Heleno, pai dos helenos,
teve uma filha mui fermosa;
a qual comparada com as ninfas teve menos
preparo e mais amor; e sua filha
se apaixonou pelo filho da estrela d’alva.
De conjugação deste amor surgiu
a aurora helênica, glória maior
da filosofia, iniciando pela mitologia menor.
Alcíone e Ceix viveram um enlace de amor,
até que pela soberba foram atingidos pela sacrílega dor.
A glória da helenicidade se tornara em elementos infamantes,
pois a soberba se tornara algum comum entre os amantes.
De Ceix o orgulho e a soberba,
fora expressão da húbris, que exacerba
a condição moral de Ceix antes deste juízo,
já que a vaidade dissera: neste eu me enraízo!
Oh, Ceix, descendente do Auro Helênico,
te tornastes na zombaria do aduz cênico.
A vossa soberba, inexorável e bronzina,
lhe trouxera da vida a corrente esterlina,
e prendeste-te em vossa loucura,
a qual não possui cura.
Incauta e fera soberba humana,
sois dos males a mais ufana.
Da soberba a consequência
é algo que transcende a ciência;
o juízo dos deuses foi tão pesado
que se tornou um imenso fado,
cantado pelas ninfas e pelas moiras
em versificação assaz rudes e grosseiras;
o juízo foi húbrico e cabal
dado o vosso inominável mal;
e no Olimpo não teve chicana:
fostes amaldiçoado em Sula bassana.
A maldição de Ceix o tornara em animal alciônico,
pois sua vida se transformara em vício mofético.
E, de Alcíone a obstinação e a soberba,
fora expressão de vossa vida acerba,
demonstrando que o juízo foi verdadeiro,
pois a culpa da obstinação tem o mal como coerdeiro.
Oh, Alcíone, descendente da alva estrela,
fostes acometida peo irônico juízo que atrela
imoralidade, aqueronticidade, desonestidade,
inimigos jurados da verdade,
que tornaram-na numa infernosa
mulher, ó desdita infame e dolorosa.
A mulher alciônica se torna numa zombeteira
porque é culpada de ser feiticeira.
Da obstinação a consequência
é algo que transcende a sapiência;
o juízo pesado de Zeus
assombrou até Asmodeus;
um juízo maldito e amaldiçoador,
que até nas moiras ao dizer-lhe causou dor.
O juízo foi húbrico, certeiro e sem-igual,
transformando-a num terrível animal,
o que fez Zeus proclamar uma eterna maldição
como consequência a quem pratica a sacrilegação;
e Alcíone no juízo em corda bamba
se tornou em forma de Ariramba.
Este é o mistério do juízo em húbris,
mui pior do que os praguejos de Anúbis.
A soberba é um mal tão terrível
que torna o humano ao demônio em nível.
A soberba é mãe dos sacrilégios,
os quais fazem da obstinação o princípio de seus subterfúgios.
A mulher em ave se tornar,
e ainda sobre todos os bens praguejar,
é apenas uma cabal demonstração
que os deuses em juízo contra os sacrílegos sempre têm razão;
e que esta espantosa transformação
seja aos soberbos uma eterna lição.
A filosofia da húbris é sabedoria
olímpica para ensinar que a mitologia
surge de fatos reais, necessários à vida,
a fim de transmitirem o saber
para que os seres humanos evitem o que causa a comoção
do Aqueronte; e isto é um bom e necessário querer
a fim de evitar a destruição que flui da perdição,
que corrompe o coração e destrói a criação.
Em húbrico se torna quem pratica o mal,
ou quem vivencia-o pela desobediência, tal como a mulher de sal.
Nabucodonosor se tornou em lobisomem
porque quis ser mais do que homem.
Ó folclore bendito e abençoador,
da verdade um ensinador;
Schelling compreendera teus fundamentos,
e sobre a mitologia deu ensinamentos,
explicando e filosofando, pois a mitologização
é uma forma apurada de natural revelação.
O folclore e sua ciência, a mitologia,
são da sabedoria uma especiaria
em função da verdade, para qual os mitos
se tornam em úteis e preciosos ditos.
Eia, pois, a glória do folclore:
ensinar como a vida corre, concorre e decorre.
E escrevo a todos este canto,
e que ressoe sem espanto:
o estudo da sabedoria inicia-se pela mitologia,
para depois ser elevado na filosofia;
pois, a literatura é o intermeio da sabedoria
a fim de no saber conduzir o que tem valor à preceptoria.
Fim de “Húbris: Canto Folclórico”.
Laudate Deo!
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