§ 1
A Verdade é um sistema; um sistema porque as partes se
interligam com o todo, e o todo com as partes. Deste modo, o sistema da verdade
cristã é muito mais preciso do que qualquer sistema eletrônico ou tecnológico,
porque é um sistema criado, formado e sustentado pelo próprio Deus; e este
sistema criado por Deus, o sistema da verdade cristã, é um sistema sistêmico,
orgânico, genético, racional e harmonioso.
§ 2
A fé que de uma vez por todas foi dada aos santos (cf.
Jd 1.3), devido a limitação do intelecto humano necessita de sistematização,
não para provar a fé ou a Escritura, mas para tornar a explicação dos mistérios
da fé mais racional, refinada e orgânica, demonstrando e exemplificando a
estrutura genética da revelação que Deus fez de Si mesmo, a qual é testemunhada
nas Escrituras Sagradas.
§ 3
A teologia é literatura. A teologia é poesia e prosa;
é poesia, porque lida com os mistérios da revelação, e assim, tal qual a poesia
só consegue explicá-lo por analogias e metáforas; é prosa, porque tem de
explicar os mistérios hauridos da revelação de forma racional e harmoniosa.
§ 4
A teologia como literatura também tem uma história
específica; a história da literatura teológica é um ramo da história da
teologia; e dentro da amplidão do desenvolvimento teológico, tem-se um aspecto
singular, a parte da ciência teológica conhecida como dogmática. Sendo assim, na
história da teologia há a história da dogmática teológica ou a história da
literatura dogmática.
§ 5
A necessidade da sistematização da fé teve um
desenvolvimento singular na patrística, pois, neste período os pais da Igreja
lançaram os fundamentos, as bases, os conceitos, os princípios da reflexão
teológica, e assim, as bases da ciência teológica; por isso, a base da
sistematização teológica está nas formulações dos Santos Padres, principalmente
a partir de Orígenes.
§ 6
A sistematização da fé encontrou um ponto alto na
escolástica; porque, seguindo o desenvolvimento da patrística, a escolástica
elevou a busca por precisão na elucidação racional e sistemática da fé, a fim
de demonstrar a excelência e a sublimidade da fé cristã. A teologia da escola é
sistêmica porque busca explicar a concatenação racional dos assuntos da fé, e
porque foi o período onde surgiram as Summaes, a explicação racional catedralesca
da verdade revelada.
§ 7
A sistematização da fé encontrou vários conceitos e
títulos ao longo da história: sentenças, exposições, sumulas, sumas, tratados,
entre outros termos; todavia, a partir do século XVII apareceu o termo
dogmática, que começou a ser empregado no usus loquendi a partir do
século XVIII; assim, o vocábulo “dogmática” tornou-se expressão da
sistematização da fé, dando norte e unidade conceitual ao centro da ciência
teológica.
§ 8
Após o surgimento das teologias sistemáticas, sempre
há uma confusão entre a função destas e a função da teologia dogmática; apesar
de terem o mesmo “ideal” da sistematização da fé, a elucidação e o lugar tanto
da teologia sistemática quanto da dogmática deve ser demonstrado a partir das
diferenças fundamentais entre ambas; teologia sistemática não é teologia
dogmática, e vice-versa. A teologia sistemática é o resgate do principium
da explicação sistemática da fé no parâmetro catequético-pastoral, seguindo o
princípio patrístico; enquanto que a teologia a dogmática ou simplesmente
dogmática é formada a partir do principium da explicação sistemática da
fé no parâmetro acroamático, da teologia mais apurada e refinada na
argumentação racional, seguindo o princípio escolástico.
Laudate Deo!
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