I
A política, quando feita de maneira honrada e
virtuosa, se sujeita sem meios termos a moral; política sem moral é política
ditatorial; pois, a moral é o freio natural para os ímpetos do Estado Total;
por isso, ao se falar de algum aspecto concernente a política, ou sobre a ação
dos políticos, há de se ter a compreensão adequada sobre a moral; os políticos
que não gostam de reflexão moral sobre suas condutas são políticos desonrados e
desordeiros.
E a Igreja como um todo é chamada a se pronunciar
moralmente em questões políticas; embora a Igreja não seja uma instituição
política e os líderes da Igreja não sejam políticos, é função preponderante da
Santa Igreja se pronunciar sobre a moral inclusive a que concerne a política; a
Igreja é coluna e firmeza da verdade (cf. 1Tm 3.15), e compete a Igreja se
pronunciar sobre a moral seja em relação a lei moral natural seja em relação a
moral revelada.
Assim, a preocupação de políticos, ou de instituições
públicas, ou do aparato estatal, quanto ao fato da Igreja se pronunciar em
questões morais e políticas é algo preocupante; pois, a preocupação quanto a
críticas referentes a política, seja ela proveniente donde for, evidencia que
os políticos estão permeados com a síndrome de Lúcifer (cf. Ez 28.16-17), já
que os que não aceitam ser criticados em erros mais do que evidentes não só são
soberbos e orgulhosos, mas principalmente se demonstra que são dominados pela
esquizofrenia psicótica comum aos ditadores.
Deste modo, quando a Igreja critica erros políticos
pela evidenciação cabal diante da moral destes erros, e os políticos e o
estamento público não gostam de tais críticas, isto evidencia muito sobre estes
políticos; a Igreja sempre deve se pronunciar em questões morais, também as
questões morais da política; que os homens públicos da política nunca se
esqueçam que não existe política sem moral, ou então que saibam que se fazem
política sem moral então não se distinguem dos ditadores e dos carniceiros.
E esta, infelizmente, é a sina que domina a política
hodierna: políticos infantis, principalmente nas grandes nações, que se consideram
acima da lei e acima da moral; os políticos hodiernos, quase sem exceção, são
melindrosos quanto a moral; e isto sem nem sequer se mencionar a moral
individual; os políticos hodiernos são melindrosos quanto a moral política.
E isto é algo terrível, pois os políticos hodiernos ao
serem melindrosos quanto a moral política, demonstram que não são dignos de
exercerem a liderança pública; somente um líder civil indigno é melindroso
quanto a moral política; além do que, somente líderes civis ímpios é que pensam
que podem exercer o poder público sem se conformarem com a lei moral. E este
são os que fazem a sociedade gemer moralmente quando se tornam líderes públicos
(cf. Pv 29.2).
II
Ora, a crítica do atual vice-presidente dos EUA de que
a Igreja deveria se ater a “questões de moralidade”, além de demonstrar
a burrice do vice-presidente dos EUA também demonstra a total incompetência dos
políticos norte-americanos; políticos que não sabem distinguir moral e política
nas ações que praticam são imbecilóides; pois, se fossem dignos da posição que
ocupam e se as exercessem com honra e virtude não se preocupariam com críticas
quanto a moralidade da política que exercem.
Deste modo, se observa que é dever preponderante de
todos os cristãos estarem em conformidade com a moral natural que a Igreja
também ensina; aliás, a expressão do atual vice-presidente dos EUA de que a
Igreja se ater apenas a “questões de moralidade” demonstra que a fé
“confessada” por ele é uma fé mentirosa e falaciosa; pois, é dever de um
político que se diz “cristão” estar em conformidade plena com a fé que diz
confessar no exercício do poder público.
A “preocupação” do atual vice-presidente dos EUA em
relação as críticas da Igreja, além de demonstrar os melindres dos políticos
trumpistas quanto a moral, também evidencia o total desrespeito dos políticos
norte-americanos em relação aos preceitos dos pais fundadores dos EUA, bem como
demonstra que o guia a política trumpista é a imoralidade e a ilegalidade.
Com efeito, se um político quer dizer o que considera
“melhor” para a Igreja deveria primeiro ter uma conduta reta; pois, é próprio
de políticos sem retidão se enraivecerem contra a Igreja quando esta critica
suas ações infames; aliás, o melhor da Igreja se manifesta sempre quando a
Igreja luta pelo bem comum, principalmente quando a Igreja se pronuncia sobre a
moral política diante de uma política envernizada com a ilegalidade.
De fato, políticos e líderes públicos que querem
coagir a Igreja a se ater apenas a “questões de moralidade”, se
esqueceram que a política é uma questão de moralidade. Os políticos infames é
que se doem com críticas enquanto estupram a dignidade de outros sem se
aperceberem das infâmias que praticam. Portanto, a política sem moral é um
chiqueiro de infâmias; e os políticos que exercem o poder político sem moral
são os porcos que se divertem neste chiqueiro.
Com isso, que a Igreja sempre se atenha a questões de
moralidade; pois, a política é uma questão de moralidade; e que a Igreja exerça
sua incumbência política não como ideologia ou com politicagem ideológica, mas
como coluna e firmeza da verdade, exortando e ensinando os políticos como Mãe e
Mestra, sempre lembrando da exortação feita por Karl Barth de que a teologia e
a Igreja são a última fronteira do Estado de Total, não só a nível nacional mas
também a nível internacional (e quem ler que entenda o que isto significa).
E termina aqui esta reflexão. θεῷ χάρις!
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