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18/06/2026

Guerra e Paz: Uma meditação filosófica

Prólogo

 

A dialógica entre guerra e paz é algo que permeia totalmente a vida humana, aceitem os homens isso ou não; aliás, o Pregador, na antiguidade, já houvera alertado sobre esta dialógica inegável e imutável da vida humana: “tempo de guerra e tempo de paz” (Ec 3.8b); ora, sendo esta dialógica algo inegável a vida humana, se faz necessário compreender o que se deve entender sobre a guerra e o que se deve entender sobre a paz, a fim de não se decair em lentes ideológicas que buscam velar o que concerne a guerra e o que concerne a paz.

Portanto, tendo em vista a necessidade de se entender corretamente a dialógica entre guerra e paz, se faz uma meditação filosófica a fim de aclarar estes e outros aspectos, para pelo menos se desenvolver uma compreensão abalizada a respeito desta dialógica que nunca deixará de existir na vida humana neste mundo; a tensão entre guerra e paz é algo inescapável a vida humana.

 

I

 

Ao se falar sobre a guerra, se deve evocar a questão sobre o belicismo; pois, aqueles que não compreendem de fato no que consiste guerra, no que consiste sua necessidade e no que consiste suas consequências hediondas, serão permeados pelo belicismo; mais propriamente, o assenhoramento ideológico da guerra; o belicismo é assenhoramento ideológico da guerra; ora, mesmo que seja algo terrível existem algumas ocasiões onde a guerra se faz necessária; além destas ocasiões, se houver utilização da guerra, então se tem assenhoramento ideológico da guerra; ou dito em outros termos, a não ser para defender a liberdade, a existência nacional, etc., ou para combater algum crime terrível e hediondo praticado em massa, não se é permissível a guerra por razões racionais.

Assim, cumpre entender no que consiste o belicismo; e para isso são evocadas seis proposições, as quais são:

1. O belicismo é a utilização da guerra para propósitos de expansão desnecessária; muitas nações utilizam-se da guerra para alcançar uma expansão desnecessária e ilegal, a fim de vários propósitos nefastos; ora, quem se utiliza da guerra para este fim é belicista.

2. Ademais, o belicismo é a utilização da guerra para destruir outra nação ou grupo sem que este tenha cometido crimes hediondos; os belicistas advogam a destruição de nações ou grupos específicos a fim de ganharem status ou poder; e neste caso, quando se chega a situações extremas, propagam até mesmo a ideia de purificação racial; esses e outros aspectos amalgamados demonstram belicismo.

3. Ademais, o belicismo é a utilizar a guerra para propósitos de enriquecimento ilícito; muitos se utilizam da guerra para enriquecer e roubar minerais e riquezas de territórios que pertencem a outrem; quem se utiliza da guerra para este fim é belicista.

4. Ademais, o belicismo é aproveitar-se da guerra para criar uma máquina de propaganda, na qual se propaga uma série de mentiras programas para gerar um estado de sonho nas pessoas, as quais acabam por apoiar sem se aperceber guerras fratricidas e sanguinárias como se fosse algo bom e necessário; a propaganda belicista busca gerar nas pessoas a indolência quanto a percepção da maldição da guerra.

5. Ademais, o belicismo é utilizar a guerra para fins nacionalistas; o nacionalismo é notadamente belicista; por isso, como o nacionalismo é algo irracional (e incompatível com a fé), então o belicismo também é algo irracional; aliás, as burrices programadas instituídas pelo nacionalismo chegam ao ponto de se inventarem os mais imbecilóides sofismas em favor da guerra nacionalista; por isso, onde há nacionalismo logo haverá belicismo.

6. Ademais, o belicismo é instrumentalizar a guerra para qualquer propósito outro além do que é racionalmente descrito como “necessário”; como fora analisado e descrito anteriormente, existem situações onde a guerra infelizmente se faz necessária; todavia, a utilização da guerra além destas situações, obviamente demonstra os tentáculos do belicismo.

Ora, estas proposições evocadas num sentido geral demonstram alguns aspectos de no que consiste o belicismo; em suma, o belicismo é a utilização da guerra para qualquer propósito que não seja as razões aceitáveis para se utilizar do instrumento da guerra; portanto, o belicismo é a instrumentalização da guerra para qualquer propósito de quando a guerra não se faz necessária.

Deste modo, toda instrumentalização da guerra tende ao belicismo; pois, o belicismo corrompe a compreensão sobre a guerra, bem como desfigura a pressuposição racional sobre a guerra, tanto quanto o pacifismo. Belicismo e pacifismo aparentemente são dois princípios contrários, mas os dois levam para o mesmo fim, a saber, guerra total.

 

II

 

A paz, em sentido teológico, é o que deseja todos os homens de bem; e em sentido filosófico, a paz é parte da vida virtuosa; assim sendo, a paz é algo que faz parte da vida, tanto quanto a guerra; entretanto, os homens de bem hão de ter predileção pela paz e hão de amar a paz; pois, somente assim a maldição da guerra não se torna algo corriqueiro, e quando esta se fizer necessária, se saberá como proceder diante das terríveis consequências da guerra.

Portanto, cumpre compreender no que consiste a paz; para isso, se põe a indagação: o que é paz? Para responder a esta indagação se evoca cinco proposições:

1. A verdadeira paz não é ausência de conflito ou de problemas; pois, muitos, imbuídos pelos grimórios do pacifismo, estão de tal modo desfibrados que buscam uma paz de cemitério, como se a própria vida fosse desprovida de conflitos, vicissitudes e problemas; a verdadeira paz, no sentido existencial-social, é a ausência de males que destroem a vida humana de maneira deliberada.

2. Ademais, a verdadeira paz não é ausência de armas; pois, como George Washington dissera: “estar preparado para a guerra é a melhor maneira de preservar a paz”; o kantismo é que propaga que paz é ausência de armas; portanto, a verdadeira paz não é a ausência de armas, mas a sobriedade consciente de utilizá-las somente de quando realmente se faz necessário e não como a propaganda belicista promove.

3. Ademais, a verdadeira paz é demonstrada no respeito absoluto pela liberdade; os pacifistas instituíram uma propaganda que o inimigo da paz são as guerras, enquanto que na verdade o maior inimigo da paz é a vituperação da liberdade; fala-se contra a guerra, mas não fala-se nada em relação a destruição da liberdade; acomodar-se com a destruição da liberdade e incomodar-se com a guerra é hipocrisia: ambas são terríveis, posto que as mais das vezes a última é consequência da primeira.

4. Ademais, a verdadeira paz é demonstrada na fraternidade social; ora, a fraternidade social só existe sob a liberdade; por isso, onde não há liberdade não haverá fraternidade social; e onde não há fraternidade social se formará uma sociedade de conflitos; e isso atinará os pacifistas para cada vez mais atormentarem a ordem social em busca de uma falsa paz, a paz de cemitério; a sociedade de conflitos que emerge através da falta de fraternidade social é uma ampla sementeira para os pacifistas, que buscam através de conflitos apregoar e impregnar uma compreensão errônea sobre a paz.

5. Ademais, a verdadeira paz é o desejo de todas as pessoas de bem; ora, as pessoas de bem são as que vivem de acordo com a reta razão e de acordo com as virtudes; assim, os pacificadores são aqueles que vivem de maneira ordenada e de maneira virtuosa; aqueles que não são virtuosos de maneira nenhuma desejarão a verdadeira paz, antes buscarão substitutos para a mesma; por isso, a verdadeira paz requer virtude e ordem; tanto o é, que no sentido jurídico isto diz respeito a observação e a preservação da lei e da ordem, imprescindíveis para a paz social.

 

III

 

E, a partir disso, convém também entender o pacifismo. Pois, aqueles que não compreendem corretamente no que consiste a paz serão dominados pelos grimórios do pacifismo; pois, o pacifismo é o assenhoramento ideológico da paz; assim, a guisa de conclusão desta meditação, cumpre evocar a compreensão sobre o pacifismo.

Ora, quanto a isso, se deve evocar dois aspectos: primeiro, como se dá o assenhoramento político da paz, ou seja, no que consiste o pacifismo; segundo, como se institui o pacifismo pela impregnação passiva de hábitos, ou seja, como o pacifismo passa a ser aceito como algo correto.

1. Primeiro, como se dá o assenhoramento político da paz, ou seja, no que consiste o pacifismo; pois, o pacifismo é uma doutrina estranha tanto a reta razão quanto a revelação; o pacifismo é irracional e anti-revelacional.

Ora, o pacifismo é instituídos em tempos modernos a partir de dois princípios gerais: primeiro, através do kantismo que evoca um pacifismo de cemitério como parte de uma ética da razão prática; ora, o kantismo é anti-cristianismo e anti-razão; logo, a dialética da paz propugna por Kant em “À Paz Perpétua” é algo irracional e irreal, já que Kant propugna de maneira filosófica um tipo de paz que não condiz com a realidade, nem pela elucubração com o lume da luz interior nem pela elucubração com o lume da luz superior; a paz que Kant propugna não tem base nem filosófica nem teológica; a paz kantiana é a paz daqueles que buscam “mundos irreais”. Por isso, o pacifismo é fuga da realidade.

Segundo, através da acoplação do pacifismo kantiano pelo marxismo; ora, o marxismo toma o pacifismo kantiano como parte de sua luta para implementar uma revolução mundial; na verdade, o pacifismo se torna um dos estágios para o marxismo implementar sua revolução mundial tal como afirmara Lênin[1]; assim, o pacifismo além de ser proveniente de Kant, é amalgamado e transmutado pelo marxismo; assim, a partir desta sentença de Lênin, o pacifismo fora impregnado na doutrina marxista.

Portanto, como o pacifismo é parte da doutrina marxista, então onde há propagação do pacifismo se tem a propagação do marxismo e do kantismo; e é de se estranhar como se tem inúmeros “cristãos” que promovam e defendam o pacifismo; pois, os “cristãos” que promovem o pacifismo estão promovendo kantismo e marxismo; a propagação do pacifismo é a propagação de duas doutrinas anti-cristãs; aliás, é estranho até que os próprios marxistas propaguem pacifismo, pois o pacifismo também não condiz com a doutrina marxista.

A base filosófica do pacifismo é o kantismo, e a base sócio-política do pacifismo se impregna no marxismo. Os pacifistas são, sem exceção, kantianos, mesmo os pacifistas que se dizem “cristãos”; pois, a aquiescência a uma doutrina, mesmo que inconsciente, demonstra sujeição a esta doutrina; e quem está sujeito a uma doutrina ideológica é serviçal da vontade de poder desta ideologia.

2. Segundo, como se institui o pacifismo pela impregnação passiva de hábitos, ou seja, como o pacifismo passa a ser aceito como algo correto; pois, a busca pela paz, algo bom, é transmogrifada em pacifismo de maneira inconsciente, e assim se torna em algo maléfico; o pacifismo se impregna de modo quase que imperceptível, e se torna a palavra de ordem, mesmo sendo o pacifismo um dos maiores inimigos da paz.

Ora, o pacifismo é impregnado de dois modos: primeiro, pela propagação de uma falsa ideia de paz; o pacifismo não é paz, e paz não é pacifismo; o pacifismo é indolência de quem deixou de lutar diante das contradições da vida; por isso, os pacifistas arrolam condutas indolentes como mote para quando vem alguma situação difícil, tal como a guerra, pois querem deixar de lado a conduta correta diante das dificuldades; o pacifismo desfibra a conduta reta.

Segundo, pela propagação de doutrinas que incentivam o belicismo; muitas doutrinas ideológicas dizem propagar e defender a paz, quando na verdade o fazem apenas para engano e manipulação propagandística, como por exemplo faz o sionismo; as doutrinas pacifistas são de fato doutrinas belicistas; assim, propaga-se a ideia de falsa paz pela máquina de propaganda quando na verdade incentivam as mais injustas e cruéis guerras; o belicismo se torna impregnado inconscientemente quando há aceitação passiva do belicismo; pois, o belicismo impregna de tal modo que torna a compreensão sobre a guerra desfigurada, impossibilitando qualquer ação efetiva contra as guerras injustas.

[...]

Assim, filosoficamente se chega a conclusão de que o pacifismo não é o contrário da guerra ou o antídoto para a guerra; mas, o pacifismo é a preparação inconsciente para a guerra - e guerra total (tal como o belicismo).

A descrição aprofundada e precisa da doutrina e da práxis pacifista, somada com a descrição da ação dos pacifistas, é um excelente meio para que se compreender como o pacifismo é utilizado cabalmente como um instrumento do belicismo. E a análise fenomenológica do pacifismo atesta isso de maneira apodítica. 

E termina aqui esta meditação filosófica. θεῷ χάρις! 



[1] cf. Vladimir Lênin, Os Destinos Históricos da Doutrina de Karl Marx, parte II. 


14/07/2025

A Impiedade do Pacifismo

1. A apologia em prol do pacifismo sempre é permeada por desequilíbrio, inverdade e burrice; na verdade, seja de acordo com a reta razão seja de acordo com a fé, o pacifismo sempre é um caminho irracional e assaz perigoso; pois, a atitude mais correta, e é a que a Sagrada Escritura também ensina, a saber, de ser pacificador (cf. Mt 5.9), mas jamais pacifista; pois o pacifismo contradiz plenamente um preceito do Senhor Jesus: “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mt 10.34); o pacifismo é contra os ditames do Santo Evangelho.

2. Na verdade, há uma grande diferença entre o pacificador e o pacifista; pois, o pacifismo tem uma face bonita, e é agradável aos ouvidos encharcados com a cera das ideologias, mas traz efeitos terríveis, já que gera apatia quanto ao avanço da tirania; por isso, o pacifista que diz buscar a paz acaba por ajudar aqueles que buscam a guerra para matança e domínio. No entanto, o pacificador busca e propaga a paz, sem decair em indolência e sem deixar de ter a percepção correta quanto ao discernimento dos tempos.

Pois, o pacifismo sempre traz uma compreensão errada em relação aos problemas da vida humana, entre os quais a maldição da guerra; assim, se compreende que embora seja uma maldição terrível, a guerra é algo que faz parte da história da humanidade e continuará a ser parte desta história até a consumação dos séculos; portanto, negar este fato é incorrer em irracionalidade; e, pior, tentar transmogrifar este fato buscando uma paz de cemitério, é evidência de imbecilidade.

3. Deste modo, se constata que de acordo com a fé se deve ser a favor da guerra quando esta se mostra necessária; e há sim momentos onde a guerra é necessária; além do que, a Sagrada Escritura prescreve que há tempo de paz e tempo de guerra (cf. Ec 3.8b), demonstrando que goste-se ou não, aceite-se ou não, a guerra é um problema humano, que infelizmente nunca deixará de existir. Por isso, o pacifismo é contra um preceito da Sagrada Escritura.

E, neste mesmo sentido, se constata que não há nada de cristão no pacifismo; na verdade, o pacifismo é evidência de impiedade, porque busca uma solução divina sob mãos humanas para um problema humano; aliás, o que a fé prescreve, e também é atestado pela reta razão, é que os fiéis devem ser pacificadores; por isso, o pacifismo é contra a bem-aventurança proclamada pelo Senhor Jesus.

4. Todavia, nas circunstâncias onde a guerra é necessária, não se pode haver pacifismo; o pacifismo que querem evocar em nome da fé, além de demonstrar a soberba e a insolência dos falsos pacifistas, não consegue lidar com firmeza e esperança com um terrível problema; nenhum dos pacifistas consegue lidar com a guerra quando esta acontece; então, o problema é do pacifista; agora um pacificador, quando todas as tentativas pela paz são malfadadas, sabe como lidar com a guerra.

E isso se aclara com um exemplo, Sir Winston Churchill, um pacificador, mas não um pacifista; o lendário primeiro-ministro britânico sempre buscou a paz em todos os momentos, mas quando chegou a maldição da guerra, não se deixou vencer pela indolência e insolência dos pacifistas e batalhou para manter incólume e alçada a bandeira da liberdade; e este é apenas um entre tantos exemplos.  

5. Assim, se constata que a fé verdadeira também se coaduna com a possibilidade da guerra; não da guerra simplesmente pela guerra; mas também não do pacifismo pelo pacifismo; por isso, ser cristão também é ser favorável a guerra quando esta é necessária; e embora isso seja parte da absurdidade da vida, se for negado é negação da própria realidade; não se pode negar algo da vida humana, senão se decai na anti-realidade.

Portanto, o pacifismo que busca negar a guerra, na verdade é uma negação da própria realidade, pois a guerra, infelizmente, é parte da vida humana; por isso, o Pregador ao pensar sobre os absurdos da vida constatou que os períodos cíclicos da história se coadunam na dialógica paz e guerra, guerra e paz.

Aliás, este também foi o dístico que Tolstói utilizara para escrever seu grande clássico “Guerra e Paz”; ora, até na literatura se consegue ter esta compreensão, e ainda existem pessoas de fé que se tornam subservientes aos grimórios do pacifismo.

6. Com isso, se constata que o pacifismo, um desequilíbrio anti-realidade, não se coaduna com a fé e nem com a reta razão. Portanto, se reafirma que ser cristão também é ter de entender, ainda que isso seja assaz doloroso, que se deve ser favorável a guerra quando esta é necessária. Isto, em si, não contradiz os preceitos do Evangelho, mas simplesmente evita que em nome de uma falsa compreensão do Evangelho, se crie um instrumento anti-realidade que não consegue lidar com um dos mais terríveis problemas humanos, a guerra; pois, estranhamente, o pacifismo acaba por influenciar ainda mais os tiranos na guerra por domínio; isto, a história testemunha de forma incontestável; etc.

7. A fé e a reta razão prescrevem a doutrina pacificadora, mas não prescrevem a doutrina pacifista. Ser pacificador é buscar sempre a paz, mas também saber que quando a guerra é necessária não se adianta buscar uma paz de cemitério, o tótem dos pacifistas; no entanto, ser pacifista é querer paz quando é necessário a guerra, além do que os pacifistas sempre não conseguem discernir os tempos: quando é tempo de guerra buscam a todo custo transmogrifá-lo em tempo de paz (o que jamais ocorre, mas em compensação os que assim buscam, acabam por se calcinar na anti-realidade); o pacifismo é uma ilusão, e os cristãos que buscam o pacifismo buscam uma paz ilusória e utópica; a flor frágil da paz não é preservada por aqueles que não sabem discernir quando é tempo de paz e quando é tempo de guerra.

8. Ademais, a babaquice do pacifismo se tornou costumeiramente aceito depois da publicação do ensaio de Immanuel Kant, “À Paz Perpétua” (1795); embora, as razões de Kant sejam até certo ponto plausíveis do ponto de vista de um filósofo, a existência concreta das nações não pode se enveredar por utopismo, mesmo proveniente de sentenças de grandes filósofos; o utopismo kantiano no projeto da paz perpétua preparou o terreno para o desenvolvimento da doutrina pacifista na contemporaneidade.

No entanto, este utopismo causou males terríveis; pois, é um utopismo que não leva em conta a experiência real da vida das nações; por isso, um preceito de Kant, de que os exércitos permanentes deveriam desaparecer completamente com o tempo, que parecia ser algo bom, tornou-se em instrumento de permissividade para o domínio de tiranos e carniceiros; e a resposta definitiva a tal utopismo veio de George Washington: “estar preparado para a guerra é a melhor maneira de preservar a paz”.

9. Deste modo, o pacifismo é um utopismo; um utopismo kantiano; pois, se sabe que neste mundo nunca haverá paz perpétua; portanto, querer buscar uma paz perpétua é um grimório kantiano, que nada tem de piedoso; por isso, o pacifismo, ética da doutrina da paz perpétua, além de estar contra os preceitos racionais e da experiência da vida humana, na qual infelizmente sempre se tem a maldição da guerra, também está contra um preceito da Sagrada Escritura, o qual ensina que a paz perpétua, a paz sem fim, será trazida por Cristo, quando este reinar eternamente (cf. Is 9.6-7); antes disso, que ocorrerá apenas no fim dos tempos, não haverá paz perpétua, pois a vida do homem sobre a terra é uma constante guerra (cf. Jó 7.1). Portanto, a fé cristã jamais se pode deixar levar pelo pacifismo, mas sempre deve permanecer uma fé pacificadora; isto é o que convém a um fiel diante dos problemas humanos. 

θεῷ χάρις! 


Políticos-Feiticeiros

A maior parte dos líderes mundiais são do Demônio veros serviçais; a política dominada pela feitiçaria é do mal uma infame tapeçaria. ...