Mostrando postagens com marcador Liberdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liberdade. Mostrar todas as postagens

13/06/2026

Liberdade

A vós liberdade,

irmã da verdade,

entoa-se canção

com toda honração.

 

Bênção incomparável

de um Deus afável;

por ti os retos vivem

e com a honra convivem.

 

Anunciação da divindade

que ensina hombridade,

ideal de toda idade,

princípio da eternidade.

 

Flâmula das grandes louvações,

lei inalterável das grandes nações,

vosso galardão é a justiça, a honra e a fé,

humanismo tal qual o da toccata em Ré.

 

És um princípio fulcral

que livra os homens do mal;

a ti liberdade honramos com fulgor

evidenciando a Deus o nosso amor.


05/01/2026

Os inferidores da liberdade e a canalhice

§ 1

 

A canalhice é um problema terrível e um problema pouco elucubrado; é um problema terrível, porque a canalhice é algo anti-humanidade e anti-piedade; e é um problema pouco elucubrado pois se tornara algo corriqueiro.

E como um indivíduo se torna canalha? Simples, os seres humanos que se tornam em canalhas já foram totalmente dominados pelo descaro; e descaro é luta contra Deus; todo descarado tenta a Deus e luta contra Deus.

 

§ 2

 

E entre as várias manifestações da canalhice, a mais abrupta e hedionda, é a que se manifesta através de atos contra a liberdade; aqueles que inferem a liberdade, sem exceção, são canalhas da pior espécie, pois laboram contra Deus buscando se tornar “deus”. Todo canalha é dominado pela síndrome de Satanás.

Na verdade, os inferidores da liberdade são artífices da canalhice, já que não somente atentam contra uma verdade eterna, mas destroem a dignidade humana; pois, os inferidores da liberdade são estupradores da dignidade humana.

Por isso, a canalhice dos inferidores da liberdade atenta não somente contra a dignidade humana, mas é a tentativa de usurpar o que pertence a Deus; portanto, todo inferidor da liberdade é alguém que quer se tornar “deus”.

 

§ 3

 

Na verdade, todo canalha é um potencial inferidor da liberdade, e todo inferidor da liberdade é um canalha da pior espécie; a canalhice se manifesta quando um indivíduo busca tomar para si o que pertence a outrem, desde bens até a honra; por isso, os inferidores da liberdade são canalhas da pior espécie, posto usurparem o bem maior da vida humana, a liberdade.

 

§ 4

 

Os inferidores da liberdade são canalhas porque buscam destruir o bem de outrem e/ou buscam tomar para si o bem que é de outrem. E isto é definido na Sagrada Escritura como usurpação; e a usurpação é o sentimento mais contrário a fé cristã; a usurpação é o sentimento do que é próprio do inferno; pois, a usurpação é o atestado de morte da humildade, a qual é seguida pela pá de cal da luxúria.

 

§ 5

 

Aliás, se constata que a canalhice dos inferidores da liberdade tem um modo de ação amplo, mas que é permeado por três ações comuns a todo canalha: primeiro, os canalhas buscam usurpar a honra de outrem com calúnias, mentiras e difamações; segundo, os canalhas buscam retirar os bens humanos de outrem através da inveja, manipulação e perseguição; terceiro, os canalhas buscam se tornar naqueles que usurpam, demonstrando total loucura ao quererem se tornar outrem, chegando ao ponto de cometerem as mais terríveis atrocidades contra a dignidade humana – na verdade, isto é inveja em grau máximo.

 

§ 6

 

A canalhice dos inferidores da liberdade é tão abrupta e hedionda quanto uma tortura física; os inferidores da liberdade são torturadores da dignidade humana; e se uma sociedade começa a paulatinamente atentar contra a liberdade, gerando muitos inferidores da liberdade, então a sociedade se tornará como um campo minado contra as verdades eternas.

Em outra analogia, os inferidores da liberdade tornam a sociedade como um campo de concentração, onde despedaçam a liberdade de outrem com as câmaras de gás das canalhices que propagam por onde passam e que acabam por influenciar aqueles que não amam a verdade a praticarem as mesmas canalhices (cf. Pv 1.10-19).

 

§ 7

 

A canalhice dos inferidores da liberdade também pode ser definida por aquilo que a Sagrada Escritura chama de caminho do inferno (cf. Pv 7.27); os inferidores da liberdade estão calcinados no caminho do inferno. Na verdade, a inferência da liberdade é a antessala do inferno; e os inferidores da liberdade, por estarem em desordem e causarem desordem, estão ordenados ao inferno.

 

§ 8

 

A canalhice é propriedade de quem rejeitou a própria humanidade seja por causa de ações hediondas seja por causa da deformação do caráter; todo canalha é um inimigo do verdadeiro humanismo; todo canalha é um pisoteador da verdade; por isso, os canalhas são artífices da desordem social, já que pelas obras dos homens ímpios se chega a total degradação moral de uma sociedade (cf. Pv 11.11). Os inferidores da liberdade são canalhas porque buscam se tornar “deus” tomando para si o que pertence somente a Deus. 


16/07/2024

A Inferência da Liberdade e as Doenças Psíquicas

Nota Inicial.

            Noutro escrito, intitulado “Sobre a Inferência da Liberdade”, se analisou o fenômeno da inferência da liberdade; e fora afirmado que se toma o termo inferência não no sentido de silogismo, mas no sentido de intentar deliberadamente contra algo, no caso, a liberdade; portanto, a inferência da liberdade é o intentar contra a liberdade, isto é, obstruir, violar e/ou desrespeitar a liberdade, seja por quais meios for; e como fora dito, este fenômeno ainda não havia sido descrito adequadamente (salvo o engano), ou pelo menos, não havia sido definido tal como realmente era, o que se fora feito neste escrito mencionado.

            Mas, conquanto este fenômeno não tenha sido descrito adequadamente, ao se defini-lo e descrevê-lo, se apercebeu de algo alarmante; pois, a inferência da liberdade é açambarcada como uma morbidade da alma (morbi animi); os atos de inferência da liberdade são evidência de morbidade da alma, bem como os inferidores da liberdade possuem doenças psíquicas; e isso, não há como negar, pois, o provam tanto a reta razão quanto a ciência, e a próprio estudo sobre a alma.

            Portanto, em continuidade ao primeiro escrito sobre a inferência da liberdade, se estabelece este outro escrito, sobre a inferência da liberdade e as doenças psíquicas; se, no primeiro escrito, possa haver dúvidas e questionamentos sobre algumas descrições e definições, neste segundo escrito fica demonstrado de maneira apodítica que a inferência da liberdade está amalgamada com as doenças psíquicas.

Prólogo.

1. O ato ou a ação da inferência da liberdade, não somente é evidência de apostasia, no sentido religioso, e não somente é sinal de destruição do direito e da justiça, no sentido sócio-político, mas principalmente e fundamentalmente, a inferência da liberdade é uma morbi animi, uma morbidade da alma, uma doença da alma; Cícero, em suas “Discussões Tusculanas”, fala sobre as doenças da alma (morbi animi), que por sua vez, são instauradas a partir da rejeição a razão (aspernatio rationis); portanto, a caracterização ciceroniana das doenças da alma é a rejeição a razão; logo, a inferência da liberdade, por ser desveladamente uma rejeição a razão, é uma doença da alma.

2. Mas, não qualquer doença; pois, apesar de ser uma doença da alma, não é uma doença como a esquizofrenia, ou como o alzheimer, etc.; na verdade, a psiquiatria ainda não desenvolveu de maneira adequada o estudo sobre as patologias provenientes da aspernatio rationis descrita por Cícero; todavia, são patologias indiscutíveis, as quais, o próprio Cícero fornece uma lista bem precisa e que está notoriamente presente no cotidiano das sociedades adoecidas de maneira bem mais alarmante do que se possa imaginar; e, como a natureza destas doenças da alma é a rejeição a razão, tudo aquilo que é irracional de maneira “consciente” e/ou deliberada, na verdade, é parte destas doenças, entre quais, evidentemente, está a inferência da liberdade, que como fora dito, se enquadra na descrição das doenças da alma feita por Cícero.

3. Deste modo, se faz necessário elucubrar sobre a inferência da liberdade, sua natureza como parte da rejeição a razão (aspernatio rationis), sua existencialidade como uma doença da alma e sua relação com as doenças da alma; se a liberdade, como bem afirmara Leão XIII, é um excelente bem da natureza, então, a inferência da liberdade, é a destruição deste bem, e, por isso, é algo viciante e vicioso; se a inferência da liberdade, por natureza, é contra a própria liberdade, então, os frutos da inferência da liberdade são contrários aos frutos da liberdade; e, sendo a liberdade um excelente bem e um dom gracioso, então, o contrário da liberdade, a não-liberdade, manifesto na inferência da liberdade, é um mal terrível e um vício medonho; disto, se apercebe o porquê a inferência da liberdade é uma rejeição da razão, e se compreende, a consequência disto, em ser uma doença da alma, e não somente uma doença, mas possui os gérmens a partir dos quais florescem várias outras doenças da alma, e por consequência, em doenças sociais. Portanto, se faz necessário investigar a inferência da liberdade e sua relação com as doenças psíquicas. 

Capítulo I: A Não-Liberdade e a Inferência da Liberdade.

4. A inferência da liberdade, este terrível mal que assola a sociedade, é fruto da não-liberdade; e, todo o amplo escopo da não-liberdade, acopla uma série de consequências, entre as quais, as mais evidentes são os atos de inferência de liberdade; logicamente, por ser parte e ser açambarcado pela não-liberdade, os atos de inferência da liberdade são permeados pelas consequências gerais da não-liberdade, bem como pelas consequências específicas inerentes aos atos de inferência da liberdade; estas consequências estão interligadas, mas as consequências da inferência da liberdade só se tornam evidentes quando se ocorrem atos de inferência da liberdade, enquanto que as consequências da não-liberdade permeia tudo e todos quando há a não-liberdade.

5. Portanto, a inferência da liberdade é um dos males provenientes da não-liberdade; logo, os próprios males intrínsecos a inferência da liberdade são demonstração da não-liberdade somada a atitude dos homens em quererem usurpar da liberdade o senhor da mesma, a saber, o próprio Deus; todos os atos de inferência da liberdade são uma forma de os homens, em suas ações, atentarem contra aquilo que pertence a Deus; com isso, os homens, em suas ações de inferência de liberdade, acabam por incorrer numa luta contra Deus; e, assim, tornam-se bestializados; na verdade, a inferência da liberdade, em relação as coisas espirituais, é atestado que confirma o estado de soberba em grau máximo; e em relação as coisas naturais, é atestado que confirma a destruição da inteligência e da consciência, e da vituperação da dignidade humana tanto em relação a si mesmo quanto em relação aos outros seres humanos e a sociedade como um todo.

Capítulo II: A rejeição a razão e a inferência da liberdade.

6. Deste modo, pode-se compreender que a inferência da liberdade, não somente é evidência da não-liberdade, mas por isso mesmo, é evidência da rejeição a razão; os inferidores da liberdade, são calcinados na rejeição a razão; e a rejeição a razão é uma psicopatologia que assola uma sociedade que vive na não-liberdade; na verdade, a inferência da liberdade é sinal de uma morbidade da alma; a inferência da liberdade, sendo evidência da rejeição a razão, ao se cristalizar e consumar, não somente atesta a própria rejeição da razão como morbidade da alma, mas demonstra que a própria inferência da liberdade, não somente é uma morbidade da alma, mas a prova de que a própria alma se tornou em elemento propulsor de outras morbidades; por isso, os inferidores da liberdade são sempre potenciais contaminadores.

7. Além disso, sendo a inferência da liberdade evidência de rejeição a razão, então, os inferidores da liberdade, sempre odiarão a liberdade, pois, liberdade se amalgama com racionalidade, e vice-versa; portanto, a inferência da liberdade além de ser evidência da rejeição a razão, é evidência da imbecilização total; logo, os inferidores da liberdade, se tornam em instrumento de propagação dos males provenientes da não-liberdade, tanto em si mesmos quanto para a sociedade; pois, a inferência da liberdade se torna um mal social terrível, enquanto semeia e germina outros males que são provenientes da não-liberdade. Deste modo, a rejeição a razão se coaduna com a inferência da liberdade, e é prescritiva como um sintoma da rejeição a razão, bem como um sintoma, que a medida que “proporciona” a continuidade da inferência da liberdade, produz outras morbidades ainda mais terríveis e adoecedoras do que a rejeição a razão. Inferência da liberdade e rejeição a razão são amalgamadas, tanto no sentido de serem práticas hediondas, quanto no sentido de serem açambarcadas na descrição das morbi animi, e ainda no sentido de destruírem a dignidade humana.

Capítulo III: A inferência da liberdade e a recusa em se aperceber da realidade.

8. E, além da inferência da liberdade se coadunar com a rejeição a razão, e vice-versa, a inferência da liberdade se coaduna com a recusa em se aperceber da realidade, e vice-versa; e, da recusa em se aperceber da realidade, se avolumam ainda mais patologias na alma, psicopatologias que se tornam expressão não somente da rejeição a razão, mas da negação da própria realidade, de uma recusa “consciente” em se aperceber que a consciência está percebendo a realidade (evidência de uma doença da alma); por isso, o que Doderer definira literariamente através da pressuposição da “recusa em se aperceber da realidade”, é a descrição cirúrgica do estado de alma de uma sociedade que se deixa dominar pela não-liberdade; na verdade, a recusa em se aperceber da realidade, é a evidência da implementação plena do estado de não-liberdade (que também ocasiona o estado de não-conhecimento).

9. Deste modo, a inferência da liberdade é uma das manifestações da recusa em aperceber da realidade; pois, os inferidores da liberdade, na verdade, são aqueles que recusam a se aperceber da realidade, devido aos atos de inferência da liberdade; pois, a inferência da liberdade, em si mesma, é um ato contra a realidade, já que destrói a racionalidade e calcifica a imbecilidade; logo, a inferência da liberdade contribui para a instauração absoluta da recusa em aperceber da realidade como norma social, como princípio normativo de uma sociedade doente e adoecedora; e, não somente isso, mas a recusa em se aperceber da realidade, se torna a fonte das normativas para a inferência da liberdade, a qual se torna expressão as morbidades da alma; portanto, a recusa em se aperceber da realidade tem como um de seus frutos, em consonância com a rejeição a razão, a inferência da liberdade, a qual, não somente atesta o vilipendio contra a realidade, mas um “desastre nuclear” contra a própria liberdade. A recusa em se aperceber da realidade, assim como a rejeição a razão, são por definição, anti-liberdade, e expressão da não-liberdade.

Capítulo IV: A inferência da liberdade e as doenças psíquicas.

10. Com isso, se pode afirmar que a inferência da liberdade produz doenças na alma, além de ser evidência de doenças na alma, tais como a rejeição a razão e a recusa em se aperceber da realidade; tanto a rejeição a razão quanto a recusa em se aperceber da realidade são expressão e se coadunam com a inferência da liberdade; e, assim, tanto uma quanto a outra, são doenças em parte específicas (faculdades) da alma; respectivamente, são doenças na parte intelectiva e na parte sensitiva da alma. Portanto, a inferência da liberdade se coaduna não somente com doenças nestas partes da alma, mas em todas as partes da alma; assim sendo, a inferência da liberdade é a porta de entrada de muitas doenças psíquicas.

11. Deste modo, a inferência da liberdade é a causa de três formas de doenças psíquicas, as quais são: primeiro, doenças psíquico-vegetativas; segundo, doenças psíquico-sensitivas; terceiro, doenças psíquico-intelectivas. Primeiro, doenças psíquico-vegetativas; são doenças na faculdade vegetativa da alma; e afeta tudo quanto diz respeito a faculdade vegetativa da alma. Segundo, doenças psíquico-sensitivas; são doenças na faculdade sensitiva da alma; e afeta tudo quanto diz respeito a faculdade sensitiva da alma. Terceiro, doenças psíquico-intelectivas; são doenças na faculdade intelectiva da alma; e afeta tudo quanto diz respeito a faculdade intelectiva da alma.

12. Com isso, se pode observar as três formas de doenças psíquicas que são provenientes da inferência da liberdade; portanto, nestas três formas de doenças, se estabelecem inúmeras outras doenças, inúmeras outras morbidades, mas que tem como fonte a esquizofrenização ou a deformação de uma destas faculdades da alma, através de atos anti-racionais e da recusa em aperceber da realidade. Portanto, se faz necessário investigar no que concerne, bem como investigar as consequências destas doenças psíquicas que se calcificam a partir da inferência da liberdade.

Capítulo V: As variações da doença inerente a inferência da liberdade.

13. Ora, sendo a inferência da liberdade parte do que é descrito como morbus animi, então, necessariamente, tal como na morbus animi, a inferência da liberdade possui as mesmas variações da doença; no entanto, com a diferença de que são atos e ações que sempre se praticam com vista a vituperar a liberdade; logo, aqueles que praticam atos e ações de inferência da liberdade, os inferidores da liberdade, estão num estado de alma doentio.

14. Cícero houvera elencado uma lista de variações da doença inerente a morbus animi (cf. Discussões Tusculanas, IV, 23-32); logo, a partir da descrição de Cícero, se acopla as mesmas descrições, todavia, com atos que vituperam a liberdade; e as manifestações desta doença são as seguintes: ganância contra a liberdade, isto é, qualquer forma de ganância contra atos e ações contra a liberdade do próximo; busca de status a partir da inferência da liberdade, isto é, aqueles que buscam ganhar benefícios e/ou posições, ou fama e honra a partir de atos contra a liberdade do indivíduo; vícios de guloseimas e lanches como forma de velar as práticas viciosas; irascibilidade contra a liberdade, isto é, ira toda vez que o próximo exerce a liberdade que lhe convém; desejo incontrolável pela liberdade do próximo, isto é, neurose obsessiva com respeito ao indivíduo exercer a liberdade que lhe convém pela lei humana e pela lei divina; misantropia em relação a liberdade, isto é, atos de inferência da liberdade que demonstram ódio contra a humanidade e que buscam acabar com a socialidade do indivíduo; misoginia ou misandria em relação a liberdade.

15. Este catálogo de sintomas, que emergem das variações da doença da inferência da liberdade são, por sua vez, assombrosos; pois, os inferidores da liberdade são, por sua vez, pessoas doentes e que possuem morbidades na alma; no caso específico da inferência da liberdade, são morbidades que acutilam o indivíduo de tal modo, que não são apenas doenças, mas crimes; pois, os atos de inferência da liberdade são crimes contra a Constituição e crimes contra os Direitos Humanos; e, além, são blasfêmias contra a lei divina, e por isso, atos de apostasia e de luta contra Deus. Logo, os inferidores da liberdade, possuem doença na alma e possuem doenças espirituais que os fazem sempre estar contra a humanidade e contra Deus.

Capítulo VI: A inferência da liberdade e a Segunda Realidade.

16. Deste modo, se constata que a inferência da liberdade, acaba por ocasionar que àqueles que são permeados pelos atos viciosos que emergem da inferência da liberdade, aquilo que fora chamado por Robert Musil de Segunda Realidade; os inferidores da liberdade são aqueles que vivem sob a sombra da Primeira Realidade (verdadeira realidade), e que são permeados pelos ditames da Segunda Realidade (a falsa realidade, ou não-realidade).

17. O conceito de Musil sobre a Segunda Realidade, segundo Voegelin, refere-se “as construções peculiares que pretendem eclipsar a primeira realidade em que vivemos”; logo, aqueles que inferem a liberdade, em suas ações de inferência da liberdade, demonstram que querem eclipsar a primeira realidade; pois, todo ato de inferência da liberdade é um atentado contra a realidade e, por isso, ao mesmo tempo um atentado contra a verdade; portanto, os inferidores da liberdade, em suas ações e práticas, são inimigos ferrenhos da realidade.

18. Além disso, a instituição, ou a castificação, dos atos de inferência da liberdade, quando os mesmos são tidos como sem nenhum perigo, ou quando se tornam prática corriqueiras de um indivíduo ou de toda uma sociedade, então, isto significa que fora instituída um sistema de valores e normas sociais contrário a realidade, contrário a verdade e contrário a liberdade; este sistema de valores permeia as ações humanos, e torna os homens sujeitos a uma impregnação passiva de hábitos nefastos e destruidores, tanto em relação ao indivíduo quanto em relação a sociedade, entre os quais, evidencia-se a implementação (ou a efetivação) da Segunda Realidade; com isso, os inferidores da liberdade são aqueles que através dos atos e ações de inferência da liberdade, demonstram que buscam viver de acordo com a Segunda Realidade; isto, evidentemente, é uma doença patológica, na qual a consciência consciente é desfigurada para dar a uma consciência imaginária que busca tudo menos o real, o que se demonstra de variadas maneiras - as variações manifestas da doença -, tal como fora afirmado no capítulo anterior.

Capítulo VII: A inferência da liberdade e o prognóstico das doenças que emergem da Segunda Realidade.

19. Assim sendo, se pode afirmar que a partir da inferência da liberdade, evidenciada nas ações dos inferidores da liberdade, se consegue fazer um prognóstico das doenças que emergem da Segunda Realidade; pois, as doenças que se tornam manifestas naqueles que buscam ou que já vivem na Segunda Realidade, são doenças que afetam tanto o indivíduo quanto a sociedade; por isso, compreender estas doenças ajuda a compreender o que emerge e é semeado pela inferência da liberdade, o que, poucos se apercebem da gravidade dos atos de inferência da liberdade.

E, se torna algo ainda mais alarmante ao se perceber a constância e a quantidade cada vez maior de pessoas que inferem a liberdade, sendo que a inviolabilidade da liberdade é preceito apodítico da lei moral natural; logo, os atos de inferência da liberdade, é sinal de que tanto a lei moral natural fora corrompida, quanto a consciência dos inferidores também fora corrompida, já que não se apercebem da gravidade de tais atos.

20. Deste modo, se pode fazer o seguinte prognóstico das doenças que emergem da Segunda Realidade, o qual, se dá de dois modos: primeiro, pela análise dos atos de inferência da liberdade, os quais, por si mesmos, são suficientes para designar a impregnação de hábitos que buscam ou que já evocam a Segunda Realidade; segundo, através dos efeitos destes atos no indivíduo e na sociedade. Em relação ao primeiro, se pode utilizar de vários elementos para se constatar e analisar os inferidores da liberdade; em relação ao segundo, se observa as consequências diretas e indiretas, conscientes e inconscientes, dos atos de inferência da liberdade.

21. Por isso, do prognóstico das doenças que emergem da Segunda Realidade, se pode constatar três coisas: primeiro, uma estrutura patológica no cerne da consciência; segundo, a evocação de que o desprezo do argumento racional contra os ditames da Segunda Realidade é algo aceitável e normal; terceiro, a normatização do desprezo (ou rejeição) a razão. Por isso, quando Doderer evoca a recusa em se aperceber da realidade como termo conceitual e diagnóstico deste estado de consciência doentio, isso, por sua vez, castifica a consciência naquilo que fora definido como consciência seletiva, a consciência que só seleciona aquilo que é ruim, já que o desprezo pela primeira realidade a torna totalmente suscetível as consequências da Segunda Realidade, ocasionando o que Nietzsche chamara filosoficamente de “magia do extremo”.

Capítulo VIII: A inferência da liberdade e a calcificação das morbidades na alma.

22. Assim sendo, se pode falar da inferência da liberdade e das manifestações variegadas da doença que da mesma emerge, como meio de calcificação das morbidades na alma; pois, os atos de inferência da liberdade, como evidenciam algumas manifestações das doenças que emergem da Segunda Realidade, não somente somatizam outras manifestações da doença, mas calcifica de maneira quase que indissolúvel as morbidades na alma, tornando a alma não mais alma sóbria e racional, mas alma mórbida, com várias espécies diferentes de morbidades psíquicas, muitas das quais, ocasionando desordem interior, bem como atos de vícios, atos viciosos e atos viciantes.

23. Portanto, a inferência da liberdade, além de servir aos propósitos das ideologias nefastas, também ocasiona consequências terríveis e, muitas vezes, irreversíveis aos indivíduos e a sociedade; pois, os atos de inferência da liberdade afetam o indivíduo que os pratica, afeta aqueles que sofrem com tais atos, e acabam por envenenar toda a vida social com os venenos da não-liberdade e com os vícios e doenças da Segunda Realidade. Deste modo, a inferência da liberdade, os atos de inferência da liberdade, são praticados e se tornam hábitos, e isso efetiva a calcificação das morbidades da alma, tanto no indivíduo quanto na sociedade. E, o que disto resulta, é o caos social, ou aquilo que Francis Schaeffer chamara de “morte na cidade”.

24. Termina aqui esta explicação sobre a relação entre a inferência da liberdade e as doenças psíquicas. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém. 

07/06/2024

O Diabo e a Não-Liberdade

Prólogo.

 

1. “Então, o SENHOR disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela” (Jó 1.7); a descrição bíblica aponta uma obra do Diabo, de Satanás, a saber, rodear a terra e passear por ela; o Diabo age no mundo todo, e procura destruir todas as coisas e corromper a criação de Deus; o Diabo age através da destruição, corrupção e desfiguração de tudo o que é bom e louvável entre as coisas humanas.

2. Mas, a descrição de que Satanás anda e passeia pela terra, demonstra que ele está a espreita para tirar dos seres humanos aquilo que lhes é mais precioso e necessário, tanto em relação as coisas naturais, quanto em relação as coisas espirituais, a saber, a liberdade; portanto, a ação maligna busca tirar os elementos que constroem e protegem a dignidade humana no que concerne as coisas naturais, e busca destruir ou transmutar os elementos que são parte da verdadeira espiritualidade no que concerne as coisas espirituais.

 

Capítulo I: A descrição petrina da obra maligna.

 

3. A descrição da obra maligna, tal como feita no livro de Jó, constitui-se da mais antiga descrição da obra maligna após a Queda (cf. Gn 3); e, além disso, amalgama-se ao entendimento de que o Diabo trabalha dia e noite para acusar os servos de Deus (cf. Ap 12.10); e tais descrições demonstram uma forma de Satanás agir no mundo; e, a proposição do livro de Jó, de que Satanás rodeia a terra e a passeia por ela é melhor abalizada na descrição petrina da obra maligna, onde se descreve de maneira mais límpida o modo de agir de Satanás, ao passear e rodear a terra.

4. O Príncipe dos Apóstolos diz: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5.8); o andar em derredor da descrição petrina, é o mesmo do “rodear a terra e passear por ela” do livro de Jó; são perspectivas complementares, onde a descrição petrina complementa de maneira cabal o que a descrição do livro de Jó apenas delineia de maneira geral; por isso, a descrição petrina apenas complementa e ensina sobre o propósito da obra do Diabo em passear e rodear o mundo, pois o mundo jaz no maligno (cf. 1Jo 5.19); e Satanás, ao rodear a terra e passear por ela, semeia suas obras na vida humana, causando destruição e morte (cf. Jo 10.10).

5. Mas, andar em derredor, rodear e passear, dizem respeito basicamente a mesma coisa, ao andar de Satanás no mundo; e, o andar em derredor, ou simplesmente andar e passear pressupõem dois aspectos: primeiro, o propósito do passear; segundo, a natureza do passear.

Primeiro, o propósito do passear; quem passeia, o faz por algum motivo; e, quem passeia sabe tanto o como passeia quanto sobre onde passeia; por exemplo, ninguém passeia pulando de um penhasco e por razões óbvias; então, quem passeia o faz tendo em vista o como passeia e o onde passeia. E obra de Satanás, sendo descrita como andar e passear, demonstra que o próprio Satanás sabe como passeia e onde passeia, bem como o para que passeia; Satanás rodeia a terra e passeia por ela para trabalhar para tirar dos seres humanos as coisas mais importantes, tanto no que concerne as coisas naturais quanto no que concerne as coisas espirituais.

6. Segundo, a natureza do passear; quem passeia, conhece a natureza do passear; e, andar e passear é diferente de correr; quem passeia e anda não corre; e o Diabo não corre, ele anda e passeia pela terra, e age de tal maneira que em seu rodear a terra, ele semeia os males diabólicos de acordo com a natureza de seu passear; evidentemente, é uma alegoria, para descrever a obra maligna ao redor de todo o mundo, manifesta pelos frutos diabólicos; do mesmo modo como a caminhar de um homem bom é confirmado pelo Senhor (cf. Sl 37.23), como diz a Escritura, o caminhar de Satanás é confirmado pelas obras malignas que demonstram e evidenciam que Satanás está agindo; por isso, a natureza do passear do Diabo é descrita a partir do termo petrino utilizado para descrever o “andar em derredor” (peripatei).

7. O peripatei é um termo conjunto donde se tem “peri” e “patei”; “peri”, sobre; e “patei”, andar; sobre o andar; literalmente, sobre o andar do Diabo, uma alegoria sobre a atuação do Diabo que pode ser comparada ao andar; e o termo peripatei tem familiaridade com peripatein, ou peripatético, que é uma característica dada aos filósofos aristotélicos pelo hábito de andarem enquanto faziam seus discursos; mas, ao ser aplicado ao Diabo, este termo não se configura em relação aos peripatéticos, mas em relação ao qualificativo primordial no qual se descreve a obra maligna em 1Pe 5.8.

Na verdade, se os peripatéticos são descritos assim porque andavam enquanto se pronunciavam, ao aplicar esta descrição ao Diabo, significa que o Diabo ao agir, o faz procurando enganar os homens e enlaçá-los no engodo que o Diabo mesmo semeia para prender os homens em seu “andar em derredor” enquanto passeia pela terra.

 

Capítulo II: O Diabo e a liberdade.

 

8. A descrição da obra do Diabo pelo termo peripatei, que teologicamente afere um aspecto fundamental da doutrina bíblica sobre a obra maligna, porque completa e abaliza a descrição dupla do livro de Jó (Jó 1.7; 2.2), formando assim o seguinte pressuposto sobre o andar do Diabo pela terra, ou mais propriamente, sobre a obra maligna em todo o mundo; e, segundo as Escrituras o andar do Diabo apresenta três aspectos, os quais, por sua vez demonstram a essência da obra de Satanás em rodear a terra e passear por ela: primeiro, o andar do Diabo é um andar soberbo e viciante; segundo, o andar do Diabo é um andar infernal e que destrói a criação; terceiro, o andar do Diabo é um andar que procura destruir as verdades eternas.

9. Primeiro, o andar do Diabo é um andar soberbo e viciante; na alegoria do andar, o andar do Diabo pode ser descrito como um andar soberbo e viciante; a Escritura diz que o Diabo tem soberba calcificada em seu coração (cf. Is 14.13-14); logo, em tudo o que faz, o Diabo emana soberba; e tudo que emana soberba se torna algo viciante e sedutor; portanto, no andar do Diabo, se tem a emanação a soberba ao mesmo tempo em que é um andar viciante; portanto, o atuar do Diabo no mundo é um atuar que semeia a soberba e semeia os vícios que provêm da soberba; e, como a soberba é o parque de diversões dos demônios, logo, quem se “diverte” no parque de diversões dos demônios passa a se tornar vicioso e viciante a partir das sementes infernais da soberba.

10. Segundo, o andar do Diabo é um andar infernal e que destrói a criação; e, na mesma alegoria do andar, o andar do Diabo pode ser descrito como um andar infernal e destruidor; a Escritura diz que o Diabo foi precipitado ao mais profundo abismo, ao inferno (cf. Is 14.15); e tudo o que provêm do inferno é algo infernal; a própria Escritura fala sobre o caminho do inferno (cf. Pv 5.5), em referência àqueles que são tão dominados pela obra maligna que acabam por semear inferno por onde passam; o andar do Diabo, a obra do Diabo ao redor do mundo, é uma obra que semeia o inferno; e tudo o que semeia o inferno, necessariamente, busca destruir a criação; a comparação veterotestamentária do caminho do inferno é algo que destrói e corrompe a criação e o exemplo utilizado pelo Senhor Jesus para descrever o inferno no Novo Testamento também diz respeito a destruição da criação; etc.

11. Terceiro, o andar do Diabo é um andar que procura destruir as verdades eternas; e, completando a alegoria sobre o andar em relação ao Diabo, pode-se falar que o andar do Diabo é um andar que procura destruir as verdades eternas; pois, as verdades eternas são testemunho e evidência da obra de Deus em conservar e preservar a Criação, tanto para o próprio mantenimento da criação quanto para preparar os homens para a graça salvadora.

Por isso, a obra do Diabo em andar sobre a terra, em agir no mundo, é para destruir estas verdades, as quais, uma vez destruídas tornam corrompíveis as ações humanas em seu nível de baixeza mais vil e terrível; portanto, a obra do Diabo, o andar do Diabo é um andar da não-liberdade, é o andar da injustiça, é o andar da maldade, é o andar da não-beleza, é o andar da falsidade; com isso, onde há destruição e desfiguração das obras eternas, se tem o peripatei do Diabo.

12. E basicamente, o peripatei, utilizado na descrição petrina, diz respeito mais especificamente a este terceiro aspecto; o Diabo age para destruir as verdades eternas; e onde houver a destruição das verdades eternas há a peripatei do Diabo; o Diabo luta para destruir a justiça, a liberdade, a bondade, a beleza, a verdade, etc.; a obra de Satanás em rodear e passear pela terra é para destruir os homens e para destruir as verdades eternas.

E, mais especificamente, na descrição petrina, para destruir a liberdade; pois, o andar em derredor é explicado em sua natureza com o “bramando como leão buscando a quem possa tragar”; e o “derredor” do indivíduo diz respeito a sua liberdade; logo, se o Diabo anda em derredor bramando como leão buscando a quem possa tragar, é porque o Diabo age para destruir a liberdade do indivíduo, para com isso o devorar tal como um leão devora sua presa.

Portanto, os engodos da ação maligna só fazem efeito nas presas que se deixam enfeitiçar pela não-liberdade; por isso, o Diabo só traga aqueles que desfiguraram e romperam com suas liberdades; quem o Diabo tira a liberdade vira sua presa; logo, se fala não somente em peripatei do Diabo, mas ao se compreender que o Diabo busca tragar a quem ele enlaça com a não-liberdade se fala da peripatese do Diabo; e este é o caractere central ao se compreender a descrição da obra do Diabo na teologia petrina. 

13. De fato, qualquer manifestação de não-liberdade é obra do Diabo; a paripatese do Diabo é para desfigurar e destruir a liberdade em suas mais variadas manifestações na vida humana; portanto, que se saiba que onde houver alguma ação contra a liberdade, por mais mínima que possa ser tida, se tem a obra do Diabo; e aqueles que atentam contra a liberdade são agentes peripáticos do Diabo; aliás, o Diabo atenta contra a liberdade porque o Santo Evangelho é a doutrina segundo a liberdade (cf. Tg 1.25); por esta razão o Diabo odeia a liberdade, porque o Evangelho é a doutrina da liberdade; com efeito, a peripatese do Diabo é a encarnação da malignidade que atenta contra a liberdade; por isso, quanto mais malignidade mais ações contra a liberdade. Na verdade, onde se tem alguma forma de não-liberdade se tem a peripatese do Diabo.

 

Capítulo III: Outras manifestações da peripatese do Diabo.

 

14. Outro aspecto sobre a peripatese do Diabo, o qual está no texto petrino referido, é sobre os sacerdotes-dominadores (cf. 1Pe 5.3); aqueles que exercendo o sacerdócio se tornam dominadores da herança de Deus são instrumentos da paripatese do Diabo; pois, quem se torna dominador de outrem, ou quem busca se tornar dominador sobre outrem, é alguém influenciado pelo Diabo para destruir a liberdade; os sacerdotes-dominadores são agentes peripáticos do Diabo.

Com efeito, quando há dominação sobre o povo de Deus, na verdade se tem sacerdotes que não foram vocacionados por Deus para o Santo Sacerdócio. E sacerdotes-dominadores são um instrumento eficaz do Diabo para dominar a Igreja, pois colocam a Igreja sob o jugo dos agentes da não-liberdade (cf. Cl 2.8). E onde há não-liberdade não existe verdadeira espiritualidade e nem comunhão dos santos.

15. Além disso, ainda outro aspecto sobre a peripatese do Diabo é a doutrina ideológica; as ideologias são instrumentos da peripatese do Diabo; as ideologias são uma manifestação praxeológica da não-liberdade; por isso, a ideologia busca ser senhora do coração humano; e como diz o Evangelho não se pode ter dois senhores (cf. Mt 6.24). Portanto, a ideologias são instrumento da peripatese do Diabo a fim de que o Diabo domine o coração humano através das doutrinas ideológicas, que são um modo dos demônios dominarem indiretamente o coração humano. De fato, as ideologias são uma amalgamada de teoria e práxis que concatena os princípios da não-liberdade; logo, etc.

16. E, por fim, menciona-se entre tantos outros aspectos, outra questão sobre a peripatese do Diabo, a saber, a prostituição litúrgica; o Diabo não somente institui a não-liberdade na Igreja através de sacerdotes-dominadores, o Diabo institui a não-liberdade na Igreja principalmente através da prostituição litúrgica; pois, todo ato de prostituição litúrgica é a peripatese do Diabo instituída na vida eclesial; na verdade, aqueles que promovem atos de prostituição litúrgica já foram dominados totalmente pelo demônio na sedução da não-liberdade; a prostituição litúrgica é uma manifestação inconcussa de que a Igreja fora dominada pelos tentáculos da não-liberdade tanto no sentido natural quanto no sentido espiritual. Por isso, a não-liberdade é uma prisão espiritual que coloca os indivíduos sob o domínio absoluto do demônio da luxúria; etc. E o que fora dito basta para o momento para a compreensão da obra do Diabo em instituir a não-liberdade. 

17. E termina aqui este escrito. θεῷ χάρις! 


18/04/2024

Sobre a Inferência da Liberdade

Nota Inicial.

A ocorrência de fatos e de “fenômeno” diversos necessariamente reclama uma descrição destes fatos e destes “fenômenos” para que se possa posteriormente analisá-los de maneira mais aprofundada e adequada; muitos “fenômenos” da sociedade não foram analisados, porque não foram descritos, seja pelo instrumento do romance – a melhor maneira de se descrever os “fenômenos” humanos -, seja por alguma análise racional-descritiva; na verdade, para se conhecer os “fenômenos” tem-se quatro etapas: descrever, selecionar, avaliar e criticar. Mas, primeiro e fundamentalmente, a primeira etapa é a descrição.

E, um destes “fenômenos” que nunca fora sequer descrito – salvo o engano -, é o desrespeito para com a liberdade, chamado aqui de “inferência” da liberdade; toma-se o termo “inferência” neste escrito não no sentido lógico, de silogismo, mas no sentido descritivo para significar uma ação que desrespeita e interfere de maneira irracional um ato que deveria ser tido por inviolável; portanto, se faz a descrição da “inferência da liberdade”, para significar as ações que desrespeitam e violam a liberdade do indivíduo, mesmo as ações tidas por mais insignificantes.

Com isso, se estabelece um escrito descritivo, que possa servir de base para as etapas posteriores para a análise racional do desrespeito e da violação da liberdade. Portanto, este é um escrito que se enquadra na forma de uma descrição, que pontua o “fenômeno” e suas características fundamentais, para que possa ser conhecido tal como é, e assim se poder pelo menos entendê-lo como realmente é, e estruturar uma base para a possibilidade de uma análise posterior que o aprofunde e o analise de maneira mais aprofundada.

E isto está em acordo com o que os grandes filósofos do passado fizeram; por exemplo, Aristóteles, descrevera inúmeros fenômenos que não haviam sido descritos e estabeleceu reflexões basilares para o desenvolvimento de muitas áreas do saber; o que se propõe fazer com este escrito é basicamente o mesmo. Portanto, eis a descrição do terrível fenômeno da inferência da liberdade.

Proêmio.

1. A liberdade, como afirma Leão XIII, é um excelente bem da natureza; e não somente um bem da natureza, que está imbuído em todos as esferas da vida, mas também um dom da graça; portanto, a liberdade, é uma dádiva da natureza e uma bênção imerecida da graça de Deus; e, entre os princípios que tem sido solapados de maneira terrível está a liberdade; infelizmente, a inferência da liberdade se tornou prática corriqueira; e, isso, sem que ninguém se aperceba da gravidade da inferência da liberdade; portanto, se faz necessário fazer uma análise sobre a questão da inferência da liberdade, e compreender a natureza, os sinais e a evidência de tal prática, para com isso, se entender a gravidade desta prática, diante da realidade, da razão e da revelação. Pois, não somente a revelação condena tal prática, a reta razão condena com a mesma veemência.

2. Deste modo, compreender sobre a inferência da liberdade, é compreender sobre uma prática que é evidência de uma sociedade adoecida; na verdade, a inferência da liberdade é evidência de uma ampla gama de doenças sociais que são quase que imperceptíveis, mas que assolam a vida e a ordem social; portanto, compreender sobre a inferência da liberdade, é de suma importância, tanto para o desenvolvimento social e humanitário, quanto para o desenvolvimento humanístico; pois, não existe desenvolvimento social e humanitário sem o desenvolvimento humanístico; e, afirma de maneira contundente e resoluta que só existe desenvolvimento humanístico com o respeito pleno para com a liberdade; logo, onde há inferência da liberdade, o encargo do verdadeiro humanismo, inerente a vida humana, é destruído; com isso, é de extrema importância entender as nuances e questões sobre a inferência da liberdade, um mal terrível que assola a sociedade.

Capítulo I: A Definição de Inferência da Liberdade.

3. A inferência da liberdade, como fora dito, é um mal terrível que assola a sociedade; mas, o que é “inferência da liberdade”? Qual o significado que se deve ter em mente ao se mencionar “inferência da liberdade”? Na verdade, uma definição básica de inferência da liberdade; e, uma definição que açambarca três aspectos: um racional, um jurídico e um bíblico; pois, a inferência da liberdade deve ser entendida nestas três esferas: a filosófica, a jurídica e a teológica.

4. Em relação ao aspecto racional, inferência da liberdade é tudo que interfira, fira e/ou vilipendie a liberdade do indivíduo, que não por outros meios que os estabelecidos em lei, isto é, de quando se comete um crime; do contrário, a liberdade, racionalmente, não pode ser interferida; a inferência da liberdade, seja no mínimo ato, é sinal de rejeição a razão; e a rejeição a razão ocasiona a morbidade da alma; e, no caso da liberdade, uma morbidade terrível, pois, a inferência da liberdade, denota, em relação a razão, tanto a desfiguração da personalidade de quem comete os atos de inferência da liberdade quanto a destruição da personalidade de quem é acometido dos atos de inferência da liberdade; a inferência da liberdade é o atestado de destruição da personalidade, e isso, per se, é algo alarmante, tanto para quem infere a liberdade quanto para quem tem sua liberdade inferida.

É sinal de doença grave, tão grave quanto a demência em seus estágios avançados; pois, a demência tira a consciência da pessoa e sua racionalidade, ao mesmo tempo em que faz que a pessoa perca o controle de suas capacidades motoras básicas, já inferência da liberdade também tira a consciência da pessoa e sua racionalidade, só não faz com que a pessoa perca o controle de suas capacidades motoras básicas como na demência, mas destrói e corrompe a dignidade, o que, per se, é ainda pior do que a demência.

5. Em relação ao aspecto jurídico, a inferência da liberdade, é proibida por lei, já que a liberdade é um dos direitos fundamentais inalienáveis; se é um dos direitos fundamentais, e um dos princípios imutáveis e irrevogáveis dos direitos humanos, então, a liberdade não pode ser interferida, senão, se tem a destruição dos direitos humanos e a destruição de um dos direitos fundamentais; a liberdade, só pode ser interferido em casos de crimes que requeiram como pena a prisão ou algo similar; do contrário, a liberdade, em sentido jurídico, é intocável, tanto em relação as Constituições dos países desenvolvidos quanto em relação aos direitos humanos; não existe constitucionalidade sem a liberdade, e não existe direitos humanos sem a liberdade; deste modo, a inferência da liberdade é inconstitucional, e a inferência da liberdade é contra os direitos humanos.

6. Em relação ao aspecto teológico, a inferência da liberdade, é condenada na Bíblia; salvo, em casos, onde a lei jurídica humana, por crimes cometidos, requeira a retirada da liberdade; do contrário, na Bíblia, a liberdade é parte da existência dos homens neste mundo, e um atavio peculiar da existência eclesial; em relação a Igreja, os cristãos, existe o dogma da lei da liberdade, onde, a liberdade é uma doutrina fundamental tanto quanto o é a doutrina da Trindade; logo, se cristãos, em suas ações, cometem atos de inferência da liberdade, estão renegando uma doutrina fundamental; e a renegação de uma doutrina fundamental é apostasia, pois, renegar uma doutrina fundamental é renegar a fé; logo, a inferência da liberdade, no sentido teológico, é evidência de apostasia. O que, per se, não precisa se comentar mais nada para se compreender o estado espiritual (apostasia) daqueles que dizendo-se cristãos praticam atos de inferência da liberdade.

7. Deste modo, nestes três princípios consegue-se compreender o que é a inferência da liberdade, e sua descrição a partir dos três pilares da sociedade ocidental; logo, a inferência da liberdade, é anti-racional, é anti-jurídica (desde que não haja descumprimento da lei), e é anti-bíblica. Por isso, a inferência da liberdade é uma morbidade da alma, um terrível mal social e evidência de morte espiritual nas Igrejas.

Capítulo II: A Natureza da Inferência da Liberdade.

8. A inferência da liberdade, a partir da descrição feita anteriormente, possui uma natureza intrínseca; isto é, todo ato de inferência da liberdade possui uma natureza dupla: uma em relação a quem infere a liberdade, outra em relação a quem tem a liberdade inferida; em quem infere a liberdade, se tem delineado aquilo que fora descrito anteriormente, e as consequências que disto resultam; na verdade, a inferência da liberdade ocasiona uma castificação naqueles que inferem a liberdade e ocorre uma castificação naqueles que aceitam a inferência da liberdade; isto é, cria-se um sistema cástico, onde os inferidores da liberdade tornam-se como que “deuses” e que os que tem a liberdade inferida se tornam como que “escravos” da vontade dos inferidores da liberdade.

9. A natureza da inferência da liberdade, tem imbuída em si a escravidão moral, intelectual e psíquica; a escravidão moral, porque a inferência da liberdade sendo um vício, acaba por se tornar viciante, e torna sujeitos a vícios terríveis tanto os inferidores da liberdade quanto aqueles que tem a liberdade inferida.

A escravidão intelectual, porque a inferência da liberdade é um ato anti-razão, e, assim, é um ato de destruição da personalidade, e por isso, torna os inferidores da liberdade e aqueles que tem a liberdade inferida, despersonalizados; na verdade, uma das consequências da inferência da liberdade, é a predominância da imbecilidade; com isso, a inferência da liberdade, tem imbuída tudo aquilo que provêm da escravidão intelectual.

A escravidão psíquica; ou mais propriamente, a morbidade da alma; a inferência da liberdade escraviza a psique, e torna a própria psique sujeita a todo tipo de lixo que rompe com a saúde psíquica; pois, a inferência da liberdade, sendo uma doença da alma, ao se efetivar e se tornar ato vicioso, acaba por calcificar a doença, e toda calcificação de doença na alma, gera outras doenças, e assim sucessivamente; portanto, a inferência da liberdade escraviza a psique num ato vicioso, que corrompe a própria dignidade e destrói a personalidade individual, o que, per se, é algo alarmante.

Capítulo III: Os Tipos de Inferência da Liberdade.

10. Deste modo, em complemento a compreensão sobre a natureza da inferência da liberdade, como anti-racional, anti-jurídica e anti-bíblica, se faz necessário entender os tipos de inferência da liberdade; na verdade, compreender os modos que a inferência da liberdade se manifesta; embora, todo ato de inferência de liberdade seja anti-racional, anti-jurídico e anti-bíblico, a inferência da liberdade se torna manifesta de modos e de maneiras diferentes; pois, nem sempre alguns atos de inferência da liberdade são facilmente perceptíveis; logo, todo ato ou ação que infira a liberdade do indivíduo, é inferência da liberdade, mesmo os atos e ações que aparentemente sejam inofensivos.

11. Assim sendo, existe duas classes gerais dos tipos de inferência da liberdade: os atos ou ações mais perceptíveis; e os atos ou ações menos perceptíveis.

Os atos ou ações mais perceptíveis; neste sentido, são aqueles atos ou ações que desveladamente são descritos como inferência da liberdade; e são os atos que “descaradamente” são inferência da liberdade, tais como: privar a liberdade de ir e vir, ou tentar surrupiar esta liberdade; censura; retirada de direitos fundamentais sem que haja crime que a pena assim requeira; e outras coisas mais que são açambarcadas nestas descrições gerais.

12. Os atos ou ações menos perceptíveis; neste sentido, são aqueles atos ou ações que veladamente escondem, por qualquer meio, que são atos de inferência da liberdade; e são atos “mascarados” que são inferência da liberdade, tais como: perseguir e/o ultrajar outrem para que pratique o que não quer (os chamados abusos volitivos); extravio ou manipulação de correspondência; os grampos e câmeras para vigiar e retirar a liberdade do indivíduo em sua propriedade privada; o vigiar publicamente, de maneira escondida ou manifesta, quem não cometera crimes; a violação da privacidade do indivíduo e da propriedade particular; além disso, entre os atos ou ações de inferência da liberdade menos perceptíveis, está tirar fotos e/ou gravar vídeos sem que haja permissão da pessoa para isso, ou a utilização destas fotos e/ou vídeos para algum fim; entre outras coisas que são açambarcadas nestas descrições.

Capítulo IV: As Ações dos Inferidores da Liberdade.

13. A inferência da liberdade, portanto, sempre é um mal terrível, mesmo nas ações tidas por “inofensivas”; todavia, todos os atos de inferência da liberdade têm sempre uma tríplice estrutura; todo ato de inferência da liberdade sempre é anti-racional, e por isso, uma morbidade da alma; sempre é anti-jurídico, e por isso, contra a constitucionalidade e contra os direitos humanos; sempre é anti-bíblico, porque é renegação de uma doutrina fundamental, e por isso, é evidência de apostasia. Portanto, as ações dos inferidos da liberdade sempre são ações viciosas, são ações que corrompem a dignidade humana e são ações apostasiosas.

14. Com isso, as ações dos inferidores da liberdade são permeadas pelos ditames inerentes a estes aspectos; portanto, se pode fazer uma descrição dos inferidores da liberdade através de suas ações; isto é, se pode compreender qual o estado existencial dos inferidores da liberdade; as ações dos inferidores da liberdade, portanto, estão calcificadas de três modos:

Primeiro, as ações dos inferidores da liberdade, demonstra o estado de alma do inferidor da liberdade; e, como a inferência da liberdade é uma morbidade da alma, então, os inferidores da liberdade são doentes psíquicos; logo, os inferidores da liberdade estão em suas consciências no mesmo estado de doença do que aqueles que possuem a demência; todavia, como fora dito anteriormente, a demência se manifesta prontamente e tira as capacidades motoras cerebrais, enquanto que a inferência da liberdade calcifica-se e aos poucos vai destruindo a consciência e a personalidade, ocasionando consequências ainda piores do que a demência. As ações dos inferidores da liberdade, em sentido psíquico, são ações calcinadas num estado de alma doentio e adoecedor.

15. Segundo, as ações dos inferidores da liberdade, demonstram o estado da sociedade através da degradação e da destruição da Lei Fundamental de uma nação; ora, uma sociedade onde a inferência da liberdade se torna pratica corriqueira, é sinal evidentíssimo de que não há mais consciência de justiça numa sociedade; e sempre que isso ocorre, logo, haverá a injustiça sendo prática comum, tornando esta sociedade uma sociedade que caminha para a destruição da moral e dos bons costumes; os inferidores da liberdade, praticam todo tipo de injustiça; e, como o senso de justiça foi desfigurado, logo, em todas suas ações e práticas, os inferidores da liberdade acabarão por praticar todo tipo de injustiça e de males contra a lei natural.

Portanto, os inferidores da liberdade amam a injustiça e acabam por tornar-se em destruidores do senso de justiça que outras pessoas possuem; os inferidores da liberdade se tornam em sementeira da injustiça, e corrompem todos os bons costumes e as boas práticas da justiça natural, em injustiça e em evidência de destruição da ordem jurídica da realidade. As ações dos inferidores da liberdade, em sentido sócio-cultural, são ações calcinadas por todas as formas de injustiça.

15. Terceiro, as ações dos inferidores da liberdade, demonstra o estado espiritual das Igrejas; pois, a inferência da liberdade, quando ação praticada por um cristão, é evidência de apostasia; e assim, as práticas eclesiais, que antes eram permeadas pela fidelidade absoluta para com as Escrituras, se torna em expressão de práticas anti-bíblicas calcinadas sob a apostasia ocasionada pela inferência da liberdade; cristãos que apostatam da fé por praticarem atos de inferência da liberdade, se tornam em instrumentos do Diabo para semear entre o povo de Deus as sementes da apostasia e de práticas que desonram a Deus. Por isso, quando os cristãos se tornam inferidores da liberdade, passam a não ser mais cristãos, mas apostatas que andam semeando o caminho do inferno. As ações dos inferidores da liberdade, em sentido espiritual, são ações calcinadas pelas labaredas do inferno.

Capítulo V: As Consequências da Inferência da Liberdade.

16. Deste modo, pode-se falar sobre as consequências da inferência da liberdade; embasado nas descrições anteriores, se enumera uma série de consequências, tanto nos inferidores da liberdade, quanto naqueles que, de maneira consciente, têm sua liberdade inferida; ei-las:

i. A inferência da liberdade castifica a consciência, e a torna em expressão da libido dominandi do inferidor, isto é, onde se tem inferência da liberdade se tem a tentativa consciente ou não, de se assenhorar da consciência e da liberdade (personalidade) de outrem; ora, somente Deus é Senhor da consciência; logo, se alguém, através dos atos de inferência da liberdade, busca se assenhorar da consciência de outrem, como tais atos demonstram de maneira apodítica, então, os inferidores da liberdade, acabam por querer se tornar como “deus”.

ii. A inferência da liberdade, torna tanto os inferidores quanto aqueles que tem a liberdade inferida, sujeitos a males psíquicos e morais, os quais, por sua vez, ao serem calcificados na alma, tornam o indivíduo um ser vicioso em práticas vis e que vilipendiam a dignidade humana; os atos de inferência da liberdade, tornam aqueles que praticam tais atos e aqueles que se sujeitam a tais atos, presos sob um sistema que coloca as ações humanas sob os ditames do erro, da irracionalidade, da injustiça e da apostasia.

iii. A inferência da liberdade, ocasiona a destruição dos bons costumes; e nos bons costumes estão dispostas as virtudes cardeais; logo, a inferência da liberdade ocasiona a destruição das virtudes, tanto aqueles que inferem a liberdade, tornando estes em seres viciosos e viciantes, quanto naqueles que tem a liberdade inferida, tornando estes em seres viciados.

iv. A inferência da liberdade, é um vilipêndio a natureza humana; pois, corrompe e destrói esta natureza; pois, como a personalidade se desenvolve com a liberdade, ao se ter os atos de inferência da liberdade, se tem a destruição da personalidade, ou mais especificamente, a despersonalização; logo, a inferência da liberdade despersonaliza e acaba por tornar o ser humano um ser irracional, as mais das vezes, pior que os animais irracionais.

v. A inferência da liberdade, vicia tanto os inferidores quanto os que têm a liberdade inferida em práticas errôneas, e como todo vício, os dopa com o vício da prática errônea como se fosse algo bom; e assim, os atos de inferência da liberdade, tornam estes, supostamente satisfeitos com estes atos, os quais, na verdade, cada vez mais destroem e corrompem a dignidade humana e transmutam a personalidade.

vi. A inferência da liberdade torna os seres humanos subservientes a vontade de domínio que se estabelece através dos atos de inferência da liberdade; logo, onde há inferência da liberdade, se terá todos os tipos de vícios que provêm da soberba calcificada que quer dominar tudo; e, pior, esta vontade de domínio destrói a personalidade a tal ponto que gera nos seres humanos o tender a práticas viciosas, tornando-os em animais irracionais.

17. Estas são as consequências da inferência da liberdade; na verdade, foram enumeradas apenas algumas consequências, as quais, são, por si mesmas, suficientes para descrever os terríveis aspectos e proposições que são parte dos atos de inferência da liberdade; na verdade, a simples compreensão sobre a inferência da liberdade e sobre suas consequências, são, já motivo de aterrar todas as pessoas de bem; pois, além de doença, e ser descrita pela Lei como crime nos mais diversos dispositivos legais, a inferência da liberdade é evidência de apostasia.

Logo, estas consequências acima enumeradas dão um norte das consequências sociais da inferência da liberdade.

Capítulo VI: A Inferência da Liberdade e os Males Sociais.

18. Deste modo, se pode falar que a inferência da liberdade ocasiona terríveis males sociais; não somente males na ordem social propriamente dita, mas em todas as esferas da vida sócio-cultural, já estes males são provenientes da contaminação inerente a inferência da liberdade; por isso, tanto o ímpeto para o desenvolvimento cultural, quanto as próprias manifestações culturais, se tornam contaminados; pois, uma fonte contaminada jorrará contaminação; portanto, se as fontes do ímpeto para os desenvolvimentos culturais estão contaminadas pela inferência da liberdade, então, as manifestações culturais serão expressão dessa contaminação; e o qualificativo inerente a esta contaminação são os males sociais.

19. E os males sociais provenientes da inferência da liberdade, são subdivididos em dois grupos: primeiro, os males sociais individuais; segundo, os males sociais coletivos.

Primeiro, os males sociais individuais são aqueles que provêm diretamente dos inferidores da liberdade e que são entendidos a partir da descrição acima elencada (cap. V), e que se tornam sementes que são semeadas por onde os inferidores da liberdade passam e onde exercem alguma influência; os males sociais individuais provenientes da inferência da liberdade se propagam mais do que um vírus transmissível pelo ar.

Segundo, os males sociais coletivos são aqueles de quando grande parte da sociedade passa a agir de acordo com os parâmetros instaurados pela inferência da liberdade; quando se instaura a coletividade da inferência da liberdade, é evidência de que a sociedade foi dominada pelos ditames da não-liberdade, e que estes ditames se tornaram em expressão de uma sociedade doente e adoecedora.

20. Com isso, se enumera os seguintes males sociais coletivos:

i. A rejeição a todo e qualquer desenvolvimento significativo; a sociedade se torna castificada para o desenvolvimento, onde a mediocridade e a imbecilidade inerentes aos inferidores da liberdade, se torna o instrumento de aferição de medida, com os quais, nada que estiver além da imbecilidade e da mediocridade será aceito e/ou aprovado.

ii. A formação de uma casta, de um sistema que ações, que tornará os homens sujeitos a práticas sociais estabelecidas pela vontade dos inferidores da liberdade; a sociedade se torna um grande conglomerado de ações que refletem as consequências individuais da inferência da liberdade e que se padronizam como as únicas ações aceitas e tidas por certas pelos inferidores da liberdade, que inclusive perseguem e ridicularizam aqueles que, por algum motivo, não se tornaram subservientes as consequências da inferência da liberdade.

iii. A instauração de uma série de práticas que corrompem a dignidade do indivíduo, tanto em suas próprias ações quanto nas ações de outros indivíduos, as quais, por sua vez, vituperam a personalidade e a pessoalidade, tornando os seres humanos em seres despersonalizados e despessoalizados. Uma sociedade despersonalizada e despessoalizada, eis um dos males sociais coletivos provenientes da inferência da liberdade.

iv. A transmutação de seres que são humanos em seres que se julgam sobre-humanos; pois, como o ato de inferência de liberdade são evidência de que os homens se julgam acima da humanidade que lhes é intrínseca, então, os atos de inferência da liberdade são a demonstração de que os inferidores da liberdade, em suas ações, se consideram como “deus”; pois, como a liberdade pertence a Deus, então quem infere a liberdade quer se tornar como “deus”. E uma sociedade em que os homens se julgam deuses, acabará por ser uma sociedade que se autodestruirá.

21. Portanto, com a descrição destes males sociais, se consegue compreender a gravidade da inferência da liberdade, tanto no individuo (cf. cap. V), quanto na sociedade; principalmente em relação a sociedade, já que uma sociedade adoecida pela inferência da liberdade, se tornará uma sociedade que não se desenvolverá e que ficará castificada sob as consequências espirituais da inferência da liberdade. Isto é, uma sociedade castificada sob as consequências da inferência da liberdade, se tornará uma sociedade sujeita a vontade de domínio de algum mago ou de algum feiticeiro, ou de algum xamã.

Capítulo VII: A Natureza Espiritual dos Atos de Inferência da Liberdade.

22. A inferência da liberdade não somente ocasiona terríveis males sociais; a inferência da liberdade tem uma natureza espiritual; os atos de inferência da liberdade são permeados por uma influência espiritual diabólica; pois, se a liberdade pertence a Deus, então, a inferência da liberdade, é tentar ser como “deus”; e, nas Escrituras, o tentar ser como “deus” é evidência de obra do Diabo; pois, o Diabo fora quem procurara ser como “deus” (cf. Is 14.14ss; Ez 28.12ss), e é o Diabo quem tenta os homens a serem como “deus” (cf. Gn 3.1ss), que é a raiz do pecado original. Portanto, a inferência da liberdade tem uma natureza espiritual diabólica, sujeita a obra demoníaca.

23. Na verdade, se pode fazer esta descrição da natureza espiritual dos atos de inferência da liberdade, através de uma figura poética, a saber, através da descrição de Virgílio da “comoção do Aqueronte”[1]; a comoção do Aqueronte, uma descrição poética para inferno, causa a subversão dos povos; então, ao se compreender a natureza espiritual dos atos de inferência da liberdade, se torna clarividente que os atos de inferência da liberdade causam a subversão da sociedade (como fora anteriormente demonstrado); na verdade, os inferidores da liberdade causam a comoção do Aqueronte, causam a comoção no habitat dos demônios, trazendo estes para agirem a partir dos atos de inferência da liberdade.

24. Portanto, os atos de inferência da liberdade possuem uma natureza espiritual que “abre” as portas para a ação diabólica; onde há inferência da liberdade, há a ação dos demônios; e os inferidores da liberdade, se não forem endemoninhados (com os demônios fazendo ninho dentro deles), são encapelados (com os demônios agindo através deles). Logo, a natureza espiritual dos atos de inferência da liberdade é a descrição precisa da ação diabólica, da ação dos principados e potestades do mal e das hostes malignas, que buscam dominar os homens acorrentando estes sob as práticas apostasiosas e sob o domínio do Pecado.

A inferência da liberdade não somente é entendida a partir da ótica filosófica, sociológica e jurídica, mas também a partir da ótica espiritual, demonstrando que os inferidores da liberdade estão sob ação demoníaca, pois, os inferidores da liberdade enquadram-se nas descrições bíblicas que demonstram a natureza e o ser do Diabo e da ação dos demônios.

Capítulo VIII: A Inferência da Liberdade e a Consciência.

25. Além da natureza espiritual diabólica dos atos de inferência da liberdade, estes atos, evidentemente, corroem a consciência; na verdade, os atos de inferência da liberdade, corrompem e desfiguram a consciência; e os seres humanos com a consciência corrompida, na verdade, se tornam em animais irracionais, ou pior, em animais brutos, que perderam o qualificativo principal da dignidade humana; a inferência da liberdade faz com que o ser humano perca sua consciência, e a consciência perdida, desfigura a personalidade, e torna o ser humano em animal bestializado; a desfiguração da consciência é o que ocasiona a despersonalização e a despessoalização.

26. E, com a consciência desfigurada, não se conseguirá se ter a percepção da gravidade dos atos de inferência da liberdade; na verdade, se a consciência estiver desfigurada, quanto mais atos graves e destruidores forem cometidos mais se terá uma forma de “satisfação” que vela o entendimento para a compreensão do verdadeiro estado da consciência; Pascal chamara isso de divertimento; quanto mais atos de inferência da liberdade mais os homens se debruçarão nos divertimentos; e, se observa isso na prática, pois, as mais das vezes, os inferidores da liberdade, ao praticarem atos de inferência da liberdade, sempre como “recompensa” evocarão para si alguns divertimentos; assim sendo, onde houver inferência da liberdade, pode haver divertimentos como evidência de que algum ato de inferência de liberdade fora cometido.

27. Portanto, como os divertimentos são expressão da consciência corrompida, então, se compreende a relação entre os divertimentos e os atos de inferência da liberdade. A inferência da liberdade desfigura a consciência, nos termos bíblicos, torna a consciência cauterizada para o entendimento da verdade; e, o que surge da consciência cauterizada é o ímpeto para os divertimentos. E assim, os próprios atos de inferência da liberdade, passam a ser uma forma de divertimento para aqueles que ficaram viciados nas ações da não-liberdade.

Os atos de inferência da liberdade que destroem a consciência e que tornam os seres humanos subservientes aos divertimentos, acabam por se tornar os próprios divertimentos nos quais os seres humanos cada vez mais se tornam despersonalizados e despessoalizados; a fonte de perdição se torna para os inferidores da liberdade a razão de seus divertimentos; esta é a consequência inominável para os inferidores da liberdade, a qual, ao desfigurar a consciência, torna o homem um ser abjeto e pior do que um animal irracional.

Capítulo IX: A Inferência da Liberdade e a Escravidão da Consciência.

28. A inferência da liberdade, ao desfigurar a consciência, acaba por aprisionar a mesma; na verdade, a inferência da liberdade, ao desfigurar a consciência, efetiva a escravidão da consciência; e uma consciência cativa, ocasionará vícios terríveis na alma; o estado da consciência é a medida do estado da alma; e, uma consciência escravizada, tornará a alma escravizada em vícios e coisas similares; pois, a inferência da liberdade, ocasionando a sujeição da consciência a um princípio auto-destruidor, gerará não somente a auto-destruição, mas a destruição semeada por onde se tiver a auto-destruição causada pela escravidão da consciência.

29. Deste modo, a inferência da liberdade, prende a consciência sob as correntes da não liberdade; e as correntes da não-liberdade possui alguns elos; e os elos das correntes da não-liberdade, que ao se manifestar em atos de inferência da liberdade, efetua a escravidão da consciência, são descritos a partir de uma tríplice conceituação: primeiro, os elos dos vícios, que viciam a alma; segundo, os elos da práticas viciantes, que inoculam o veneno dos vícios em outrem; terceiro, os elos das obras malignas, que semeiam o encapelamento onde há a prática da inferência da liberdade. Estes três elos, e muitos outros, são o que compõe as correntes que aprisionam a consciência de quando da prática de atos de inferência da liberdade.

30. E, uma vez que a consciência está aprisionada, a gravidade das doenças que emanarão deste aprisionamento, é medida de acordo com a gravidade dos atos que geraram este aprisionamento; e, como são os atos de inferência da liberdade que geraram este aprisionamento, e a gravidade destes atos, em sentido de sobriedade psíquica-espiritual é quase que absoluto, então, as doenças que emanarão da gravidade inominável destes atos, serão doenças terríveis, que ocasionarão os mais terríveis e mais graves estados na alma humana, ocasionando a despersonalização e a despessoalização; e, o que há pior que pode acontecer a um ser humano é a despersonalização e a despessoalização; portanto, a consciência aprisionada, aprisiona a própria dignidade humana, ao mesmo tempo em que “tortura” esta dignidade com golpes terríveis através dos atos de inferência da liberdade; a inferência da liberdade leva a consciência para os campos de concentração psíquicos-espirituais.

31. Estas são as consequências da escravidão da consciência ocasionada pela inferência da liberdade; pois, a inferência da liberdade deixa a consciência inquieta, e quanto mais inferência da liberdade, mais inquietação; e esta inquietação da consciência, leva os homens a buscarem indulgências do Diabo; tal como Victor Hugo sabiamente descrevera: “Há consciências tão inquietas que chegam a procurar indulgências do Diabo”[2]; estas imorredouras palavras de um dos mestres da literatura francesa, demonstram o estado de consciência dos inferidores da liberdade; quanto mais praticam atos de inferência da liberdade, mais se envolvem da escravidão da consciência, e, com isso, ficam tão atormentados, que pedem indulgências ao Diabo ao praticarem cada vez mais, e cada vez de maneira mais crescente, os atos de inferência da liberdade.

Capítulo X: A Inferência da Liberdade e o Sistema Comunista de Domínio Sócio-Cultural.

32. A inferência da liberdade, se torna este mal terrível na sociedade, porque ideologias nefastas, como por exemplo o comunismo, principalmente o comunismo, buscam implementar aspectos de um sistema para o domínio sócio-cultural; pois, como os atos de inferência da liberdade trazem consequências terríveis, o comunismo busca inocular o veneno de tal prática, para a medida que os seres humanos enveredarem por estes caminhos, crie-se um ciclo vicioso; pois, os atos de inferência da liberdade, criam um ciclo vicioso, no qual se aprisiona as consciências, e, por consequência, as ações humanas, o qual, por sua vez, serve de instrumento para o domínio comunista.

O ciclo vicioso de práticas viciantes que se institui a partir da inferência da liberdade, coloca a sociedade em um sistema de práticas viciosas que fica sujeito a vontade de domínio do comunismo. Donde, o comunismo se utilizar da implementação da inferência da liberdade para dominar as ações humanas em determinada sociedade.

33. Deste modo, o comunismo, que em si é uma doutrina anti-liberdade, sempre procurará implementar meios para que a não-liberdade seja instaurada; um destes meios, a maneira mais eficaz de viciar uma sociedade nas práticas da não-liberdade, é inocular a prática viciosa da inferência da liberdade; pois, a medida que se vai praticando os atos de inferência da liberdade, a sociedade se torna expressão de apostasia, a qual gera a apostasia cultural; e uma vez que a apostasia cultural está inoculada na sociedade, quase tudo que este sociedade produzir, seja na esfera das artes, da política, etc., será expressão de apostasia cultural; e, isto influencia quase que absolutamente a existência eclesial; pois, as mais das vezes, os cristãos não conseguem se aperceber, por falta de conhecimento e de percepção, dos princípios da apostasia cultural, os quais, permeiam todos os aspectos da existência eclesial uma vez que os cristãos estão subservientes aos ditames da apostasia cultural. Mas este é apenas um aspecto das consequências da apostasia cultural proveniente da inferência da liberdade, a qual permeia todas as esferas e camadas da ordem social.

[Logo, uma vez que é instaurada a inferência da liberdade como parte da existência de uma sociedade, como consequência ocorrerá a apostasia cultural, a qual, influenciará em grande medida a existência eclesial (música, roupas, princípios, ações, modos de agir, comportamentos, elementos de manipulação de massas, etc.); pois sempre que há a apostasia cultural os elementos de expressão da existência eclesial são permeados por esta apostasia].

34. Portanto, os atos de inferência da liberdade, de maneira consciente ou não, acabam por servir aos propósitos do comunismo; o comunismo, ao implementar o domínio sobre a cultura, para manter este domínio, ou para efetivá-lo cada vez mais, semeia a inferência da liberdade, e aos poucos, a medida da apostasia crescente e contínua, vai se auto-implementando e dominando as camadas da sociedade, a medida que os atos de inferência da liberdade se tornam cada vez mais a carranca de uma sociedade doente.

Uma sociedade que tem por identidade os atos de inferência da liberdade, na verdade, é uma sociedade sujeita a vontade do comunismo, e que se torna em instrumento de castificação a partir dos axiomas do comunismo, criando assim um grande sistema de domínio que automaticamente subjuga e suprime qualquer ação que se sobreleve as ações instituídas como as únicas corretas, no caso, as mais clarividentes, as ações de inferência da liberdade; então, cria-se um ciclo vicioso que açambarca tudo, e que torna a sociedade uma sociedade calcinada sob as labaredas da não-liberdade.

35. Termina aqui esta explicação sobre o fenômeno da “inferência” da liberdade. Bendito seja Deus por todas as coisas. Amém.



[1] cf. Virgílio, Eneida, livro VII, 312.

[2] Victor Hugo, Os Trabalhadores do Mar [Campinas, SP: Editora Sétimo Selo 2021], parte 1, livro V, cap. IV, pág. 104.

Os maiores atiradores da história

Diante de algumas indagações a respeito de um aspecto específico da história militar, a saber, sobre os maiores atiradores da história (snip...