05/06/2026

Antônio Nobre

Oh, egrégio poeta,

da solidão o exegeta,

homem de fado pesado

e de vida no enfado.

 

Das moiras o dizer

fora mais do que um parecer,

disseram tal qual profecia

como sua vida seria.

 

Tu encarnaste a tristeza de Portugal

e isto não nos é nenhum mal,

pois ensinara que a ternura

exala após a amargura.

 

O Só tu cantaste,

a ti mesmo te mostraste,

tua vida narraste

e a todos te confessaste.

 

Ó Nobre, vossa virtude

ensinara a solicitude:

tu tornaste a tristeza

em excelsa beleza.


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