12/06/2026

Ambivalência

(I) Nas intempéries da vida

se vê a honra repartida;

e entre as ambivalências do mundo

dos bons se exaure quase tudo.

(II) Aos homens de entendimento

as contradições trazem sofrimento;

e perante a dor dos inocentes

até os mais fortes ficam descrentes.

(III) A firmeza diante das contradições

é da sabedoria a melhor das lições,

pois diante dos mistérios da vida

o silêncio é prudência bem resolvida.

(IV) A ambivalência do poder

faz o mal se exceder,

e diante da maldade o proceder

faz os homens a honra ceder.

(V) E do poder a busca e a ânsia

faz o mal crescer em abundância.

O mundo perdeu-se em ambivalência

porque rejeitou da verdade a ciência.

(VI) Na ambiguidade de ser ou não-ser

os homens acabam por esquecer

que o viver é reconhecer

que a própria vida é ato de ser.

(VII) Ó desdita das ambivalências

que destroem as reminiscências;

mas, boa é a memória que nas circunstâncias

não se perde no não-saber das ignorâncias.

(VIII) Os ambivalentes são impacientes,

pois a desonra não os deixa cientes

acerca dos males morais e espirituais

dos quais são entes consensuais.

(IX) Ó ambivalência maldita

pelo oráculo da assolação predita

e pelo juízo natural infusa

em vida torpe e confusa.


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