07/06/2026

Viajei até o mar

(I) Viajei até o mar,

e aos peixes intentei pregar,

e eles me disseram:

Antônio já veio nos ensinar.

(II) Viajei até o mar,

e me deixaram a sós.

Os peixes falaram:

é melhor viver só.

(III) Viajei até o mar,

ao vento confessei,

e pelos pombos entendi:

é porque muito amei.

(IV) Viajei até o mar,

para um pouco descansar,

e ao ver uma bela mulher

reminisci o que é amar.

(V) Viajei até o mar,

com as conchas pude dialogar

e ouvi o vento me falar:

deixa disto, ainda hás de amar.

(VI) Viajei até o mar,

vi os golfinhos se aconchegar,

e ouvi os céus dizerem:

és assim que tens de amar.

(VII) Viajei até o mar,

aos navios vi navegar,

e um ambulante ouvi cantar:

a beleza está em amar.

(VIII) Viajei até o mar,

aos caracóis pude pegar,

e a minha avó ensinou:

amar é se doar.

(IX) Viajei até o mar,

vi muitos a nadar,

alguém então falou:

amar é como velejar.

(X) Viajei até o mar,

e um mistério pude contemplar,

um casal de idosos a cantarolar:

Ah! Como é bom amar!

(XI) Viajei até o mar,

as ondas pude observar

e escutei o mar segredar:

ver a Deus é amar.

(XII) Viajei até o mar,

e, então pude me acalmar

e um peixinho me indagou:

e agora, vais deixar de amar?

(XIII) Viajei até o mar,

e pude me encontrar.

Então, uma ostra me falou:

isto é dor de quem sabe amar.

(XIV) Viajei até o mar,

vi sua imensidão singular

e os anjos me ensinaram:

tu foste feito para amar.

(XV) Viajei até o mar,

e então pude me lembrar

da sabedoria dizendo:

viver é amar!

(XVI) Viajei até o mar,

e me alegrei a celebrar,

e as raias proclamaram:

sejas homem, vive para amar!

(XVII) Viajei até o mar,

e me emocionei ao perceber

quando uma gaivota cantou:

ame para viver!

(XVIII) Viajei até o mar,

vi uma baleia pular,

e um grande peixe me falou:

a grandeza da vida é amar.

(XIX) Viajei até o mar,

compreendi o que é honrar

e um camarão me ensinou:

inteligir é amar.

(XX) Viajei até o mar,

na vida pude meditar

e as algas sussurraram:

sabedoria é amar!

(XXI) Viajei até o mar,

e pude nas águas entrar,

e ouvi um pássaro cantar:

a ordenança é amar!

(XXII) Viajei até o mar,

na vocação pude meditar,

e ouvi Camões cantar:

escrever é amar.

(XXIII) Viajei até o mar,

e na hora de voltar

o pôr do sol me declarou:

sempre tens de amar!


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