(I) Viajei
até o mar,
e aos
peixes intentei pregar,
e eles me
disseram:
Antônio já
veio nos ensinar.
(II) Viajei
até o mar,
e me
deixaram a sós.
Os peixes
falaram:
é melhor
viver só.
(III)
Viajei até o mar,
ao vento
confessei,
e pelos
pombos entendi:
é porque
muito amei.
(IV) Viajei
até o mar,
para um
pouco descansar,
e ao ver
uma bela mulher
reminisci o
que é amar.
(V) Viajei
até o mar,
com as
conchas pude dialogar
e ouvi o
vento me falar:
deixa
disto, ainda hás de amar.
(VI) Viajei
até o mar,
vi os
golfinhos se aconchegar,
e ouvi os
céus dizerem:
és assim
que tens de amar.
(VII)
Viajei até o mar,
aos navios
vi navegar,
e um
ambulante ouvi cantar:
a beleza
está em amar.
(VIII)
Viajei até o mar,
aos
caracóis pude pegar,
e a minha
avó ensinou:
amar é se
doar.
(IX) Viajei
até o mar,
vi muitos a
nadar,
alguém
então falou:
amar é como
velejar.
(X) Viajei
até o mar,
e um
mistério pude contemplar,
um casal de
idosos a cantarolar:
Ah! Como é
bom amar!
(XI) Viajei
até o mar,
as ondas
pude observar
e escutei o
mar segredar:
ver a Deus
é amar.
(XII)
Viajei até o mar,
e, então
pude me acalmar
e um
peixinho me indagou:
e agora,
vais deixar de amar?
(XIII)
Viajei até o mar,
e pude me
encontrar.
Então, uma
ostra me falou:
isto é dor
de quem sabe amar.
(XIV)
Viajei até o mar,
vi sua
imensidão singular
e os anjos
me ensinaram:
tu foste
feito para amar.
(XV) Viajei
até o mar,
e então
pude me lembrar
da
sabedoria dizendo:
viver é
amar!
(XVI)
Viajei até o mar,
e me
alegrei a celebrar,
e as raias
proclamaram:
sejas
homem, vive para amar!
(XVII)
Viajei até o mar,
e me
emocionei ao perceber
quando uma
gaivota cantou:
ame para
viver!
(XVIII)
Viajei até o mar,
vi uma
baleia pular,
e um grande
peixe me falou:
a grandeza
da vida é amar.
(XIX)
Viajei até o mar,
compreendi
o que é honrar
e um
camarão me ensinou:
inteligir é
amar.
(XX) Viajei
até o mar,
na vida
pude meditar
e as algas
sussurraram:
sabedoria é
amar!
(XXI)
Viajei até o mar,
e pude nas
águas entrar,
e ouvi um pássaro
cantar:
a ordenança
é amar!
(XXII) Viajei
até o mar,
na vocação
pude meditar,
e ouvi
Camões cantar:
escrever é
amar.
(XXIII)
Viajei até o mar,
e na hora
de voltar
o pôr do
sol me declarou:
sempre tens
de amar!
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