Prólogo
As trovas que compõem esta obra versam sobre um
aspecto da cultura brasileira; como se sabe a cultura brasileira é
multifacetada, e uma destas faces é a da zoeira e da obscenidade; estas trovas
estabelecem-se justamente de acordo com esta face da cultura brasileira, a fim
de novamente se relembrar este aspecto que fora corrompido por influências
nefastas que buscam destruir as fronteiras de nossa nacionalidade.
A cultura brasileira tem um elemento de picardia, de
zoação, de obscenidade, que nenhuma outra cultura do mundo tem; por isso, a fim
de reedificar este aspecto, se apresenta algumas trovas que expressam de
maneira correta, e com gírias formais e informais algo que é próprio da cultura
brasileira; e que se saiba que nestas trovas não fala o teólogo ou o filósofo,
mas o trovador, um homem que trabalha para edificar a cultura brasileira tal
como a mesma tem de ser; nestas trovas transparece o cantor poético tal qual os
mestres de cordel. Por isso, nestas trovas não se tem muita originalidade, mas
apenas o labor de contar breves histórias que já são parte da cultura e do
folclore nacional, e de histórias que devem adentrar ao imaginário nacional.
Considerei por bem informar isso de antemão, a fim de
evitar os puritanismos americanos-europeus que permeiam a nossa nacionalidade,
e que infelizmente não compreendem coisas que são partes da vida humana, que
deve ser demasiadamente humana. Estas trovas, ao expressarem esse traço
característico da cultura brasileira, também tem por propósito recuperarem o
humanismo brasileiro perdido a muitas décadas.
Com efeito, nestas trovas são apresentadas picardias,
zoeiras, sacanagens, análises, críticas, etc., tudo a respeito de traços
característicos da cultura brasileira baseado em fatos e em historietas, bem
como em rechaços a aspectos que destroem as fronteiras de nossa nacionalidade.
1
Era uma vez um homem vil
que precisa tomar Rivotril;
este homem se encapelou
e uma égua engravidou.
2
Eis uma bela jovem
que vivia na sacanagem;
esta jovem com todos coisou
e em mula-sem-cabeça se tornou.
3
Um homem a Deus desafiou
e em lobisomem se tornou;
viveu em atormentação
e formou no cotovelo um cascão.
4
Na beira do rio
se tem calafrio;
pois na beira da água
está o caboclo d’água.
5
Uma mulher em forma de Jacaré
que assusta até os homens de fé;
ela tem um caldeirão e é maluca,
e é por todos conhecida como Cuca.
6
Faz palhaçadas na floresta
e ainda assobia uma seresta;
na defesa da floresta a todos inspira,
seu nome é o lendário Curupira.
7
Nascido num broto de bambu
e não gosta de comer umbu.
É o Saci, que tem uma só perna
e a todos sua travessura externa.
8
Um homem muito malvado
na vida se torna transtornado;
se chama Mandi, e vive na oca,
tornando-se o homem da mandi-oca.
9
Poucos tanta honra tem como o virtuoso
que na Amazônia se chama Caprichoso;
de uma festa é digno, pois é símbolo cabal
de uma herança cultural que é imortal.
10
A honra da cultura popular é um tesouro
da nacionalidade; e não se toma agouro
quando se trata de honrar o Garantido,
amigo do Caprichoso e sempre bem vestido.
11
Nos rios é envolto de mistério
e aos homens enche de revertério;
nas águas é um gigante visível,
é o Boto que os tem como algo risível.
12
Nas encruzilhadas e nas ruas longas
se tem aquela que busca muito ouro
e a todos assombra com grande agouro:
é a mãe-do-ouro, de fogo são as suas cangas.
13
De olhos brilhantes e ardentes,
ao Boitatá não se prende com correntes;
a floresta ajuda a proteger das queimadas
e aos homens ensina com suas ardentes remadas.
14
Das sereias o canto
perde o encanto e o recanto
quando Iara, dos rios a Mãe d’água,
aos homens enfeitiça com sua espádua.
15
Pelos muitos feitiços se transformou,
e mais do que em bruxa se transfigurou;
a descrição de Alcíone de fato se calcinou:
verdadeiramente a mulher em ave se tornou.
16
Os nahuales ao Brasil vieram
e muito cabalmente se assustaram,
pois nesta terra os terrores dos feitiços
se tornam tal como os cristais quebradiços.
17
Um agente ao Brasil veio espionar
e sem se dar conta acabou por vacilar,
falou dos planos de seu país
e logo tomou um soco no nariz.
18
Eis a história da mulher estrangeira
que tentou se igualar a mulher brasileira;
foi ridicularizada por sua feiura e mal jeito
e ainda teve de aguentar as zueiras por seu defeito.
19
Com Goethe um brasileiro falou
e o gênio alemão se assustou:
a morena brasileira o apaixonou
e ele sem saber o que fazer ficou.
20
Neste país a melhor zueira
é a glória maior da sacanagem,
falar que o Lula comeu uma cabriteira
e a ele render homenagem.
21
No Brasil duas perguntas imperam:
Pelé ou Maradona? - o que sempre acertam,
pois a resposta é Pelé; e a imortal indagação:
se cachaça é água? Uma dúbia sem explicação.
22
Um norte-americano quis do Brasil zombar,
foi pego de surpresa e ficou de pernas pro ar;
a um verdadeiro brasileiro não se vence na zoeira,
pois da cultura brasileira um mote é a besteira.
23
Os políticos em Brasília aos peixes adoram:
o predileto é o robalo, a quem quase veneram;
o segundo é o pirarucu, o que no povo enfiam;
o terceiro é o mandi-bosteiro, a obra que entregam.
24
Era uma vez o Lula
que toma uma pirula;
que dos cabritos gostava
e a dona Marisa amava.
25
Era uma vez Trump o presidente
que fazia chupeta sem dente,
que do Epstein gostava
e com o Clinton coisava.
26
Era uma vez o Bolsonaro
que implicou com um vivíparo;
a dona Michelle bobeou
e o Bolsonaro engravidou.
27
A crise a Europa assolou
e um brasileiro não bobeou,
tratou logo de escrever
sobre como a cachaça beber.
28
No vestiário de um grande estádio
pifou o sinal de internet e de rádio;
e os jogadores na broderagem
fizeram a maior sacanagem.
29
Quando o Lula foi preso
o mundo ficou surpreso,
pois com a Janja namorou
e com ela na cela coisou.
30
A injustiça emana e promana
na alma de uma nação profana;
pois os homens na vileza se mantêm
vociferando contra a decência com desdém.
31
Eis o país do carnaval e do futebol,
de grande desgraça debaixo do sol;
de uma nação a indignidade
tornou a vida em vaidade.
32
No parlamento europeu um brasileiro discursou,
mas como norte-americano se mostrou:
esqueceu-se dos pobres e dos valores brasileiros
para tentar impressionar os grandes banqueiros.
33
A venda da honra se tornou uma regra
e a vida se tornou como uma peste negra;
ninguém aos homens alertou e avisou
que neste país a decência não vingou.
34
As orgias do Judiciário
nunca foram noticiário;
mas uma coisa é assaz certeira
muitos juízes dão apenas carteira.
35
A beleza da mulher morena
foi equiparada a loira serena;
pasme-se: o desejo e a atração físico-corporal
deram lugar para a virtude moral.
36
A glória de um povo
é viver suas bênçãos de novo;
a memória da cultura nacional
é um patrimônio existencial.
37
A valsa brasileira
é vivida na esteira:
a vida de uma nação
avança sob sábia direção.
38
A identidade nacional por demais é desigual,
mas não permite o pérfido e vil mal racial:
não tolera superioridade nem descriminação
a tal ponto de condenar toda etnocentrização.
39
Eis o Brasil, grande nação,
de um povo de enorme coração;
o povo brasileiro é receptivo e caloroso,
mas pouco percebe o que no país é valoroso.
40
O Brasil é uma realidade paralela;
nesta terra ocorrem coisas inexplicáveis,
que nem mesmo a sabedoria de Mandela
conseguira entender em suas variáveis.
41
Uma dupla caipira foi casar,
Pafunço e a gorda do bar;
o casamento foi a maior alegria
a bênção da pousada em sua estadia.
42
A música brasileira é a caipira,
não as americanas modices;
o tesouro musical do país é sua raiz
e não as hollywoodianas tolices.
43
O caipirismo nacional é sem igual,
ninguém iguala e nem supera
de um brasileiro a sabedoria natural,
adquirida pela vivência que impera.
44
Nos rios e riachos brasileiros
tem alguns mistérios altaneiros:
peixes enormes e criaturas míticas,
fundamento das histórias emblemáticas.
45
O mundo está em guerra
e o Brasil numa sinuca de bico;
enquanto as bombas assolam a terra,
neste país se indaga se o Lula é cínico.
46
Terra de muitos juristas
e que forma muitos moralistas;
num país onde a jurisprudência é valorada
não deveria haver injustiça programada.
47
Da ditadura o presidente
era um marechal irridente;
nordestino de porte ergonômico
fez no país um milagre econômico.
48
Os preceitos da sionidade
são manifesto anti-brasilidade;
quem aos sionistas aceita
a honra brasileira rejeita.
49
A honra e a glória de uma nação
mede-se por coisas simples, as quais são:
amor a Deus, piedade, honestidade,
justiça, decência e espirituosidade.
50
Neste país emana
e com efeito promana:
contra Deus a hediondidade
e a destruição da bondade.
Fim das “Trovas Brasileiras”.
Laudate Deo!
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