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16/07/2024

A Inferência da Liberdade e as Doenças Psíquicas

Nota Inicial.

            Noutro escrito, intitulado “Sobre a Inferência da Liberdade”, se analisou o fenômeno da inferência da liberdade; e fora afirmado que se toma o termo inferência não no sentido de silogismo, mas no sentido de intentar deliberadamente contra algo, no caso, a liberdade; portanto, a inferência da liberdade é o intentar contra a liberdade, isto é, obstruir, violar e/ou desrespeitar a liberdade, seja por quais meios for; e como fora dito, este fenômeno ainda não havia sido descrito adequadamente (salvo o engano), ou pelo menos, não havia sido definido tal como realmente era, o que se fora feito neste escrito mencionado.

            Mas, conquanto este fenômeno não tenha sido descrito adequadamente, ao se defini-lo e descrevê-lo, se apercebeu de algo alarmante; pois, a inferência da liberdade é açambarcada como uma morbidade da alma (morbi animi); os atos de inferência da liberdade são evidência de morbidade da alma, bem como os inferidores da liberdade possuem doenças psíquicas; e isso, não há como negar, pois, o provam tanto a reta razão quanto a ciência, e a próprio estudo sobre a alma.

            Portanto, em continuidade ao primeiro escrito sobre a inferência da liberdade, se estabelece este outro escrito, sobre a inferência da liberdade e as doenças psíquicas; se, no primeiro escrito, possa haver dúvidas e questionamentos sobre algumas descrições e definições, neste segundo escrito fica demonstrado de maneira apodítica que a inferência da liberdade está amalgamada com as doenças psíquicas.

Prólogo.

1. O ato ou a ação da inferência da liberdade, não somente é evidência de apostasia, no sentido religioso, e não somente é sinal de destruição do direito e da justiça, no sentido sócio-político, mas principalmente e fundamentalmente, a inferência da liberdade é uma morbi animi, uma morbidade da alma, uma doença da alma; Cícero, em suas “Discussões Tusculanas”, fala sobre as doenças da alma (morbi animi), que por sua vez, são instauradas a partir da rejeição a razão (aspernatio rationis); portanto, a caracterização ciceroniana das doenças da alma é a rejeição a razão; logo, a inferência da liberdade, por ser desveladamente uma rejeição a razão, é uma doença da alma.

2. Mas, não qualquer doença; pois, apesar de ser uma doença da alma, não é uma doença como a esquizofrenia, ou como o alzheimer, etc.; na verdade, a psiquiatria ainda não desenvolveu de maneira adequada o estudo sobre as patologias provenientes da aspernatio rationis descrita por Cícero; todavia, são patologias indiscutíveis, as quais, o próprio Cícero fornece uma lista bem precisa e que está notoriamente presente no cotidiano das sociedades adoecidas de maneira bem mais alarmante do que se possa imaginar; e, como a natureza destas doenças da alma é a rejeição a razão, tudo aquilo que é irracional de maneira “consciente” e/ou deliberada, na verdade, é parte destas doenças, entre quais, evidentemente, está a inferência da liberdade, que como fora dito, se enquadra na descrição das doenças da alma feita por Cícero.

3. Deste modo, se faz necessário elucubrar sobre a inferência da liberdade, sua natureza como parte da rejeição a razão (aspernatio rationis), sua existencialidade como uma doença da alma e sua relação com as doenças da alma; se a liberdade, como bem afirmara Leão XIII, é um excelente bem da natureza, então, a inferência da liberdade, é a destruição deste bem, e, por isso, é algo viciante e vicioso; se a inferência da liberdade, por natureza, é contra a própria liberdade, então, os frutos da inferência da liberdade são contrários aos frutos da liberdade; e, sendo a liberdade um excelente bem e um dom gracioso, então, o contrário da liberdade, a não-liberdade, manifesto na inferência da liberdade, é um mal terrível e um vício medonho; disto, se apercebe o porquê a inferência da liberdade é uma rejeição da razão, e se compreende, a consequência disto, em ser uma doença da alma, e não somente uma doença, mas possui os gérmens a partir dos quais florescem várias outras doenças da alma, e por consequência, em doenças sociais. Portanto, se faz necessário investigar a inferência da liberdade e sua relação com as doenças psíquicas. 

Capítulo I: A Não-Liberdade e a Inferência da Liberdade.

4. A inferência da liberdade, este terrível mal que assola a sociedade, é fruto da não-liberdade; e, todo o amplo escopo da não-liberdade, acopla uma série de consequências, entre as quais, as mais evidentes são os atos de inferência de liberdade; logicamente, por ser parte e ser açambarcado pela não-liberdade, os atos de inferência da liberdade são permeados pelas consequências gerais da não-liberdade, bem como pelas consequências específicas inerentes aos atos de inferência da liberdade; estas consequências estão interligadas, mas as consequências da inferência da liberdade só se tornam evidentes quando se ocorrem atos de inferência da liberdade, enquanto que as consequências da não-liberdade permeia tudo e todos quando há a não-liberdade.

5. Portanto, a inferência da liberdade é um dos males provenientes da não-liberdade; logo, os próprios males intrínsecos a inferência da liberdade são demonstração da não-liberdade somada a atitude dos homens em quererem usurpar da liberdade o senhor da mesma, a saber, o próprio Deus; todos os atos de inferência da liberdade são uma forma de os homens, em suas ações, atentarem contra aquilo que pertence a Deus; com isso, os homens, em suas ações de inferência de liberdade, acabam por incorrer numa luta contra Deus; e, assim, tornam-se bestializados; na verdade, a inferência da liberdade, em relação as coisas espirituais, é atestado que confirma o estado de soberba em grau máximo; e em relação as coisas naturais, é atestado que confirma a destruição da inteligência e da consciência, e da vituperação da dignidade humana tanto em relação a si mesmo quanto em relação aos outros seres humanos e a sociedade como um todo.

Capítulo II: A rejeição a razão e a inferência da liberdade.

6. Deste modo, pode-se compreender que a inferência da liberdade, não somente é evidência da não-liberdade, mas por isso mesmo, é evidência da rejeição a razão; os inferidores da liberdade, são calcinados na rejeição a razão; e a rejeição a razão é uma psicopatologia que assola uma sociedade que vive na não-liberdade; na verdade, a inferência da liberdade é sinal de uma morbidade da alma; a inferência da liberdade, sendo evidência da rejeição a razão, ao se cristalizar e consumar, não somente atesta a própria rejeição da razão como morbidade da alma, mas demonstra que a própria inferência da liberdade, não somente é uma morbidade da alma, mas a prova de que a própria alma se tornou em elemento propulsor de outras morbidades; por isso, os inferidores da liberdade são sempre potenciais contaminadores.

7. Além disso, sendo a inferência da liberdade evidência de rejeição a razão, então, os inferidores da liberdade, sempre odiarão a liberdade, pois, liberdade se amalgama com racionalidade, e vice-versa; portanto, a inferência da liberdade além de ser evidência da rejeição a razão, é evidência da imbecilização total; logo, os inferidores da liberdade, se tornam em instrumento de propagação dos males provenientes da não-liberdade, tanto em si mesmos quanto para a sociedade; pois, a inferência da liberdade se torna um mal social terrível, enquanto semeia e germina outros males que são provenientes da não-liberdade. Deste modo, a rejeição a razão se coaduna com a inferência da liberdade, e é prescritiva como um sintoma da rejeição a razão, bem como um sintoma, que a medida que “proporciona” a continuidade da inferência da liberdade, produz outras morbidades ainda mais terríveis e adoecedoras do que a rejeição a razão. Inferência da liberdade e rejeição a razão são amalgamadas, tanto no sentido de serem práticas hediondas, quanto no sentido de serem açambarcadas na descrição das morbi animi, e ainda no sentido de destruírem a dignidade humana.

Capítulo III: A inferência da liberdade e a recusa em se aperceber da realidade.

8. E, além da inferência da liberdade se coadunar com a rejeição a razão, e vice-versa, a inferência da liberdade se coaduna com a recusa em se aperceber da realidade, e vice-versa; e, da recusa em se aperceber da realidade, se avolumam ainda mais patologias na alma, psicopatologias que se tornam expressão não somente da rejeição a razão, mas da negação da própria realidade, de uma recusa “consciente” em se aperceber que a consciência está percebendo a realidade (evidência de uma doença da alma); por isso, o que Doderer definira literariamente através da pressuposição da “recusa em se aperceber da realidade”, é a descrição cirúrgica do estado de alma de uma sociedade que se deixa dominar pela não-liberdade; na verdade, a recusa em se aperceber da realidade, é a evidência da implementação plena do estado de não-liberdade (que também ocasiona o estado de não-conhecimento).

9. Deste modo, a inferência da liberdade é uma das manifestações da recusa em aperceber da realidade; pois, os inferidores da liberdade, na verdade, são aqueles que recusam a se aperceber da realidade, devido aos atos de inferência da liberdade; pois, a inferência da liberdade, em si mesma, é um ato contra a realidade, já que destrói a racionalidade e calcifica a imbecilidade; logo, a inferência da liberdade contribui para a instauração absoluta da recusa em aperceber da realidade como norma social, como princípio normativo de uma sociedade doente e adoecedora; e, não somente isso, mas a recusa em se aperceber da realidade, se torna a fonte das normativas para a inferência da liberdade, a qual se torna expressão as morbidades da alma; portanto, a recusa em se aperceber da realidade tem como um de seus frutos, em consonância com a rejeição a razão, a inferência da liberdade, a qual, não somente atesta o vilipendio contra a realidade, mas um “desastre nuclear” contra a própria liberdade. A recusa em se aperceber da realidade, assim como a rejeição a razão, são por definição, anti-liberdade, e expressão da não-liberdade.

Capítulo IV: A inferência da liberdade e as doenças psíquicas.

10. Com isso, se pode afirmar que a inferência da liberdade produz doenças na alma, além de ser evidência de doenças na alma, tais como a rejeição a razão e a recusa em se aperceber da realidade; tanto a rejeição a razão quanto a recusa em se aperceber da realidade são expressão e se coadunam com a inferência da liberdade; e, assim, tanto uma quanto a outra, são doenças em parte específicas (faculdades) da alma; respectivamente, são doenças na parte intelectiva e na parte sensitiva da alma. Portanto, a inferência da liberdade se coaduna não somente com doenças nestas partes da alma, mas em todas as partes da alma; assim sendo, a inferência da liberdade é a porta de entrada de muitas doenças psíquicas.

11. Deste modo, a inferência da liberdade é a causa de três formas de doenças psíquicas, as quais são: primeiro, doenças psíquico-vegetativas; segundo, doenças psíquico-sensitivas; terceiro, doenças psíquico-intelectivas. Primeiro, doenças psíquico-vegetativas; são doenças na faculdade vegetativa da alma; e afeta tudo quanto diz respeito a faculdade vegetativa da alma. Segundo, doenças psíquico-sensitivas; são doenças na faculdade sensitiva da alma; e afeta tudo quanto diz respeito a faculdade sensitiva da alma. Terceiro, doenças psíquico-intelectivas; são doenças na faculdade intelectiva da alma; e afeta tudo quanto diz respeito a faculdade intelectiva da alma.

12. Com isso, se pode observar as três formas de doenças psíquicas que são provenientes da inferência da liberdade; portanto, nestas três formas de doenças, se estabelecem inúmeras outras doenças, inúmeras outras morbidades, mas que tem como fonte a esquizofrenização ou a deformação de uma destas faculdades da alma, através de atos anti-racionais e da recusa em aperceber da realidade. Portanto, se faz necessário investigar no que concerne, bem como investigar as consequências destas doenças psíquicas que se calcificam a partir da inferência da liberdade.

Capítulo V: As variações da doença inerente a inferência da liberdade.

13. Ora, sendo a inferência da liberdade parte do que é descrito como morbus animi, então, necessariamente, tal como na morbus animi, a inferência da liberdade possui as mesmas variações da doença; no entanto, com a diferença de que são atos e ações que sempre se praticam com vista a vituperar a liberdade; logo, aqueles que praticam atos e ações de inferência da liberdade, os inferidores da liberdade, estão num estado de alma doentio.

14. Cícero houvera elencado uma lista de variações da doença inerente a morbus animi (cf. Discussões Tusculanas, IV, 23-32); logo, a partir da descrição de Cícero, se acopla as mesmas descrições, todavia, com atos que vituperam a liberdade; e as manifestações desta doença são as seguintes: ganância contra a liberdade, isto é, qualquer forma de ganância contra atos e ações contra a liberdade do próximo; busca de status a partir da inferência da liberdade, isto é, aqueles que buscam ganhar benefícios e/ou posições, ou fama e honra a partir de atos contra a liberdade do indivíduo; vícios de guloseimas e lanches como forma de velar as práticas viciosas; irascibilidade contra a liberdade, isto é, ira toda vez que o próximo exerce a liberdade que lhe convém; desejo incontrolável pela liberdade do próximo, isto é, neurose obsessiva com respeito ao indivíduo exercer a liberdade que lhe convém pela lei humana e pela lei divina; misantropia em relação a liberdade, isto é, atos de inferência da liberdade que demonstram ódio contra a humanidade e que buscam acabar com a socialidade do indivíduo; misoginia ou misandria em relação a liberdade.

15. Este catálogo de sintomas, que emergem das variações da doença da inferência da liberdade são, por sua vez, assombrosos; pois, os inferidores da liberdade são, por sua vez, pessoas doentes e que possuem morbidades na alma; no caso específico da inferência da liberdade, são morbidades que acutilam o indivíduo de tal modo, que não são apenas doenças, mas crimes; pois, os atos de inferência da liberdade são crimes contra a Constituição e crimes contra os Direitos Humanos; e, além, são blasfêmias contra a lei divina, e por isso, atos de apostasia e de luta contra Deus. Logo, os inferidores da liberdade, possuem doença na alma e possuem doenças espirituais que os fazem sempre estar contra a humanidade e contra Deus.

Capítulo VI: A inferência da liberdade e a Segunda Realidade.

16. Deste modo, se constata que a inferência da liberdade, acaba por ocasionar que àqueles que são permeados pelos atos viciosos que emergem da inferência da liberdade, aquilo que fora chamado por Robert Musil de Segunda Realidade; os inferidores da liberdade são aqueles que vivem sob a sombra da Primeira Realidade (verdadeira realidade), e que são permeados pelos ditames da Segunda Realidade (a falsa realidade, ou não-realidade).

17. O conceito de Musil sobre a Segunda Realidade, segundo Voegelin, refere-se “as construções peculiares que pretendem eclipsar a primeira realidade em que vivemos”; logo, aqueles que inferem a liberdade, em suas ações de inferência da liberdade, demonstram que querem eclipsar a primeira realidade; pois, todo ato de inferência da liberdade é um atentado contra a realidade e, por isso, ao mesmo tempo um atentado contra a verdade; portanto, os inferidores da liberdade, em suas ações e práticas, são inimigos ferrenhos da realidade.

18. Além disso, a instituição, ou a castificação, dos atos de inferência da liberdade, quando os mesmos são tidos como sem nenhum perigo, ou quando se tornam prática corriqueiras de um indivíduo ou de toda uma sociedade, então, isto significa que fora instituída um sistema de valores e normas sociais contrário a realidade, contrário a verdade e contrário a liberdade; este sistema de valores permeia as ações humanos, e torna os homens sujeitos a uma impregnação passiva de hábitos nefastos e destruidores, tanto em relação ao indivíduo quanto em relação a sociedade, entre os quais, evidencia-se a implementação (ou a efetivação) da Segunda Realidade; com isso, os inferidores da liberdade são aqueles que através dos atos e ações de inferência da liberdade, demonstram que buscam viver de acordo com a Segunda Realidade; isto, evidentemente, é uma doença patológica, na qual a consciência consciente é desfigurada para dar a uma consciência imaginária que busca tudo menos o real, o que se demonstra de variadas maneiras - as variações manifestas da doença -, tal como fora afirmado no capítulo anterior.

Capítulo VII: A inferência da liberdade e o prognóstico das doenças que emergem da Segunda Realidade.

19. Assim sendo, se pode afirmar que a partir da inferência da liberdade, evidenciada nas ações dos inferidores da liberdade, se consegue fazer um prognóstico das doenças que emergem da Segunda Realidade; pois, as doenças que se tornam manifestas naqueles que buscam ou que já vivem na Segunda Realidade, são doenças que afetam tanto o indivíduo quanto a sociedade; por isso, compreender estas doenças ajuda a compreender o que emerge e é semeado pela inferência da liberdade, o que, poucos se apercebem da gravidade dos atos de inferência da liberdade.

E, se torna algo ainda mais alarmante ao se perceber a constância e a quantidade cada vez maior de pessoas que inferem a liberdade, sendo que a inviolabilidade da liberdade é preceito apodítico da lei moral natural; logo, os atos de inferência da liberdade, é sinal de que tanto a lei moral natural fora corrompida, quanto a consciência dos inferidores também fora corrompida, já que não se apercebem da gravidade de tais atos.

20. Deste modo, se pode fazer o seguinte prognóstico das doenças que emergem da Segunda Realidade, o qual, se dá de dois modos: primeiro, pela análise dos atos de inferência da liberdade, os quais, por si mesmos, são suficientes para designar a impregnação de hábitos que buscam ou que já evocam a Segunda Realidade; segundo, através dos efeitos destes atos no indivíduo e na sociedade. Em relação ao primeiro, se pode utilizar de vários elementos para se constatar e analisar os inferidores da liberdade; em relação ao segundo, se observa as consequências diretas e indiretas, conscientes e inconscientes, dos atos de inferência da liberdade.

21. Por isso, do prognóstico das doenças que emergem da Segunda Realidade, se pode constatar três coisas: primeiro, uma estrutura patológica no cerne da consciência; segundo, a evocação de que o desprezo do argumento racional contra os ditames da Segunda Realidade é algo aceitável e normal; terceiro, a normatização do desprezo (ou rejeição) a razão. Por isso, quando Doderer evoca a recusa em se aperceber da realidade como termo conceitual e diagnóstico deste estado de consciência doentio, isso, por sua vez, castifica a consciência naquilo que fora definido como consciência seletiva, a consciência que só seleciona aquilo que é ruim, já que o desprezo pela primeira realidade a torna totalmente suscetível as consequências da Segunda Realidade, ocasionando o que Nietzsche chamara filosoficamente de “magia do extremo”.

Capítulo VIII: A inferência da liberdade e a calcificação das morbidades na alma.

22. Assim sendo, se pode falar da inferência da liberdade e das manifestações variegadas da doença que da mesma emerge, como meio de calcificação das morbidades na alma; pois, os atos de inferência da liberdade, como evidenciam algumas manifestações das doenças que emergem da Segunda Realidade, não somente somatizam outras manifestações da doença, mas calcifica de maneira quase que indissolúvel as morbidades na alma, tornando a alma não mais alma sóbria e racional, mas alma mórbida, com várias espécies diferentes de morbidades psíquicas, muitas das quais, ocasionando desordem interior, bem como atos de vícios, atos viciosos e atos viciantes.

23. Portanto, a inferência da liberdade, além de servir aos propósitos das ideologias nefastas, também ocasiona consequências terríveis e, muitas vezes, irreversíveis aos indivíduos e a sociedade; pois, os atos de inferência da liberdade afetam o indivíduo que os pratica, afeta aqueles que sofrem com tais atos, e acabam por envenenar toda a vida social com os venenos da não-liberdade e com os vícios e doenças da Segunda Realidade. Deste modo, a inferência da liberdade, os atos de inferência da liberdade, são praticados e se tornam hábitos, e isso efetiva a calcificação das morbidades da alma, tanto no indivíduo quanto na sociedade. E, o que disto resulta, é o caos social, ou aquilo que Francis Schaeffer chamara de “morte na cidade”.

24. Termina aqui esta explicação sobre a relação entre a inferência da liberdade e as doenças psíquicas. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém. 

05/07/2024

Sobre as Morbidades da Alma

Prólogo.

1. “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma” (3Jo 1.2); a descrição bíblica, apresenta um pressuposto ineludível para a vida em ordem e em sobriedade, a saber, a saúde da alma; por isso, o evangelista dos segredos de Deus afirma: “assim como bem vai a tua alma”; logo, o conhecimento sobre o estado da alma, não somente é importante para a ciência sagrada, mas à todos os campos do saber, principalmente àquele que especificamente lida com a alma; e, para esta compreensão se faz necessário entender os aspectos filosóficos da compreensão sobre a alma.

2. No entanto, o estudo e a compreensão sobre a alma, não gera tanto interesse, salvo àqueles que dedicam-se especificamente a esta área de estudo; todavia, este interesse se renova, ou pelo menos, cresce em importância, a medida que se compreende os aspectos da insalubridade da alma, ou em contrapartida a asseveração do texto inicial, de quando a alma não vai bem; os antigos filósofos gregos se aperceberam de quando a alma não vai bem, e descreveram tal fenômeno como nosos ou nosema da psique; o qual, Cícero, depois de açambarcar estas descrições, os descrevera como morbus animi, como morbidades da alma; portanto, se faz necessário analisar o que é e qual a natureza das morbus animi.

Capítulo I: A saúde psíquica.

3. E, antes de propriamente adentrar a compreensão sobre as morbidades da alma, o que é e qual sua natureza, se faz necessário uma breve descrição sobre o que é saúde psíquica; evidentemente, a saúde psíquica, isto é, a alma estar bem e sóbria, se evidencia a partir do funcionamento natural das funções psíquicas e do equilíbrio destas funções com o contato com a realidade; portanto, a saúde psíquica, numa síntese breve, é o pleno funcionamento das funções naturais da alma no contato com a realidade e no equilíbrio destas funções entre a ordem e a desordem, ou respectivamente, entre a sobriedade e a loucura.

4. Deste modo, a natureza da psique pressupõe este equilíbrio como aferidor de medida da saúde psíquica; logo, onde há este equilíbrio se tem a saúde psíquica; e onde não há este equilíbrio, se tem a doença da alma, as morbidades da alma; deste modo, o equilíbrio que resulta da relação entre a ordem e a desordem; da ordem emanam as coisas boas e salutares, da desordem as coisas ruins e maléficas; da ordem surge a sobriedade; da desordem surge a loucura; e o equilíbrio que se cristaliza no confronto da ordem e da desordem, é o que abaliza a sobriedade e a saúde da psique.

5. E, a ordem, isto é, a racionalidade, e a desordem, isto é, a rejeição a razão, se inter-relacionam, pois, a consciência ao se cristalizar na ordem, também tem diante de si a desordem, mas o que difere a sobriedade da loucura é justamente o caminho da ordem; mas, a sobriedade também se manifesta no reconhecimento e entendimento da desordem, da rejeição a razão e de suas manifestações básicas, muitas das quais, por si mesmas evidentes de que são rejeição a razão; e a saúde psíquica também reponta nisso, em ter esta percepção correta e adequada, ao passo que as morbidades da alma se instauram justamente quando se nega deliberadamente esta percepção seja por qual motivo for.

Capítulo II: A raiz das morbidades da alma.

6. As morbidades da alma, quando não surgem diretamente como uma doença mental, são causadas pela recusa em se aperceber da realidade e/ou pela rejeição a razão; pois, os padrões da realidade demonstra uma distinção entre o real e o fenômeno da recusa em se aperceber do real; por isso, esta recusa, sempre amalgamada com a rejeição a razão, se demonstra na própria realidade; na verdade, é o que Voegelin chama de má vontade em distinguir entre sonho (não-realidade) e realidade; e esta má vontade, ao se tornar um hábito, cristaliza-se como morbidade na alma.

7. Por isso, Cícero define este fenômeno como morbus animi; e, Cícero elenca uma série destas doenças, e as enumera sequencialmente; no entanto, o que chama a atenção na descrição de Cícero não é somente a precisão da descrição, mas principalmente o pressuposto que Cícero evoca para a natureza desta morbidade; Cícero a descreve como rejeição a razão; e as morbidades da alma, advêm fundamentalmente de atos e ações que deliberadamente demonstram a rejeição a razão, ou que são açambarcadas no bojo da descrição da má vontade em se aperceber da realidade, que vão desde as risadas até atos infames e vis.

8. Portanto, a raiz das morbidades da alma, aquelas morbidades que vão além das mais conhecidas doenças na alma, é sempre a má vontade em distinguir a realidade da não-realidade; esta má vontade cristaliza-se na mente e na vontade de maneira paulatina, de maneira a mover a alma em perturbações; e este mover, torna a pessoa que é movida alguém com várias patologias psíquicas, as quais, cada vez mais se manifestam; e a manifestação destas patologias se tornam, por assim dizer, evidentes de vários modos, muitos dos quais, aparentemente sem aparente patologia, mas que se analisados nos pormenores e em suas essências demonstram um estado de alma doentio e adoecedor.

Capítulo III: A morbus animi e sua natureza.

9. Mas, diante destas pressuposições, surge a questão: qual a natureza da morbus animi; pois, se as morbus animi se cristalizam a partir da formação do hábito oriundo da má vontade em distinguir entre realidade e não-realidade, esta morbus animi, logicamente, possui uma natureza; e, Cícero define a natureza da morbus animi como uma aspernatio rationis, uma rejeição a razão; assim sendo, toda morbus animi tem algo da rejeição a razão; e, que manifestação mais específica da aspernatio rationis, do que a cristalização da má vontade em distinguir entre realidade e não-realidade.

10. Portanto, é facilmente entendido que esta má vontade é uma rejeição a razão, porque é uma rejeição a realidade; e toda rejeição a realidade, ou gera a completa degeneração da percepção, ou então, cria-se um estado de sonho; nos dois aspectos, as morbus animi se manifestam de maneira alarmante; mas, principalmente no segundo aspecto, que se apercebe de maneira mais clarividente as consequências da rejeição a razão; pois, ao se rejeitar a razão se procurará evocar algum substituto para a razão; para aqueles que são dominados pela ideologia, a razão é substituída pela vontade de domínio da ideologia; já para aqueles que são dominados por algum “ismo”, logo tratam de deificar este “ismo” e torná-lo o ponto arquimédico da realidade; etc.

11. Deste modo, a natureza da morbus animi, sempre procura evocar algum substituto para a razão; e, em muitos casos, o substituto para a razão se torna o próprio ato anti-razão, ou anti-realidade que é praticado por aqueles que estão em estado de morbidade na alma; e, as mais das vezes, aqueles que estão em estado de morbidade na alma, praticam ações que se tornam hábitos, os quais, sempre são expressão ou da rejeição a razão ou da recusa em se aperceber da realidade, que, em muitos casos, também são atos contra os princípios indiscutíveis da dignidade humana e os princípios racionais invioláveis da vida em sociedade. Isto, é o que caracteriza a morbus animi em sua natureza e, consequentemente, em suas manifestações.

Capítulo IV: A rejeição a razão.

12. Com isso, antes de se prosseguir se faz necessário analisar estes dois aspectos através dos quais se entende a natureza da morbus animi, os quais são: primeiro, a rejeição a razão; segundo, a recusa em se aperceber da realidade. Em relação ao primeiro, se analisa dois aspectos: primeiro, as ações inconscientes de rejeição a razão; segundo, a impregnação passiva de hábitos anti-razão.

Primeiro, as ações inconscientes de rejeição a razão; em sua fase inicial até a cristalização, a rejeição a razão se estabelece através de ações inconscientes implementadas e/ou apreendidas pelo indivíduo; ações implementadas porque pode ser parte da guerra cultural evocada pelas ideologias nefastas para efetuar o domínio através da destruição do consciente; e ações apreendidas, porque podem ser ações que se tornam castificadoras, e assim aos poucos todos vão agindo da mesma maneira até a castificação completa das ações que inconscientemente se tornam ações praticadas por todos, mas que em sua natureza são morbus animi.

13. Segundo, a impregnação passiva de hábitos anti-razão; após a implementação das ações inconscientes de rejeição a razão, as quais são implementadas justamente para iscar os indivíduos nas sementes da rejeição a razão, então, passa a haver a impregnação passiva de hábitos; os quais, por sua vez, castificam de forma plena e absoluta todos aqueles que não se apercebem desta impregnação e que estão sujeitos e subservientes aos ditames da ideologia, seja por qual meio for; portanto, a natureza da se torna de tal modo efetivada, que se tornam hábitos sem que sequer haja a percepção e a compreensão que são ações de rejeição a razão, que tanto cauterizam a consciência quanto destroem a inteligência.

14. Em suma, estes são os frutos da rejeição a razão: consciência cauterizada e inteligência destruída; ou em termos mais específicos, a destruição da parte sensível-racional da alma, e a desfiguração total da consciência individual em nome da consciência coletiva. Com isso, o primeiro aspecto da natureza da morbus animi, é a rejeição a razão, que em si mesma já traz consequências nefastas para o ser humano, consequências maiores e mais terríveis do que as mais cruentas guerras.

Capítulo V: A recusa em se aperceber da realidade.

15. E, em relação ao segundo aspecto da natureza da morbus animi, se analisa dois aspectos: primeiro, a instauração da recusa em se aperceber da realidade; segundo, as evidências da recusa em aperceber da realidade.

Primeiro, a instauração da recusa em aperceber da realidade; em primeiro lugar, se estabelece, de maneira gradual e paulatina, os gérmens que implementam atos e ações contrárias a realidade, ações que são parte da própria recusa do indivíduo em se aperceber da realidade; e, em consonância a isso, se observa que a recusa em se aperceber da realidade, na verdade, é a obnubilação, por ações e outros meios, que implementa no indivíduo os preceitos da anti-realidade, isto é, o ódio contra a realidade e contra a ordem da realidade; tanto que a partir da instauração da recusa em se aperceber da realidade, o indivíduo cria aversão a toda ordem da realidade e contra toda ordenação natural. A instauração da recusa em se aperceber da realidade, se demonstra a partir do ódio e da aversão existencial contra toda a ordem da realidade e contra toda ordenação natural.

16. Segundo, as evidências da recusa em se aperceber da realidade; após a instauração da recusa em se aperceber da realidade, ocorre a cristalização na consciência e na vontade do estado de anti-realidade; e todas as ações e atitudes do indivíduo que é calcificado no estado de anti-realidade, serão evidência da recusa em se aperceber da realidade, e serão ações propagadoras dos efeitos terríveis desta recusa tanto no próprio indivíduo quanto na sociedade que o rodeia; por isso, a recusa em se aperceber da realidade de início adoece o indivíduo, e se não desembocar noutra doença mais grave e incapacitadora (por exemplo, esquizofrenia, demência, etc.), torna este indivíduo adoecido e com morbidade na alma, um elemento de contaminação na sociedade; pois, como a recusa em se aperceber da realidade é parte da natureza da morbus animi, então, as morbidades da alma terão algo da recusa em se aperceber da realidade ou serão fruto da própria recusa em se aperceber da realidade.

17. Portanto, se estabelece uma dupla natureza da morbus animi, a rejeição a razão e a recusa em se aperceber da realidade; com isso, da rejeição a razão se apercebe o desenvolvimento da irracionalidade e a cristalização da imbecilidade; e da recusa em se aperceber da realidade, se tem o desenvolvimento de práticas vis e infames que se tornam corriqueiras pois são tidas como se fossem parte da própria realidade ou como se estivessem em consonância com a própria realidade, bem como a cristalização de uma castificação anti-realidade, que busca desfigurar e/ou destruir tudo aquilo que está em consonância com a realidade e destruir tudo aquilo que existe para preservar a realidade. Esta é, em linhas gerais, a natureza da morbus animi.

Capítulo VI: As manifestações da rejeição a razão.

18. Assim sendo, se evoca a proposição de que a rejeição a razão, sendo a natureza da morbus animi, também é a porta de entrada dos vícios na alma; o ato de não obedecer a razão, isto é, de rejeitar a razão, é um vício (cf. Discussões Tusculanas, IV, 39), e um vício, que abre a porta para outros vícios, os quais, por sua vez, são a evidência da rejeição a razão; pois, o ato de rejeitar a razão, se transforma num vício, que por sua vez, é manifesto em ações e atitudes que advêm após a rejeição a razão; aliás, esta é a raiz das perturbações na alma.

19. Deste modo, ao se averiguar o aspecto duplo da natureza da morbus animi, surge a pergunta: como reconhecer a morbus animi? Simples, a morbus animi, no primeiro aspecto de sua natureza - a rejeição a razão -, tem algumas manifestações, as quais, Cícero bem descreve nas “Discussões Tusculanas” (IV, 23-32), as quais são: ganância, procura desenfreada de status, garanhice, glutonaria, vício de guloseimas, vício de lanches, bebericar habitual de vinho, irascibilidade, ansiedade, desejo de fama, e de reconhecimento público, rigidez de atitude, misoginia e misantropia; estas são as manifestações da rejeição a razão segundo a descrição de Cícero; e tal como diz Voegelin, um catálogo de sintomas iluminador.

20. E, a partir desta descrição de Cícero, se pode subdividir as manifestações da rejeição a razão a partir de duas classes distintas: primeiro, no indivíduo em si mesmo; segundo, na atitude do indivíduo em relação aos outros. E, do mesmo modo como estas manifestações estão interligadas entre si, algumas dizem respeito somente ao indivíduo, enquanto que outras dizem respeito ao indivíduo e em relação aos outros, enquanto outras diz respeito em relação aos outros; mas, todas estas doenças são elemento de contaminação, de todo o ser, e dos outros; é um ciclo vicioso que se instaura no indivíduo, e depois, se torna elemento viciante, gerando a contaminação social.

21. Portanto, estas são as manifestações da rejeição a razão; embora, a desobediência a razão, muitas vezes passe desapercebida como tal, nas manifestações da doença, tal como o catálogo de sintomas evocados por Cícero, se consegue compreender as morbidades na alma que surgem a partir da rejeição a razão; e ainda que não consiga propriamente dito se perceber a rejeição a razão em si mesma, se compreende a mesma a partir destes sintomas; logo, onde há estes sintomas, e onde há um destes sintomas sempre se tem outros sintomas, se pode com certeza apodítica se constatar a rejeição a razão.

22. E, aqui faz-se uma digressão; pois, este catálogo de sintomas evocado por Cícero, a partir da junção dos saberes dos antigos, dos estoicos, etc., ao ser evocado em tempos modernos, se constata uma série de outros sintomas; as variedades contemporâneas da doença mental, são ainda maiores; o catálogo de sintomas ao ser analisado a partir da vida hodierna, principalmente a partir do sistema da ciência de Hegel, é assustadoramente maior e mais terrível, pois, enumera-se os mesmos tipos de doença com agudeza ainda pior, e enumera-se outras doenças ainda mais terríveis, provenientes do que fora definido com o segundo aspecto da natureza da morbus animi, a saber, a recusa em se aperceber da realidade.

Capítulo VII: A recusa em se aperceber da realidade e as variedades contemporâneas da doença.

23. E, ao se observar as variedades contemporâneas da doença, se vai ao segundo aspecto da natureza da morbus animi; este segundo aspecto, a recusa em se aperceber da realidade (Apperzeptionsverwegerung), termo estabelecido por Heimito von Doderer, é um diagnóstico, daquilo que Voegelin chama de “cerne patológico na estrutura da consciência”; por isso, segundo o próprio Voegelin, “com o desenvolvimento da recusa de aperceber como um termo diagnóstico, Doderer praticamente reconquistou a aspernatio rationis ciceronia”; e a análise de Voegelin está correta, pois, as variedades contemporâneas da doença, são açambarcadas de maneira cirúrgica a partir da descrição da recusa em se aperceber da realidade.

24. Pois, diferentemente, dos antigos estoicos que focaram unicamente na rejeição a razão, a mesma, no mundo contemporâneo toma outras formas, as quais, são açambarcadas não somente na definição de rejeição a razão, mas principalmente, na contemporaneidade, a partir da descrição da recusa em se aperceber da realidade; portanto, as variedades contemporâneas da doença são descritas e definidas a partir do amplo escopo da recusa em se aperceber da realidade; e, neste sentido, formam-se três classes de doenças: primeiro, do indivíduo em relação a si mesmo; segundo, do indivíduo em relação ao próximo; terceiro, dos indivíduos em relação a sociedade. E, nota-se, que é um escopo mais amplo do que a rejeição a razão, pois, a complexidade aporética e terrível da modernidade, tornara a manifestação da doença em grau e estágios ainda mais avançados do que os do mundo antigo.

25. Assim sendo, em consonância com o catálogo fornecido por Cícero, e a partir das variedades contemporâneas da doença, se evoca os seguintes sintomas: a ganância doentia, o consumismo, a busca de status, a garanhice (homens), galinhice (mulheres), a despersonalização por práticas sexuais anti-naturais, feminismo, homossexualismo, bebericar habitual de vinhos, cervejas e refrigerantes, irascibilidade, parcimônia desequilibrada, entusiasmo abrasador, ansiedade, ansiedade cultural e social, desejo de fama, desejo de reconhecimento público, desejo de poder, vontade de domínio, rigidez de atitude, fraqueza de atitude, atitudes sem racionalidade, impregnação passiva de hábitos pré-configurados, as manipulações na linguagem, misoginia, misantropia, as diversas fobias contra as coisas naturais, estado de sonho, ativismo sonhador, a magia do extremo, a idealização de inverdades, a transmutação da consciência individual em consciência coletiva; etc. Um catálogo de sintomas não somente iluminador, mas cirúrgico e aterrador; pois, num geral, a vida na contemporaneidade é definida por estes sintomas.

26. E, estes sintomas estão interligados entre si, e nos tipos de classes de doenças; com a diferença de que, as variedades contemporâneas da doença, ao se manifestarem pela recusa em se aperceber da realidade, conduzem não somente o indivíduo a partir de um “cerne patológico na estrutura da consciência”, mas tornam toda a sociedade em expressão deste cerne patológico, formando assim uma sociedade como cerne patológico na estrutura da consciência; e isto pode ser definido através de outra expressão, a saber, a castificação da sociedade a partir de um cerne patológico na estrutura da consciência, gerando uma sociedade em que praticamente todo mundo este inserido neste cerne patológico na estrutura da consciência.

Capítulo VIII: As morbidades na alma e a sociedade.

27. Assim sendo, tendo compreendido o amplo escopo das morbidades na alma, se pode evocar a proposição auto-evidente das consequências que estas morbidades trazem à vida em sociedade; pois, as morbidades da alma, como se observa no catálogo de sintomas que foram evocados, além de serem viciosas são também viciante; além de causar outros vícios, torna os homens sujeitos a inúmeros vícios. E onde se tem alguém que apresenta os sintomas descritos, logo, estes sintomas contaminarão todos aqueles que estiverem a volta ou sob a influência de quem possui o estado de alma mórbido; e, afirma-se, sem incorrer em erros hiperbólicos, a medida desta contaminação é muito maior do que o mais contagioso vírus.

28. Com isso, se pode descrever que uma sociedade com pessoas com doenças na alma, será uma sociedade doente e adoecedora; uma sociedade que semeia em si mesma as consequências destas doenças, ao passo que adoece ainda mais aqueles que a compõem; por isso, o estado de alguém com a alma mórbida, é um estado deplorável; a morbidade na alma causa males terríveis tanto na alma do indivíduo quanto na alma da sociedade; por isso, ao se compreender sobre as morbidades na alma, se compreende a razão da situação alarmante que se encontra aqueles que são dominados por tais variedades da doença; e, a compreensão sobre as morbidades da alma, a partir da doença descrita e de sua natureza em duplo escopo, e a compreensão as manifestações variadas desta doença, constitui-se uma tarefa preponderante da psicologia e do encargo dos estudos inerentes a ciência da alma.

29. Termina aqui esta explicação sobre as morbidades na alma. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém. 

Os maiores atiradores da história

Diante de algumas indagações a respeito de um aspecto específico da história militar, a saber, sobre os maiores atiradores da história (snip...