Prólogo.
A prudência necessária para o saudável desenvolvimento
intelectual se manifesta, as mais das vezes, no exame rigoroso das próprias
ideias e dos próprios escritos; a humildade inerente a quem alcançou maturidade
intelectual no saber é manifesta na censura e/ou recensão dos próprios erros,
seja porque foram confutados por outros, seja porque foram percebidos por si próprio.
Pois, somente os imprudentes e insolentes é que se esquivam da repreensão de si
mesmos por algum erro; ora, feliz é aquele que condena a si mesmo naquilo que
reprova ou no que está errado.
Tendo, pois, isto em mente, ao defrontar-me com minhas
próprias ideias para ver se havia necessidade de alguma revisão mais
aprofundada em meus escritos, ao analisá-los de maneira geral, percebi alguns
equívocos; deste modo, resolvi, de boa vontade, fornecer uma explicação mais
detalhada sobre no que consiste estes equívocos e quais são as reprimendas,
recensões e/ou rejeições que faço sobre os mesmos.
Evidentemente, não me refiro a todos os meus escritos
anteriores, pois a maior parte dos primeiros escritos não contém equívocos ou
erros teológicos, principalmente os sermões e as exposições bíblicas. No
entanto, alguns de meus primeiros escritos, tais como artigos, análises, e
preleções mais gerais, saíram com alguns equívocos: seja porque foram mal
reportados, seja porque foram corrompidos ao editá-los com aplicativos
tecnológicos, seja por qualquer outro motivo.
Capítulo I: Acerca de lições e exposições.
A primeira menção que gostaria de fazer é sobre as
lições e exposições, ou qualquer das preleções “avulsas”; proferi muitas
lições, e fiz várias exposições e preleções “avulsas”; as lições, muitas das
quais, infelizmente foram perdidas, eram explicação de tópicos filosóficos ou
teológicos a respeito de vários assuntos; as preleções “avulsas” não foram
muitas, algumas foram preservadas na íntegra, outras foram perdidas, e outras
sobreviveram apenas como reportações fragmentárias e/ou parciais; no entanto,
as exposições bíblicas foram preservadas na íntegra.
Ora, quanto as lições, quem as ouviu ou as que
restaram, talvez podem causar algum estranhamento pela simplicidade, mas dado
os ouvintes e as necessidades de cada lição, não possuem equívocos neste
sentido; quanto as exposições “avulsas”, algumas são de muita importância
porque testemunham de meu desenvolvimento intelectual, mas como a maior parte
se perdeu, restam apenas os fragmentos parciais das mesmas.
Ademais, quanto as exposições bíblicas, nestas se tem
o que de melhor produzi no sentido puramente teológico, porque foram exposições
bíblicas feitas ao modo de síntese escolástica, o que tanto facilita para os
ouvintes atentos e desejosos de aprender da Sagrada Escritura, quanto
demonstram a profunda capacidade intelectual e conhecimento teológico aos
proferi-las deste modo.
Assim sendo, quanto as lições e as exposições,
tenha-se isso em mente, porque não possuem equívocos, a não ser pelos “acidentes
intelectuais” mencionados.
Capítulo II: Anotações sobre o Conceito de Graça
Comum.
Outro escrito que considero por bem informar alguns
equívocos é “Anotações sobre o Conceito de Graça Comum” (de agosto de
2021), que foram lições, conversas e notas sobre o conceito de graça comum;
ora, apesar de nesta época já ter me afastado do protestantismo, e graças a
Deus já estar livre da heresia protestante, considerei por bem abalizar este
assunto através de um autor protestante que fora quem escrevera de forma mais
aprofundada sobre este tópico.
Todavia, nas três lições proferidas, nas conversas e
nas anotações feitas, pareceu que havia uma sujeição a doutrina protestante e
que havia ainda participação na doutrina protestante, como alguns me indagaram
e reclamaram; este escrito que foi feito para justamente evocar algumas
perspectivas sobre o conceito de graça comum, que apesar de ter sido formulado
mais propriamente por um autor protestante, é um conceito que remonta aos
Padres da Igreja.
No entanto, que os equívocos gerados por isto sejam
entendidos corretamente, porque não falei como protestante, mas simplesmente
analisei a obra de um protestante, que foi o único que escreveu diretamente
sobre o assunto, a fim de extrair os ensinamentos adequados sem os erros da
doutrina protestante; mas, no que pareceu o contrário, que se me escuse de
erro, pois não foi esta a intenção, como está claro no próprio escrito.
Capítulo III: Investigações sobre a Cosmovisão Cristã.
Outra menção que gostaria de fazer, e a mais
importante, é sobre o escrito “Investigações sobre a Cosmovisão Cristã”
(de setembro de 2021); ora, este obra fora o primeiro grande tratado que
escrevi; inicialmente planejei esta obra para comportar sete volumes; e o
primeiro volume foi publicado; todavia, saiu com um problema terrível: a edição
fora corrompida; ao utilizar um aplicativo tecnológico para facilitar e
apressar a edição, o aplicativo corrompeu o texto o desfigurando e fazendo
outra junção em muitos aspectos que escrevi, formando quase que um novo livro;
e se não fosse por um dileto leitor que me indagou sobre alguns erros, nem
sequer teria me apercebido destes problemas.
Por esta razão, retirei este livro de publicação, e
vou arrumá-lo até estar corretamente editado e formatado sem erros para a
publicação; como foi algo que me deu muita dor de cabeça, não posso ao certo
prometer quando será novamente publicado; mas, será publicado em um único tomo
não mais com sete volumes, mas com sete livros, melhor dispostos e melhor
sintetizados; por isso, afirmo que não desisti da análise da cosmovisão cristã
do ponto de vista filosófico.
Portanto, aqueles que leram este primeiro volume
defrontaram-se com erros de edição, e de formatação e um embaralhamento do
conteúdo em muitas partes; num geral o conteúdo deste primeiro volume (que será
o livro I na nova edição) não tem modificações, apenas a correção dos erros de
edição e deste embaralhamento que formou quase que um novo conteúdo; os que
leram e entenderam minhas pressuposições evocadas, afirmo que estas
pressuposições continuam as mesmas, apenas são melhor dispostas e melhor
sintetizadas na nova edição que será publicada daqui mais a alguns anos.
Quanto a este escrito a evocação de “equívocos” se dá
por este aspecto ora mencionado.
Capítulo IV: Ensaios sobre Problemas Intelectuais da Teologia
Moderna.
Outra menção de suma importância que gostaria de fazer
é sobre meus escritos sobre a teologia moderna, publicados entre dezembro de
2023 e julho de 2024; estes escritos, na verdade ensaios, foram apresentados
neste período, mas em sua grande maioria são provenientes de anotações a partir
de leituras feitas entre 2015 e 2020; apenas não consegui publicar tais
escritos antes.
Pois, vendo a confusão inerente a estes tópicos,
resolvi publicar estes ensaios, os quais versam sobre problemas intelectuais da
teologia moderna. Poderia ter escrito vários outros ensaios; mas decidi não
tocar mais neste assunto e abandonar esta invectiva, já que a heresia
protestante é insolúvel,
Ora, embora estes ensaios tenham sido publicados sob o
signo protestante, não os fiz propriamente dito como um protestante[1], mas
como alguém que ao ter lido e analisado os principais tópicos da teologia
moderna, defrontou-se com problemas e aporias intelectuais, e decidiu escrever
sobre os mesmos; neste sentido é que estes escritos sobre a teologia moderna
devem ser analisados.
Além do que, apesar de não ser mais protestante, e de
ter analisado tópicos concernentes a teologia protestante, posso afirmar que
estes ensaios são muito melhores do que grande parte do que foi escrito pelos
próprios protestantes sobre a teologia moderna.
Por isso, mantenho tais escritos em minha obra, apenas
mencionando alguns equívocos gerados pelos mesmos ou que estão nos mesmos por
algum motivo (seja por desatenção, seja por erro de digitação ou edição, etc.).
Ora, estes ensaios são os seguintes:
1. “O
que é Teologia Evangélica?”
(de dezembro 2023); um ensaio escrito para explicar no que consiste o signo de “teologia
evangélica” que se tornou comum desde o final do séc. XIX; embora não se refira
propriamente a chamada “igreja” evangélica, este ensaio busca explicar este
signo que se tornou um ponto de inflexão da pesquisa acadêmica da teologia no
séc. XX; além disso, é um ensaio que busca explicar as bases teoréticas nas
quais a cristandade latino-americana está edificada, algo que é pouco
elucubrado e deixado de lado pelas confissões cristãs mais antigas dado estas
bases serem provenientes da heresia protestante.
2. “Teologia
da Cultura - Considerações Introdutórias” (de dezembro de 2023); um ensaio
escrito para apresentar os pressupostos fundamentais de uma teologia da cultura
no sentido intelectual e acadêmico, valendo-me para isso de seus principais artífices
na teologia acadêmica moderna.
3. “Schleiermacher
e o Estudo Teológico” (de dezembro de 2023); um ensaio escrito para
explicar a perspectiva de Schleiermacher sobre o estudo teológico, que é a
perspectiva que abaliza o curriculum teológico na modernidade em todas
as confissões cristãs. Neste sentido é que este ensaio deve ser entendido.
4. “Axiomas
para a Interpretação de Schleiermacher” (de fevereiro de 2024); um ensaio
escrito para explicar os principais aspectos que devem ser levados em conta
para a interpretação de Schleiermacher; pois, ao ler e estudar a obra de
Schleiermacher e ao consultar seus mais conhecidos interpretes, vi uma
maledicência e uma inveja tão grande que destorceram e vituperaram um pensador de
alto coturno sendo injustos com sua obra. Este ensaio foi escrito justamente
para explicar e aplainar o que é necessário para ser justo com a interpretação
da obra de Schleiermacher.
5. “Karl
Barth (1886-1968) – O Homem e Sua Obra” (de fevereiro 2024); um ensaio
escrito para apresentar, a guisa de introdução geral, a vida, a obra e o
pensamento de Karl Barth.
6. “Sobre
a Teologia de Schleiermacher” (de março de 2024); um ensaio escrito para
explicar a parte acadêmica da teologia de Schleiermacher, que é algo que influi
na pesquisa acadêmica da teologia desde o séc. XIX.
7. “O
Discipulado de Bonhoeffer” (de maio de 2024); um ensaio que procura
explicar as causas e as consequências da invectiva de Bonhoeffer a respeito do
discipulado e quais seus efeitos para a cristandade como um todo.
8. “Köhlbrugge
e a Oração” (de julho de 2024); um ensaio para explicar a pressuposição de
um dos artífices do fundamentalismo protestante a respeito da oração;
Köhlbrugge em tempos atuais é completamente desconhecido, mas boa parte das
pressuposições do protestantismo fundamentalista, isto é, o chamado
protestantismo anti-liberal, tem suas raízes no que este velho calvinista
holandês desenvolvera no séc. XIX.
Capítulo V: Zwinglio para Hoje.
E, por fim, outro escrito que gostaria de mencionar é
o ensaio “Zwinglio para Hoje” (de julho de 2024); ora, este ensaio sobre
Zwinglio foi escrito para talhar a necessidade intelectual de se retomar
Zwinglio, não pela qualidade ou não de sua teologia, mas para aclarar sua
importância histórica; apesar de ser cultor de uma das linhas da heresia
protestante, alguns tópicos da teologia de Zwinglio desenvolveram aspectos
problemáticos da baixa escolástica, e principalmente porque a “teologia” de
Zwinglio concatenou-se com a virada sócio-cultural da reforma da Federação
Suíça de sua época, dando forma a outro tipo de princípio político além
daqueles provenientes dos imperialismos que terminaram e dos que se iniciaram
nos sécs. IV e V - este outro tipo de princípio sócio-político pode ser chamado
de proto-capitalismo, que nasce, cresce e se desenvolve pela influência
de Zwinglio.
Além disso, as invectivas em torno de se recuperar
Zwinglio do pó das épocas tem por propósito mostrar toda a usurpação inerente
ao calvinismo; pois, geralmente se tem Calvino como o “pai do capitalismo”, e
isso é um erro; na verdade, o “pai do capitalismo” é Zwinglio; e a teologia de
Zwinglio se desenvolveu de acordo com a mutação da perspectiva das
altas-sociedades de sua época, muito mais do que o luteranismo nascente.
Por isso, se aparecer algum erro ou equívoco quanto a
esta invectiva que tende a parecer alguma aprovação ou participação nos erros
teológicos de Zwinglio e do protestantismo, saiba que isso foi um erro; e no
que não tiver erro, se compreenda a necessidade intelectual de se revisitar
Zwinglio e entendê-lo para se compreender a falta de honra intelectual que
permeia a doutrina protestante, e não só a doutrina protestante, mas também as
teorias sócio-econômicas da modernidade.
Assim sendo, no que tiver algum erro, que se entenda a
partir do que fora descrito, e que se rejeite como erro ou como heresia; mas no
que tiver algum proveito em função do propósito descrito, algo sumamente
necessário, que se entenda corretamente o que fora descrito, principalmente
porque fora uma tentativa de ser justo com um autor analisado, o qual mesmo
esquecido influi em quase tudo na vida moderna.
Portanto, no que houver algum erro que se rejeite sem
meio termos, mas no que não houver erro que se leve adiante esta invectiva
intelectual de acordo com os propósitos evocados.
Capítulo VI: Considerações Finais.
Com isso, os meus escritos anteriores que não foram
mencionados aqui não possuem equívocos, principalmente porque foram diretamente
abalizados ou porque foram exposições bíblicas feitas em forma de síntese
escolástica; evidentemente, estes equívocos mencionados, ainda não são
retratações ao estilo de Santo Agostinho; quiçá, e se assim me permitir o
Senhor, farei algo similar quando chegar a velhice, pois é algo que já tenho
como resolução em meu coração; no entanto, até chegar neste estágio, tenho
muito o que escrever, e rogo para que que o bondoso Deus me livre de erros
deliberados nas argumentações racionais.
Entretanto, decidi escrever sobre estes equívocos, a
fim de que aqueles que leem estes e outros textos que escrevi fiquem atentos
quanto a estes equívocos, bem como para que evitem os deslizes que nos mesmos
foram cometidos; ora, estes escritos mencionados, ou algum outro que tiver
algum equívoco que faltou a minha solicitude a percepção para descrevê-los
aqui, podem ser lidos sem nenhum problema; e a respeito disso, faço minhas as
palavras de Santo Agostinho, que estes escritos “podem ser lidos com proveito,
se se desculpam seus deslizes, ou, se não se desculpam, não se aceite o que
está errado”, ao que também exorto que “todo aquele que ler estes
escritos não me imite em seus erros, mas em meu progresso para melhor”[2].
Pois, é impossível não se ter erros no que se escreve
- mesmo os autores mais excelentes na escrita defrontam-se com erros no que
escrevem devido as limitações humanas; todavia, em tudo o que escrevi, no que
escrevo e no que escreverei não se terá nenhum sofisma, mas talvez possa ser
encontrado algum paralogismo ou algum erro de escrita ou edição, tal como os
que foram mencionados. E falo deste modo não por soberba ou por arrogância, mas
pela certeza e sinceridade de minha diante da verdade e diante de todo o meu
desenvolvimento intelectual e espiritual.
Todo o meu caminho está diante de mim e diante de
Deus, em sinceridade e verdade; por esta razão posso falar nestes termos a
respeito do que escrevi, do que escrevo e do que escreverei. Pois, os meus
escritos não são reflexos de uma mente ociosa ou que salta voos cósmicos, mas
são reflexo de uma vida ordenada na verdade, que procura glorificar a Deus em
doutrinas quanto a filosofia, e que procura viver, explicar e defender a fé cristã
quanto a teologia. E isso, graças a Deus, tenho feito de maneira incólume e
perseverante ao longo dos anos, e o próprio Deus me é testemunha e o que
escrevi comprova isso cabalmente.
No mais, louvo a Deus, tanto por ter me direcionado em tudo o que escrevi de bom, seja nas exposições bíblicas por me livrar de erros ao ter me iluminado com Seu Santo Espírito, seja nos outros escritos que me permitiu escrever ou que minha solicitude intelectual me conduziu a escrever por alguma necessidade, mas também, e principalmente por isso, por ter me feito perceber os equívocos que foram mencionados e por me fazer descrevê-los com sinceridade; a Ele glória e majestade para sempre. Amém.
[1] Estas publicações foram disponibilizadas numa plataforma digital, em
ebook, que constava na biografia do autor que o mesmo era protestante; isso não
pode ser arrumado devido a plataforma digital não se ter aceitado mudar esta
descrição biográfica; mas, de fato, nestas publicações, não era mais
protestante, como constava na biografia do autor, ainda que as mesmas tenham
saído com algum equívoco que podem tender para a heresia protestante.
[2] Santo
Agostinho, Retractationum, prol., n. 3.
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