1. A poesia consegue expressar o inexpressável, como
afirma São Dimitru Staniloae; e várias são as formas, na própria poesia, de se
expressar o inexpressável; alguns o fazem de maneira propriamente dita poética,
em alegorias; outros, todavia, o fazem de maneira metafórica; e outros ainda, o
fazem de maneira confessional, isto é, desvelam quem são, o que sentem e o que
fazem nas próprias poesias, descortinando a própria alma através da poesia.
2. Ora, três são os tipos de poesia: primeiro, a dos
poetas, aqueles que dedicam a expressar a realidade partir da experiência de
beleza, e que criam obras poéticas monumentais; segundo, a dos intelectuais,
que ao dedicarem-se a vários aspectos do saber, também escrevem poesias, não
como arte e ofício, mas como um hobby ou como homenagem a algo ou alguém (por
exemplo, à quem se ama), etc.; terceiro, a dos que se desnudam, ou seja,
daqueles que geralmente não falam dos motivos e das razões que os movem, mas o
fazem através da poesia, na qual desvelam o motivo-base do que os guia e o que
realmente buscam fazer em seus labores.
3. E a figura assaz complexa de Karl Marx engloba-se
no terceiro tipo; Marx não é um poeta propriamente dito, mas escreveu várias
poesias, muitas das quais totalmente desconhecidas, e até negligenciadas na
análise do pensamento marxiano; mas, em suas poesias, Marx se desvela de um
modo como em nenhuma outra de suas outras obras; na verdade, com a exceção das
cartas pessoais, Marx pouco fala de si em suas obras; mas em suas poesias, com
alegorias e metáforas, ele descortina a si mesmo: quem é, o que o move e o que
busca intensamente.
4. Por isso, para compreender alguns aspectos pouco
elucubrados do sistema marxista, se vai tecer alguns breves comentários aos
principais poemas de Marx, a fim de explicar o desnudar de Marx de acordo
consigo mesmo, e apresentar, para assombro de muitos, o verdadeiro “eu” de
Marx, que não é conhecível em suas numerosas obras, mas que é a fonte do ímpeto
que guia todo o marxismo.
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