puramente históricas, poder-se-ia ainda afirmar, com total razão, que o lefebvrianismo se assemelha a dialética de Lutero e dos líderes protestantes: dizem que buscam a reforma da Igreja quando na verdade são causadores de problemas eclesiais, pelas razões já descritas.

Assim, é clarividente que o lefebvrianismo enquanto movimento eclesial não é expressão de eclesialidade ou tradicionalidade, conquanto esteja envolvido nestas, mas sim expressão de princípios totalmente anti-cristãos que se assomaram a vida eclesial por vários fatores.

 

Capítulo IV: Os Rothschild, os Rockefeller e o tradicionalismo lefebvriano.

 

11. Ao se ter explicado estes aspectos, o que pode causar certo estranhamento em muitos e desconcerto em tantos outros, surge a indagação: como o lefebvrianismo se tornou nisso? Além obviamente do aspecto explicado quanto a dialética das ideologias históricas, se percebe que diante da manipulação globalista quase ninguém fica imune aos efeitos desta manipulação; e o lefebvrianismo não ficou imune a esta manipulação, e acabou se tornando, consciente ou não, em instrumento indireto desta manipulação, assim como o tradicionalismo islâmico (e os outros tradicionalismos religiosos).

12. A ideia de que grupos ou movimentos salvaguardam alguma tradição é utilizada para fins nefastos; pois, os senhores do mundo, as grandes famílias que dominam o mundo, tal como os Rothschild e os Rockefeller, instauraram que os mesmos são cultores da tradição fundamental; por isso, tais famílias promovem os mais terríveis rituais de feitiçaria a fim de salvaguardar esta tradição fundamental que segundo os globalistas permeia a história da humanidade desde os tempos da religião primeira, onde o xamanismo dominava tudo e todos.

Com isso, estas famílias que dominam o mundo estabelecem uma rede de manipulação que busca açambarcar tudo e todos neste mesmo xamanismo, inclusive aqueles que entre as religiões tradicionais buscam defender as tradições destas religiões; e como eles fazem isso? Simples, apesar de não poderem manipular o conteúdo destas tradições, eles podem manipular a intenção ao inocular a contradição; assim, a maior parte daqueles que surgem dizendo defender as tradições das religiões tradicionais acabam servindo aos propósitos do globalismo Rothschildiano/Rockefelleriano, etc., através da corrupção da intenção pela impregnação passiva da feitiçaria.

Assim, se compreende que os lefebvrianos, conscientemente ou inconscientemente, são sujeitos a este ímpeto de domínio das famílias globalistas (assim como os modernistas); aliás, a respeito disso, se poderia evocar o que René Guénon falava sobre a volta a uma tradição fundamental, o que é seguido a risca pela elite globalista, e que se assoma aos grupos tradicionalistas nas religiões tradicionais; de fato, os lefebvrianos acabaram ficando sujeitos a este ímpeto da tradição fundamental guenoniana.

Além disso, a insolência e a luxúria dos lefebvrianos são expressão inconcussa e apodítica de que estão sujeitos aos poderes de mando da elite globalista; pois, a insolência e a luxúria dos lefebvrianos é exatamente a mesma insolência e luxúria da elite globalista.

13. Portanto, o tradicionalismo lefebvriano se tornou em expressão do globalismo que busca subjugar a fé cristã; embora a tendência globalista num geral seja para a ridicularização da fé, o globalismo institui a corrupção da moralidade nos que se “interessam” pela tradição a fim de utilizá-los como os maiores corruptores da própria tradição; e como o globalismo faz isso? Simples, institui por impregnação passiva de hábitos a imoralidade e falta de retidão, ao mesmo tempo em que usa algumas formas de propagar algum interesse pelas tradições antigas: assim os indivíduos ficam com a retidão totalmente corrompida ao mesmo tempo em que nasce um desejo sádico de participar destas tradições sem que haja retidão moral por parte do indivíduo; isso, a curto prazo, parece irrisório na perspectiva religiosa, mas a médio e a longo prazo causam um efeito sumamente nefasto como se constata na vida eclesial nos últimos decênios.

Com isso, o tradicionalismo lefebvriano assoma-se nesta manipulação; embora de início o lefebvrianismo tenha buscado estar em conformidade com a fé reta e sólida, com o passar das décadas se observou que o lefebvrianismo se tornou em instrumento, direto ou indireto, desta manipulação dos senhores do mundo contra a Santa Igreja; e não só o lefebvrianismo, mas a maior parte dos tradicionalismos religiosos em meio a cristandade (e também os tradicionalismos religiosos no Islam); não que os lefebvrianos ou qualquer outro dos tradicionalistas sejam os culpados dos abjetos desvios modernistas na cristandade, mas infelizmente os lefebvrianos e outros tradicionalistas estão inseridos, gostem ou não, no âmbito desta onda da manipulação globalista.

 

Capítulo V: A vontade de poder globalista e os lefebvrianos.

 

14. Ora, isto demonstra que os lefebvrianos estão sujeitos a vontade de poder globalista; pois, como dissera Nietzsche, tudo que é extremo exerce força sedutora; e o globalismo tem força sedutora porque reproduz na íntegra os antigos rituais xamânicos e as abominações sionistas, tais como canibalismo e similares a fim de obterem força engendrada pela soberba e efetuarem domínio (cf. Ez 33.25-28); a força sedutora do globalismo tem a ver com bruxaria e canibalismo, o que de fato é promovido de maneira voraz pelos senhores do mundo; os Rothschild, os Rockefeller, e a elite globalista como um todo, promovem esta força sedutora a fim de dominar tudo e todos e subjugá-los sob o sistema globalista.

15. E esta vontade de poder, esta força sedutora que emana dos globalistas permeia os tradicionalismos religiosos, não de maneira direta, mas pelo modo que fora descrito: induzem a alguma atração, pois os ritos antigos são permeados por reverência, beleza e mistério, mas uma atração que apenas significa participação e não conversão; tanto o é, que infiltrou-se muitos indivíduos que buscam tais ritos não pela firmeza da fé neles demonstrada, mas porque através da participação em ritos antigos os globalistas acham que ficam livres das infâmias que praticaram ou que ficam livres da obrigação moral perante a fé; esta sedução é a seiva que tem movido muitos que são tidos como tradicionalistas em meio a desinstitucionalização e a perversão das religiões tradicionais.

16. Além destes aspectos, se compreende que os lefebvrianos estão dominados pela vontade de poder globalista através da canalhice que muitos lefebvrianos promovem e praticam; nada revela tanto a vontade de poder ideológica do que as ações praticadas; já o Senhor Jesus ensinara: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). Ora, os frutos do lefebvrianismo são da mesma espécie dos frutos do modernismo: a corrupção final da doutrina; enquanto que os modernistas dizem estar sob “novos ares” do Espírito e corrompem diretamente a doutrina, os lefebvrianos dizem defender a Tradição e corrompem a intenção; no final, as consequências são as mesmas, a corrupção da doutrina ou por erros doutrinários ou pela intenção pecaminosa.

Outrossim, é que os lefebvrianos, em sua maior parte, tem tido ações canalhas em função de uma suposta “defesa” da Tradição; os lefebvrianos midiáticos tem cometido ações contra a liberdade, contra a verdade, contra a virtude, etc., e dizem com isso estar defendendo a Tradição; na verdade, as ações dos lefebvrianos tem sido similar as ações da elite globalista: cometem infâmias em prol de algo e consideram-se santos porque cometeram tais infâmias; e isto sem mencionar a vontade de poder ideológica que tem guiado a ação dos lefebvrianos.

17. De fato, os lefebvrianos demonstram pensar que o problema teológico da Igreja é ideológico; de fato, há sim o problema da ideologização da Igreja; mas a causa das crises eclesiais não é a ideologização; na verdade, a ideologização da Igreja é apenas uma das consequências. Aliás, ao procederem de acordo com a dialética ideológica, os lefebvrianos evidenciam que estão sujeitos ao preceito ideológico; e, consciente ou não, quem se sujeita ao preceito ideológico torna-se escravo da ideologia; logo, etc. E não se pode haver dois senhores no coração (cf. Mt 6.24): ou Cristo ou a ideologia; logo, etc.

 

Capítulo VI: Entre forma e re-forma no lefebvrianismo.

 

18. Assim, se percebe que a forma do lefebvrianismo tem sido moldada de acordo com o círculo vicioso e viciante da dialética ideológica; este círculo é um círculo da mesma espécie dos círculos cabalísticos; por isso, a forma do lefebvrianismo tem sido expressão inconcussa da vontade de poder do globalismo, ao mesmo tempo em que moralmente e socialmente tem sido expressão do círculo da dialética ideológica; assim, o que o lefebvrianismo diz defender é o que o lefebvrianismo mais corrompe e destrói. Na verdade, a dialética ideológica desde Hegel está ou sujeita ao marxismo-comunismo ou ao sionismo; e em muitos aspectos, até mesmo o marxismo foi sujeitado ao sionismo.

Portanto, a forma do lefebvrianismo tem sido moldada em grande medida pelo sionismo; a dialética ideológica que se assomou no lefebvrianismo é o sionismo: tanto o é que os sionistas movem pelos bastidores uma série de defensores inócuos do levebvrianismo e de outros tradicionalismos seja através de pessoas que vão aos líderes cristãos os defender seja promovendo propaganda contra os líderes cristãos que se colocaram contra a manipulação sionista (como, por exemplo, fizeram contra o Papa Francisco); etc.

19. Com efeito, a forma que o lefebvrianismo adquiriu nos últimos decênios é uma forma anti-cristã, é a forma do anticristo; convém, portanto, ao lefebvrianismo se de fato quiser servir a Igreja e verdadeiramente defender a Tradição, instituir uma re-forma total em tudo aquilo que permeia o lefebvrianismo, para que possam adquirir a verdadeira forma eclesial que honra a Deus; no entanto, a re-forma do lefebvrianismo é algo dificílimo para o próprio lefebvrianismo dado as infâmias que se assomaram nos lefebvrianos ao redor do mundo; mas este é o único caminho para o lefebvrianismo poder contribuir de fato com a defesa da Tradição e da Igreja. Pois, o estado atual do lefebvrianismo demonstra que este movimento é uma forma eclesial sujeita aos ditames sionistas.

Ora, o que fora dito e apresentado a respeito do que se tornara o lefebvrianismo basta por enquanto para designar uma apologia contra os lefebvrianos; na verdade, o lefebvrianismo em si mesmo já se tem se auto-impugnado pelo fato de dizerem-se defensores da Tradição quando na verdade o fazem com a intenção corrompida.

E que nossa oração seja para que os lefebvrianos se apercebam da influência globalista e façam uma re-forma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a fim de que se tornem livres da sujeição ideológica e possam caminhar verdadeiramente em virtude e na verdade na senda da santidade.

20. E termina aqui este escrito contra os lefebvrianos. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém.



[1] cf. Código de Direito Canônico, livro III, cân. 751.

[2] cf. Boécio, De Hebdomadibus, cap. I.

[3] cf. Santo Tomás de Aquino, Expositio Libri Boetii De Ebdomadibus, lect. 1.

[4] cf. Santo Tomás de Aquino, Super I Epistolam B. Pauli ad Thessalonicenses Lectura, cap. II, lect. 1.

[5] cf. Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência [São Paulo: Martin Claret, 2012], livro III, n. 191, pág. 132.

[6] cf. G. W. F. Hegel, Fenomenologia do Espírito [2ª ed. Petropólis, RJ: Vozes, 2003], cap. VII, § 672-787, pág. 458-529.

[7] Este modernismo começou a ser combatido por Pio IX, e foi severamente e tardiamente derrotado por Pio X através da “Pascendi Dominici Grecis” (1907); mas, infelizmente, devido a dialética das ideologias históricas, o modernismo foi ressuscitado com força ainda maior após a Segunda Guerra Mundial. O modernismo que foi combatido por Pio X era apenas uma grande serpente, enquanto que o modernismo que foi ressuscitado após a Segunda Guerra se tornou uma hidra. 


Soneto 9

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